{"id":31213,"date":"2008-04-08T13:18:10","date_gmt":"2008-04-08T13:18:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/08\/papa-diplomatico\/"},"modified":"2008-04-08T13:18:10","modified_gmt":"2008-04-08T13:18:10","slug":"papa-diplomatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/papa-diplomatico\/","title":{"rendered":"Papa diplom\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p>Arcebispo Manuel Monteiro de Castro, actual N\u00fancio Apost\u00f3lico em Madrid, destaca clareza e frontalidade de Bento XVI como caminho de di\u00e1logo <!--more--> Diplomata experiente, o Arcebispo portugu\u00eas D. Manuel Monteiro de Castro, actual N\u00fancio do Papa em Madrid, fala com a Ag\u00eancia ECCLESIA sobre o actual pontificado, destacando a for\u00e7a da clareza do pensamento de Bento XVI, que considera essencial para um di\u00e1logo com frutos permanentes, que resistam \u00e0 passagem das conven\u00e7\u00f5es do momento.     <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Que impress\u00f5es guarda do actual pontificado? D. Manuel Monteiro de Castro (MMC) \u2013<\/i> Vejo o actual pontificado como uma continua\u00e7\u00e3o do Papa Jo\u00e3o Paulo II. Dos Papas que eu tive no meu percurso, servindo j\u00e1 no corpo diplom\u00e1tico, tive a honra de acompanhar o Papa Paulo VI, a F\u00e1tima em 1967, e depois Jo\u00e3o Paulo I, Jo\u00e3o Paulo II e actualmente este Papa. Cada Papa \u00e9 diferente. Se os analisarmos cada um tem a sua caracter\u00edstica. Este Papa come\u00e7ou com um discurso muito rico intelectualmente.   <i>AE \u2013 Onde \u00e9 que isso se manifesta? MMC \u2013<\/i>  A sua primeira enc\u00edclica foi sobre a caridade, onde faz ver j\u00e1 qual a linha que vai desenhar e qual a linha que ele apresenta na Deus Caritas Est: faz ver que h\u00e1 um problema no mundo de hoje que \u00e9 um problema de viol\u00eancia, de \u00f3dio, de vingan\u00e7a, onde uma parte do mundo ignora Deus e outros procuram atacar o nome de Deus. Neste contexto, o Papa apresenta esta enc\u00edclica e faz-nos ver que Deus \u00e9 amor. E faz ver tamb\u00e9m que h\u00e1 tr\u00eas elementos fundamentais na Igreja Cat\u00f3lica que s\u00e3o o servi\u00e7o da Palavra, o servi\u00e7o dos sacramentos e o servi\u00e7o da caridade. Apresenta estes pontos como notas fundacionais, notas que v\u00eam desde o fundador. Que n\u00e3o podemos deixar de ter presentes. Seja o servi\u00e7o da Palavra, o que temos nos Evangelhos, nas cartas dos Ap\u00f3stolos ou na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, esse servi\u00e7o a que sobretudo os sacerdotes est\u00e3o chamados, mas tamb\u00e9m todos os crist\u00e3os, proclamar a Palavra de Deus, porque estamos convencidos que \u00e9 o melhor que podemos oferecer \u00e0s pessoas, \u00e0 sociedade e ao mundo.  O servi\u00e7o dos sacramentos \u00e9 tamb\u00e9m posto em relevo, naturalmente porque alimentam a vida espiritual e depois o servi\u00e7o da caridade, fazendo ver que isto \u00e9 uma nota que encontramos em todos os livros da Igreja, em Jesus: estamos aqui para ajudar os outros, construir algo melhor.  Esta dimens\u00e3o foi continuada na sua segunda enc\u00edclica, dedicada \u00e0 esperan\u00e7a. N\u00f3s somos chamados a levar estes valores ao mundo. E podemos perguntar-nos porque? O Papa apresenta uma meta que \u00e9 a felicidade eterna, ou seja, habitar na casa do Pai, que equivale \u00e0 esperan\u00e7a. Essa esperan\u00e7a que n\u00e3o obstante vivermos em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, sentimo-nos felizes por corresponder ao projecto que Deus tem para n\u00f3s. Neste dois documentos vemos as grandes linhas do Papa.    <b>Falar claro<\/b> <i>AE \u2013 A clareza n\u00e3o \u00e9 sempre associada \u00e0 diplomacia&#8230;  MCC \u2013<\/i>  Talvez seja um preconceito da parte do p\u00fablico em geral, que quando se fala em linguagem diplom\u00e1tica fala-se em ter muito cuidado e em n\u00e3o dizer coisas com clareza. A diplomacia para ser eficiente tem de apoiar-se na verdade e dizer as coisas com muita clareza. N\u00e3o as vamos dizer muitas vezes em p\u00fablico porque isso \u00e9 contraproducente. Dizemos \u00e0s pessoas que t\u00eam o poder de decidir, seguindo as normas do direito internacional que dita a n\u00e3o inger\u00eancia em pol\u00edtica interna. Mas a boa diplomacia \u00e9 sempre aquela que se funda na verdade e \u00e9 aquela que consegue resultados de valor. Quando n\u00e3o se funda na verdade, n\u00e3o dura, como vemos nos casos do M\u00e9dio Oriente.  Por exemplo, para a reuni\u00e3o a ter em Roma em Novembro, com os especialistas do mundo isl\u00e2mico e os especialistas da Igreja Cat\u00f3lica, os isl\u00e2micos propuseram o tema e Bento XVI manifestou-se de acordo, mas disse que era necess\u00e1rio esclarecer o sentido das palavras, pois isso \u00e9 o que quer dizer a verdade. Temos que esclarecer o sentido da verdade e da palavra. Posso dizer que amo o pr\u00f3ximo e a interpreta\u00e7\u00e3o que dou n\u00e3o \u00e9 a mesma que o meu interlocutor tem. Para chegarmos a conclus\u00f5es positivas sem perder tempo, \u00e9 fundamental definir bem o que entendemos pelas palavras de modo a chegar a uma conclus\u00e3o partilhada por todos. <i>AE &#8211; Come\u00e7ou por dizer que o discurso de Bento XVI era muito rico. Haver\u00e1 algumas dificuldades de, em situa\u00e7\u00f5es pontuais, em que esse discurso seja complexo e esteja na origem de mal-entendidos que marcaram estes tr\u00eas anos?   MCC \u2013<\/i>  Encontramos, naturalmente. Este Papa distingue-se por tocar os temas com muita clareza e sem estar preocupado se dizem bem ou mal dele. Foi o que fez em Ratisbona. O seu discurso aqui foi concebido s\u00f3 para professores universit\u00e1rios. Inclusivamente, o Cardeal de Madrid estava na Alemanha e ele e outros que queriam assistir ao discurso do Papa n\u00e3o puderam pois n\u00e3o lhe foi permitido. \u00c9 um discurso intelectual, feito por um professor universit\u00e1rio que era o Cardeal Ratzinger, a colegas do mundo universit\u00e1rio.   <i>AE \u2013 Que impacto teve esse epis\u00f3dio no di\u00e1logo com o Isl\u00e3o? MCC \u2013<\/i>  O Papa a\u00ed declara que h\u00e1 uma verdade e n\u00f3s devemos exp\u00f4-la como tal. O mundo est\u00e1 cheio de problemas e a religi\u00e3o nunca pode ser invocada para matar ou para causar dano ao pr\u00f3ximo. Mencionou um epis\u00f3dio que se passou para enriquecer a ideia que estava a desenvolver. Isto criou muitos problemas mo mundo mu\u00e7ulmano, mas tamb\u00e9m deu bons resultados. Como sabe, o Rei da Ar\u00e1bia Saudita foi visitar o Papa. Isto seria incr\u00edvel h\u00e1 meia d\u00fazia de meses. Que o Papa tenha posto as cartas claras em cima da mesa e que tenha despertado a aten\u00e7\u00e3o dos intelectuais e os intelectuais tamb\u00e9m do mundo mu\u00e7ulmano para problemas reais e que causam desastres como conhecemos aqui em Madrid.    <b>Sucesso sem surpresa<\/b> <i>AE \u2013 Depreendo pelas suas palavras que n\u00e3o o surpreende a capacidade de Bento XVI de progredir com sucesso em campos delicados\u2026  MMC \u2013<\/i>  Ele vai aos campos que s\u00e3o importantes no mundo de hoje, com a verdade na m\u00e3o e sem outros interesses que n\u00e3o sejam de todas as partes implicadas. O mundo de hoje est\u00e1 com guerras terr\u00edveis. Outro ponto que o Papa tem tocado muito \u00e9 a fam\u00edlia, o aborto: em muitas partes do mundo acontecem barbaridades sobre a vida humana. Se aceitamos a vida como um direito humano, e se assim o \u00e9, significa que \u00e9 anterior mesmo \u00e0 lei e uma lei que n\u00e3o a respeite \u00e9 uma lei injusta. Ele aborda esses temas que o nosso mundo come\u00e7a a esquecer. Algu\u00e9m tem de despertar a consci\u00eancia do mundo ocidental para estes valores que n\u00e3o estamos a cuidar.   <i>AE &#8211; Precisamente nestas campos da bio\u00e9tica, alguns Estados l\u00eaem essas interven\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias e episcopais como uma inger\u00eancia na pol\u00edtica interna, como j\u00e1 aconteceu em Espanha.  MCC \u2013<\/i>  Bem, se falam os bispos espanh\u00f3is, a\u00ed n\u00e3o tenho o direito de entrar, pois n\u00e3o sou espanhol e a minha situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Mas os bispos espanh\u00f3is podem pronunciar-se. Eu creio que fazem bem porque despertam a consci\u00eancia e t\u00eam tido resultado, embora muitas vezes alguns possam n\u00e3o ficar contentes, outros v\u00e3o-se dando conta que algumas coisas eram aut\u00eanticas barbaridades que se estavam a cometer. Houve correc\u00e7\u00e3o em alguns sectores. A ac\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 muito \u00fatil. Algu\u00e9m que est\u00e1 a trabalhar para o bem comum, economicamente n\u00e3o \u00e9 recompensado, nem procura s\u00ea-lo. Procuramos trabalhar para o bem do povo e isso desperta a consci\u00eancia de muita gente. E j\u00e1 temos resultados positivos, aqui na Espanha e noutros pa\u00edses da Europa.   <i>AE &#8211; Como se reage quando, fazendo esse esfor\u00e7o pelo bem comum, com uma mensagem de valores universais, acontece o que teve lugar com a ida n\u00e3o concretizada do Papa \u00e0 Universidade La Sapienza? MMC \u2013<\/i> Temos pena, mas n\u00e3o perco muito tempo a pensar nisso. Muitas vezes as pessoas pensam que ficamos muito aflitos com coisas que saem ou n\u00e3o saem, mas dizemos o que pensamos e as pessoas s\u00e3o livres de criticar e dizer o que pensam. Pessoalmente, a mim preocupar-me-ia se eu fizesse alguma coisa que n\u00e3o agradasse a Deus. De resto, procuro estar dentro dos meus limites do corpo diplom\u00e1tico, ou seja, da n\u00e3o interfer\u00eancia em coisas que n\u00e3o devo, mas depois quando falo concretamente com os pol\u00edticos, digo o que penso.   <i>AE &#8211; Passados tr\u00eas anos, est\u00e1 muito optimista em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o do di\u00e1logo com a China e o Isl\u00e3o&#8230; MMC &#8211;<\/i>  Com a China vai bem. Por outro lado, com o Isl\u00e3o, nos \u00faltimos seis meses deu-se um progresso enorme. Muita gente quando foi o discurso de Ratisbona, estava aflit\u00edssima, mas n\u00e3o temos que nos preocupar pois o que se disse \u00e9 pura verdade e foi dita para intelectuais, n\u00e3o foi dita para pessoas que n\u00e3o entendem bem e acham que queremos ter mais ou menos adeptos. N\u00e3o \u00e9 esse o nosso interesse.  <i>AE &#8211; Nesse sentido, acha que n\u00e3o tinham raz\u00e3o as pessoas que acusavam Bento XVI de n\u00e3o ter capacidade diplom\u00e1tica. MMC &#8211;<\/i> O Papa nunca diria nada para ofender algu\u00e9m. Mesmo no c\u00e9lebre caso de Ratisbona, Bento XVI apenas utilizou uma cita\u00e7\u00e3o que vinha ao tema e o que queria dizer \u00e9 que em nome de Deus n\u00e3o se pode matar e causar dano ao pr\u00f3ximo.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arcebispo Manuel Monteiro de Castro, actual N\u00fancio Apost\u00f3lico em Madrid, destaca clareza e frontalidade de Bento XVI como caminho de di\u00e1logo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,120,168,203,206,207,237,294],"class_list":["post-31213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}