{"id":314905,"date":"2024-02-25T09:31:23","date_gmt":"2024-02-25T09:31:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=314905"},"modified":"2024-02-26T11:41:24","modified_gmt":"2024-02-26T11:41:24","slug":"pobreza-portugal-temos-de-encontrar-solucoes-de-inclusao-rita-valadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pobreza-portugal-temos-de-encontrar-solucoes-de-inclusao-rita-valadas\/","title":{"rendered":"Pobreza\/Portugal: \u00abTemos de encontrar solu\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o\u00bb &#8211; Rita Valadas"},"content":{"rendered":"<p><em>Arranca hoje a Semana Nacional C\u00e1ritas, que, entre outras iniciativas, inclui o Pedit\u00f3rio P\u00fablico Nacional, que vai decorrer at\u00e9 ao dia 3 de mar\u00e7o. A presidente da C\u00e1ritas Portuguesa \u00e9 a convidada desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_314708\" aria-describedby=\"caption-attachment-314708\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-314708 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2667-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-314708\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Semana C\u00e1ritas este ano coincide com um per\u00edodo eleitoral. Pergunto-lhe se \u00e9 uma boa oportunidade para tornar mais p\u00fablica a preocupa\u00e7\u00e3o com o combate \u00e0 pobreza, com as tem\u00e1ticas da exclus\u00e3o, que parecem estar algo longe do atual debate pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que tem de ser. Ali\u00e1s, a minha presen\u00e7a hoje tamb\u00e9m tem esse prop\u00f3sito. Porque, de facto, n\u00f3s assistimos a muito, muito, muito discurso, com muito, muito pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mais vulner\u00e1veis, pelo menos \u00e0 tem\u00e1tica da pobreza. E as pessoas n\u00e3o podem ser esquecidas. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00f3s olharmos para a realidade portuguesa e n\u00e3o vermos, n\u00e3o ouvirmos aquilo que nos vem do territ\u00f3rio, que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito complexa. N\u00e3o h\u00e1 melhoras e n\u00f3s precisamos de olhar sobre os caminhos. N\u00f3s temos de ser capazes de fazer alguma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a C\u00e1ritas pode ajudar a colocar essa quest\u00e3o no centro, com o seu conhecimento da realidade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos como material para o lan\u00e7amento da campanha o primeiro relat\u00f3rio sobre a pobreza, feito numa perspetiva um bocadinho diferente do que a mera avalia\u00e7\u00e3o dos dados estat\u00edsticos tradicionais. \u00c9 um estudo que nos vem do Observat\u00f3rio C\u00e1ritas, coordenado pelo doutor Nuno Alves, membro da dire\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas portuguesa, e que se dedica exatamente a olhar para as quest\u00f5es da pobreza e a criar um instrumento que n\u00f3s gostar\u00edamos de tornar anual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse relat\u00f3rio vai ser apresentado, esse estudo vai ser apresentado na Cat\u00f3lica Porto, na ter\u00e7a-feira? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9, vai, vai, exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 algo que nos possa adiantar, sem estar a quebrar um embargo?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que eu posso dizer \u00e9 que h\u00e1 uma perspetiva fixada nos indicadores de priva\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o severa, que nos traz mais pr\u00f3ximo da realidade. Quando n\u00f3s falamos em n\u00fameros e em estrat\u00e9gias, estamos a olhar as coisas de longe, num movimento que \u00e9 muito importante, n\u00e3o quero desvalorizar isso, mas aquilo que n\u00f3s depois olhamos para a realidade quando estamos pr\u00f3ximos, n\u00e3o \u00e9 a igual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um desfasamento entre os dados e aquilo que vai acontecendo e o agravamento da situa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu costumo dizer que n\u00f3s temos uma varia\u00e7\u00e3o da nossa pobreza mais resistente, que h\u00e1 muitos, muitos, muitos anos, desde o s\u00e9culo passado, que variam entre 16% e 22%, e o risco da pobreza \u00e9 calculado com base numa mediana de um valor de rendimento. Quando o rendimento varia, imagine, sobe o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, varia a percentagem de pobres. Na realidade, n\u00e3o muda nada quando se decide alterar o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, porque aumenta o rendimento m\u00e9dio. Qualquer situa\u00e7\u00e3o sobre os dados do rendimento provoca uma altera\u00e7\u00e3o sobre a estat\u00edstica, mas n\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o das pessoas. A Caritas tem este trunfo de estar muito, muito, muito, muito pr\u00f3ximo, e aquilo que n\u00f3s temos feito \u00e9 um esfor\u00e7o enorme, com um esfor\u00e7o volunt\u00e1rio de muitos investigadores e colaboradores nossos, \u00e9 ver como \u00e9 que n\u00f3s conseguimos transformar esta vis\u00e3o que n\u00f3s temos num dado \u00fatil para a a\u00e7\u00e3o e para o conhecimento do problema. E este \u00e9 um primeiro passo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A perce\u00e7\u00e3o que t\u00eam da realidade \u00e9 de que o conjunto de situa\u00e7\u00f5es continua a aumentar e continua a subir o n\u00famero de casos de exclus\u00e3o e de pobreza?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos um aumento de pessoas a chegar aos nossos servi\u00e7os, com muitos tons diferentes, consoante o territ\u00f3rio, mas que eu acho que ainda assim est\u00e1 longe daquilo que \u00e9 a realidade, porque n\u00f3s tamb\u00e9m nos apercebemos que v\u00e3o-se somando situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social portuguesa e as pessoas que n\u00f3s apoiamos s\u00e3o as mesmas. Surgem situa\u00e7\u00f5es novas, mas as mesmas que n\u00f3s sabemos que n\u00e3o mudou a situa\u00e7\u00e3o de vida, acabam por desaparecer, as pessoas est\u00e3o um bocadinho a desesperan\u00e7ar e n\u00e3o querem para a sua vida depender de um apoio mensal ou de limita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o querem isso, e come\u00e7am a afastar-se. O esfor\u00e7o \u00e9 condicionado pela sua vontade de garantir que n\u00e3o ficam sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Cabec\u0327alho-A4-02-1536x409-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-314906 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Cabec\u0327alho-A4-02-1536x409-1-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Cabec\u0327alho-A4-02-1536x409-1-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Cabec\u0327alho-A4-02-1536x409-1.jpg 727w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Falamos durante muitos anos da pobreza envergonhada, o que me est\u00e1 a dizer \u00e9 que vai come\u00e7ar a haver uma pobreza invis\u00edvel, com as pessoas a desaparecem do radar?<\/em><\/p>\n<p>A pobreza invis\u00edvel j\u00e1 existe, j\u00e1 existe tamb\u00e9m, onde tamb\u00e9m est\u00e3o essas situa\u00e7\u00f5es de pobreza envergonhada, mas aquilo que eu estava aqui a falar \u00e9, nessa pobreza envergonhada, nas situa\u00e7\u00f5es de crise, acabaram por se aproximar da C\u00e1ritas muitas pessoas que apesar de terem lutado contra essa visibilidade da sua situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, ousaram pedir apoio e acharam que iam conseguir com esse apoio.<\/p>\n<p>Depois perceberam que sem um apoio continuado isso n\u00e3o acontece e isso n\u00e3o est\u00e1 na sua maneira de estar na vida. E isso a mim, confesso, que me preocupa muito porque n\u00f3s podemos desfazermos em tentativas de campanhas, de chegar \u00e0s pessoas, de lhes dar apoios pontuais, at\u00e9 de participar, sempre que podemos e somos chamados a isso, na discuss\u00e3o de medidas de pol\u00edtica novas, de novos sonhos e novos tesouros para enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o conseguimos fazer nada se as pessoas desistirem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um sentimento total de falta de esperan\u00e7a?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 total, nem eu acho que seja irresol\u00favel.<\/p>\n<p>O que eu quero aqui chamar a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s todos fomos convocados para mais aten\u00e7\u00e3o, porque estas pessoas que desistem s\u00e3o pessoas que algum tempo nosso e alguma palavra nossa pode fazer diferen\u00e7a. N\u00f3s n\u00e3o podemos ficar sentados \u00e0 espera de que as pessoas venham ter connosco para nos falar da sua situa\u00e7\u00e3o, problema. N\u00f3s temos de olhar como deve ser. Lembro-me agora aqui de uma frase: \u00abn\u00e3o desvies de nenhum pobre o teu olhar\u00bb. Para mim eu acho que \u00e9 fort\u00edssimo e \u00e9 um bocado isto, \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quando n\u00f3s n\u00e3o olhamos, n\u00e3o vemos, portanto n\u00e3o acontece. N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>As coisas que n\u00f3s n\u00e3o olhamos e n\u00e3o vemos acontecem na mesma. Todos n\u00f3s temos alguns recursos e eu n\u00e3o estou a falar s\u00f3 de recursos financeiros. H\u00e1 muitos recursos que n\u00f3s temos enquanto pessoas que t\u00eam de ser postos em cima da mesa para tentar amaciar a situa\u00e7\u00e3o de crise que muitos portugueses est\u00e3o a viver neste momento.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Quem trabalha nesta \u00e1rea do combate \u00e0 pobreza fala muitas vezes da necessidade de avaliar as medidas. Os dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica mostram que 10% da popula\u00e7\u00e3o empregada est\u00e1 em risco de pobreza. Essa taxa agravou-se tamb\u00e9m para os empregados, que agora t\u00ednhamos quase metade dessa popula\u00e7\u00e3o. Estes dados mostram que as respostas sociais est\u00e3o a falhar?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos vindo a falar nisso. N\u00e3o s\u00e3o as medidas pol\u00edticas que est\u00e3o a falhar. Est\u00e3o \u00e9 desadequadas \u00e0 realidade. N\u00f3s n\u00e3o podemos olhar para a situa\u00e7\u00e3o social como fosse uma realidade imut\u00e1vel. A realidade muda e as medidas pol\u00edticas n\u00e3o podem n\u00e3o mudar. T\u00eam de se adaptar \u00e0 realidade; juntando tamb\u00e9m as pr\u00f3prias pessoas em situa\u00e7\u00e3o de crise \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o destes problemas.\u00a0 Tem de haver envolvimento. A quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas de cada um e a participa\u00e7\u00e3o dos recursos, falados de uma forma hol\u00edstica, que todos n\u00f3s temos, tem de contribuir para ajudar a resolver problemas. \u00c0s vezes acontecem coisas mais estranhas. Acontecem situa\u00e7\u00f5es em que o facto de uma pessoa conseguir vencer uma situa\u00e7\u00e3o de rutura de pobreza, retira-a da possibilidade de outros apoios porque fica fora dos crit\u00e9rios. E estas coisas deviam-nos convocar com muita proximidade. E s\u00e3o cr\u00edticas para todas as situa\u00e7\u00f5es de problema e para todas as vulnerabilidades que n\u00f3s temos.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos de olhar realmente para as medidas pol\u00edticas de uma forma ativa. N\u00e3o pode ser s\u00f3 a nossa escuta que \u00e9 ativa, o nosso olhar atento. As medidas pol\u00edticas tamb\u00e9m t\u00eam de fazer esse esfor\u00e7o, porque n\u00e3o podemos confortar-nos. Temos esta medida, aquela medida. At\u00e9 discutir, porque aquilo que \u00e9 s\u00e9rio e certo em determinado momento pode perder com a situa\u00e7\u00e3o de crise a sua import\u00e2ncia e a sua prioridade. Sabemos que n\u00e3o somos um pa\u00eds rico. Sabemos que temos dificuldade, mas temos a obriga\u00e7\u00e3o de dar consist\u00eancia e efetividade \u00e0s medidas pol\u00edticas que s\u00e3o poss\u00edveis em cima da mesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E no novo quadro pol\u00edtico que se avizinha \u00e9 de esperar da sua parte uma aten\u00e7\u00e3o muito particular \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pobres, porque essa \u00e9 uma realidade para a qual tamb\u00e9m n\u00e3o temos olhado muito e que tem crescido? <\/em><\/p>\n<p>Tirando a quest\u00e3o da sua pergunta em rela\u00e7\u00e3o ao quadro pol\u00edtico que eu n\u00e3o sei qual vai ser, a Caritas tem esta preocupa\u00e7\u00e3o. Realmente, eu diria para mim, pessoalmente, e eventualmente outras pessoas poderiam ter tamb\u00e9m esta consci\u00eancia &#8211; h\u00e1 sempre uns murros de est\u00f4mago que s\u00e3o tempor\u00e1rios. Eu lembro-me que na outra situa\u00e7\u00e3o de crise o nosso murro no est\u00f4mago foi o duplo desemprego dos casais. Eu diria que o murro no est\u00f4mago hoje \u00e9 o emprego j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 garantia de fuga \u00e0 pobreza. E isso, claro que do ponto de vista pol\u00edtico \u00e9 muito exigente e devia ser prioridade. O emprego que \u00e9 aquilo que n\u00f3s podemos, de forma aut\u00f3noma, fazer, investir para resolver esta situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 n\u00e3o cair na situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Ent\u00e3o, do ponto de vista pol\u00edtico, isso tem de ser visto com muita seriedade, porque o emprego digno e o sal\u00e1rio justo s\u00e3o duas coisas que n\u00e3o podem estar fora do panorama da discuss\u00e3o de pol\u00edticas e da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o separamos as pessoas que t\u00eam emprego das pessoas que n\u00e3o t\u00eam emprego. N\u00f3s ajudamos a quem pede e precisa, quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de grande fragilidade ou tem alguma vulnerabilidade acrescida, \u00e9 nosso parceiro deste caminho.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o, o nosso observat\u00f3rio C\u00e1ritas vai, com certeza, continuar a acompanhar esta realidade. Estamos a tentar encontrar formas de tornar vis\u00edvel muitos dados que n\u00f3s n\u00e3o temos vindo a saber p\u00f4r em cima da mesa, e traz\u00ea-los para a discuss\u00e3o. Pass\u00e1mos pela situa\u00e7\u00e3o do SEGASP e agora estamos a procurar uma forma de todo o caminho do SEGASP, que era um sistema de gest\u00e3o de dados a ser colocado numa plataforma flex\u00edvel, que seja f\u00e1cil de utilizar por todas as pessoas com quem n\u00f3s temos rela\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o radares do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Vamos estar com essa preocupa\u00e7\u00e3o, mas para n\u00f3s, em termos da a\u00e7\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o, se pudermos fazer com que as pessoas n\u00e3o desistam de trabalhar, porque de facto isso n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o de vida, para n\u00f3s \u00e9 muito importante. Porque h\u00e1 quem fa\u00e7a isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nenhum de n\u00f3s sabe qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo quadro pol\u00edtico, o que eu lhe pergunto \u00e9 se um cen\u00e1rio de instabilidade, em que possa demorar ainda mais tempo formar um novo governo, vir\u00e1 agravar esta situa\u00e7\u00e3o de crise social e econ\u00f3mica.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tendo uma bola de cristal, eu acho que isso \u00e9 evidente. Isto acontece a cada dia e, de facto, entre as situa\u00e7\u00f5es nacionais e a quest\u00e3o dos estrangeiros em Portugal, para j\u00e1 n\u00e3o falar das realidades internacionais que tamb\u00e9m nos convocam &#8211; a Ucr\u00e2nia e a Faixa de Gaza, mas o agravamento da situa\u00e7\u00e3o em Pemba, em Cabo Delgado. Isto \u00e9 o nosso dia-a-dia. Eu adorava que n\u00f3s pud\u00e9ssemos investir na inclus\u00e3o das pessoas e n\u00e3o estar permanente em emerg\u00eancia. Esta situa\u00e7\u00e3o que nos obriga \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o \u00e9 aquela que n\u00f3s gost\u00e1vamos de estar a investir.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s quer\u00edamos \u00e9 fazer diferen\u00e7a, que as pr\u00f3prias pessoas pudessem afastar-se de n\u00f3s do ponto de vista da necessidade econ\u00f3mica e social. Tamb\u00e9m n\u00e3o queremos deixar cair esse desiderato nem desistir de pensar nisso. N\u00f3s temos de encontrar solu\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o para al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nessa perspectiva, deixa-me perguntar se entende alguns discursos pol\u00edticos que culpabilizam as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e de pobreza. <\/em><\/p>\n<p>Claro que as pessoas, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que queira estar nas situa\u00e7\u00f5es em que est\u00e1. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vou dizer, que n\u00e3o reconhe\u00e7o que h\u00e1 alguns v\u00edcios que decorrem das medidas de pol\u00edtica. Se \u00e9 igual uma pessoa trabalhar ou receber apoios, h\u00e1 outras prioridades. Se \u00e9 permitido que se fa\u00e7a um emprego n\u00e3o regulado&#8230; Mas a culpa n\u00e3o \u00e9 das pessoas, a culpa \u00e9 do sistema.<\/p>\n<p>\u00c9 muito bom sentar-se numa cadeira, num p\u00falpito e fazer um discurso, uma confer\u00eancia sobre os temas da depend\u00eancia dos apoios. N\u00f3s vimos de um tempo em que os apoios pontuais, sem perspectiva de inser\u00e7\u00e3o, t\u00eam sido uma solu\u00e7\u00e3o para as situa\u00e7\u00f5es de crise, mesmo pelo Estado. Portanto, n\u00e3o podemos dizer depois que as pessoas s\u00e3o culpadas dessa situa\u00e7\u00e3o. O sistema que t\u00eam \u00e9 esse, se aquilo que oferecem implica afastamento de determinadas obriga\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falava ainda h\u00e1 pouco da quest\u00e3o dos migrantes. Portugal tem sido nos \u00faltimos tempos um pa\u00eds de acolhimento. As dificuldades que se vivem por parte destas popula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m vieram causar mais press\u00e3o. Do ponto de vista social, estamos a saber responder \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de grande vulnerabilidade que muitas destas pessoas vivem? <\/em><\/p>\n<p>Eu costumo dizer que s\u00e3o estrangeiros, porque neste momento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, \u00e0 primeira vista, se \u00e9 um refugiado, se \u00e9 um migrante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, essa distin\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica agora \u00e9 dif\u00edcil.<\/em><\/p>\n<p>No nosso programa \u201cInverter a curva da pobreza\u201d, 43% dos apoios s\u00e3o dados a estrangeiros. Isto n\u00e3o pode acontecer.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3, como era at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, uma realidade de Lisboa ou dos grandes polos. Est\u00e1 a acontecer ao n\u00edvel das aldeias, com grandes situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e com pedidos \u00e0 Igreja, \u00e0 C\u00e1ritas, de que acolham as pessoas que v\u00eam. Isto est\u00e1 a acontecer hoje. H\u00e1 15 dias que h\u00e1 uma press\u00e3o enorme para resolver o problema de um grupo bastante alargado de refugiados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a\u00ed est\u00e1 a falhar o Estado\u2026<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Estado est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00e3o da sua organiza\u00e7\u00e3o, com o fim do SEF e com a reorganiza\u00e7\u00e3o do ACM para a AIMA e a redefini\u00e7\u00e3o, naturalmente, que v\u00e3o ter de fazer do quadro de a\u00e7\u00e3o, mas esquecidos de que a reorganiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica que as pessoas desaparecem. As pessoas est\u00e3o c\u00e1, v\u00eam, s\u00e3o aceites e engrossam as pessoas que dormem na rua. N\u00f3s n\u00e3o estamos a falar de uma situa\u00e7\u00e3o que seja socialmente resol\u00favel com uma varinha de cond\u00e3o. Eu, infelizmente, n\u00e3o tenho nenhuma, mas nem sequer com criatividade, que \u00e9 aquilo que n\u00f3s temos usado para resolver os problemas das \u00faltimas crises. A press\u00e3o \u00e9 enorme, ao n\u00edvel de todo o territ\u00f3rio, em grupos grandes, com receios de inseguran\u00e7a nos n\u00facleos mais pequenos, porque quando n\u00e3o sabem falar a l\u00edngua \u00e9 inseguro para todos, \u00e9 inseguro para quem os ouve, e n\u00e3o os percebe, e \u00e9 inseguro para quem quer falar e n\u00e3o consegue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o tem havido tempo para fazer esse trabalho de inclus\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, e por isso, mais uma vez, esta nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 grande. Seja para portugueses, naturalmente, para os nossos mais pr\u00f3ximos, para aqueles que est\u00e3o muito perto da nossa a\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para os estrangeiros que v\u00e3o chegando, que t\u00eam de ter uma solu\u00e7\u00e3o. Naturalmente o Estado tem um papel a que n\u00e3o se pode furtar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sabemos que, por conta das sucessivas crises, e do aumento dos pedidos de ajuda, algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam revelado dificuldades. Como \u00e9 que est\u00e1 a sa\u00fade da C\u00e1ritas?<\/em><\/p>\n<p>Vari\u00e1vel. Muito vari\u00e1vel, mas muito dif\u00edcil. Esta semana \u00e9 muito importante para n\u00f3s. H\u00e1 C\u00e1ritas diocesanas e paroquiais que dependem daquilo que acontecer esta semana. O Pedit\u00f3rio Nacional, que se faz de modo presencial e online, exige que n\u00f3s todos participemos, de facto, seja qual for o valor.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos podemos esquecer que somos 10 milh\u00f5es de portugueses. Se cada portugu\u00eas desse 1 euro, t\u00ednhamos 10 milh\u00f5es de euros. E, \u00e0s vezes, perdemos a no\u00e7\u00e3o de que aquilo que, eu sentir que posso dar pouco n\u00e3o deve ser motivo para eu deixar de apoiar. A soma de todos juntos \u00e9 que faz a diferen\u00e7a, para a a\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas em Portugal e tamb\u00e9m dos apoios que damos a outras realidades internacionais, mas sobretudo para a realidade nacional. A Semana Nacional C\u00e1ritas, que come\u00e7a hoje e termina no dia 3 de mar\u00e7o \u00e9 important\u00edssima, por isso, naturalmente, aquilo que digo \u00e9 que estejam atentos, porque a C\u00e1ritas precisa de todos para a sua a\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e para a sua a\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos a falar do site caritas.pt e tamb\u00e9m dos volunt\u00e1rios que, como habitualmente. estar\u00e3o pelas ruas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Em <a href=\"http:\/\/www.caritas.pt\">caritas.pt<\/a> t\u00eam todos os tesouros que nos podem oferecer. \u00a0Os nossos anjos do terreno s\u00e3o os nossos volunt\u00e1rios. Curiosamente, achei que, a seguir \u00e0 pandemia, as pessoas iriam desinteressar-se, mas para muitos volunt\u00e1rios a possibilidade de participar de forma t\u00e3o ativa, junto da C\u00e1ritas e da Igreja, \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o posso parar de agradecer, que \u00e9 comovente, pela forma como as pessoas apostam e se envolvem no pedit\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o receia que a situa\u00e7\u00e3o de dificuldade dos portugueses se possa refletir negativamente no pedit\u00f3rio p\u00fablico que agora come\u00e7a? <\/em><\/p>\n<p>Claro que eu tenho no\u00e7\u00e3o de que as pessoas n\u00e3o t\u00eam a mesma disponibilidade que tinham h\u00e1 alguns anos. Mas, infelizmente, nos \u00faltimos anos, tem havido sempre uma crise que nos convoca. Aquilo que eu acho importante \u00e9 n\u00e3o perder de mira, apesar das crises &#8211; tivemos a guerra da Ucr\u00e2nia, todas as situa\u00e7\u00f5es que aconteceram &#8211; n\u00e3o desvalorizar o papel que se pode ter junto do pedit\u00f3rio nacional da C\u00e1ritas. E eu acredito que, apesar de serem tempos dif\u00edceis, se estivermos mais conscientes e mais alertas, vamos conseguir fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Falamos da guerra da Ucr\u00e2nia, n\u00e3o falamos, mas estava subentendido, da pandemia, da crise da infla\u00e7\u00e3o. Pergunto-lhe se a preocupa\u00e7\u00e3o maior agora \u00e9 mesmo a crise de esperan\u00e7a que se vive. <\/em><\/p>\n<p>Para mim \u00e9. Somando as outras coisas, naturalmente. Mas porque \u00e9 aquilo que eu n\u00e3o tenho, n\u00e3o sei como se resolve. A n\u00e3o ser com a participa\u00e7\u00e3o de todos, muito pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arranca hoje a Semana Nacional C\u00e1ritas, que, entre outras iniciativas, inclui o Pedit\u00f3rio P\u00fablico Nacional, que vai decorrer at\u00e9 ao dia 3 de mar\u00e7o. A presidente da C\u00e1ritas Portuguesa \u00e9 a convidada desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":314708,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[125],"class_list":["post-314905","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-caritas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314905\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/314708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}