{"id":31151,"date":"2008-04-05T12:02:52","date_gmt":"2008-04-05T12:02:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/05\/numero-de-religiosas-em-portugal-desceu-235-por-cento-desde-1992\/"},"modified":"2008-04-05T12:02:52","modified_gmt":"2008-04-05T12:02:52","slug":"numero-de-religiosas-em-portugal-desceu-235-por-cento-desde-1992","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/numero-de-religiosas-em-portugal-desceu-235-por-cento-desde-1992\/","title":{"rendered":"N\u00famero de religiosas em Portugal desceu 23,5 por cento desde 1992"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de religiosas dos institutos portugueses tem vindo a decrescer na \u00faltima d\u00e9cada e meia, em resultado da forte inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado laboral e da possibilidade de viver a religi\u00e3o sem abdicar de constituir fam\u00edlia. As estat\u00edsticas facultadas pela Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) s\u00e3o claras: em 1992 o total de religiosas era de 7.995, tendo decrescido para 7.566 em 1996, depois para 6.797 (2002), em seguida para 6.539 (2004) e cifrando-se em 6.105 em 2006, o que equivale a uma quebra de 23,5 por cento em 16 anos. Estes dados referem-se apenas \u00e0s congrega\u00e7\u00f5es de vida activa, ou seja, \u00ab\u00e0quelas em que as irm\u00e3s est\u00e3o em contacto com o mundo exterior, trabalhando em col\u00e9gios, hospitais ou par\u00f3quias\u00bb, esclareceu Cid\u00e1lia Costa, do secretariado geral da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal, \u00e0 Ag\u00eancia Lusa. \u00ab\u00c9 o caso das Irm\u00e3s Doroteias, das Mission\u00e1rias Combonianas, das Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, das Servas de Nossa Senhora de F\u00e1tima, das Irm\u00e3s da Apresenta\u00e7\u00e3o de Maria ou da Companhia de Santa Teresa de Jesus\u00bb, exemplificou. Exclu\u00eddas destas estat\u00edsticas \u2013 por n\u00e3o haver informa\u00e7\u00e3o recolhida \u2013 est\u00e3o as congrega\u00e7\u00f5es em regime de isolamento ou clausura, \u00abaquelas em que as irm\u00e3s vivem em mosteiros tendo por actividade principal a ora\u00e7\u00e3o e sem qualquer contacto com o exterior, como acontecia com a Irm\u00e3 L\u00facia\u00bb, acrescentou a respons\u00e1vel, indicando alguns institutos femininos nesta situa\u00e7\u00e3o: as Clarissas, as Monjas Carmelitas Descal\u00e7as, a Ordem da Visita\u00e7\u00e3o, as Monjas Beneditinas, as Irm\u00e3s Concepcionistas ou as Monjas Dominicanas. O decl\u00ednio do n\u00famero total de religiosas \u00e9 acompanhado da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de formandas que se verifica desde 1996 e apenas foi ligeiramente contrariado em 2006. Entre postulantes (que est\u00e3o na primeira fase de forma\u00e7\u00e3o, com a dura\u00e7\u00e3o de um a dois anos), novi\u00e7as (que frequentam os dois anos seguintes) e juniores (que est\u00e3o na terceira fase, que dura de seis a nove anos e tem lugar ap\u00f3s serem feitos os votos tempor\u00e1rios), o total de formandas era de 660 em 1996 e situava-se nos 235 uma d\u00e9cada depois, reflectindo uma queda de 64,4 por cento. <b>Decr\u00e9scimo tamb\u00e9m nos institutos masculinos<\/b> Nos institutos masculinos de vida activa, entre 1992 e 2006 o total de religiosos desceu cerca de 23 por cento (de 2.182 para 1.682) e o n\u00famero de formandos baixou 65 por cento (de 560 para 195). Os valores m\u00ednimos foram registados em 2005, com apenas 227 formandas e 186 formandos, mas a ligeir\u00edssima subida que ocorreu entre esse ano e o seguinte n\u00e3o anima a Irm\u00e3 Matilde de Jesus Faneca, superior provincial da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny e vice-presidente da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos. \u00abA verdade \u00e9 que as voca\u00e7\u00f5es est\u00e3o a declinar e a pequena subida de 2006 n\u00e3o \u00e9 suficiente para contrariar  essa tend\u00eancia, at\u00e9 porque, muito provavelmente, deveu-se \u00e0 entrada de formandos estrangeiros nas congrega\u00e7\u00f5es portuguesas\u00bb, reconheceu. A respons\u00e1vel da CIRP convocou o exemplo do Internoviciados de Braga, um centro de estudos com programas para os novi\u00e7os e novi\u00e7as dos v\u00e1rios institutos religiosos que \u00abvai fechar em 2009 por falta de formandos\u00bb. \u00abEste ano, metade dos formandos que l\u00e1 est\u00e3o nem s\u00e3o portugueses. V\u00eam dos Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa, de Timor-Leste e de outros pa\u00edses\u00bb, assinalou. Helena Vila\u00e7a, investigadora na \u00e1rea da Sociologia das Religi\u00f5es com incid\u00eancia no Pluralismo Religioso, reiterou a possibilidade de o pequeno aumento de formandos em 2006 se dever aos Pa\u00edses Africanos da L\u00edngua Oficial Portuguesa e \u00ab\u00e0 Europa de Leste, cujas comunidades t\u00eam uma grande proximidade com a Igreja Cat\u00f3lica e estabelecem uma colabora\u00e7\u00e3o que pode levar \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de alguns elementos nos institutos religiosos portugueses\u00bb. Membro do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, participa no estudo \u201cA Igreja Cat\u00f3lica face aos novos desafios \u00e9ticos, sociais e pol\u00edticos nos pa\u00edses da Europa Ocidental de tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\u201d, que compara Portugal, Espanha, B\u00e9lgica, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. \u00abOs n\u00fameros referentes aos anos entre 1989 e 2004, inclusive, mostram que, efectivamente, o n\u00famero de religiosas em Portugal tem vindo a descer, embora essa diminui\u00e7\u00e3o seja mais lenta e menos acentuada aqui do que nos outros pa\u00edses estudados\u00bb, contou \u00e0 Lusa. Avan\u00e7ando raz\u00f5es que podem explicar a tend\u00eancia, Helena Vila\u00e7a recordou que, no passado, \u00abas mulheres iam para um convento como alternativa \u00e0 pobreza ou a um casamento for\u00e7ado, ou seja, n\u00e3o era necessariamente uma quest\u00e3o de voca\u00e7\u00e3o mas de condicionantes sociais\u00bb. \u00abAgora, o cen\u00e1rio \u00e9 completamente diferente por v\u00e1rios motivos, como o facto de, a partir de 25 de Abril de 1974, as mulheres terem entrado em for\u00e7a no mercado de trabalho e terem passado a intervir mais activamente em diversas esferas sociais, sendo a religi\u00e3o apenas uma delas\u00bb, afirmou. Al\u00e9m disso, \u00abhoje existem formas de a mulher poder viver a religiosidade sem ter de abdicar de constituir fam\u00edlia, podendo participar nas missas como leitora, cantar no coro da igreja ou dar catequese\u00bb, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de religiosas dos institutos portugueses tem vindo a decrescer na \u00faltima d\u00e9cada e meia, em resultado da forte inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado laboral e da possibilidade de viver a religi\u00e3o sem abdicar de constituir fam\u00edlia. 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