{"id":313650,"date":"2024-02-11T09:30:06","date_gmt":"2024-02-11T09:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=313650"},"modified":"2024-02-09T14:20:49","modified_gmt":"2024-02-09T14:20:49","slug":"portugal-saude-quem-esta-no-centro-e-a-pessoa-que-precisa-de-cuidados-victor-gil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-saude-quem-esta-no-centro-e-a-pessoa-que-precisa-de-cuidados-victor-gil\/","title":{"rendered":"Portugal\/Sa\u00fade: \u00ab Quem est\u00e1 no centro \u00e9 a pessoa que precisa de cuidados\u00bb &#8211; Victor Gil"},"content":{"rendered":"<p><em>A cerca de um m\u00eas das elei\u00e7\u00f5es legislativas, o Movimento Ac\u00e7\u00e3o \u00c9tica (MAE) lan\u00e7a um conjunto de perguntas aos candidatos \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica. O m\u00e9dico cardiologista Victor Gil, que integra o movimento criado em janeiro de 2021, \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_313595\" aria-describedby=\"caption-attachment-313595\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-313595 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2387-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-313595\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje a Igreja Cat\u00f3lica celebra o Dia Mundial do Doente e, como estou a falar com um profissional de sa\u00fade, proponho que comecemos por a\u00ed. Na sua mensagem para este Dia Mundial, o Papa Francisco critica op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que n\u00e3o conseguem colocar no centro a dignidade da pessoa, da pessoa humana, e nem sempre proporcionam as estrat\u00e9gias e recursos necess\u00e1rios para garantir o direito fundamental \u00e0 sa\u00fade e ao acesso aos cuidados m\u00e9dicos. \u00c9 uma mensagem muito forte. Pergunto-lhe se \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m sentimos em Portugal, que se estende no nosso pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Come\u00e7o por agradecer o convite, em nome dos quatro fundadores do movimento. N\u00e3o sou s\u00f3 eu, eu represento um grupo de quatro, que inclui o doutor Bag\u00e3o F\u00e9lix, o professor Pedro Afonso, psiquiatra e tamb\u00e9m muito envolvido nestas quest\u00f5es, o professor Paulo Otero, jurista, professor da Faculdade de Direito. Somos os quatro que iniciamos este movimento e estou aqui em nome dos quatro, n\u00e3o em meu nome pessoal.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sua pergunta, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o absoluta e tamb\u00e9m em Portugal. Para quem, como \u00e9 o meu caso, tem experi\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o com outras latitudes, nomeadamente em \u00c1frica, n\u00f3s estamos a anos-luz de dist\u00e2ncia. As coisas c\u00e1 est\u00e3o muit\u00edssimo mais avan\u00e7adas, n\u00e3o tem nada a ver com a realidade de quem n\u00e3o tem nada, mas isso n\u00e3o quer dizer que as coisas estejam resolvidas. E h\u00e1 um grande problema que \u00e0s vezes se confunde, que \u00e9 o problema da universalidade dos cuidados, com a acessibilidade. A universalidade existe, teoricamente ou n\u00e3o, mas existe; a acessibilidade, \u00e0s vezes, \u00e9 muito complicada. N\u00e3o chega dizer&#8230; enfim, politicamente isso tem sido explorado, como \u00e9 o caso das listas de espera, mas de facto as listas de espera \u00e0s vezes s\u00e3o t\u00e3o longas que a pessoa n\u00e3o tem acesso, dentro do tempo \u00fatil.<\/p>\n<p>Por outro lado, a personaliza\u00e7\u00e3o dos cuidados, o respeito pela dignidade da pessoa humana em qualquer das circunst\u00e2ncias, s\u00e3o coisas que nem sempre s\u00e3o colocadas no topo das prioridades e devem ser. E esse \u00e9 um dos nossos pap\u00e9is, alertar para isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na interpela\u00e7\u00e3o aos candidatos, deixam perguntas sobre se o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade deve ser exclusivamente p\u00fablico, mas tamb\u00e9m sobre a eutan\u00e1sia. Que clareza exigem aos partidos nestas quest\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>A primeira coisa, fazendo a ponte para aquilo que estava a dizer antes, \u00e9 a garantia de uma acessibilidade, a garantia do acesso aos cuidados e um acesso de acordo com as caracter\u00edsticas de cada pessoa e no respeito pela sua dignidade, etc\u2026 para n\u00f3s \u00e9 absolutamente indiferente se o Estado tem exclusividade disso ou n\u00e3o tem exclusividade disso. E, pelo contr\u00e1rio, a procura de sinergias, a procura de complementaridade, a procura da tal subsidiariedade, parece-nos importante. N\u00e3o nos podemos esquecer de coisas como, neste momento, mais de 4 milh\u00f5es de portugueses terem subsistemas ou sistemas de seguros. Se, de repente, esses 4 milh\u00f5es e tal, calculo que sejam quase 4 milh\u00f5es e meio, chegassem, e aterrassem todos num servi\u00e7o p\u00fablico absolutamente estatizado, se calhar, afogavam-no ainda mais do que est\u00e1.<\/p>\n<p>E depois, h\u00e1 outra coisa que \u00e9 preciso aqui tamb\u00e9m ter em conta. Eu acho que as pessoas que t\u00eam organiza\u00e7\u00f5es, que prestam cuidados de sa\u00fade privados, n\u00e3o s\u00e3o necessariamente organiza\u00e7\u00f5es de malfeitores. Est\u00e3o tamb\u00e9m focadas no doente, prestam cuidados de muita qualidade. Aqui o que est\u00e1 em causa \u00e9 quem \u00e9 o pagador. Se o pagador s\u00e3o os impostos de todos n\u00f3s apenas, ou se s\u00e3o entidades intermedias para as quais as pessoas tamb\u00e9m deram dinheiro. Portanto, parece-me que se est\u00e1 a fazer disto, ou faz-se muitas vezes disto, uma coisa, que esquece quem \u00e9 que est\u00e1 no centro. Quem est\u00e1 no centro \u00e9 a pessoa que precisa de cuidados. Com as tais coisas, que s\u00e3o palavras muito bonitas, mas que se t\u00eam de aplicar na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica, na sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica. N\u00f3s, que atualmente n\u00e3o temos envolvimento pol\u00edtico diretamente, todas as nossas afirma\u00e7\u00f5es v\u00e3o ter implica\u00e7\u00f5es e o que n\u00f3s queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o seguinte: o princ\u00edpio \u00e9tico do respeito pela dignidade das pessoas e, obviamente, o respeito \u00e0 garantia da acessibilidade, deve passar, num momento em que as coisas n\u00e3o est\u00e3o a funcionar bem, por sentar as pessoas \u00e0 mesa, os v\u00e1rios intervenientes e tentar encontrar complementaridades, de forma a tentar, usando todos os recursos e as complementaridades entre os v\u00e1rios sistemas, garantir essas situa\u00e7\u00f5es de que fal\u00e1vamos h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Percebemos que o movimento n\u00e3o prop\u00f5e propriamente um modelo, mas est\u00e1 aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios protagonistas no SNS. Com a atual crise da sa\u00fade, vemos doentes v\u00e1rias horas \u00e0 espera nas urg\u00eancias, gr\u00e1vidas a fazer quil\u00f3metros para ter uma consulta ou para fazer um parto. A que \u00e9 que se deve a esta crise?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro isto vem muito de tr\u00e1s, e eu tamb\u00e9m n\u00e3o queria estar aqui a avan\u00e7ar com a minha opini\u00e3o pessoal. Isto \u00e9 uma coisa que vem muito de tr\u00e1s, tem a ver, entre outras coisas, com a taxa de pessoas que v\u00e3o saindo por reforma, tem a ver com outros fen\u00f3menos que tamb\u00e9m se conhecem, com algumas pessoas que saem do sistema porque n\u00e3o est\u00e3o satisfeitas com as condi\u00e7\u00f5es do sistema, isto vem de h\u00e1 muito tempo. Eu sou m\u00e9dico h\u00e1 muitos anos e, quando comecei a minha carreira, j\u00e1 nessa altura se ganhava muito mal. O que \u00e9 que se fazia nessa altura? Procuravam-se complementaridades, procuravam-se fazer outras coisas, desde dar aulas at\u00e9 fazer coisas em cl\u00ednicas, etc. Depois, mais tarde, ganhava-se algum dinheiro extra em urg\u00eancias que saiam muito do p\u00ealo: as pessoas trabalhavam o seu hor\u00e1rio normal, e para al\u00e9m disso, trabalhavam em urg\u00eancias, mas isso chegou a um ponto que as pessoas n\u00e3o aguentaram mais. Era previsto que isto ia acontecer. Agora, tamb\u00e9m acredito que com todas as boas inten\u00e7\u00f5es que possa haver, e vejo boas inten\u00e7\u00f5es, por parte de quase toda a gente &#8211; cada qual tem o seu modelo, e penso que toda a gente est\u00e1 interessada na coisa p\u00fablica e em fazer tudo para a melhorar &#8211; n\u00e3o acredito que isto se v\u00e1 resolver estalando o dedo. Ningu\u00e9m tem uma varinha de cond\u00e3o. Agora, sozinhos vai ser muito mais dif\u00edcil. Se houver plataformas de entendimento que tenham como centro a pessoa humana que est\u00e1 a sofrer e que precisa de ajuda, ent\u00e3o talvez haja aqui tamb\u00e9m possibilidade de se resolver de uma forma mais eficaz o problema. N\u00e3o vai ser num instante, mas com certeza que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deixe-me tamb\u00e9m perguntar se n\u00e3o h\u00e1 aqui tamb\u00e9m uma parte da responsabilidade dos pr\u00f3prios m\u00e9dicos, ou da ordem dos m\u00e9dicos, com a sua relut\u00e2ncia em aumentar, por exemplo, o n\u00famero de vagas de acesso \u00e0 carreira m\u00e9dica?<\/em><\/p>\n<p>Pois, talvez, isso \u00e9 uma quest\u00e3o muito debatida tamb\u00e9m h\u00e1 muito tempo. Se havia, como no passado havia, um sistema muito baseado no Estado, e em que os privados tinham uma express\u00e3o muito pequena, e isso foi assim no in\u00edcio da minha carreira; era assim. Havia consult\u00f3rios individuais, mas um sistema com hospitais com a express\u00e3o que t\u00eam agora n\u00e3o existia, e, portanto, o empregador era o Estado. E, portanto, o Estado p\u00f4de fazer as suas contas e calcular quantos m\u00e9dicos \u00e9 que precisa ao fim de um n\u00famero determinado de anos. As pessoas que iam para fora eram uma minoria. O Estado era o grande absorvedor dessa m\u00e3o-de-obra m\u00e9dica, e, portanto, tamb\u00e9m n\u00e3o fazia sentido haver uma forma\u00e7\u00e3o do n\u00famero excessivo de m\u00e9dicos que depois iam para o desemprego. Contavam-se hist\u00f3rias nesta altura, como por exemplo no Brasil em que isso acontecia, que havia m\u00e9dicos que chauffeurs de t\u00e1xi. Tamb\u00e9m compreendo que quem tinha responsabilidades na ordem dos m\u00e9dicos, nessa altura, tivesse algum cuidado com isso. Ora a realidade mudou, tudo mudou, e isso \u00e9 uma das coisas que eu acho importante. \u00c9 pensarmos que o que acontece neste momento n\u00e3o \u00e9 o que acontecia h\u00e1 30, h\u00e1 40 ou h\u00e1 50 anos. O pa\u00eds mudou, mudou tudo, sociologicamente mudou, e h\u00e1 neste momento o desenvolvimento de v\u00e1rios grupos privados, como h\u00e1 bocadinho dizia, que servem milh\u00f5es de pessoas em Portugal, e neste momento h\u00e1 um mercado de trabalho diferente. Mais ainda, eu n\u00e3o tenho a certeza de que o problema seja um problema de diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero absoluto de m\u00e9dicos. N\u00f3s fazemos a compara\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios pa\u00edses que t\u00eam situa\u00e7\u00f5es muito equilibradas em termos da presta\u00e7\u00e3o de cuidados, e n\u00e3o \u00e9 um problema tanto de n\u00famero. Poder\u00e1 ser um problema de distribui\u00e7\u00e3o. Onde \u00e9 que eles est\u00e3o distribu\u00eddos e como, e h\u00e1 grandes assimetrias at\u00e9 regionais no nosso pa\u00eds. Eu diria quase escandalosas assimetrias regionais, e \u00e9 um problema tamb\u00e9m de organiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Por vezes ca\u00edmos em algumas utopias, em algumas formas de imaginar o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, particularmente a n\u00edvel de cuidados b\u00e1sicos, porque \u00e9 necess\u00e1rio primeiro satisfazer as necessidades imediatas da popula\u00e7\u00e3o e depois pensar em modelos integradores, e \u00e0s vezes \u00e9 um pouco o contr\u00e1rio. H\u00e1 muita coisa a discutir aqui. Aquilo que n\u00f3s queremos sempre puxar, e \u00e9 a raz\u00e3o de ser deste movimento, \u00e9: tem de se colocar a pessoa humana no centro, tem de se colocar a pessoa humana no foco. A dignidade dessa pessoa, a acessibilidade. E ent\u00e3o vamos todos tentar pensar qual \u00e9 a melhor maneira, e talvez isto justifique plataformas que sejam plataformas mais abrangentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para essa ideia central da dignidade, pergunto-lhe, o movimento A\u00e7\u00e3o e \u00c9tica pede esclarecimentos aos partidos sobre o que pensam relativamente \u00e0 quest\u00e3o da legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia em Portugal. A lei n\u00e3o foi regulamentada. Pergunto-lhe se seria oportuno com esta mudan\u00e7a legislativa revogar a lei e voltar a pensar numa aposta musculada na cria\u00e7\u00e3o de uma rede de cuidados paliativos? h\u00e1 muito para fazer neste campo?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O respeito absoluto pela vida em todas as circunst\u00e2ncias \u00e9 um dos princ\u00edpios que defendemos, em qualquer circunst\u00e2ncia e de todas as maneiras. E a verdade \u00e9 que para uma pessoa isolada, em sofrimento, sem apoio, sem enquadramento, talvez a solu\u00e7\u00e3o mais imediata para essa pessoa seja querer morrer e talvez a solu\u00e7\u00e3o mais c\u00f3moda para o sistema seja facilitar isso.<\/p>\n<p>Eu escrevi uma vez um artigo que dizia: &#8220;sofrimento intoler\u00e1vel ou intoler\u00e2ncia a quem sofre?&#8221;. E \u00e9 preciso \u00e0s vezes pensarmos bem, todos n\u00f3s, o que \u00e9 que estamos a fazer? N\u00e3o tenho uma experi\u00eancia direta, mas tenho uma experi\u00eancia indireta que conhe\u00e7o bem; a experi\u00eancia dos cuidados paliativos \u00e9 uma experi\u00eancia extraordin\u00e1ria de conseguir ainda dar esperan\u00e7a nos \u00faltimos dias de vida \u00e0s pessoas, de dar projetos de vida a quem tem no calend\u00e1rio ou no rel\u00f3gio pouco tempo de vida. De dar dignidade \u00e0s pessoas. O sofrimento tamb\u00e9m tem dignidade. Dizer-se que o sofrimento \u00e9 um atentado \u00e0 dignidade penso que \u00e9 desrespeitar as pessoas que sofrem com dignidade e que o fazem na plena consci\u00eancia de que a vida \u00e9 um bem, em que n\u00f3s somos apenas gestores da vida, n\u00e3o somos donos da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_313597\" aria-describedby=\"caption-attachment-313597\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-313597\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2389.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-313597\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Mas \u00e9 uma mat\u00e9ria que vai passar ao lado da campanha?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tem passado com tanta intensidade quanto isso. A necessidade de cuidados paliativos a s\u00e9rio, de uma rede nacional de cuidados paliativos, a necessidade de cuidados continuados. Muitas vezes as pessoas est\u00e3o nos hospitais onde s\u00e3o tratadas com tratamentos car\u00edssimos e depois a seguir necessitam de cuidados e andamos todos meio perdidos, sem saber para onde ir ou enviar o doente. Que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi pior, j\u00e1. J\u00e1 se fizeram coisas? J\u00e1. Falta fazer muito e falta se calhar termos essa preocupa\u00e7\u00e3o de que isso deve ser o objetivo, esse deve ser o objetivo.<\/p>\n<p>Eu devo dizer, e esta experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia s\u00f3 minha, eu penso que as pessoas com enquadramentos adequados, com enquadramentos familiares, com enquadramentos de amigos, com enquadramentos sociais adequados, raramente, se \u00e9 que alguma vez vi, n\u00e3o v\u00e3o pedir a morte. As pessoas \u00e0s vezes fazem isso por desespero, mas depois de passado alguns dias dizem, \u201cmeu Deus, meu Deus o que me passou pela cabe\u00e7a?\u201d. As pessoas t\u00eam de ser enquadradas, t\u00eam de ser amparadas, t\u00eam de ser acompanhadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na vossa interpela\u00e7\u00e3o identificam tamb\u00e9m o problema demogr\u00e1fico, do inverno demogr\u00e1fico. Como \u00e9 que se incentiva a natalidade em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que isso \u00e9 muito complexo e isso envolve programas pol\u00edticos muito abrangentes, porque isso envolve o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, isso envolve provavelmente os sal\u00e1rios mais adequados do que existem neste momento. Escandaliza-me um bocadinho saber que h\u00e1 pessoas que t\u00eam licenciaturas e mestrados que s\u00e3o muito dif\u00edceis de obter, est\u00e3o v\u00e1rios anos a estudar, e depois t\u00eam ordenados de 900 euros, de 1000 euros. \u00c9 evidente que isto n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com a realidade europeia. Isto n\u00e3o ajuda as pessoas a terem estabilidade suficiente para constituir fam\u00edlia e continuarem a desenvolver o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas o discurso pol\u00edtico em Portugal est\u00e1 demasiado centrado no indiv\u00edduo e menos centrado na necessidade destas pol\u00edticas amigas da fam\u00edlia?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil estarmos todos a dizer que estamos preocupados com isso. O problema \u00e9 depois aparecerem as medidas concretas. E eu n\u00e3o posso acreditar que n\u00e3o haja solu\u00e7\u00f5es para coisas. Eu n\u00e3o posso acreditar que me digam que o problema da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema da Europa toda e se calhar do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Com certeza, mas n\u00f3s o que devemos fazer? O que \u00e9 que isto tem a ver com \u00e9tica? Tem tudo que ver com a \u00e9tica, porque a \u00e9tica \u00e9 o respeito por princ\u00edpios universais e que permitem que esta civiliza\u00e7\u00e3o se encontre em si pr\u00f3pria. Se n\u00e3o forem garantidas coisas b\u00e1sicas, tamb\u00e9m aqui de dignidade das pessoas, naturalmente que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel constituir fam\u00edlias, os jovens adiantam cada vez mais os seus projetos de vida e chegamos a esta situa\u00e7\u00e3o em que alguns dos jovens saem e em que a natalidade s\u00f3 n\u00e3o tem baixado mais porque \u00e9 substitu\u00edda pela natalidade de pessoas que v\u00eam de fora para c\u00e1 trabalhar, o que \u00e9 perfeitamente leg\u00edtimo, \u00e9 \u00f3timo. E se v\u00eam para c\u00e1 trabalhar, muito bem, v\u00eam ajudar o pa\u00eds e todos n\u00f3s temos de estar agradecidos, mas tamb\u00e9m assumir que n\u00f3s, portugueses, originais, somos um povo em desaparecimento tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa que nos custa muito e tamb\u00e9m n\u00e3o sei se isso respeita a \u00e9tica coletiva de todos n\u00f3s, como povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamente o envelhecimento e a desertifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds est\u00e3o ligados, entre outras quest\u00f5es, \u00e0 quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que avalia a forma como o pa\u00eds tem tratado esta mat\u00e9ria?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Neste momento ser\u00e3o cerca de um milh\u00e3o de imigrantes em Portugal, ou seja 10% da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 muita gente. E \u00e9 verdade que essas pessoas v\u00eam trabalhar para postos de trabalho que s\u00e3o necess\u00e1rios, desde a agricultura \u00e0s pescas a v\u00e1rias coisas, na hotelaria, etc., e naturalmente que se eles n\u00e3o vierem, provavelmente esses setores param. E, portanto, a imigra\u00e7\u00e3o evidentemente que \u00e9 bem-vinda; sempre que as pessoas v\u00eam trabalhar e ajudar a construir riqueza para o pa\u00eds e ajudar a desenvolver o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Eu acho que pa\u00edses como o Canad\u00e1 ou os pa\u00edses n\u00f3rdicos, nenhum desses pa\u00edses alguma vez foi acusado de coisas esquisitas e de nomes feios, sempre tiveram, no entanto, pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o. Tiveram pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o com algum controlo. Penso que no Canad\u00e1 havia e acho que ainda h\u00e1 as cartas de chamada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E em Portugal como \u00e9 que estamos a trat\u00e1-los?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Isso j\u00e1 entra numa esfera muito pol\u00edtica em que sei que existem programas diferentes, o que n\u00f3s diz\u00edamos, respeitamos a diversidade, respeitamos e congratulamo-nos por este enriquecimento cultural de pessoas que v\u00eam para c\u00e1, mas tamb\u00e9m, se n\u00e3o houver controlo, podemos chegar a situa\u00e7\u00f5es em que alguns pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o a chegar, que \u00e9 muito complicado. Falo da completa descaracteriza\u00e7\u00e3o que existe nalgumas regi\u00f5es de alguns pa\u00edses da Europa, qualquer coisa que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 a agradar aos locais, penso. A prova \u00e9 que muitos est\u00e3o a abandonar os seus pa\u00edses e a vir viver as suas reformas para Portugal, onde \u00e9 um cantinho aqui bem protegido, ainda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A justi\u00e7a e a corrup\u00e7\u00e3o, integram as preocupa\u00e7\u00f5es do movimento, e obviamente que toda a gente fala na necessidade de uma justi\u00e7a mais eficaz. O que lhe pergunto \u00e9 se tem alguma sugest\u00e3o nesta \u00e1rea, alguma preocupa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que queira haver respondida?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos dentro do movimento um eminent\u00edssimo jurista e ele seria provavelmente a pessoa ideal para estar aqui a responder a isso\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pergunta tem a ver tamb\u00e9m com o efeito que isto tem. Esta sucess\u00e3o de casos e a crise da justi\u00e7a pode ter um efeito muito negativo na perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u2026<\/em><\/p>\n<p>Com certeza. \u00c9 evidente que h\u00e1 uma perce\u00e7\u00e3o de que a justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o c\u00e9lere como devia ser. E h\u00e1 uma perce\u00e7\u00e3o de alguma impunidade, que talvez recentemente se sinta menos, talvez recentemente sopre uma brisa nesse aspeto e vamos esperar que no futuro seja assim. Mas realmente a perce\u00e7\u00e3o de que a justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 c\u00e9lere, n\u00e3o \u00e9 adequada \u00e9 qualquer coisa de muito grave para uma comunidade e naturalmente para quem tem preocupa\u00e7\u00f5es focadas na \u00e9tica, com certeza que isso \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa subjacente se calhar a tudo isto e at\u00e9 subjacente \u00e0quilo que s\u00e3o neste momento as mensagens dos pol\u00edticos, que \u00e9 a quest\u00e3o da verdade. N\u00f3s temos o direito de exigir verdade, temos o direito e acho que as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas internamente tamb\u00e9m se deviam levar por isso. Ou seja, se algu\u00e9m diz hoje uma coisa e amanh\u00e3 diz o contr\u00e1rio do que disse na v\u00e9spera, deveria haver mecanismos, at\u00e9 internos, para corrigir isso. E, de facto, esse confronto com a verdade ou a n\u00e3o verdade, at\u00e9 inventaram agora uma palavra que \u00e9 inverdade para n\u00e3o dizer mentira\u2026 acho que \u00e9 qualquer coisa muito profundo, que est\u00e1 tamb\u00e9m na origem de um desconforto \u00e9tico que todos sentimos em rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_313598\" aria-describedby=\"caption-attachment-313598\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-313598\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG_2390.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-313598\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Esse desconforto \u00e9tico, as quest\u00f5es relacionadas com a corrup\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica, uma certa judicializa\u00e7\u00e3o\u2026est\u00e3o a favorecer o fortalecimento dos populismos e dos extremismos. Para al\u00e9m claro do contributo dos partidos, que papel est\u00e1 reservado aos eleitores no combate a esses extremismos, que muitas vezes nos apresentam situa\u00e7\u00f5es de racismo e de xenofobia?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 aqui a levantar quest\u00f5es que s\u00e3o quest\u00f5es muito pol\u00edticas e eu n\u00e3o queria muito ir por a\u00ed. Tenho as minhas opini\u00f5es como \u00e9 evidente, mas n\u00e3o queria muito ir por a\u00ed. Em primeiro lugar eu acho que a toler\u00e2ncia e a compreens\u00e3o do outro e a compreens\u00e3o da diferen\u00e7a \u00e9 qualquer coisa que faz parte dos nossos valores civilizacionais e que deveria ser sempre encorajado. A rejei\u00e7\u00e3o de qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o por racismo, por xenofobia, qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o deve ser combatida.\u00a0Isso para n\u00f3s \u00e9 absolutamente claro.<\/p>\n<p>Eu quero acreditar que a justi\u00e7a vai funcionando melhor e que se vai autocorrigindo, tenho alguma confian\u00e7a nisso. H\u00e1 alguns sinais nesse sentido. O que os cidad\u00e3os, como cidad\u00e3os, podem fazer \u00e9 ver que propostas \u00e9 que existem nos v\u00e1rios s\u00edtios e tentar apoiar mais as propostas que se coadunam mais com a sua maneira de pensar. O favorecimento de populismos e de alguma demagogia \u00e0 volta desses temas, com certeza que pode existir, mas tamb\u00e9m penso que os eleitores n\u00e3o s\u00e3o pessoas completamente ac\u00e9falas, sen\u00e3o o movimento estava calado e n\u00e3o propunha nada. S\u00e3o pessoas que t\u00eam a sua cabe\u00e7a, pensam e s\u00e3o capazes de racionar de acordo com as v\u00e1rias coisas que lhe v\u00e3o aparecendo \u00e0 frente e os estilos que lhe v\u00e3o aparecendo \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pergunto-lhe at\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao que acabou de dizer se espera respostas concretas dos partidos \u00e0s vossas quest\u00f5es ou se n\u00e3o tem grande esperan\u00e7a nessa resposta? Ou se pelo menos espera que se discutam estes temas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s esperamos que se discutam estes temas e, portanto, n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o estamos aqui de dedo apontado \u00e0 espera de que as pessoas nos respondam; nem \u00e9 esse o nosso papel. Em tempos, defend\u00edamos que deveria haver um compromisso de honra, de alguma maneira, respeitando uma quantidade de princ\u00edpios, quando um pol\u00edtico se candidata a fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e a cargos p\u00fablicos. De alguma maneira, bem ou mal, com a concretiza\u00e7\u00e3o correta ou n\u00e3o correta, isso j\u00e1 est\u00e1 a ser aplicado nalguns casos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se nos ouviram ou se pelo menos houve uma comunh\u00e3o de pensamento em rela\u00e7\u00e3o a isso, mas exatamente o objetivo e a postura de movimentos como o nosso \u00e9 levantar as quest\u00f5es, ajudar a refletir, ajudar a pensar e colocar sempre o dedo no ponto. Ou seja, n\u00e3o nos podemos esquecer que, no fim disto tudo e como objetivo disto tudo, est\u00e3o princ\u00edpios que devem ser imut\u00e1veis e esses princ\u00edpios t\u00eam de ser respeitados. Se ajudarmos a contribuir para que se pense nisso e para que isso seja sentido e se discuta, acho que estamos a cumprir a nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E ajudar tamb\u00e9m a corrigir a absten\u00e7\u00e3o que tem sido crescente nos \u00faltimos anos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Se poss\u00edvel, se contribuirmos para isso, fant\u00e1stico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cerca de um m\u00eas das elei\u00e7\u00f5es legislativas, o Movimento Ac\u00e7\u00e3o \u00c9tica (MAE) lan\u00e7a um conjunto de perguntas aos candidatos \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica. O m\u00e9dico cardiologista Victor Gil, que integra o movimento criado em janeiro de 2021, \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":313595,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-313650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=313650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313650\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/313595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=313650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=313650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=313650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}