{"id":312270,"date":"2024-01-29T12:18:47","date_gmt":"2024-01-29T12:18:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=312270"},"modified":"2024-01-29T12:19:30","modified_gmt":"2024-01-29T12:19:30","slug":"lusofonias-os-gritos-laranjas-das-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-os-gritos-laranjas-das-favelas\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Os gritos \u2018laranjas\u2019 das favelas"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, nas periferias de S. Paulo<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-312276 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Favelas-02-02-2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>2 de fevereiro \u00e9 dia grande para a Fam\u00edlia Espiritana. Al\u00e9m de ser o Dia dos Consagrados\/as, \u00e9 a data da morte do P. Francisco Libermann, segundo fundador da Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Vivi um janeiro intenso, andando de favela em favela, aqui em S. Paulo, l\u00e1 onde os Espiritanos vivem e trabalham, partilhando a sorte e a m\u00e1 sorte de milh\u00f5es de pessoas a viver em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias, enfrentando problemas e dificuldades de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem citar lugares nem nomes (por uma quest\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o das pessoas que l\u00e1 vivem), vou tentar partilhar o que senti, escutei, vi e experimentei na minha passagem por estas \u00e1reas faveladas. Muito ficar\u00e1 por dizer e reconhe\u00e7o, com humildade, que s\u00e3o impress\u00f5es que valem o que valem, e tudo quanto escrevo apenas a mim pode comprometer.<\/p>\n<p>A primeira confiss\u00e3o que quero fazer \u00e9 que encontrei muita gente boa. Fartei-me de dar e receber abra\u00e7os, de tomar uns cafezinhos deliciosos com p\u00e3o de queijo a acompanhar, tive conversas em que a f\u00e9, a coragem, a luta andaram de m\u00e3os dadas. Mas tamb\u00e9m sofri ao ouvir dramas dif\u00edceis de compreender, trag\u00e9dias que marcam vidas, pobrezas que atiraram fam\u00edlias inteiras para a favela, donde dificilmente ir\u00e3o sair\u2026<\/p>\n<p>O que enche os olhos, sempre que podemos chegar a um lugar alto, \u00e9 a arquitetura: regra geral, as casas nas \u00e1reas faveladas s\u00e3o constru\u00eddas de tijolo, morro acima, com 2, 3 ou 4 andares, impressionando a paisagem laranja que nos faz apertar o cora\u00e7\u00e3o, pois achamos que vai tudo desmoronar-se. A verdade \u00e9 que, regra geral, est\u00e3o bem constru\u00eddas, apenas sendo derrubadas por chuvas muito intensas ou quando s\u00e3o constru\u00eddas nas veias de \u00e1gua. Tiro o meu chap\u00e9u aos construtores da maioria das habita\u00e7\u00f5es nestes espa\u00e7os de periferia pobre.<\/p>\n<p>Impressiona a capacidade das pessoas mais pobres de aproveitar todos os cent\u00edmetros de terra que disp\u00f5em. Constroem na vertical e as casas ganham todos os formatos poss\u00edveis, sem haver qualquer perda de espa\u00e7o. Claro que n\u00e3o sobra nenhuma \u00e1rvore nem espa\u00e7os de cultivo. Tamb\u00e9m as ruas s\u00e3o o mais estreito que se possa imaginar, embora muitas vezes estejam quase a pique, sendo perigosa a sua subida e descida, sobretudo nos tempos de chuva.<\/p>\n<p>A pobreza extrema gera sempre viol\u00eancia, resultante da luta dura pela sobreviv\u00eancia. \u00c1reas de concentra\u00e7\u00e3o de pessoas exclu\u00eddas tornam-se, muitas vezes, lugares de f\u00e1cil atua\u00e7\u00e3o de grupos que traficam pessoas, drogas, armas e criam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao surgir de gangues que assaltam e semeiam o p\u00e2nico \u00e0 sua volta. A verdade \u00e9 que, quem n\u00e3o tem nada a perder, entra numa l\u00f3gica de desespero onde vale tudo ou quase, impondo-se a lei do mais forte e a \u2018globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u2019. Da\u00ed a urg\u00eancia de acabar com todas as bolsas de mis\u00e9ria, abrindo caminho para um natural e eficaz combate a todas as formas de tr\u00e1fico e atentados \u00e0s liberdades e direitos humanos, saindo sempre em defesa dos mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>.A Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 presente nestes ambientes desafiantes e, testemunhando o Evangelho, \u00e9 fonte geradora de esperan\u00e7a, distribuidora de solidariedade e construtora de cidadania respons\u00e1vel. As muitas visitas que fiz, as conversas multiplicadas e as celebra\u00e7\u00f5es vivas mostraram-me o rosto de bairros com gente cheia de vontade de construir vidas felizes e fam\u00edlias a rasgar futuros de dignidade, tentando obter as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para viverem seguras e respeitadas nos seus direitos mais elementares.<\/p>\n<p>S\u00e3o milh\u00f5es as pessoas que vivem nestas periferias pobres de S. Paulo. E o n\u00famero aumenta cada dia que passa, bastando olhar para as \u00e1reas de cultivo e de mata que continuam a ser destru\u00eddas para a constru\u00e7\u00e3o de mais habita\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s ocupa\u00e7\u00e3o ou invas\u00e3o. O \u00eaxodo do interior do pa\u00eds continua. A atra\u00e7\u00e3o da grande metr\u00f3pole paulista aumenta de dia para dia, com promessas e mais promessas de trabalho e prosperidade que, regra geral, as pessoas n\u00e3o encontram aqui \u00e0 chegada, nem ap\u00f3s alguns anos de vida dura.<\/p>\n<p>D. Odilo Scherer, Cardeal de S. Paulo, elogiou a presen\u00e7a mission\u00e1ria nestes bairros de periferia. E explicou o porqu\u00ea da sua admira\u00e7\u00e3o: \u2018muitos l\u00edderes religiosos v\u00e3o \u00e0 favela, fazem o culto e regressam ao conforto das suas casas. Os mission\u00e1rios cat\u00f3licos vivem l\u00e1!\u2019.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, nas periferias de S. Paulo<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Os gritos \u2018laranjas\u2019 das favelas\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6iVjB0g5gmLKljcxXRWz18?si=SM_DlFPGTtKmHRjSeEaCsg&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, nas periferias de S. 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