{"id":312257,"date":"2024-03-06T09:32:50","date_gmt":"2024-03-06T09:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=312257"},"modified":"2024-03-07T16:23:00","modified_gmt":"2024-03-07T16:23:00","slug":"por-uma-nova-antropologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/por-uma-nova-antropologia\/","title":{"rendered":"Por uma (nova) Antropologia"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A resposta para a problem\u00e1tica antropol\u00f3gica actual dever\u00e1 passar por uma mudan\u00e7a de pensar e de sentir do Homem e da Humanidade, como partes integrantes no todo da vida e como co-respons\u00e1veis para o justo equil\u00edbrio entre Natureza e Homem e entre o Homem e a Humanidade.<\/p>\n<p>No entanto, a cultura dominante tem procurado esfor\u00e7os para impor uma certa vis\u00e3o ideol\u00f3gica denominada de transumanidade. Assente essencialmente numa vis\u00e3o mec\u00e2nica ou mecanicista, isto \u00e9, nas dimens\u00f5es biol\u00f3gicas, inform\u00e1ticas e tecnol\u00f3gicas da exist\u00eancia, a transumanidade esquece-se do lado \u00e9tico, cultural e social do Homem e da Humanidade. \u00c9 curioso o facto de vermos crescer na sociedade actual o gosto pelo passado e pelas tradi\u00e7\u00f5es, o revisitar mem\u00f3rias e sabores antigos. Pessoalmente, deparo-me com uma busca de autenticidade e de unicidade por parte da sociedade. Sen\u00e3o, vejamos: uma crescente procura por alimentos biol\u00f3gicos e de origem protegida; a consciencializa\u00e7\u00e3o colectiva em ordem a uma sustentabilidade ecol\u00f3gica; a procura das nossas ra\u00edzes como busca de\u00a0 percep\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o sobre o nosso lugar na comunidade e na Hist\u00f3ria; no catolicismo denota-se um caminho (talvez saudosista!) pela liturgia antiga; e, a sociedade revela a sua sede de espiritualidade como n\u00e3o se via e em que vemos crescer \u2013 quase como cogumelos \u2013 homens e mulheres (gurus, coachings, mentores e afins) a prometer a felicidade e a realiza\u00e7\u00e3o pessoal. No fundo, hoje h\u00e1 essencialmente uma perda de sentido e de significado. H\u00e1 que o dizer: o Progresso falhou como proposta de sentido e de significado, mas, positivamente, permitiu melhor qualidade de vida e melhores condi\u00e7\u00f5es \u00e0 Humanidade. Conv\u00e9m, todavia, afirmar que a t\u00e9cnica \u00e9 vital para a subsist\u00eancia humana. Sem ela n\u00e3o haveria nem evolu\u00e7\u00e3o, nem desenvolvimento.<\/p>\n<p>Necessitamos para os tempos hodiernos de um novo, de um renovado e de um revigorado Humanismo. Incansavelmente, a Santa Igreja tem procurado encontrar formas de tocar o cora\u00e7\u00e3o dos Homens, consciencializando-os para uma convers\u00e3o interior e exterior que passa, invariavelmente por uma mudan\u00e7a \u00f4ntica e existencial, e por uma mudan\u00e7a de estar e de ser na comunidade, com os pares e com a Natureza.<\/p>\n<p>Nesta ordem de pensamento, a vis\u00e3o de <em>Homo Misericords<\/em> do Padre Manuel Antunes \u00e9 uma s\u00edntese, cl\u00e1ssica e taxativa, da antropologia b\u00edblica. Da\u00ed a urg\u00eancia de restaurarmos a beleza epistemol\u00f3gica e conceptual do termo \u201cmiseric\u00f3rdia\u201d. O Padre Manuel Antunes recorda que o termo Miseric\u00f3rdia prov\u00e9m da jun\u00e7\u00e3o de dois \u00e9timos latinos <em>mise-ricordia<\/em> e que indica \u201c\u00e0 raiz, um movimento do cora\u00e7\u00e3o \u2013 do cora\u00e7\u00e3o tido como o s\u00edmbolo e o \u00f3rg\u00e3o central da afectividade \u2013 provocado pela desgra\u00e7a alheia\u201d. Mais, a Miseric\u00f3rdia \u00e9, na sua ess\u00eancia, \u201cinterioriza\u00e7\u00e3o do outro na subjetividade afectiva e \u00e9 exterioriza\u00e7\u00e3o do sujeito, reveladora dessa presen\u00e7a efectiva, em multiplicidade de manifesta\u00e7\u00f5es. \u00c9 um <em>in<\/em> e \u00e9 um <em>ad<\/em> \u2013 um \u00abem\u00bb e um \u00abpara\u00bb \u2013, duas preposi\u00e7\u00f5es indissoluvelmente unidas, at\u00e9 \u00e0 simbiose, atrav\u00e9s do \u00abv\u00ednculo substancial\u00bb \u2013 ousar\u00edamos leibnizianamente dizer \u2013 de uma afectividade desinteressada, investidora do outro, enquanto o respeita na sua pr\u00f3pria alteridade de pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Compreendemos que n\u00e3o pode e nem deve haver uma divis\u00e3o ou um dualismo antropol\u00f3gico pautado por um pensamento bin\u00e1rio de <em>homo mechanicus<\/em> ou <em>homo misericords<\/em>. Ou, pior, por numa primazia do <em>homo mechanicus<\/em> em detrimento do <em>homo misericords<\/em>. Na verdade, eles n\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rios ou antag\u00f3nicos. Ambos se sup\u00f5em e se implicam.<\/p>\n<p>Por isso, a Humanidade necessita de um humanismo regenerado e assente na \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d (S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II). \u00c9 desta forma que cada um de n\u00f3s pode \u2013 como afirma Walter Kasper (cardela e te\u00f3logo) \u2013 \u201ccontribuir para a humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade e do sistema social. Numa palavra, para que o nosso Estado tenha alma\u201d.<\/p>\n<p>A Miseric\u00f3rdia \u00e9, na verdade, o p\u00eandulo e o garante para e de um Humanismo que se quer (e que se exige!) mais aut\u00eantico, mais integrante e integrador, mais \u00e9tico e mais altru\u00edsta, capaz de promover e, acerrimamente, defender a pessoa humana e a sua inalien\u00e1vel dignidade, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua morte natural. E aqui est\u00e1 o mais importante desafio dos tempos de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[173],"class_list":["post-312257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/312257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=312257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/312257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=312257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=312257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=312257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}