{"id":31478,"date":"2008-04-22T11:54:50","date_gmt":"2008-04-22T11:54:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/22\/economia-de-comunhao-apresentacao-de-um-caso-empresarial\/"},"modified":"2008-04-22T11:54:50","modified_gmt":"2008-04-22T11:54:50","slug":"economia-de-comunhao-apresentacao-de-um-caso-empresarial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/economia-de-comunhao-apresentacao-de-um-caso-empresarial\/","title":{"rendered":"Economia de Comunh\u00e3o: apresenta\u00e7\u00e3o de um caso empresarial"},"content":{"rendered":"<p>Faria &#038; Irm\u00e3o \u00e9 uma empresa de cariz familiar fundada em 1957, situada em Leiria. Tem como objecto produzir formas de pl\u00e1stico (moldes) para cal\u00e7ado. Enquanto jovens, eu e o Ac\u00e1cio, meu irm\u00e3o, conhecemos um grupo de jovens dos Focolares. Tinham, como caracter\u00edstica, p\u00f4r tudo em comum, com toda a liberdade: as ideias, os conhecimentos, os bens, etc.. Isto permitiu-nos descobrir a riqueza da complementaridade das diferen\u00e7as, potenciar a toler\u00e2ncia, a unidade, o respeito pelo outro, a solidariedade.  Ao entrar no mercado de trabalho, parecia \u00f3bvio dar continuidade a um tipo de vida que at\u00e9 ali nos havia fascinado. \u00c9 certo que a realidade era outra mas o homem ao lado do homem mantinha-se. Este novo contexto implicava apenas algumas responsabilidades espec\u00edficas que tinham a que ver com a gest\u00e3o de uma pequena empresa. \u00c9 pac\u00edfico, para quem estuda a din\u00e2mica das organiza\u00e7\u00f5es, que os recursos humanos s\u00e3o muito importantes. Na \u201cEconomia de Comunh\u00e3o\u201d para al\u00e9m de serem importantes, s\u00e3o a raz\u00e3o de ser, s\u00e3o o centro de todas as decis\u00f5es. Em 1987, quando compr\u00e1mos os 50% ao nosso tio, foi espont\u00e2neo incluir na sociedade em igualdade de circunst\u00e2ncias um outro irm\u00e3o, embora estivesse ainda a estudar. Quando se trata de decidir, de delinear estrat\u00e9gias, obviamente que eu e o Ac\u00e1cio estamos quase sempre em sintonia, todavia esta proximidade n\u00e3o evita diverg\u00eancias, \u00e9 apenas garantia de respeito e de saber ouvir. Com o tempo, um sonho que inicialmente era apenas partilhado por dois, foi seduzindo os outros dois. Os resultados justificavam a continuidade dos princ\u00edpios. Hoje, \u00e9 evidente que, Faria &#038; Irm\u00e3o \u00e9 motivo e resultado de um enorme esfor\u00e7o da sua administra\u00e7\u00e3o e dos seus colaboradores a fim de continuar a ser um local que, n\u00e3o obstante as dificuldades, se respire liberdade, criatividade, paz, trabalho, solidariedade, isto \u00e9, uma nova cultura. A experi\u00eancia que t\u00ednhamos feito em jovens n\u00e3o s\u00f3 se mantinha mas at\u00e9 se consolidava. N\u00e3o \u00e9 que havia grandes refer\u00eancias de como dev\u00edamos conduzir a empresa, por\u00e9m a criatividade, a prud\u00eancia e a vontade iam-lhe dando forma. Tratava-se de ouvir bem, de dar aten\u00e7\u00e3o a todos, clientes, colaboradores, fornecedores, etc.; de cumprir sempre as obriga\u00e7\u00f5es, o que nem sempre foi f\u00e1cil; de cuidar que as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas fossem para al\u00e9m do meramente profissional estando atentos a todas as dificuldades, com a certeza de que n\u00e3o seria nunca perda de tempo; de pagar sal\u00e1rios justos tendo em aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 o desempenho, necessidades e capacidades da empresa; de manter os trabalhadores informados das estrat\u00e9gias, das transforma\u00e7\u00f5es, dos objectivos, das preocupa\u00e7\u00f5es. Aquando da aquisi\u00e7\u00e3o de novos equipamentos dar-lhes tranquilidade quanto \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a no emprego. Em 1991 Chiara Lubich foi ao Brasil e fundou  a Economia de Comunh\u00e3o, foi um grande momento tamb\u00e9m para a nossa empresa porque um trajecto que percorr\u00edamos parecia agora mais confirmado e mais definido. Chiara sugeria que no \u00e2mbito da Economia de comunh\u00e3o os lucros deveriam orientar-se naquelas tr\u00eas vertentes: uma parte para reinvestir, outra parte para os pobres e outra ainda para formar homens novos. Dizia ainda que o lucro vale n\u00e3o pela quantidade mas pela sua humanidade. Seria absurdo apresentar um lucro desumanizado para depois o p\u00f4r em comum.  Como \u00e9 que Faria Irm\u00e3o se organizou em fun\u00e7\u00e3o do projecto \u201cEconomia de Comunh\u00e3o\u201d:  <b>Colaboradores<\/b>  &#8211;\testimulando o respeito rec\u00edproco; &#8211;\testimulando um ambiente de fam\u00edlia, de solidariedade e de entreajuda; &#8211;\tcuidando do enquadramento legal de todos; &#8211;\tpromovendo a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica; &#8211;\tpagando sal\u00e1rios justos e criando condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho; &#8211;\tpondo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o todas as ajudas e meios solicitados \u00e0 empresa.   <b>Clientes<\/b>  A dist\u00e2ncia de Leiria a S. Jo\u00e3o da Madeira era uma dificuldade, ultrapassada com alguma facilidade atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o interpessoal com os clientes, o que os levou a uma grande fideliza\u00e7\u00e3o. Foi feita uma grande aposta na qualidade e no cumprimento dos prazos. Com frequ\u00eancia os clientes referem o grande apre\u00e7o que t\u00eam pela nossa disponibilidade, dedica\u00e7\u00e3o, profissionalismo e simpatia.   <b>Fornecedores<\/b>  &#8211;\tcumprimento rigoroso das condi\u00e7\u00f5es estabelecidas; &#8211;\tperante eventuais dificuldades, para al\u00e9m da humildade, resolv\u00ea-las em tempo \u00fatil; &#8211;\tmanuten\u00e7\u00e3o de um \u00f3ptimo relacionamento com a banca de forma a dar a confian\u00e7a aos fornecedores e tranquilidade aos colaboradores.   <b>Concorrentes<\/b>  \u00c0s vezes ocorrem algumas dificuldades, n\u00e3o s\u00f3 porque pagamos acima das tabelas oficiais, mas tamb\u00e9m pela disponibilidade manifestada por colaboradores de outras empresas em integrar as nossas equipas. Temos ultimamente tido a preocupa\u00e7\u00e3o de encontrar pontes de forma a explicar que n\u00e3o se trata de criar instabilidade no mercado do trabalho, mas de dar justeza a desempenhos e de dar condi\u00e7\u00f5es diferentes de realiza\u00e7\u00e3o pessoal.   <b>Ambiente<\/b> Fomos e somos ainda pioneiros na recupera\u00e7\u00e3o de formas sem validade. As formas s\u00e3o de polietileno, isto \u00e9, n\u00e3o biodegrad\u00e1veis, e para al\u00e9m disso incorporam algumas pe\u00e7as met\u00e1licas o que dificulta muito a sua recupera\u00e7\u00e3o.  Adquirimos um equipamento que faz a moagem da forma e posteriormente separa os diferentes tipos de produto. Faria e Irm\u00e3o retoma todas as formas dos seus clientes, recupera-as e permuta-as por novas. A dificuldade da recupera\u00e7\u00e3o das formas levava a que grandes quantidades fossem depositadas nas lixeiras, o que deixou de acontecer com os nossos clientes. Um investimento muito elevado que, para surpresa nossa, se tornou em termos econ\u00f3micos numa op\u00e7\u00e3o rent\u00e1vel.   <b>Realidade Social<\/b>  Ser\u00e1 que uma empresa gerida assim pode sobreviver? Claro que vive, e mais, consegue proporcionar a outras mais dignidade. Gra\u00e7as a Deus e a todos os seus intervenientes, a empresa \u00e9 lucrativa. &#8211;\tPaga impostos. &#8211;\tApoia organismos de solidariedade social sobretudo aqueles menos mediatizados, sempre com discri\u00e7\u00e3o. &#8211;\tApoia iniciativas de \u00e2mbito social e cultural, nomeadamente revistas, congressos e escolas que divulgam e formam `\u201dcultura do dar\u201d. &#8211;\tEst\u00e1 atenta \u00e0 pobreza que nos est\u00e1 mais pr\u00f3xima, por exemplo atrav\u00e9s de emprego social que neste momento corresponde a 3 postos de trabalho sem qualquer apoio estatal. &#8211;\tParticipa e apoia projectos de solidariedade.   <b>Investimentos<\/b>  Faria e Irm\u00e3o tamb\u00e9m aqui procura estar muito atenta. O facto de ter a pessoa no v\u00e9rtice da sua gest\u00e3o n\u00e3o obsta a que possua os melhores equipamentos existentes para a sua actividade. Para permitir a sua maior proximidade com os clientes criou mais duas unidades fabris: S. Jo\u00e3o da Madeira e Felgueiras. Construiu novas instala\u00e7\u00f5es em Leiria onde, para al\u00e9m do processo de certifica\u00e7\u00e3o e qualidade a decorrer, disp\u00f5e &#8211; para al\u00e9m das exig\u00eancias legais &#8211; de uma cozinha, um refeit\u00f3rio, um gabinete m\u00e9dico e sala de jogos. Mas h\u00e1 muitas empresas que d\u00e3o parte dos seus lucros. \u00c9 verdade. Por\u00e9m, a nossa novidade, o que pretendemos que seja novidade n\u00e3o \u00e9 o lucro pelo lucro, mas o lucro em fun\u00e7\u00e3o da pessoa. N\u00e3o pretendemos ser uma alternativa \u00e0s empresas j\u00e1 existentes, procuramos apenas \u2013 humildemente &#8211; provar que \u00e9 poss\u00edvel transformar as estruturas j\u00e1 existentes sem que se perca competitividade. \u00c9 tamb\u00e9m verdade que a Economia de Comunh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um toque de magia, algo de paradis\u00edaco. H\u00e1 imensas dificuldades, quase desilus\u00f5es, cansa\u00e7o. A\u00ed somos todos iguais. Por\u00e9m h\u00e1 uma grande certeza: as solu\u00e7\u00f5es surgem sempre e, arrisco afirmar porque essa \u00e9 a nossa experi\u00eancia, surpreendem sempre de forma positiva. Uma particularidade de Economia de Comunh\u00e3o \u00e9 a alegria de participar num enorme projecto que vai muito para al\u00e9m do nosso m\u00e9rito e capacidades pessoais. \u00c9 sentir a presen\u00e7a daquele s\u00f3cio que parece oculto mas que se sente, que sugere, que modera, que d\u00e1 confian\u00e7a, coragem, que ilumina e tempera as decis\u00f5es, as iniciativas e as estrat\u00e9gias. Procuramos que tudo seja decidido por unanimidade. Sempre entre n\u00f3s imperou o respeito pelas diferen\u00e7as. Outra particularidade da nossa experi\u00eancia \u00e9 que advertimos,  por v\u00e1rias circunst\u00e2ncias que est\u00e3o para al\u00e9m do nosso empenho, que algu\u00e9m parece confiar em n\u00f3s mais do que seria de supor. H\u00e1 mais valias que seguramente n\u00e3o resultam do nosso m\u00e9rito, que ocorrem e que (com normalidade) nos levam a dar continuidade \u00e0quele fluxo que vem n\u00e3o sabemos bem de onde, e que passa por n\u00f3s para chegar aos seus destinat\u00e1rios de direito. \u00c9 um movimento contabil\u00edstico de dever e haver que nos surpreende, verdadeiramente espectacular, que desfaz as nossas d\u00favidas e nos estimula a acreditar cada vez mais na \u201cprovid\u00eancia\u201d. Rapidamente dizemos: n\u00e3o tem acontecido nada porque n\u00e3o \u201cdemos\u201d nada, est\u00e1 na hora de voltar a acreditar. Em Faria e Irm\u00e3o, onde se procura gerir em fun\u00e7\u00e3o da Economia de Comunh\u00e3o, deixa-se espa\u00e7o para a interven\u00e7\u00e3o de Deus, conta-se mesmo com ela. Experimenta-se que, ap\u00f3s cada decis\u00e3o &#8211; muitas delas tomadas em sentido contr\u00e1rio daquele que a pr\u00e1tica comercial aconselha \u2013 Deus nunca faz faltar aquele c\u00eantuplo que Jesus prometeu: um lucro inesperado, uma oportunidade imprevista, a oferta de uma nova colabora\u00e7\u00e3o, a ideia para uma nova estrat\u00e9gia. <i> Ant\u00f3nio Faria Lopes <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faria &#038; Irm\u00e3o \u00e9 uma empresa de cariz familiar fundada em 1957, situada em Leiria. Tem como objecto produzir formas de pl\u00e1stico (moldes) para cal\u00e7ado. Enquanto jovens, eu e o Ac\u00e1cio, meu irm\u00e3o, conhecemos um grupo de jovens dos Focolares. Tinham, como caracter\u00edstica, p\u00f4r tudo em comum, com toda a liberdade: as ideias, os conhecimentos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,191,206,212,314],"class_list":["post-31478","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-economia","tag-familia","tag-focolares","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}