{"id":314023,"date":"2024-02-15T09:18:01","date_gmt":"2024-02-15T09:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=314023"},"modified":"2024-02-14T17:19:32","modified_gmt":"2024-02-14T17:19:32","slug":"quaresma-com-jovens-a-vencer-faraos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quaresma-com-jovens-a-vencer-faraos\/","title":{"rendered":"Quaresma com jovens a vencer fara\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, Diocese de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184289\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>A sedu\u00e7\u00e3o da mentira \u00e9 uma velha estrada, diz-nos Francisco na sua Mensagem para esta Quaresma, da qual respigo algumas ideias. Ele j\u00e1 havia dito que o mundanismo espiritual se esconde, muitas vezes, por detr\u00e1s de apar\u00eancias de religiosidade, de apar\u00eancias de Deus, de apar\u00eancias de amor \u00e0 Igreja, de vestes espirituais luzidias, do fazer ressaltar os erros alheios, do querer meramente aparentar para ficar bem na fotografia. No fundo no fundo, mais se busca a gl\u00f3ria humana, a gl\u00f3ria uns dos outros, o prest\u00edgio e o bem-estar pessoal do que a gl\u00f3ria do Senhor. Esta descarta-se, n\u00e3o interessa muito, n\u00e3o move os cora\u00e7\u00f5es e as vontades, n\u00e3o gera ardor evang\u00e9lico, n\u00e3o serve os interesses e o ego\u00edsmo pessoal. Esta \u201ctremenda corrup\u00e7\u00e3o com apar\u00eancias de bem &#8230; este mundanismo asfixiante cura-se saboreando o ar puro do Esp\u00edrito Santo, que nos liberta de estarmos centrados em n\u00f3s mesmos, escondidos numa apar\u00eancia religiosa vazia de Deus\u201d (cf. EG95-97).<\/p>\n<p>Um novo momento de gra\u00e7a est\u00e1-nos a bater \u00e0 porta, \u00e9 a Quaresma. Ela lembra-nos que somos p\u00f3, que ao p\u00f3 voltaremos, que o Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo, que \u00e9 preciso que nos arrependamos e acreditemos no Evangelho, que \u00e9 bom cada um encontrar no deserto quaresmal do seu interior a verdade de si pr\u00f3prio e de Deus, o Deus Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Antes de mais, e com toda a esperan\u00e7a, convido e desafio os jovens da nossa Diocese, os jovens de boa vontade, a viverem e a dinamizarem a viv\u00eancia da Quaresma nas suas comunidades crist\u00e3s. A sua presen\u00e7a e criatividade muito poder\u00e3o ajudar a envolver o maior n\u00famero de pessoas neste tempo favor\u00e1vel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa. Este seu envolvimento a envolver as comunidades em iniciativas concretas far\u00e1 com que as par\u00f3quias em geral, cada pessoa e cada fam\u00edlia em particular se integrem neste dinamismo saud\u00e1vel, decidindo quais as iniciativas concretas a propor e como as dinamizar! E ningu\u00e9m como os jovens \u00e9 capaz disso. O Secretariado Diocesano da Catequese lan\u00e7ou uma proposta para a viv\u00eancia da Quaresma 2024, outras podem surgir. Mas n\u00e3o me fico por a\u00ed neste convite e desafio. Este ano, convido tamb\u00e9m os jovens, do Ensino Secund\u00e1rio e Superior, os jovens dispon\u00edveis e de boa vontade, a vivermos juntos, de 28 a 30 de mar\u00e7o, em Castelo Branco, o Tr\u00edduo Pascal, uma P\u00e1scoa Jovem e Mission\u00e1ria. Vamos a isso, jovens? O Secretariado Diocesano da Juventude, a cidade de Castelo Branco e muitas fam\u00edlias j\u00e1 est\u00e3o a congregar sinergias para que isso l\u00e1 possa e deva acontecer. Vai ser bom, contamos convosco.<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 um tempo de gra\u00e7a para todos, um tempo que nos ajuda a avaliar a realidade que somos, a situa\u00e7\u00e3o moral e espiritual em que vivemos, o nosso amor e fidelidade ao Senhor. \u00c9 uma esp\u00e9cie de deserto, \u2018o lugar do primeiro amor\u2019, o lugar onde \u201cDeus educa o seu povo, para que saia das escravid\u00f5es e experimente a passagem da morte \u00e0 vida\u201d. \u00c9 um caminho concreto que nos leva a fazer \u201cpequenas e grandes op\u00e7\u00f5es contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os h\u00e1bitos nas compras, o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o de quem n\u00e3o \u00e9 visto ou \u00e9 desprezado\u201d. \u00c9 um tempo de convers\u00e3o, de liberdade, de alegria, de coer\u00eancia e luta, sabendo que Deus nos v\u00ea, nos conhece, nos escuta, vem ao nosso encontro e nos estende a m\u00e3o para nos ajudar a libertar de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Francisco, na sua Mensagem, traz \u00e0 li\u00e7a o Fara\u00f3. De facto, quando falamos em fara\u00f3s, se nos vem \u00e0 ideia uma das mais importantes civiliza\u00e7\u00f5es, logo nos saltita no pensamento o perfil desses reis do Egito, o seu poder absoluto, a sua forma de o exercer, a sua ideologia triunfalista, o seu regime de cariz servil, explorando, escravizando, submetendo, extinguido sonhos e espezinhando a dignidade de tantos. \u201cAo contr\u00e1rio do Fara\u00f3, Deus n\u00e3o quer s\u00fabditos, quer filhos\u201d, diz o Papa. No entanto, h\u00e1 outros fara\u00f3s bem mais tem\u00edveis a escravizar a malta. S\u00e3o os \u00eddolos! Eles tornam \u201cmudos, cegos, surdos, im\u00f3veis aqueles que os servem\u201d, lembra-nos Francisco. S\u00e3o a voz do inimigo dentro de n\u00f3s que nos deixa exaustos e insens\u00edveis, nos divide e rouba o futuro, nos leva a lutar por \u201cpoder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedu\u00e7\u00e3o desta mentira. \u00c9 uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, \u00e0 nossa posi\u00e7\u00e3o, a uma tradi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo a algumas pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O Papa volta a fazer as perguntas de todos os tempos a cada um: \u201cOnde \u00e9 que tu est\u00e1s?\u201d (cf. Gn 3,9), \u201cOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u201d (Gn 4,9). Ser\u00e1 que tamb\u00e9m nos escondemos com vergonha e medo de Deus, ser\u00e1 que o grito de tantos irm\u00e3os que continua a clamar aos c\u00e9us n\u00e3o mexe connosco, n\u00e3o nos aproxima deles? No Egito, o Senhor viu e ouviu o clamor do seu povo oprimido, conheceu os seus sofrimentos, veio ao seu encontro para o libertar, chamou-o da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade (cf. Ex 3,7-8). Hoje, por\u00e9m, continua a chamar cada um de n\u00f3s para a liberdade, uma liberdade que se cultiva, aperfei\u00e7oa-a e amadurece ao longo da vida, percorrendo os caminhos que a Palavra de Deus nos aponta, animados pela gra\u00e7a. Pode acontecer que nem sempre estes caminhos sejam bem entendidos como entendidos n\u00e3o o foram pelo povo de Israel. Lamentaram-se, murmuraram contra quem os libertou, tiveram saudades das panelas, dos pepinos e das cebolas do Egito. Hoje acontece o mesmo. Apesar da nossa liberta\u00e7\u00e3o ter come\u00e7ado no Batismo, \u2018h\u00e1 uma inexplic\u00e1vel nostalgia da escravatura\u2019, sobretudo \u201cquando nos falta a esperan\u00e7a e vagueamos na vida como em terra desolada\u201d, diz-nos o Papa.<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 \u201ctempo de agir e, na Quaresma, agir \u00e9 tamb\u00e9m parar: parar em ora\u00e7\u00e3o, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presen\u00e7a do irm\u00e3o ferido. O amor de Deus e o do pr\u00f3ximo formam um \u00fanico amor. N\u00e3o ter outros deuses \u00e9 parar na presen\u00e7a de Deus, junto da carne do pr\u00f3ximo. Por isso, ora\u00e7\u00e3o, esmola e jejum n\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas exerc\u00edcios independentes, mas um \u00fanico movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os \u00eddolos que nos tornam pesados, os apegos que nos aprisionam. Ent\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o atrofiado e isolado despertar\u00e1. Para isso h\u00e1\u0301 que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimens\u00e3o contemplativa da vida, que a Quaresma nos far\u00e1 reencontrar, mobilizar\u00e1 novas energias\u201d.<\/p>\n<p>A usura e a avareza s\u00e3o uma doen\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o, um terr\u00edvel fara\u00f3 a escravizar quem se coloca a jeito. A cura mexe com os bolsos, com a carteira. Implica a coragem de renunciar ao sup\u00e9rfluo e at\u00e9 ao que se gostaria de usufruir. Implica a convers\u00e3o \u00e0 partilha com os mais necessitados, nuns casos por dever de justi\u00e7a, por dever de solidariedade noutros casos. A esmola dada em verdadeiro esp\u00edrito de caridade \u00e9 um banco cuja tra\u00e7a n\u00e3o corr\u00f3i, rende cem por cento neste mundo e abre portas na gl\u00f3ria eterna. No ano passado, a nossa Ren\u00fancia Quaresmal reverteu para o Fundo Social Diocesano, gerido pela C\u00e1ritas Diocesana, num total de 15 508,78 euros. Este ano, reverter\u00e1, metade para o mesmo Fundo Social Diocesano e outra metade para um Centro Social que acolhe \u00f3rf\u00e3os e crian\u00e7as desfavorecidas na cidade de Mo\u00e7\u00e2medes, Angola, Diocese de um sacerdote que presentemente trabalha nesta nossa Diocese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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