{"id":31338,"date":"2008-04-15T10:33:49","date_gmt":"2008-04-15T10:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/15\/igreja-estado-e-dialogo-construtivo\/"},"modified":"2008-04-15T10:33:49","modified_gmt":"2008-04-15T10:33:49","slug":"igreja-estado-e-dialogo-construtivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-estado-e-dialogo-construtivo\/","title":{"rendered":"Igreja, Estado e di\u00e1logo construtivo"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral alerta para algum virulento anti-clericalismo que ainda marca certas mentalidades <!--more-->  Depois do 25 de Abril, houve a clara percep\u00e7\u00e3o por parte da maioria dos l\u00edderes pol\u00edticos do novo regime \u2013 com destaque para M\u00e1rio Soares \u2013 de que a democracia s\u00f3 teria a perder se fosse repetida a agressiva hostiliza\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica que caracterizou a I Rep\u00fablica. E, tendo deixado de ser dominante na sociedade e sem o apoio pol\u00edtico que recebera do regime salazarista (e, antes, da Monarquia, quando era religi\u00e3o de Estado), a Igreja mostrou ser capaz de se adaptar ao novo quadro. Aceitou com naturalidade o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o entre Estado laico e Igrejas (concretizado de forma in\u00edqua pela I Rep\u00fablica, \u00e9 certo). Compreendeu que se situava, agora, numa sociedade pluralista onde os cat\u00f3licos praticantes s\u00e3o uma minoria. E promoveu o di\u00e1logo construtivo com o Estado e com as institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil, incluindo outras confiss\u00f5es religiosas e os n\u00e3o crentes. Ser\u00e1 que este clima positivo e distendido est\u00e1 a ser posto em causa? De facto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social t\u00eam referido alguns atritos entre a Igreja e os actuais governantes. Em parte por influ\u00eancia do Governo de Zapatero, em Espanha, e tamb\u00e9m porque o Governo socialista portugu\u00eas necessita de se afirmar \u201cde esquerda\u201d e as chamadas quest\u00f5es fracturantes surgem como um dom\u00ednio onde essa afirma\u00e7\u00e3o com mais facilidade pode ser feita, surgiram sugest\u00f5es, projectos e medidas que desagradaram \u00e0 Igreja. Por outro lado, ainda h\u00e1 quem n\u00e3o tenha percebido a diferen\u00e7a entre uma saud\u00e1vel laicidade do Estado, que at\u00e9 torna a Igreja mais livre na sua esfera de ac\u00e7\u00e3o, e um laicismo tendencialmente totalit\u00e1rio, que, sob uma pretensa neutralidade, visa impor a toda a sociedade uma determinada concep\u00e7\u00e3o da vida, da pessoa e da moral. Por exemplo, por vezes vemos reac\u00e7\u00f5es negativas quando dirigentes da Igreja tomam posi\u00e7\u00f5es sobre leis que ferem a vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo \u2013 leis do aborto, do div\u00f3rcio, etc.  Mas a Igreja n\u00e3o imp\u00f5e nada, apenas interv\u00e9m no debate p\u00fablico como qualquer outra entidade, procurando fazer valer os seus pontos de vista pelo di\u00e1logo racional. Na recente entrevista do Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, \u00e0 R\u00e1dio Renascen\u00e7a e ao jornal P\u00fablico, ficou claro o desejo da Igreja de evitar conflitos in\u00fateis.  Penso que estes problemas n\u00e3o devem ser dramatizados. E que, uma vez finalmente regulamentadas as disposi\u00e7\u00f5es da Concordata, assentar\u00e1 muita da poeira que hoje anda no ar. \u00c9 que o conflito n\u00e3o conv\u00e9m \u00e0 Igreja nem ao Governo. O esgotante trabalho da presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia, no segundo semestre do ano passado, ter\u00e1 atrasado muita coisa que j\u00e1 deveria estar resolvida. Tal atraso abriu brechas atrav\u00e9s das quais se p\u00f4de manifestar, a v\u00e1rios n\u00edveis do Estado e no espa\u00e7o p\u00fablico, algum virulento anti-clericalismo que ainda marca certas mentalidades. H\u00e1, portanto, que recuperar o atraso e dialogar sempre, desfazendo equ\u00edvocos e incompreens\u00f5es. N\u00e3o duvido que seja essa a inten\u00e7\u00e3o dos dirigentes do Estado e da Igreja. \u00c9 a \u00fanica atitude que beneficia os portugueses.  <i>Francisco Sarsfield Cabral (Director de Informa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a)  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral alerta para algum virulento anti-clericalismo que ainda marca certas mentalidades<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[92,93,146,147],"class_list":["post-31338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-25-de-abril","tag-aborto","tag-concordata","tag-conferencia-episcopal-portuguesa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}