{"id":314558,"date":"2024-02-20T09:31:43","date_gmt":"2024-02-20T09:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=314558"},"modified":"2024-02-19T16:34:34","modified_gmt":"2024-02-19T16:34:34","slug":"e-preciso-ir-a-revisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-preciso-ir-a-revisao\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso ir \u00e0 revis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Podemos comparar este tempo da Quaresma \u00e0s revis\u00f5es a que temos de submeter os nossos autom\u00f3veis. Se n\u00e3o respeitarmos as revis\u00f5es de um carro, facilmente se vai abandalhar, vai come\u00e7ar a ter precocemente avarias, e ter\u00e1 um tempo de dura\u00e7\u00e3o muito limitado, at\u00e9 ser for\u00e7ado a parar. A nossa vida tamb\u00e9m, todos os anos, precisa de ir \u00e0s \u201crevis\u00f5es\u201d, porque pode facilmente cair na frivolidade e na incoer\u00eancia, desviar-se da viv\u00eancia que projetou e dos compromissos que assumiu. A Quaresma \u00e9 esse tempo oportuno e favor\u00e1vel para se fazer uma profunda revis\u00e3o de vida e se voltar a encontrar as coordenadas do GPS que nos ligam e levam a Cristo, ao seu Evangelho e ao seu reino. Possivelmente, andamos muito preocupados com o \u201cnosso\u201d reino, andar por a\u00ed s\u00f3 preocupados com o nosso bem-estar, em dar nas vistas, ter poder e dominar, ser influentes, ser famosos, causar impacto, em nos projetarmos sobre os outros, em aparecer, nem se seja de forma artificial e rid\u00edcula, em causar sensa\u00e7\u00e3o e dar espet\u00e1culo. Enfim, em saciar um ego\u00edsmo que nos torna cada vez mais vazios, insatisfeitos, tristes e s\u00f3s.<\/p>\n<p>A quem me manifesta que n\u00e3o tem pecados e que n\u00e3o precisa de convers\u00e3o, ao contr\u00e1rio dos outros, como sempre, dou o exemplo daquela pessoa que se sente muito bem de sa\u00fade e n\u00e3o sente necessidade de ir ao m\u00e9dico, achando que \u00e9 uma clara perda de tempo. Mas ainda assim, devido \u00e0 insist\u00eancia da fam\u00edlia e dos amigos, resolve ir ao m\u00e9dico e fazer umas an\u00e1lises, e eis que \u00e9 surpreendido: tem a tens\u00e3o alta, colesterol alto, poss\u00edvel gordura no f\u00edgado, a glicose est\u00e1 no limite. O m\u00e9dico profere o diagn\u00f3stico: tem de mudar de vida. \u00c9 preciso arrepiar caminho. H\u00e1 doen\u00e7as que s\u00e3o silenciosas e quando se revelam j\u00e1 poder\u00e1 ser um s\u00e9rio problema. O mesmo pode acontecer na vida de um crist\u00e3o. Silenciosamente e sem parecer que n\u00e3o tem mal nenhum, muitos maus h\u00e1bitos, v\u00edcios, valores mundanos, acomodamentos, formas de pensar, rotinas, desleixos, omiss\u00f5es se apoderam da vida e a tolhem e limitam, enfermando a alma e o cora\u00e7\u00e3o, e nos desviam de um caminho e ideal que abra\u00e7amos.<\/p>\n<p>O homem atual precisa de recuperar rapidamente a interioridade. A Quaresma tamb\u00e9m \u00e9 para isso. Voltar \u00e0 boa espiritualidade e dar aten\u00e7\u00e3o viv\u00eancia interior. \u00c9 ali que tudo come\u00e7a e tudo acaba.\u00a0 Vivemos muito voltados para fora, nesta sociedade das apar\u00eancias, da febre medi\u00e1tica e do espet\u00e1culo, do atuar e impressionar mais do que ser, mas por dentro sente-se que as pessoas est\u00e3o muito ca\u00f3ticas e desestruturadas. N\u00e3o podemos viver apenas centrados nos bens e nas preocupa\u00e7\u00f5es materiais, nos \u00eaxitos instant\u00e2neos e fugazes da vida mundana e mais comum, mas temos de nos centrar mais na interioridade, nos valores espirituais e na busca de Deus, com quem o ser humano verdadeiramente se realiza e preenche.<\/p>\n<p>Na sociedade em que vivemos, seria bom ponderarmos a recupera\u00e7\u00e3o de alguns destes valores, decisivos para realizarmos plenamente a nossa humanidade e vivermos uma felicidade mais profunda, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade epid\u00e9rmica e moment\u00e2nea que nos prop\u00f5em diariamente.\u00a0 Um dos dramas que existe nos tempos atuais \u00e9 que expuls\u00e1mos da vida o pensar, o refletir, o sil\u00eancio, t\u00e3o importantes para darmos beleza, equil\u00edbrio, densidade e profundidade \u00e0 vida, ou, se quisermos, para caldearmos e humanizarmos a vida e sermos mais humanos. Estamos a passar pela vida, mas a vida n\u00e3o est\u00e1 a passar por n\u00f3s. Vivemos atolados em ru\u00eddo, cada vez mais apressados e ansiosos, sempre virados para fora de n\u00f3s mesmos, em agita\u00e7\u00e3o, em impaci\u00eancia, em excesso de dados e informa\u00e7\u00e3o, de est\u00edmulos e a\u00e7\u00f5es e contrarrea\u00e7\u00f5es sem tempo para podermos ponderar e absorver essa avalanche emotiva e informativa, n\u00e3o nos restando sen\u00e3o viver na banalidade e com grande desordem e instabilidade em todos os campos da vida. A pr\u00f3pria ci\u00eancia chama a aten\u00e7\u00e3o de que cri\u00e1mos uma forma de viver para a qual o ser humano n\u00e3o est\u00e1 preparado, at\u00e9 fisicamente e neurologicamente.<\/p>\n<p>Em tempos, num programa da Antena 1, o Padre Anselmo Borges afirmava: \u00abPassamos o tempo a dedar nos telem\u00f3veis e nos tablets. Vivemos uma vida que n\u00e3o permite pensar, vivemos muito depressa, a correr\u2026vivemos no tsunami das informa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o estamos a dar a possibilidade de criar pessoas estruturadas. H\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o, um tsunami de informa\u00e7\u00f5es, e depois n\u00e3o h\u00e1 realmente uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o. A pressa faz com que as pessoas n\u00e3o tenham um espa\u00e7o de vida interior, para pensar, parar e refletir\u00bb. E para um crist\u00e3o, acrescentaria: para rezar, para estar com Deus, para pensar nos outros e dar tempo a quem precisa. Ainda n\u00e3o percebemos que, no meio desta embriaguez materialista e estrepitosa, a maior das nossas mis\u00e9rias \u00e9 vivermos uma vida sem Deus. Muitas pessoas vivem uma vida seca e pobre, sem interioridade e sem valores espirituais, uma vida sem seiva, que dificilmente descola da vis\u00e3o rasteira da vida, com os seus prazeres ef\u00e9meros, e se torna plenamente humana.<\/p>\n<p>Nesta Quaresma, fa\u00e7amos um grande bem a n\u00f3s mesmos: arranjemos tempos para parar, procuremos o sil\u00eancio para nos encontrarmos connosco pr\u00f3prios e com a vida, e se for com Deus, tanto melhor, ali\u00e1s, sem Ele nada acontece, quanto mais n\u00e3o seja para questionarmos o que somos e o que vivemos, e procuremos viver a partir de dentro, da nossa interioridade, t\u00e3o importante para sermos livres, aut\u00eanticos, equilibrados, fecundos, sensatos e felizes. N\u00e3o estamos a seguir um bom caminho quando n\u00e3o damos tempo ao pensamento, \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 interioridade do ser humano. Querer\u00e1 o mundo ouvir este humilde apelo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-314558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}