{"id":31347,"date":"2008-04-15T10:54:06","date_gmt":"2008-04-15T10:54:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/15\/espacos-sagrados-a-escala-humana\/"},"modified":"2008-04-15T10:54:06","modified_gmt":"2008-04-15T10:54:06","slug":"espacos-sagrados-a-escala-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/espacos-sagrados-a-escala-humana\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7os sagrados \u00e0 escala humana"},"content":{"rendered":"<p>C\u00f3n. Jo\u00e3o Peixoto, p\u00e1roco e professor de liturgia, caracteriza os espa\u00e7os sagrados do presente. E pensa os do futuro <!--more--> <i>Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 O edif\u00edcio faz comunidade? C\u00f3n. Jo\u00e3o Peixoto \u2013<\/i>  Pode condicion\u00e1-la fortemente. Modela a comunidade. Podemos dizer que h\u00e1 movimento circular: a Igreja viva, pedras vivas, faz comunidade e a comunidade faz Igreja.   <i>AE &#8211; Ser\u00e1 de outros tempos a estrutura\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria a partir da igreja paroquial? JP \u2013<\/i>  Pimeiro existe a Igreja Pedras Vivas. Depois constr\u00f3i-se um espa\u00e7o para a sua vida eclesial, de culto e de comunh\u00e3o. A ordem \u00e9 essa. Acontece como n\u00f3s com as nossas casas: somos n\u00f3s que de algum modo fazemos as nossas casas, as vamos preenchendo, as vamos habitando. Mas elas, as casas, tamb\u00e9m nos marcam, tamb\u00e9m nos fazem!  <i>AE &#8211; Qual a identidade de uma igreja matriz? JP \u2013<\/i> Uma igreja matriz \u00e9 uma igreja m\u00e3e. \u00c9 uma igreja onde se celebra o baptismo, que faz comunidade. Em portugu\u00eas, aos v\u00e1rios aglomerados populacionais, chamamos freguesias: o agrupamento dos filhos de uma igreja, daqueles que nasceram naquela matriz, que foram baptizados naquele baptist\u00e9rio e que formam uma comunidade de proximidade e de vida. O que define, de facto, uma igreja paroquial, como paroquial, \u00e9 o seu baptist\u00e9rio e \u00e9 a partir da\u00ed que tudo come\u00e7a na Igreja: o baptismo \u00e9 o in\u00edcio da vida crist\u00e3 e da comunidade que continuamente nasce da P\u00e1scoa.  <i>AE &#8211; H\u00e1 outros elementos e outros espa\u00e7os que a caracterizam? JP \u2013<\/i> O baptist\u00e9rio \u00e9 especificador de uma igreja matriz.  O centro de qualquer igreja \u00e9 o altar da Eucaristia, que \u00e9 o centro da vida da comunidade. Ao lado do altar est\u00e1 o amb\u00e3o, onde a comunidade se alimenta da palavra, o lugar da presid\u00eancia que simboliza a apostolicidade da igreja.  <i>AE &#8211; E fora do espa\u00e7o de celebra\u00e7\u00e3o? JP &#8211;<\/i> Fora do espa\u00e7o e do tempo da celebra\u00e7\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m um elemento qualificante: o lugar da reserva eucar\u00edstica, o sacr\u00e1rio. Trata-se do cora\u00e7\u00e3o vivo deste espa\u00e7o.  <i>AE &#8211; E quem v\u00ea do exterior, quem desconhece esses espa\u00e7os, como os descobre? JP \u2013<\/i> A arquitectura sacra come\u00e7ou por ser eminentemente de interior. A igreja constr\u00f3i-se de dentro para fora. Mas, \u00e0 medida que os crist\u00e3os penetram na sociedade e a transformam, a presen\u00e7a da igreja come\u00e7a tamb\u00e9m a ser vis\u00edvel do exterior e a qualificar os quarteir\u00f5es ou as povoa\u00e7\u00f5es. Ainda hoje, muitos emigrantes quando lhes perguntamos pela sua terra mostram uma fotografia da igreja paroquial. A visibilidade exterior do edifico \u00e9 o testemunho de uma Igreja que n\u00e3o se envergonha de dar testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o, que se ergue nas pra\u00e7as, nas ruas, como sinal de esperan\u00e7a. Muitas vezes o ordenamento urban\u00edstico tem como fulcro as igreja.  <i>AE \u2013 E o campan\u00e1rio? JP \u2013<\/i>  A partir de determinado momento da hist\u00f3ria ganhou import\u00e2ncia: a torre, o campan\u00e1rio. Por uma raz\u00e3o funcional: elevando-se acima dos telhados dos outros edif\u00edcios, permite projectar o som dos sinos, dos sinais, que convocam para a assembleia de uma forma mais eficaz, mais longe. Elas tornaram-se em si mesmas tamb\u00e9m um sinal da Igreja, sendo um meio de comunh\u00e3o importante de uma comunidade paroquial, porque sintoniza todos nas alegrias e nas tristezas.  <i>AE \u2013 Como ser\u00e3o os espa\u00e7os sagrados no futuro? JP \u2013<\/i> \u00c9 uma quest\u00e3o que precisa de ser reflectida! N\u00f3s estamos a viver uma situa\u00e7\u00e3o \u2013 que ser\u00e1 certamente transit\u00f3ria \u2013 de escassez preocupante do clero. E isso pode determinar que as nossas assembleias, para poderem ser atendidas pelo ministro ordenado, t\u00eam de crescer em n\u00famero, sendo necess\u00e1rios espa\u00e7os mais amplos. Essa evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o me agrada! Porque as assembleias devem ter uma dimens\u00e3o m\u00e9dia, de escala humana, e n\u00e3o de mega-assembleias. Nos santu\u00e1rios temos essas experi\u00eancias em momentos especiais, de festa. Mas no dia-a-dia precisamos de espa\u00e7os familiares, comunit\u00e1rios.  N\u00e3o seria bom que come\u00e7\u00e1ssemos a projectar igrejas com mais de 400 lugares sentados. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00f3n. Jo\u00e3o Peixoto, p\u00e1roco e professor de liturgia, caracteriza os espa\u00e7os sagrados do presente. 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