{"id":314249,"date":"2024-02-18T09:31:47","date_gmt":"2024-02-18T09:31:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=314249"},"modified":"2024-02-16T13:30:12","modified_gmt":"2024-02-16T13:30:12","slug":"igreja-portugal-congresso-vai-ser-momento-decisivo-para-consciencializacao-da-eucaristia-d-jose-cordeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-congresso-vai-ser-momento-decisivo-para-consciencializacao-da-eucaristia-d-jose-cordeiro\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00abCongresso vai ser momento decisivo para consciencializa\u00e7\u00e3o da Eucaristia\u00bb &#8211; D. Jos\u00e9 Cordeiro"},"content":{"rendered":"<p><em>100 anos depois da sua primeira edi\u00e7\u00e3o, Braga vai acolher, de novo, o Congresso Eucar\u00edstico Nacional. Durante tr\u00eas dias, de 31 de maio a 2 de junho, um amplo programa apresenta o desafio de \u201cPartilhar o p\u00e3o\u201d, falando sobre esperan\u00e7a e fraternidade. A iniciativa d\u00e1 o mote \u00e0 conversa com o arcebispo de Braga<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_314250\" aria-describedby=\"caption-attachment-314250\" style=\"width: 929px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-314250 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg\" alt=\"\" width=\"929\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista.jpeg 929w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-768x513.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/jose_cordeiro_entrevista-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 929px) 100vw, 929px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-314250\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Henrique Cunha\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (R\u00e1dio Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar de ser j\u00e1 uma institui\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria, o congresso eucar\u00edstico em Portugal teve at\u00e9 hoje quatro edi\u00e7\u00f5es, apenas, podendo ser desconhecido da maioria das pessoas. De que estamos a falar?<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Estamos a falar da cultura eucar\u00edstica e, de facto, em meados do s\u00e9culo XIX, nasceu um movimento eucar\u00edstico que estava mais focalizado na presen\u00e7a real e perdia o todo da Eucaristia. Com os congressos eucar\u00edsticos nacionais e internacionais que a partir da\u00ed come\u00e7aram e, em Portugal, chegaram a partir da viv\u00eancia do arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos, juntamente com outros bispos, que foram em 1922 a Roma a um Congresso Eucar\u00edstico Internacional e trouxeram a ideia para Portugal. De facto, n\u00e3o se cultivou tanto como noutros pa\u00edses esta iniciativa do Congresso Eucar\u00edstico, mas \u00e9 mais do que um congresso propriamente dito.<\/p>\n<p>O congresso \u00e9 o nome t\u00e9cnico que quer significar a reuni\u00e3o e um pa\u00eds em torno da centralidade da eucaristia e vista na perspetiva do seu todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 exatamente isso que leva a minha pergunta seguinte. Os temas escolhidos assumem preocupa\u00e7\u00f5es sociais e comunit\u00e1rias e deixam, tem sido assumido pelos organizadores, o desafio de abertura a todos. Isto \u00e9 uma mensagem importante para o momento que vivemos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Quando foi aprovado na Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa a realiza\u00e7\u00e3o do 5.\u00ba Congresso Eucar\u00edstico Nacional, comemorando o primeiro, mas muito mais do que isso, apontando para a frente, n\u00e3o quisemos desligar do dinamismo da Jornada Mundial da Juventude e tendo tamb\u00e9m como perspetiva o Jubileu 2025 Peregrinos de Esperan\u00e7a. Da\u00ed o tema, \u00abPartilhar o P\u00e3o, alimentar a Esperan\u00e7a. \u201cReconheceram-n\u2019O ao partir o P\u00e3o\u201d\u00bb. E que seja para todos, que todos se sintam convidados e todos participantes \u00e0 mesa com Jesus na Eucaristia.<\/p>\n<p>Este todos significa aqueles que querem, aqueles que podem, aqueles que aceitarem o convite presencialmente, mas sobretudo neste dinamismo espiritual e de renova\u00e7\u00e3o desta tal cultura eucar\u00edstica. No estudo aprofundado na Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, no cuidar melhor as celebra\u00e7\u00f5es da Eucaristia, n\u00f3s sentimos tamb\u00e9m que com o aumento de um secularismo, que se nota uma desafei\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que gestos concretos v\u00e3o marcar essa preocupa\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo e com a natureza? <\/em><\/p>\n<p>Na envolv\u00eancia de todos, com os jovens, com os mais novos, com as crian\u00e7as, com os adolescentes, com os adultos, gostar\u00edamos que tamb\u00e9m significasse este momento essa atitude de fraternidade que sai da Eucaristia, o corpo dado, o sangue derramado. E no corpo dado e no sangue derramado tamb\u00e9m o pr\u00f3prio dar sangue como sinal de vida, ser\u00e1 uma das iniciativas a ter em conta na pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o, naqueles tr\u00eas dias de congresso em Braga, tanto no Hospital de Braga como no Altice F\u00f3rum, onde estar\u00e1 um dispositivo do Instituto Portugu\u00eas do Sangue. Depois contribuir tamb\u00e9m nessa ecologia integral, no relacionamento entre as pessoas, mas tamb\u00e9m deixar algumas marcas. No final da Eucaristia, no dia 2 de junho, no Monte do Sameiro, ser\u00e3o plantadas quatro \u00e1rvores. Tr\u00eas significativas do todo em Portugal, cada arcebispo metropolita plantar\u00e1 uma &#8211; Braga, Lisboa, \u00c9vora &#8211; significando o todo do pa\u00eds, e o cardeal legado do Papa Francisco tamb\u00e9m plantar\u00e1 uma \u00e1rvore para dizer deste cuidado da casa comum. E a Eucaristia tem sempre este dinamismo social. A Eucaristia, a missa tem de ser sempre mission\u00e1ria e tem de ter gestos concretos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Num tempo em que vivemos de enorme fragilidade, e sobretudo entre aqueles que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis, esta ideia da partilha do p\u00e3o aparece como uma necessidade absoluta<\/em>?<\/p>\n<p>Claro que sim, sempre, mas hoje com uma maior sensibilidade, com uma maior proximidade, no contexto em que estamos a viver, dentro e fora da Igreja. A Eucaristia tem de ser para n\u00f3s os crentes, e de um modo especial para a Igreja Cat\u00f3lica, tem de ser o lugar do encontro com Cristo, para que o encontro com os irm\u00e3os, com os diferentes, com os migrantes, com as pessoas com defici\u00eancia, com os mais pobres, seja visibilizado nas celebra\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m fora das celebra\u00e7\u00f5es, porque a Eucaristia tem sempre o antes, o durante e o depois, \u00e9 aquela tal perspetiva integral e unit\u00e1ria que n\u00e3o se pode separar do car\u00e1ter da mem\u00f3ria, do banquete, do sacrif\u00edcio, da presen\u00e7a real e das outras presen\u00e7as de Cristo. Mas aquela privilegiada, por excel\u00eancia, acontece na Eucaristia, porque Ele mesmo disse \u201cfazei isto em mem\u00f3ria de mim\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O programa proposto inclui v\u00e1rios momentos culturais, espirituais e pastorais, com o objetivo de chegar a todos. Espera que a Igreja consiga fazer passar a mensagem? <\/em><\/p>\n<p>Esperamos que sim, \u00e9 um passo mais. Quando decidimos esta iniciativa, como dizia, na Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, pens\u00e1mos, como j\u00e1 se fez tamb\u00e9m h\u00e1 25 anos no III Congresso Eucar\u00edstico Nacional, que tamb\u00e9m se realizou em Braga, pens\u00e1mos que a celebra\u00e7\u00e3o do Corpo de Deus, assim chamada, fosse celebrada em todas as dioceses que acontece no dia 30 de maio. Depois de 31 de maio a 1 de junho, o simp\u00f3sio propriamente dito, mas com tudo aquilo que envolve uma festa da Eucaristia, com reflex\u00e3o, com di\u00e1logo, com a tal proximidade, com o conv\u00edvio e com a rela\u00e7\u00e3o dos representantes das v\u00e1rias dioceses. E que fosse tamb\u00e9m esse momento celebrativo em alguns lugares emblem\u00e1ticos de Braga, como a S\u00e9, com outros momentos culturais e de ora\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo dia, com uma peregrina\u00e7\u00e3o, que partir\u00e1 da S\u00e9 de Braga \u00e0s 7 da manh\u00e3 at\u00e9 ao Santu\u00e1rio do Sameiro &#8211; demora mais ou menos 3 horas e meia &#8211; deste povo peregrino, povo pascal, os peregrinos de esperan\u00e7a, para culminar com a grande celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, com as conclus\u00f5es do Congresso, com a planta\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e tamb\u00e9m com o momento de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica para a qual o Papa Francisco tem chamado tanto a aten\u00e7\u00e3o. Recordemos, por exemplo, as v\u00e9speras, no Mosteiro de Jer\u00f3nimos, no in\u00edcio do grande acontecimento da Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9, ali\u00e1s, um tema ao qual iremos voltar, mas quero perguntar-lhe sobre um dos temas que falou agora, a quest\u00e3o da esperan\u00e7a<\/em><em>.\u00a0Esta proposta \u00e9 ainda mais necess\u00e1ria num pa\u00eds que parece constantemente mergulhado em crises de v\u00e1rios tipos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, ainda mais atual e voltando ao texto que nos serve de inspira\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, tamb\u00e9m a\u00ed reconhecemos esses momentos, como se quisermos, tr\u00eas momentos de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas &#8211; que nem sabemos bem onde \u00e9 que \u00e9 para dizer que \u00e9 em todo lugar onde o ser humano se encontra &#8211; aquilo que acontece em Ema\u00fas, na escuta das escrituras e no reconhecer Jesus ao partir do p\u00e3o e o reconhecermo-nos a n\u00f3s como irm\u00e3os e depois o voltar de Ema\u00fas para Jerusal\u00e9m. H\u00e1 uma crise de esperan\u00e7a, aqueles dois homens iam completamente desesperados e aparece um peregrino desconhecido no meio deles que os ajuda a entender, mas n\u00e3o foi a\u00ed que perceberam. S\u00f3 na partilha do p\u00e3o, s\u00f3 \u00e0 mesa, com os sinais e com os gestos de Jesus, \u00e9 que a esperan\u00e7a se reacendeu neles e diz o texto que se lhe abriram os olhos e reconheceram-no. A esperan\u00e7a, \u00e9 isto. \u00c9 n\u00f3s termos a capacidade de olhar para o presente \u00e0 luz do Evangelho e termos a coragem do futuro, porque para n\u00f3s a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma ideia nem \u00e9 um sentimento, a esperan\u00e7a \u00e9 mesmo uma pessoa, \u00e9 Jesus, a nossa \u00fanica esperan\u00e7a que nos d\u00e1 depois este olhar mais alargado e mais amplo para a realidade em que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um Congresso Eucar\u00edstico \u00e9 um momento por excel\u00eancia, digamos, para destacar a celebra\u00e7\u00e3o dominical, entre outros temas. Preocupa-o o afastamento de muitas pessoas da sua comunidade? Os efeitos da pandemia ainda se fazem sentir?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Muito, e justamente a centralidade da Eucaristia, centralidade do domingo, P\u00e1scoa ap\u00f3s P\u00e1scoa, domingo ap\u00f3s domingo, \u00e9 um dos desafios tamb\u00e9m neste Congresso Eucar\u00edstico Nacional. H\u00e1 muitas comunidades que j\u00e1 se reencontraram, mas muitas outras ainda andam \u00e0 procura e muitas pessoas refugiaram-se no virtual, em detrimento daquilo que \u00e9 essencial, que \u00e9 o presencial.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o vive sem a Eucaristia, a Eucaristia \u00e9 que faz a Igreja e a Igreja \u00e9 que faz a Eucaristia, porque \u00e9 ela o seu alimento natural, o alimento pr\u00f3prio dos crist\u00e3os, das comunidades \u00e9 Eucaristia. Os primeiros crist\u00e3os chegaram mesmo a dizer \u201cn\u00e3o podemos viver sem o domingo e sem o domingo\u201d, sem o dia do Senhor, sem a Eucaristia n\u00f3s n\u00e3o podemos viver. H\u00e1 que redescobrir este valor e a necessidade, sobretudo, do encontro dominical em fam\u00edlia, na comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s sentimos, apesar de tudo, que j\u00e1 antes da pandemia se notava uma diminui\u00e7\u00e3o acentuada da participa\u00e7\u00e3o Eucaristia, sobretudo a dominical. Acredita que vai ser poss\u00edvel inverter esta tend\u00eancia e que o Congresso tamb\u00e9m possa ajudar esta sensibilidade?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que seja um momento de pausa, como \u00e9 pr\u00f3prio de um Congresso, no sentido de uma reflex\u00e3o, de uma celebra\u00e7\u00e3o festiva, de um olhar na totalidade do Sacramento dos Sacramentos, a que chamamos a Eucaristia, e a tornar cada vez mais esse elemento congregador para o encontro com Cristo. Claro que n\u00e3o \u00e9 o Congresso que vai resolver isso, mas o Congresso vai ser tamb\u00e9m um momento decisivo para que esta consciencializa\u00e7\u00e3o da Eucaristia possa acontecer. E, por exemplo, na Arquidiocese de Braga, que tem a responsabilidade de acolher este Congresso, 100 anos depois do primeiro, estamos a propor que, nesse domingo, para se sentir a import\u00e2ncia e a necessidade, n\u00e3o haja Eucaristia nas comunidades nessa manh\u00e3, que seja para as missas vespertinas de s\u00e1bado ou para a tarde de domingo. At\u00e9 para que seja sentido o que \u00e9 viver sem a Eucaristia, ali ao lado, e ter de peregrinar para ir \u00e0 busca da Eucaristia, \u00e0 busca das outras pessoas. Como acontece em muitos pa\u00edses de miss\u00e3o, e ainda recentemente estando em Mo\u00e7ambique e em Angola, vi quantos quil\u00f3metros as pessoas fazem para ir \u00e0 fonte, porque a Eucaristia \u00e9 a fonte e \u00e9 o cume da vida crist\u00e3. E n\u00f3s desperdi\u00e7amos muito a Eucaristia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, que tem a ver com a falta de sacerdotes, que faz com que muitas comunidades n\u00e3o tenham a celebra\u00e7\u00e3o dominical. O Sr. D. Jos\u00e9 j\u00e1 falou na necessidade de se pensar em menos missas e melhor missa. Pergunte-lhe como \u00e9 que tem sido acolhida esta reflex\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Com alguma dificuldade nas comunidades, porque habituados a tantas missas, se calhar perderam o valor supremo da Missa, da celebra\u00e7\u00e3o bem preparada, bem vivida, para que ela possa ser luz e alimento para a vida do quotidiano. E, de facto, a diminui\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, a diminui\u00e7\u00e3o dos p\u00e1rocos no contexto desta velha Europa, faz repensar o modo como nos aproximamos da Eucaristia e como a celebramos. N\u00e3o a instrumentalizar nem coisific\u00e1-la, mas torn\u00e1-la ainda mais o bem precioso e tamb\u00e9m muito raro, j\u00e1 em muitas comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-314235 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-260x260.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-768x768.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n-500x500.jpg 500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/426197146_248941311603269_6639518718516550540_n.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a>Mas o caminho vai ter de ser mesmo esse, menos Eucaristias, provavelmente?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Certamente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um slogan, em alguns lugares j\u00e1 est\u00e1 a acontecer, h\u00e1 essa coragem de n\u00e3o ficarmos ref\u00e9ns destes medos, mas termos a confian\u00e7a de rasgar horizontes, porque a Missa n\u00e3o \u00e9 o exclusivo da vida da comunidade, mas ela \u00e9 decisiva e sem ela n\u00e3o existe a comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Congresso Eucar\u00edstico \u00e9 pensado como um momento de grande celebra\u00e7\u00e3o e acontece depois de um outro grande momento, a Jornada Mundial da Juventude. Os jovens v\u00e3o ter um papel de relevo nesta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>Gostar\u00edamos que estivessem. Est\u00e1 pensado, sobretudo a sua participa\u00e7\u00e3o mais vis\u00edvel tanto na Festa Mariana no primeiro dia, porque tamb\u00e9m \u00e9 a conclus\u00e3o do m\u00eas de maio, na Avenida Central, com o acolhimento da imagem da Senhora do Sameiro e uma peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 S\u00e9, mas a ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio nesta leitura eucar\u00edstica de meditar o mist\u00e9rio de Cristo com Maria e com os irm\u00e3os, e depois no \u00faltimo dia, na pr\u00f3pria peregrina\u00e7\u00e3o, onde eles j\u00e1 participam, pelo menos ali na cidade e na Arquidiocese de Braga. Mas gostar\u00edamos que tamb\u00e9m a sua participa\u00e7\u00e3o no Congresso fosse vis\u00edvel, tanto que pensamos um workshop que ser\u00e1 animado por uma jovem que esteve na org\u00e2nica da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois desta JMJ, que foi de facto um grande momento, o Congresso chega tamb\u00e9m, depois de um ano marcado pelas revela\u00e7\u00f5es sobre os casos de abuso sexual na Igreja em Portugal. Teme que as pol\u00e9micas que surgiram tenham repercuss\u00f5es negativas, ou acredita na capacidade de resposta dos respons\u00e1veis e das comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que sim, que haja essa resposta positiva, como est\u00e1 a acontecer nas nossas dioceses, naquilo que acontece de forma\u00e7\u00e3o, de repara\u00e7\u00e3o, de acolhimento das pessoas v\u00edtimas, de tudo aquilo que est\u00e1 ao nosso alcance para aliviar o sofrimento das pessoas que sofreram essa situa\u00e7\u00e3o que nunca deveria ter acontecido e que infelizmente tamb\u00e9m acontece e aconteceu na Igreja, mas est\u00e1 tudo de facto interligado. N\u00e3o podemos separar as coisas. A Eucaristia \u00e9 o lugar do p\u00e3o do perd\u00e3o, do p\u00e3o da palavra, do p\u00e3o do corpo de Cristo e \u00e9 ela que tem de iluminar tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas, porque est\u00e1 em causa a dignidade inalien\u00e1vel da pessoa humana e na Eucaristia tudo isso \u00e9 vivido, rezado. A Eucaristia interpela-nos sempre para o encontro com Cristo, com os outros, connosco pr\u00f3prios, com o mundo, com a hist\u00f3ria, com a casa comum e de modo especial com aqueles que merecem maior cuidado, as crian\u00e7as, as pessoas vulner\u00e1veis, os mais pobres, aqueles que por si s\u00f3s n\u00e3o s\u00e3o capazes de expressar plenamente aquilo que \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 maioria das pessoas e por isso este cuidado ainda mais atento tem de acontecer com todos e n\u00e3o pode ser esquecido de maneira nenhuma. Porque aqui o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 segredo, o sil\u00eancio na Eucaristia \u00e9 reparador porque \u00e9 contemplativo e de um olhar de bondade, como costuma dizer o Papa Francisco, de ternura, de compaix\u00e3o, de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><em> Jos\u00e9 Cordeiro assinalou recentemente os dois anos com o arcebispo de Braga, falamos aqui de v\u00e1rios temas que certamente marcaram este percurso e gostaria de acrescentar aqui um outro que \u00e9 o processo sinodal lan\u00e7ado pelo Papa Francisco: Como \u00e9 que tem sido vivida esta proposta?<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>Muito bem acolhida, mas h\u00e1 muito para fazer. Muito j\u00e1 foi feito e nestes dois anos de experi\u00eancia na Arquidiocese h\u00e1 uma experi\u00eancia feliz desta sinodalidade que \u00e9 um ponto sem retorno. Nas v\u00e1rias assembleias sinodais, nos grupos sinodais, nos organismos de comunh\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o da Arquidiocese conseguimos sonhar e construir um itiner\u00e1rio para dez anos em vista tamb\u00e9m dos dois mil anos da P\u00e1scoa, a que demos o nome de Juntos no Caminho de P\u00e1scoa, levar Jesus a todos e todos a Jesus. E esta interpela\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 feita ultimamente como \u00e9 que a Igreja Sinodal pode viver a miss\u00e3o e ser mission\u00e1ria est\u00e1 a ser tamb\u00e9m amadurecida e em concreto ainda ontem no Conselho Pastoral Arquidiocesano para que todo este processo seja feito conjuntamente, que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s. \u00c9 dif\u00edcil, \u00e9 novo e tudo aquilo que \u00e9 novo causa sempre uma estranheza, mas pouco a pouco o sonho vai sendo alargado e comungado por outros e este \u00e9 o caminho com o m\u00e9todo da conversa\u00e7\u00e3o no esp\u00edrito, de escutar o Esp\u00edrito Santo, escutar os outros no sil\u00eancio, na ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a descrever uma realidade diocesana que \u00e9 diferente daquela realidade que vivemos na Igreja Universal, no que diz respeito ao processo Sinodal?<\/em><\/p>\n<p>Eu gostaria que fosse alargado a toda a Igreja, isto \u00e9, aquilo que o Papa Francisco constantemente nos interpela e \u00e9 aquilo que procuramos construir na realidade.<\/p>\n<p>O processo \u00e9 lento, mas tem de ser ativo e construtivo e mesmo neste caminho de P\u00e1scoa ela n\u00e3o acontece sem a cruz, n\u00e3o h\u00e1 P\u00e1scoa sem cruz, n\u00e3o h\u00e1 cruz sem P\u00e1scoa e pouco a pouco vai fazendo caminho e aquilo que vamos construindo e as decis\u00f5es tomadas v\u00e3o sendo resultado de um processo sinodal. Muitos, alguns, um, depois a decis\u00e3o tem de ser sempre tomada por um e, \u00e0s vezes, \u00e9 muito solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 estamos na reta final desta conversa e vou convid\u00e1-lo agora a alargar fronteiras. Quando chegou \u00e0 Arquidiocese de Braga, abra\u00e7ou com entusiasmo o Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o com a Diocese de Pemba em Cabo Delgado. Ali\u00e1s, Santa Cec\u00edlia de Ocua \u00e9 conhecida carinhosamente como a par\u00f3quia 552 da Arquidiocese. Infelizmente a comunidade internacional parece pouco desperta para o fen\u00f3meno do terrorismo em Cabo Delgado. Tivemos uma recente nota da Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz aqui em Portugal, a chamar a aten\u00e7\u00e3o para isso. Numa entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a o bispo de Pemba disse que a popula\u00e7\u00e3o se sente abandonada. A minha pergunta \u00e9 o que \u00e9 que devemos todos fazer para que o assunto n\u00e3o caia no esquecimento?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o pode cair de modo algum no esquecimento. Eu quando estive l\u00e1 por dez dias, j\u00e1 h\u00e1 quase um ano e alguns meses, as pessoas at\u00e9 chamavam aquela regi\u00e3o n\u00e3o Cabo Delgado, mas Cabo desligado, para sublinhar esse esquecimento a que s\u00e3o votados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mesmo no pr\u00f3prio pa\u00eds, como dizia o bispo de Pemba&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, e mesmo nas prov\u00edncias ao lado at\u00e9 parece que entramos para um outro pa\u00eds quando chegamos a Cabo Delgado. E sobretudo na par\u00f3quia de Santa Cec\u00edlia de Ocua, que \u00e9 a par\u00f3quia mais pobre da Diocese de Pemba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A comunidade internacional tem se portado mal ent\u00e3o relativamente a Cabo Delgado? <\/em><\/p>\n<p>Sim, tem sido indiferente, tem assobiado para o lado, n\u00e3o quer saber, porque h\u00e1 muitos interesses em jogo. Do g\u00e1s, do ouro e h\u00e1 muitos pa\u00edses que s\u00e3o c\u00famplices nessa realidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 dif\u00edcil percebermos onde \u00e9 que come\u00e7a a quest\u00e3o econ\u00f4mica e onde acaba a quest\u00e3o do terrorismo isl\u00e2mico?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 que \u00e9 a dor maior, porque a rela\u00e7\u00e3o entre os mu\u00e7ulmanos e os crist\u00e3os, os cat\u00f3licos em particular, \u00e9 muito boa. Naquela zona predominam os mu\u00e7ulmanos, mas na experi\u00eancia at\u00e9 com Ocua, ela \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito serena, muito fraterna, tanto que os dois jovens que conseguimos trazer \u00e0 Jornada Mundial da Juventude o David e a Ism\u00e9nia, um \u00e9 professor no in\u00edcio de carreira e a Ism\u00e9nia \u00e9 filha do chefe da aldeia, que ele \u00e9 mu\u00e7ulmano, mas permitiu que os filhos sejam cat\u00f3licos e a\u00ed se manifesta esta rela\u00e7\u00e3o de fraternidade. Os nossos quatro mission\u00e1rios neste momento, um padre, uma leiga, um casal, est\u00e3o muito entusiasmados na miss\u00e3o, mas vive-se este momento de um novo temor na inseguran\u00e7a, que parece que volta a aproximar-se por esses grupos fundamentalistas e mais radicais, que n\u00e3o t\u00eam nenhum sentido de humanidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Iremos continuar a ouvir a voz de D. Jos\u00e9 Cordeiro na defesa de Cabo Delgado?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Esperamos que sim, n\u00f3s continuamos apostados. Ainda agora fizemos uma campanha para 150 jovens, sobretudo raparigas, terem acesso \u00e0 escola e a ades\u00e3o da Arquidiocese de Braga foi extraordin\u00e1ria, tanto que terminamos essa campanha, vamos come\u00e7ar agora uma nova campanha para uma escolinha para as crian\u00e7as at\u00e9 aos seis anos, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma resposta para esta faixa et\u00e1ria e \u00e9 muito importante que haja estes h\u00e1bitos de cultura, de educa\u00e7\u00e3o, de interesse pelo estudo e que no fundo \u00e9 colaborar para o maior bem comum e a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>100 anos depois da sua primeira edi\u00e7\u00e3o, Braga vai acolher, de novo, o Congresso Eucar\u00edstico Nacional. 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