{"id":312520,"date":"2024-02-01T09:51:05","date_gmt":"2024-02-01T09:51:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=312520"},"modified":"2024-01-31T09:52:50","modified_gmt":"2024-01-31T09:52:50","slug":"alguem-tem-de-trabalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alguem-tem-de-trabalhar\/","title":{"rendered":"Algu\u00e9m tem de trabalhar!"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_269915\" aria-describedby=\"caption-attachment-269915\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-269915\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Padre-Miguel-Neto_VJornadas.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-269915\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na polariza\u00e7\u00e3o a que hoje assistimos e na qual participamos falamos e criticamos, sem tantas vezes repararmos, n\u00e3o s\u00f3 quem esta ao nosso lado, como tamb\u00e9m em quem nos presta um servi\u00e7o, tantas muitas vezes t\u00e3o discretamente, que nem damos por que o fa\u00e7am. Os imigrantes que acolhemos nos nossos pa\u00edses n\u00e3o sabem s\u00f3 servir \u00e0s mesas, limpar as nossas casas e estabelecimentos (como tantos portugueses imigrantes fizeram na Fran\u00e7a), serem taxistas ou motoristas de Uber\/ TVDE (como tantos portugueses imigrados na Fran\u00e7a, que foram taxistas); s\u00e3o pessoas que t\u00eam vida, que desconhecemos, mas que inclui uma fam\u00edlia, uma forma\u00e7\u00e3o e a busca de uma exist\u00eancia melhor, tantas vezes, n\u00e3o s\u00f3 financeiramente, mas sobretudo de paz, seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es para estar melhor.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se possa pensar, o nosso pais (e sobretudo o Algarve) sempre foi um espa\u00e7o de toler\u00e2ncia religiosa e cultural. Prova disso \u00e9, precisamente, o facto de a conquista desta regi\u00e3o a sul ter sido mais um ato pol\u00edtico, do que o sentir do povo que aqui vivia. Havia um salutar conv\u00edvio entre crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos (na sua maioria vindos do I\u00e9men) e judeus, at\u00e9 \u00e0 conquista, pelo Rei Afonso III. V\u00e1rios factos apontam para isso mesmo: o rito Mo\u00e7\u00e1rabe, no qual eram feitas as celebra\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, o respeito enorme que os mu\u00e7ulmanos tinham pela igreja do Corvo em Sagres, onde repousavam as rel\u00edquias de S\u00e3o Vicente, antes de serem levadas pelo Rei Afonso Henriques e os m\u00faltiplos relacionamentos mistos, que havia entre os v\u00e1rios povos aqui presentes. Distante e ignorado pelo desejo de conquista da nobreza, a gente do al-Gharb vivia e convivia em salutar paz e toler\u00e2ncia, nestas terras. Infelizmente, n\u00e3o tem recorda\u00e7\u00e3o dessa memoria. Infelizmente, n\u00e3o temos recorda\u00e7\u00e3o da necessidade que o povo portugu\u00eas teve de ir para fora do seu pais, para melhorar a sua condi\u00e7\u00e3o de vida. Agora, neste tempo, quase que preferimos as m\u00e1quinas \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>Com tristeza, estou \u00e0 espera de, um dia, ouvir algu\u00e9m dizer que prefere ir a uma caixa autom\u00e1tica de supermercado, do que ir a uma caixa de supermercado onde h\u00e1 um operador oriundo da Am\u00e9rica do Sul, do M\u00e9dio Oriente, de \u00c1frica, ou da \u00c1sia. Se n\u00e3o valorizarmos o trabalho que os imigrantes que recebemos fazem, chegar\u00e1 o momento em que o nosso pr\u00f3prio trabalho vai estar em perigo. Cada vez tenho mais certeza disto. Numa \u00e9poca em que o recurso \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial (AI) est\u00e1 a crescer velozmente e a substituir o homem nas fun\u00e7\u00f5es simples, mas tamb\u00e9m mais vulgares, \u00e9 cada vez mais urgente a valoriza\u00e7\u00e3o de cada posto de trabalho. E, ao contr\u00e1rio do que possamos pensar, com a m\u00e1quina a roubar o espa\u00e7o do homem, n\u00e3o h\u00e1 um menor pre\u00e7o. As portagens n\u00e3o ficaram mais baratas por passarmos com o dispositivo da via verde, em vez de termos um portageiro a quem damos o cart\u00e3o banc\u00e1rio para pagar; as compras no supermercado (ou outra superf\u00edcie comercial multinacional) n\u00e3o ficam mais baratas por sermos n\u00f3s a fazer o trabalho de um operador de caixa; os seguros, comunica\u00e7\u00f5es e eletricidade n\u00e3o ficam mais baratos, porque em vez de uma pessoa nos atender o telefone temos um Chat Bot a adivinhar o que queremos e, normalmente, ficamos sem resposta; os bancos n\u00e3o cobram menos comiss\u00f5es banc\u00e1rias por, muitos deles, j\u00e1 n\u00e3o terem caixas com funcion\u00e1rios para depositar e levantar dinheiro.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o do trabalho est\u00e1 a mudar e n\u00f3s, Igreja, temos de valorizar o fazem as pessoas, sejam elas vindas de qualquer pa\u00eds, oriundas de qualquer povo. Fazem falta TODOS! Como exemplo, pergunto: em tantas IPSS, sobretudo aquelas que est\u00e3o em lugares distantes dos centros urbanos, quem trabalharia na assist\u00eancia direta aos utentes, se n\u00e3o fossem os imigrantes? Urge que a Igreja fale sobre esta nova dimens\u00e3o do trabalho humano, talvez com uma enc\u00edclica na linha do que foi feito em 1981, com a <em>Laborens Exercens <\/em>e antes, com a <em>Rerum Novarum<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o aceitar quem quer trabalhar e viver no nosso pais \u00e9 come\u00e7ar a trilhar o caminho perigoso de que \u201cmais vale uma boa m\u00e1quina a uma qualquer pessoa\u201d! E h\u00e1 mais de cem anos vimos onde isto no levou, no pico da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Tenhamos memoria! Valorizemos as pessoas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269915,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-312520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/312520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=312520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/312520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=312520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=312520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=312520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}