{"id":311592,"date":"2024-01-23T15:14:06","date_gmt":"2024-01-23T15:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=311592"},"modified":"2024-01-23T15:14:06","modified_gmt":"2024-01-23T15:14:06","slug":"no-primeiro-mes-do-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/no-primeiro-mes-do-ano-novo\/","title":{"rendered":"No primeiro m\u00eas do ano novo"},"content":{"rendered":"<p><em>Isabel Figueiredo,\u00a0Diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-207515 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>O come\u00e7o de cada ano traz sempre consigo um respirar de novo, como se fosse poss\u00edvel fazer diferente, melhor, mais. Talvez por isso, a beleza dos fogos de artif\u00edcio, a alegria espont\u00e2nea nas pessoas que se ouviram pelas ruas e pra\u00e7as da nossa terra. Mas vamos a caminho do fim de janeiro e j\u00e1 temos as cabe\u00e7as e os cora\u00e7\u00f5es cheios de imagens e palavras que nos preocupam, nos desanimam e angustiam. A guerra, a pol\u00edtica, a liberdade fr\u00e1gil e ausente.<\/p>\n<p>A guerra, aquela guerra que vive do medo e da destrui\u00e7\u00e3o, continua, implac\u00e1vel, no \u00f3dio e numa convic\u00e7\u00e3o de legitimidade que nos deixa perplexos. E o mundo, o mundo das na\u00e7\u00f5es poderosas, parece n\u00e3o ser capaz de a travar. Todos gritam, uns pedindo socorro, outros manifestando indigna\u00e7\u00f5es, outros ainda justificando o mal com o bem. Todos falam da Paz, como objetivo final, argumento de quem mata, justifica\u00e7\u00e3o de quem morre. Parecemos animais ferozes, em recantos protegido duma selva domesticada por anos e anos de abund\u00e2ncia, de exerc\u00edcio do poder, de avan\u00e7os das capacidades humanas de fazer o bem. E todos falam da Paz, permitindo que esta se torne, cada vez mais, um simples e belo tra\u00e7o desenhado por artistas e crian\u00e7as em paredes e pap\u00e9is.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica, na teoria do exerc\u00edcio da legitimidade do poder em favor do bem comum, entra de novo numa corrida desenfreada. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre um terreno f\u00e9rtil de observa\u00e7\u00f5es, de avalia\u00e7\u00f5es, de teorias da conspira\u00e7\u00e3o, de golpes baixos e altos, de sonhos, de promessas, at\u00e9 de sentimentos honestos, sobre a capacidade de alguns fazerem o que outros n\u00e3o foram ou n\u00e3o s\u00e3o capazes de fazer. E espantamo-nos com previs\u00f5es de vit\u00f3rias, longe e perto, porque isso significa que tudo ou quase tudo, acaba por ser permitido, desde que a ret\u00f3rica brilhe e a vida esteja t\u00e3o mal, que o melhor \u00e9 mesmo n\u00e3o pensar e seguir em frente. \u00c9 aproveitar o brilho das luzes, o barulho ritmado das frases feitas e dos slogans estudados por quem sabe o que faz. \u00a0Depois das elei\u00e7\u00f5es, vem o tempo que se segue \u00e0s verdadeiras tempestades, quando \u00e9 preciso reconstruir casas, limpar as ruas, desimpedir as estradas, refazer as vidas. E todos sabemos que os hospitais precisam de ter corredores vazios e doentes tratados a tempo, que as escolas precisam de professores realizados e estudantes exigentes, que os tribunais precisam de transpar\u00eancia e efic\u00e1cia. Depois das elei\u00e7\u00f5es \u00e9 que d\u00f3i a s\u00e9rio na vida de todos. Menos nos que governam, mais nos que s\u00e3o governados.<\/p>\n<p>A liberdade, condi\u00e7\u00e3o essencial para a vit\u00f3ria da pol\u00edtica, parece empurrada para a beleza que enche a alma de quem canta e escreve poesia. Existe uma outra. Porque quem tem fome, quem n\u00e3o recebe o sal\u00e1rio pelo seu trabalho, quem dorme em quartos com paredes molhadas de \u00e1gua, quem nunca ir\u00e1 conhecer outras terras, outras gentes, quem deixa os filhos do lado de l\u00e1 dos oceanos, tantos que nos prendem minutos de aten\u00e7\u00e3o em document\u00e1rios crus e not\u00edcias repetidas, esses, gozam a liberdade das ruas em momentos de folga, de entrar nas lojas que cheiram a pl\u00e1stico, de comprar o p\u00e3o de cada dia. Gozam a liberdade do sol quando este brilha. Gozam a liberdade de jogar \u00e0s cartas em parques abertos, de ficarem velhos com rugas e sem dentes. Gozam a liberdade dos primeiros dias de sal\u00e1rios m\u00ednimos, de reformas antigas, de ajudas pontuais. \u00c9 a liberdade dos pobres, dos migrantes, dos refugiados, dos velhos. A liberdade dos que ambicionam apenas a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas a liberdade de quem canta e escreve poesia, tem outra meta, outra vida. Fala-nos de gente que tem tempo para pensar, que pode escolher o que fazer, que conhece outros mundos, outras gentes e volta a casa, sabendo que mais tarde, se repete este ciclo de conforto e bem-estar. Gente que l\u00ea, que estuda, que conversa \u00e0 mesa de restaurantes, entre amigos e partilha o que faz, sem receios, nem hesita\u00e7\u00f5es. Gente que visita exposi\u00e7\u00f5es e assiste a concertos em salas silenciosas ou espa\u00e7os barulhentos. A liberdade do bem-estar, marca a sociedade que cri\u00e1mos e onde tantos de n\u00f3s se movem tranquilamente.<\/p>\n<p>Enquanto crente, s\u00f3 a inquieta\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus, feita pessoa em Jesus Ressuscitado, desequilibra o mundo que vejo e sinto, neste ano que come\u00e7a. Porque me assegura a vit\u00f3ria do Bem sobre o Mal. Porque me diz que \u00e9 poss\u00edvel vivermos juntos, cuidarmos do pr\u00f3ximo como de n\u00f3s mesmos, amarmos os inimigos, sermos capazes de gestos de Paz a cada dia que passa. Porque me d\u00e1 a certeza da condi\u00e7\u00e3o de filhos livres e muito amados. Sem exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em v\u00e9speras de conhecer a Mensagem do Papa Francisco para o pr\u00f3ximo Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, reitero a import\u00e2ncia crucial da comunica\u00e7\u00e3o social no seu todo e da comunica\u00e7\u00e3o social da Igreja em particular, na leitura do tempo que vivemos, na compreens\u00e3o das implica\u00e7\u00f5es do que fazemos ou do que permitimos que aconte\u00e7a e, de um modo especial, na capacidade de anunciarmos a Esperan\u00e7a, a F\u00e9 e a Caridade que professamos. Sem julgamentos radicais, divis\u00f5es desejadas, certezas pessoais.<\/p>\n<p>E conscientes de que a liberdade religiosa \u00e9 determinante na constru\u00e7\u00e3o de uma nova humanidade, em que cada homem, cada mulher, cada jovem e cada crian\u00e7a, possam conhecer e amar o mist\u00e9rio do divino que habita o mundo.<\/p>\n<p><em>Isabel Figueiredo<\/em><br \/>\n<em>Diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Figueiredo,\u00a0Diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207515,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-311592","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311592","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=311592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311592\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=311592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=311592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=311592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}