{"id":31476,"date":"2008-04-22T11:07:51","date_gmt":"2008-04-22T11:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/22\/dignidade-do-trabalho\/"},"modified":"2008-04-22T11:07:51","modified_gmt":"2008-04-22T11:07:51","slug":"dignidade-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dignidade-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Dignidade do trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Um dos princ\u00edpios fundamentais da doutrina social da Igreja recorda que a dignidade do trabalho decorre da dignidade da pessoa que trabalha <!--more--> Pode dizer-se que a dignidade do trabalho decorre de duas fontes: da pessoa que trabalha e das caracter\u00edsticas do pr\u00f3prio trabalho humano. \tUm dos princ\u00edpios fundamentais da doutrina social da Igreja recorda que a dignidade do trabalho decorre da dignidade da pessoa que trabalha e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Jo\u00e3o Paulo II insistia muito na prioridade absoluta da pessoa: \u201cEmbora seja verdade que o homem est\u00e1 destinado e \u00e9 chamado ao trabalho, contudo, antes de mais nada o trabalho \u00e9 \u2018para o homem\u2019 e n\u00e3o o homem \u2018para o trabalho\u2019\u2026 (pelo) que cada trabalho se mede sobretudo pelo padr\u00e3o da dignidade do sujeito do trabalho, isto \u00e9, da pessoa, do homem que o executa\u201d. At\u00e9 porque \u201cem \u00faltima an\u00e1lise, a finalidade do trabalho, de todo e qualquer trabalho realizado pelo homem &#8211; ainda que seja o trabalho do mais humilde \u2018servi\u00e7o\u2019 ou o mais mon\u00f3tono na escala comum de aprecia\u00e7\u00e3o ou o mais marginalizador &#8211; permanece sempre o pr\u00f3prio homem\u201d (LE 6). Nunca \u00e9 de mais insistir nisto, at\u00e9 porque a realidade \u00e9 um cont\u00ednuo desmentido desta prioridade da pessoa. Olhando \u00e0 nossa volta o que vemos \u00e9 a prioridade dada ao trabalho. As pr\u00f3prias sentem-se mais ou menos dignas conforme a \u201cdignidade\u201d do seu trabalho. Como se ser gestor fosse mais digno que varredor de ruas. Da\u00ed esta doen\u00e7a que ataca a sociedade portuguesa: a doutorite. O que os grupos de t\u00e9cnicos n\u00e3o t\u00eam feito para que os seus cursos sejam equiparados a universit\u00e1rios? O que os pais n\u00e3o fazem para que os filhos seja doutores? E que desonra para a fam\u00edlia se eles n\u00e3o o forem! Por outro lado, o trabalho, pelo facto de ser humano, tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias que lhe conferem a dignidade de ser \u201cum prolongamento da obra do Criador, um servi\u00e7o aos irm\u00e3os e uma contribui\u00e7\u00e3o pessoal para o cumprimento do plano providencial na hist\u00f3ria\u201d (GS 34). O trabalho \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 a resposta mais adequada ao mandamento primeiro de Deus que, ao criar a terra para todos, a todos mandatou para a cultivar e guardar (Gn 2,15). Estes dois verbos t\u00eam na B\u00edblia uma forte resson\u00e2ncia religiosa: \u201cs\u00f3 o cristianismo deu um sentido religioso ao trabalho e reconhece o valor espiritual do progresso t\u00e9cnico. N\u00e3o h\u00e1 voca\u00e7\u00e3o mais religiosa que o trabalho\u201d (Jo\u00e3o Paulo II aos jovens; Inglaterra; 1982). \tO trabalho \u00e9 uma das formas privilegiadas para continuar a obra da cria\u00e7\u00e3o, pois faz de cada pessoa um colaborador na ac\u00e7\u00e3o divina, um verdadeiro criador: \u201cDeus, que dotou o homem de intelig\u00eancia, de imagina\u00e7\u00e3o e de sensibilidade, deu-lhe assim o meio para completar, de certo modo, a sua obra: seja artista ou art\u00edfice, empreendedor, oper\u00e1rio ou campon\u00eas, todo o trabalhador \u00e9 um criador\u201d (PP 27). Esta dimens\u00e3o criadora de cada ser humano \u00e9 uma das mais esquecidas. A pessoa n\u00e3o \u00e9 vista nesta sua dimens\u00e3o estrutural; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o haveria tanto desemprego. O trabalho torna-nos tamb\u00e9m colaboradores de Deus na obra da reden\u00e7\u00e3o ao criar condi\u00e7\u00f5es para uma melhor qualidade de vida, mais justa, mais fraterna, mais solid\u00e1ria, mais humana: \u201cTudo o que o homem faz para conseguir mais justi\u00e7a, mais fraternidade e uma organiza\u00e7\u00e3o mais humana das rela\u00e7\u00f5es sociais tem mais valor que os progressos t\u00e9cnicos. Porque estes podem fornecer a base material para a promo\u00e7\u00e3o humana, mas s\u00e3o impotentes, s\u00f3 por si, para a realizar\u201d (GS 35). \tO trabalho \u00e9 ainda o principal instrumento de liberta\u00e7\u00e3o e, portanto, de desenvolvimento harmonioso da pessoa, de cada pessoa, porque \u00e9 meio de subsist\u00eancia mas tamb\u00e9m de desenvolvimento e progresso sociais: \u201cO homem, ao trabalhar em qualquer tarefa no seu \u2018banco\u2019 de trabalho, pode facilmente cair na conta de que, pelo seu trabalho, entra na posse de um duplo patrim\u00f3nio; ou seja, do patrim\u00f3nio daquilo que \u00e9 dado a todos os homens, sob a forma dos recursos da natureza, e do patrim\u00f3nio daquilo que os outros que o precederam j\u00e1 elaboraram, a partir da base de tais recursos, em primeiro lugar desenvolvendo a t\u00e9cnica, isto \u00e9, tornando realidade um conjunto de instrumentos de trabalho, cada vez mais aperfei\u00e7oados\u201d (LE 13). Muitas vezes, por\u00e9m, o trabalho, em vez de ser um instrumento para refor\u00e7ar a dignidade da pessoa e estar ao servi\u00e7o do seu desenvolvimento integral, converte-se, antes, em ocasi\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o e desumaniza\u00e7\u00e3o: \u201cA aliena\u00e7\u00e3o verifica-se tamb\u00e9m no trabalho, quando \u00e9 organizado de modo a \u00abmaximizar\u00bb apenas os seus frutos e rendimentos, n\u00e3o se preocupando de que o trabalhador, por meio de seu trabalho, se realize mais ou menos como homem, conforme cres\u00e7a a sua participa\u00e7\u00e3o numa aut\u00eantica comunidade humana solid\u00e1ria ou ent\u00e3o cres\u00e7a o seu isolamento num complexo de rela\u00e7\u00f5es de exacerbada competi\u00e7\u00e3o e de rec\u00edproco alheamento, no qual ele aparece considerado apenas como um meio e n\u00e3o como um fim\u201d (CA 41). Mais, o homem n\u00e3o pode ser deixado de lado quando j\u00e1 n\u00e3o interessa, pois \u201cuma sociedade, onde este direito seja sistematicamente negado, onde as medidas de pol\u00edtica econ\u00f3mica n\u00e3o consintam aos trabalhadores alcan\u00e7arem n\u00edveis satisfat\u00f3rios de ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode conseguir nem a sua legitima\u00e7\u00e3o \u00e9tica nem a paz social\u201d (CA 43) <i>Jos\u00e9 Dias da Silva<\/i>  <B>Dossier AE<\/B> <a href=\"dossier.asp?dossierid=83\">\u2022 Trabalho<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos princ\u00edpios fundamentais da doutrina social da Igreja recorda que a dignidade do trabalho decorre da dignidade da pessoa que trabalha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,206,237,285],"class_list":["post-31476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}