{"id":313209,"date":"2024-02-05T21:22:21","date_gmt":"2024-02-05T21:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=313209"},"modified":"2024-02-05T21:24:39","modified_gmt":"2024-02-05T21:24:39","slug":"jubileu-da-catedral-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jubileu-da-catedral-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Jubileu da Catedral de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p>De 1423 a 2023: 600 anos volvidos, de novo, o desafio da fidelidade a Roma<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266200 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Em carta de 23 de setembro de 2022, D. Ant\u00f3nio Moiteiro pediu ao Papa Francisco que concedesse \u00e0 diocese de Aveiro a \u2018gra\u00e7a de um ano jubilar\u2019, por motivos que a hist\u00f3ria recente evidencia terem adquirido densa atualidade, 600 anos volvidos. Entre 1423 e 2023 estendeu-se, com a celebra\u00e7\u00e3o deste ano jubilar (de 12 de maio de 2023 a 13 de maio de 2024), uma ponte que os olhos atentos dever\u00e3o ler. Veremos porqu\u00ea\u2026<\/p>\n<p>A diocese de Aveiro, com os seus 1537 km2, 101 par\u00f3quias e 9 arciprestados (recente reorganiza\u00e7\u00e3o diocesana fundiu os arciprestados de Estarreja e Murtosa), situada entre Avanca (par\u00f3quia mais a norte) e Vila Nova de Monsarros (mais a sul), desde a Costa Nova do Prado (a ocidente) at\u00e9 Macieira de Alcoba (mais interior), \u00e9 uma das mais pequenas dioceses do pa\u00eds (s\u00f3 Set\u00fabal apresenta menor \u00e1rea, com os seus 1500 Km2).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desta diocese conta-se em dois tempos: entre 1774 e 1882 e depois de 1938.<\/p>\n<p>Na sua primeira fase, ap\u00f3s cria\u00e7\u00e3o, por breve de Clemente XIV, de 12 de abril de 1774 (cumprem-se, neste ano, 250 anos), esta diocese foi governada por tr\u00eas bispos (D. Ant\u00f3nio Gameiro de Sousa, D. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Cordeiro e D. Manuel Pacheco de Resende, tendo vivido, ap\u00f3s a morte do terceiro, em 1837, um per\u00edodo em que passou por uma \u2018esp\u00e9cie\u2019 de cisma, resolvido, definitivamente, em 1841, com decis\u00e3o do Papa Greg\u00f3rio XVI de entrega da administra\u00e7\u00e3o desta diocese ao Arcebispo de Braga, que passou a nomear vig\u00e1rios-gerais, at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, em 1882, por decis\u00e3o de Le\u00e3o XIII. Entre estes vig\u00e1rios-gerais, alguns vieram a ser ordenados bispos, merecendo destaque os dois \u00faltimos, D. Manuel Baptista da Cunha, mais tarde arcebispo de Braga, e D. Ant\u00f3nio Mendes Belo, \u00faltimo vig\u00e1rio geral, mais tarde Bispo de Faro e, finalmente, Patriarca de Lisboa, no dif\u00edcil per\u00edodo da implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. (Das gentes de Aveiro sa\u00edram pastores para muitas das dioceses de aqu\u00e9m e al\u00e9m mar: para \u00c9vora: D. Manuel Trindade Salgueiro; para Beja: D. Manuel dos Santos Rocha; para Coimbra: D. frei Francisco Fernandes Rendeiro; para Quelimane, Mo\u00e7ambique: D. Francisco Nunes Teixeira; para Braga: D. Francisco Maria da Silva; para o Porto e Viana do Castelo: D. J\u00falio Tavares Rebimbas; para a Guarda: D. Ant\u00f3nio dos Santos, etc. Monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria, identifica, no seu livro \u2018Diocese de Aveiro: subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria\u2019, um total de 26 diocesanos de Aveiro que chegaram ao episcopado.)<\/p>\n<p>Na segunda fase, depois da restaura\u00e7\u00e3o, em 1938, contou com seis destacados Bispos: D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal \u2013 tamb\u00e9m primeiro de Vila Real -, D. Domingos da Apresenta\u00e7\u00e3o Fernandes, D. Manuel de Almeida Trindade \u2013 que foi padre conciliar -, D. Ant\u00f3nio Baltasar Marcelino, D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos [depois, Bispo do Porto] e D. Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos [anteriormente, auxiliar de Braga].<\/p>\n<p>Na primeira fase da hist\u00f3ria da diocese de Aveiro, a fun\u00e7\u00e3o de catedral fora assumida, sucessivamente, pela Igreja da Miseric\u00f3rdia, onde repousam os restos mortais dos dois primeiros bispos, e pela Igreja do \u2018recolhimento de S. Bernardino\u2019.<\/p>\n<p>\u00c9 com a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese, em 24 de agosto de 1938, pelo Papa Pio XI, e a decis\u00e3o de atribuir a fun\u00e7\u00e3o de catedral a uma outra Igreja (que n\u00e3o as que tinham desempenhado essa fun\u00e7\u00e3o, na primeira fase), que a hist\u00f3ria adquire particular densidade.<\/p>\n<p>A Catedral de Aveiro est\u00e1, desde ent\u00e3o, sediada na igreja que fora do convento de Nossa Senhora do Pranto ou da Piedade (mas que, para se distinguir do convento de Azeit\u00e3o, com a mesma invoca\u00e7\u00e3o, passou a designar-se da \u2018Miseric\u00f3rdia\u2019). No s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas, foi-lhe dado o t\u00edtulo, em 1835, de \u2018Nossa Senhora da Gl\u00f3ria\u2019, em homenagem \u00e0 rainha D. Maria II (de nome \u2018Maria da Gl\u00f3ria\u2019).<\/p>\n<p>Ora, relevante para a nossa reflex\u00e3o \u00e9 recuperar a origem das concess\u00f5es do Papa a Portugal para a edifica\u00e7\u00e3o de templos dominicanos, neste per\u00edodo do s\u00e9culo XV. Como recorda Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Leandro Costa Ferreira, em \u2018Poder, prest\u00edgio e imagem no antigo convento de S\u00e3o Domingos de Aveiro\u2019, a cria\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia portuguesa da Ordem Dominicana, por decis\u00e3o do Papa Martinho V, deve-se \u00e0 fidelidade de Portugal a Roma, no per\u00edodo do cisma do ocidente, que dividiu o mundo de ent\u00e3o, durante o per\u00edodo de 1378 a 1417. Castela obedecera a Avinh\u00e3o. Portugal, a Roma. Martinho V reconhece a fidelidade lusitana e favorece-a com concess\u00f5es que fazem proliferar pelo territ\u00f3rio alguns dos mosteiros e conventos que, ainda hoje, evidenciam a import\u00e2ncia da presen\u00e7a dominicana em Portugal. Aveiro vir\u00e1 a beneficiar da presen\u00e7a masculina e feminina, cuja relev\u00e2ncia ser\u00e1 perpetuada pela escolha da sua padroeira, a Princesa Joana, em vir enclausurar-se, em 1472, no Mosteiro de Jesus, mosteiro vizinho daquele sobre o qual se ergue, hoje, a S\u00e9 de Aveiro.<\/p>\n<p>Em recorda\u00e7\u00e3o desta funda\u00e7\u00e3o do mosteiro em que se sedia, hoje, a S\u00e9 de Aveiro, a diocese vive um ano jubilar. \u00c0 luz da mem\u00f3ria dos jubileus, de que fala o livro do Lev\u00edtico, celebra ao som do \u2018jobel\u2019 a alegria do caminho em comum, num dinamismo que segue um percurso proposto por D. Ant\u00f3nio Moiteiro: celebrar os motivos do jubileu (da alegria), mas conscientes das feridas que atingem a humanidade, tornando-se disc\u00edpulos que sabem que \u2018um disc\u00edpulo faz outros disc\u00edpulos\u2019.<\/p>\n<p>Estes tempos de jubileu fazem-se, em terras de Aveiro, percorrendo os nove arciprestados, com m\u00fasica (concertos), peregrina\u00e7\u00f5es, catequeses, confer\u00eancias\u2026 Repercutindo o apelo de Francisco \u00e0 sinodalidade, a diocese de Aveiro constitui-se como sinal de comunidade que faz caminho em conjunto, recordando que fora, ela mesma, pioneira, ao realizar, ainda em 1944, o seu primeiro s\u00ednodo, concretizando, entre 1990 e 1995, um segundo s\u00ednodo, e, em 2003-2004, uma caminhada sinodal dedicada \u00e0 juventude. Os tempos interpelam a que \u2018nos fa\u00e7amos ao largo\u2019. As gentes de Aveiro sabem-no como poucos, porque \u00e0 soleira das suas portas batem incessantes ondas de mares nem sempre \u2018ch\u00e3os\u2019.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o do Jubileu da Catedral de Aveiro poderia afigurar-se como uma simples e remota evoca\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria passada, mas a simbologia a ele associada evidencia que o edif\u00edcio cujas ra\u00edzes se evocam se constitui, ele mesmo, afinal, como s\u00edmbolo eloquente da fidelidade que, continuamente, Portugal devotou ao sucessor de Pedro.<\/p>\n<p>Nos tempos remotos se iluminam os desafios de hoje\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":266200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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