{"id":314812,"date":"2024-02-22T09:54:42","date_gmt":"2024-02-22T09:54:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=314812"},"modified":"2024-02-22T09:54:42","modified_gmt":"2024-02-22T09:54:42","slug":"contemplativos-no-meio-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/contemplativos-no-meio-do-mundo\/","title":{"rendered":"\u201cContemplativos no meio do mundo.\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. Hugo Gon\u00e7alves, diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266299 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A Quaresma j\u00e1 leva alguns dias, mas ainda est\u00e1 nos seus in\u00edcios, nesse sentido \u00e9 importante &#8211; se ainda n\u00e3o o fizemos &#8211; de fazermos alguns prop\u00f3sitos exequ\u00edveis, para uma verdadeira convers\u00e3o, e se tivermos de os escrever para os revisitarmos ao longo deste percurso, pois que o fa\u00e7amos \u2013 at\u00e9 \u00e9 aconselh\u00e1vel. Conv\u00e9m que n\u00e3o seja uma lista extensa, pois como diz o povo: \u2018quem muitos burros toca, algum h\u00e1-de ficar para tr\u00e1s\u2019.<\/p>\n<p>Na verdade \u2013 e n\u00e3o quero ser um esp\u00edrito pessimista \u2013 sugere-me a experi\u00eancia pastoral, que muitos s\u00e3o aqueles que vivem estes quarentas dias de travessia quaresmal, como se nada se passasse, como se a Quaresma fosse um tempo lit\u00fargico e espiritual igual aos outros, apenas pontuado por alguns s\u00edmbolos e ritos particulares deste tempo. Assim, o jejum, a penit\u00eancia, a ora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o apenas palavras cujo eco fica retino no espa\u00e7o da igreja, sem ter concretiza\u00e7\u00e3o na vida pr\u00e1tica de cada um, pois at\u00e9 a mem\u00f3ria dos av\u00f3s que realizavam estas pr\u00e1ticas quaresmais, se perdeu. O aparente culpado deste esquecimento, da impossibilidade de levar por diante estas pr\u00e1ticas, que nos conduzem e ajudam a uma convers\u00e3o pessoal, \u00e9 a falta de tempo. Sim, as diversas ocupa\u00e7\u00f5es, o hor\u00e1rio apertado do dia, parecem ser os principais impedimentos \u00e0 viv\u00eancia da Quaresma. Mas ser\u00e1 verdadeiramente assim? \u00c9 o modo de vida hodierno que impossibilita grande parte dos crist\u00e3o de ter uma Quaresma bem vivida e uma vida cada vez mais vazia de Deus? Julgo que n\u00e3o!<\/p>\n<p>Na Ordem de S. Bento, al\u00e9m da regra, h\u00e1 uma m\u00e1xima, que julgo que pode ser por n\u00f3s todos aplicada: \u201c<em>Ora et Labora<\/em>\u201d (Reza e Trabalha). Talvez possa algu\u00e9m dizer: \u2018Pois bem, isso \u00e9 tudo muito bonito, mas na verdade, quem vivia essa regra tinha um hor\u00e1rio que tinha j\u00e1 em vista esses dois aspetos\u201d. Talvez este seja o primeiro prop\u00f3sito a escrever e a reter para cumprirmos nesta Quaresma \u2013 \u2018ordem de vida\u2019. Aquilo que em particular S\u00e3o Bento de N\u00farisa nos recorda, com a sua \u2018Regra\u2019, \u00e9 que necessitamos de ter ordem de vida ou regra de vida, para que possamos desenvolver bem todas as nossas atividades humanas, quer do trabalho, quer espirituais e, diria eu, quer familiares. At\u00e9 aquelas atividades (trabalho, fam\u00edlia, etc.) que s\u00e3o parte do nosso dia-a-dia e que parecem n\u00e3o estar conectadas com a vida espiritual, podem e devem ser \u2018lugar\u2019 de ora\u00e7\u00e3o. Recordo um document\u00e1rio que vi \u00e0 cerca da vida de um mosteiro beneditino e surpreendi-me com um pequeno momento do dia dessa comunidade, em que parte dos monges foram ajudar na cozinha, a descascar batatas, e que no decorrer do cumprimento dessa tarefa, se dedicaram a rezar alguns \u2018Pai-Nossos\u2019 e \u2018Ave Marias\u2019. Na verdade o trabalho, as atividade familiares, bem como outras, podem e devem ser aproveitadas como ora\u00e7\u00e3o, oferecimento a Deus, uma verdadeira obla\u00e7\u00e3o que configura aquilo que dizemos na celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa: \u201c<em>bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo p\u00e3o que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que hoje Vos apresentamos<\/em>\u201d. Ainda neste sentido, recordo as palavras de S\u00e3o Josemaria Escriv\u00e1: \u201c<em>Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o me canso de repetir que havemos de ser almas contemplativas no meio do mundo que procuram converter o seu trabalho em ora\u00e7\u00e3o<\/em>.\u201d (<em>Sulco<\/em> 497).<\/p>\n<p>Ser \u201ccontemplativos no do mundo\u201d pode ser talvez o maior desafio que nos possamos propor como caminhada quaresmal, como prop\u00f3sito priorit\u00e1rio, que nos levar\u00e1 a compreender e, obviamente, a viver como verdadeiros filhos de Deus que, envolvidos nas realidades humanas da fam\u00edlia, do trabalho, nunca deixam de nelas estar unidos ao Pai, Senhor das nossas vidas e a partir daqui teremos uma compreens\u00e3o melhor da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na nossa vida, como espa\u00e7o de encontro pessoal e comunit\u00e1rio com Deus; do jejum que nos leva a saborear as palavras &#8211; \u201c<em>nem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus<\/em>\u201d (Mt. 4, 4) &#8211; como um convite a conformarmos as nossas vidas \u00e0 vontade de Deus e abertura de cora\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os; e a penit\u00eancia como experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia e do amor de Deus, num cora\u00e7\u00e3o contrito.<\/p>\n<p>Dependente da forma como vivemos esta Quaresma de 2024 estar\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. Se a nossa caminhada pessoal, neste tempo, for de indiferen\u00e7a, de falta de convers\u00e3o de vida, ent\u00e3o a P\u00e1scoa ser\u00e1 um vazio, a \u2018Luz de Cristo\u2019 n\u00e3o nos iluminar\u00e1, n\u00e3o faremos encontro com o Ressuscitado; se a Quaresma nos levar a colocar em ordem a nossa vida, se espa\u00e7o de ora\u00e7\u00e3o, de jejum, de penit\u00eancia, de oferecimento daquilo que somos, temos e fazemos, ent\u00e3o a P\u00e1scoa acontecer\u00e1 em n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pe. Hugo Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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