{"id":313489,"date":"2024-02-10T09:07:21","date_gmt":"2024-02-10T09:07:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=313489"},"modified":"2024-02-08T12:08:58","modified_gmt":"2024-02-08T12:08:58","slug":"incuravel-e-in-cuidavel-duas-coisas-distintas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/incuravel-e-in-cuidavel-duas-coisas-distintas\/","title":{"rendered":"Incur\u00e1vel e in-cuid\u00e1vel: duas coisas distintas\u2026"},"content":{"rendered":"<p><i>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/i><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na v\u00e9spera de mais um Dia Mundial do Doente \u2013 11 de fevereiro \u2013 pego de novo nas palavras do Papa Francisco, quando este diz que \u00e9 preciso rezar pelos doentes terminais e seus familiares, na inten\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o para o m\u00eas de fevereiro.<\/p>\n<p>Francisco lembra que &#8220;h\u00e1 duas palavras que, quando alguns falam de doen\u00e7as terminais, as confundem: incur\u00e1vel e in-cuid\u00e1vel. E n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa&#8221;.<\/p>\n<p>A mensagem de v\u00eddeo de fevereiro, mostra um casal, sentando na areia que contempla o mar. Uma menina que abra\u00e7a o seu av\u00f4 no leito do hospital. Um homem que est\u00e1 junto ao leito de seu pai, com uma B\u00edblia no colo e um Ros\u00e1rio nas m\u00e3os. Uma enfermeira que leva ao jardim um paciente que j\u00e1 n\u00e3o pode caminhar. Um m\u00e9dico que explica a uma fam\u00edlia o dif\u00edcil caminho que v\u00e3o ter que percorrer com seu parente a partir de agora.<\/p>\n<p>Ao olharmos para estas imagens as mesmas falam-nos de uma s\u00e9rie de fracassos ou \u00eaxitos, conforme a nossa perspetiva. Fracassos, se o \u00fanico resultado aceit\u00e1vel \u00e9 a cura; \u00eaxitos, se o objetivo \u00e9 o cuidado.<\/p>\n<p>Na cultura do descarte em que vivemos, sabemos que n\u00e3o h\u00e1 lugar para os doentes terminais. E n\u00e3o \u00e9 por acaso que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a eutan\u00e1sia ganhou terreno e que os cuidados paliativos s\u00e3o cada vez mais desvalorizados em termos de investimento.<\/p>\n<p>Contrariamente a tudo isso, o Papa Francisco convida-nos a olhar o doente com amor &#8211; a compreender, por exemplo, que o contato f\u00edsico pode ajudar muito, inclusive a quem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 capaz de falar e parece j\u00e1 n\u00e3o reconhecer seus pr\u00f3prios familiares &#8211; e a acompanh\u00e1-lo do melhor modo poss\u00edvel, durante todo o tempo que necessite.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui onde entram os paliativos, que garantem ao paciente n\u00e3o somente a aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, mas tamb\u00e9m um acompanhamento humano e pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Ao falar sobre o papel das fam\u00edlias, o Papa lembra que elas \u201cn\u00e3o podem ficar sozinhas nesses momentos dif\u00edceis\u201d, pois \u201cseu papel \u00e9 decisivo e devem ter os meios adequados para desempenhar o apoio f\u00edsico, o apoio espiritual, o apoio social\u201d.<\/p>\n<p>E \u00e9 aqui que chamo a brasa \u00e0 sardinha de um grupo que conhe\u00e7o muito bem, ainda que sendo suspeita, por dele fazer parte. Na Madeira, que anda agora nas bocas do mundo pelas raz\u00f5es que todos sabem, h\u00e1 um Movimento de Voluntariado hospitalar chamado Presen\u00e7a Amiga, que se rege pela bitola do papa e que quer fazer a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Sem nos preocuparmos com a doen\u00e7a de que a pessoa padece, a n\u00e3o ser que a pr\u00f3pria queira e possa falar disso, podemos ficar ao seu lado \u00e0 conversa, a afagar-lhe o rosto ou simplesmente de m\u00e3o dada.<\/p>\n<p>O doente \u00e9 que nos mostra o que quer e a sua vontade \u00e9 soberana! At\u00e9, para nos mandar dar uma volta e regressar noutro dia.<\/p>\n<p>Sabemos que aquele doente que ali est\u00e1, e que pode j\u00e1 n\u00e3o ser o mesmo que encontramos naquela cama na semana anterior, tal como Francisco, merece aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica at\u00e9 ao \u00faltimo segundo, assim como merece acompanhamento humano, o nosso acompanhamento neste caso.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para o doente que olhamos, mas tamb\u00e9m para as fam\u00edlias que sofrem, mas que n\u00e3o querem mostrar essa preocupa\u00e7\u00e3o junto do seu ente querido. Muitas vezes, \u00e9 no ombro de uma volunt\u00e1ria, que deixam cair a mascara e as l\u00e1grimas, aliviando assim um pouco do seu sofrimento.<\/p>\n<p>Conscientes do nosso papel, andamos sempre \u00e0 procura de aumentar as nossas fileiras com o intuito de chegarmos a mais pessoas. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Esquecer as nossas dores por uma hora ou duas, \u00e9 muitas vezes o que nos falta para podermos contribuir para um bem maior.<\/p>\n<p>\u00c9 uma tarefa que leva tempo, mas confesso que o Santo Padre, com as suas \u00faltimas mensagens e reflex\u00f5es, nos tem dado for\u00e7a para lutar. Nem sabe Ele o quando\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edsa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-313489","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=313489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/313489\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=313489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=313489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=313489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}