{"id":310862,"date":"2024-01-17T08:23:10","date_gmt":"2024-01-17T08:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=310862"},"modified":"2024-01-19T11:20:43","modified_gmt":"2024-01-19T11:20:43","slug":"saude-o-cuidado-e-a-medicina-narrativa-mudam-relacoes-e-dao-sentido-as-doencas-e-ao-sofrimento-mariana-abranches-pinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saude-o-cuidado-e-a-medicina-narrativa-mudam-relacoes-e-dao-sentido-as-doencas-e-ao-sofrimento-mariana-abranches-pinto\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade: O cuidado e a \u00abmedicina narrativa\u00bb mudam rela\u00e7\u00f5es e d\u00e3o sentido \u00e0s doen\u00e7as e ao sofrimento &#8211; Mariana Abranches Pinto"},"content":{"rendered":"<p><em>D<\/em><em>inamizadora da Associa\u00e7\u00e3o Compassio e fundadora do grupo \u00abAo 3\u00ba Dia\u00bb acredita que falar da morte \u00abn\u00e3o deve ser um tabu\u00bb e \u00ab<\/em><em>faz bem\u00bb e recorda \u00aba vida completa\u00bb da filha Nini, falecida aos 18 anos<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_310084\" aria-describedby=\"caption-attachment-310084\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-310084 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Mariana-Abranches-Pinto2-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-310084\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 17 jan 2024 (Ecclesia) \u2013 Mariana Abranches Pinto afirmou que a introdu\u00e7\u00e3o da \u201cmedicina narrativa\u201d nos cuidados de sa\u00fade melhora as rela\u00e7\u00f5es entre m\u00e9dicos e pacientes e que o acompanhamento espiritual, na pastoral da sa\u00fade, pode ser feito por leigos.<\/p>\n<p>\u201cA medicina narrativa procura que o profissional de sa\u00fade, ou quem cuida de pessoas doentes, possam refletir mais no ato de cuidar. \u00c9 sugerida a elabora\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios paralelos, ou seja, al\u00e9m do relat\u00f3rio m\u00e9dico, se escreva sobre o que se sente quando se est\u00e1 com a pessoa doente, ou sobre o que gostar\u00edamos de dizer no pr\u00f3ximo encontro. Trata-se de melhorar a rela\u00e7\u00e3o entre o cuidador e a pessoa e seria muito importante apostar mais em tempos de paragem, de reflex\u00e3o e de partilha\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>A co-fundadora da associa\u00e7\u00e3o Compassio, em Portugal, e do grupo Ao 3\u00ba Dia acompanha pessoas espiritualmente e tem experi\u00eancia em orientar Exerc\u00edcios Espirituais, propostas de retiros segundo Santo In\u00e1cio de Loyola, e explica ser esta a faceta que lhe d\u00e1 mais prazer na vida, sentindo-se chamada a essa voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Eu gostava muito de ser assistente espiritual num hospital e faria essa assist\u00eancia quer religiosa, se fosse a pessoas cat\u00f3licas, quer laica, se fossem pessoas sem f\u00e9, que h\u00e1 cada vez mais. A tend\u00eancia ser\u00e1 as pessoas virem ter comigo precisamente porque n\u00e3o sou padre. Est\u00e1 mais que na hora de os leigos tamb\u00e9m assumirem estas coisas &#8211; n\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 poucos padres, mas porque temos essa capacidade, claro com forma\u00e7\u00e3o, e conseguimos chegar \u00e0s pessoas de outra maneira\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mariana Abranches Pinto d\u00e1 conta que o seu sonho passa por tornar o cuidado, e as rela\u00e7\u00f5es compassivas, uma realidade entre as pessoas doentes e os seus cuidadores e recorda que este sonho foi-se consolidando com o contacto com as doen\u00e7as e o sofrimento que foi tendo na sua vida \u2013 consigo, uma vez que foi doente oncol\u00f3gica \u2013 e com a sua filha, In\u00eas (tratada familiarmente por Nini), falecida em junho de 2023, devido a uma leucemia.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o Compassio, que integra uma rede internacional de comunidades compassivas, foi criada em Portugal em 2019, antes da leucemia da sua filha se ter manifestado, mas marcada pela sua hist\u00f3ria cl\u00ednica Mariana Abranches Pinto recorda que, apesar de ser arquiteta paisagista de profiss\u00e3o, em determinada altura \u201cs\u00f3 queria participar em congressos sobre a morte, ou sobre a pastoral da sa\u00fade, ou sobre acompanhar pessoas doentes\u201d, percebendo, paulatinamente, que queria fazer disso a sua vida.<\/p>\n<p>O movimento Portugal compassivo prop\u00f5e a compaix\u00e3o para o centro das rela\u00e7\u00f5es humanas, \u201ccom um foco especial no fim de vida, na morte, no luto, no sofrimento, no envelhecimento\u201d, apresenta, e o &#8220;conceito das comunidades compassivas&#8221; est\u00e1 presente em diversas cidades portuguesas que integram a rede: Porto, Amadora, Vila Nova de Gaia, Borba, Leiria, Cascais, S\u00e3o Miguel, Loul\u00e9, S\u00e3o Bras da Alportel, Faro e Coimbra.<\/p>\n<p>\u201cImporta falar sobre a morte, que \u00e9 um tema tabu na sociedade. Faz parte da vida, devemos falar sobre isso porque vai acontecer e falar \u00e9 libertador. Foi-o com a Nini &#8211; \u00a0o irmos falando sobre as coisas foi maravilhoso, n\u00e3o estar a esconder, perceber o que queria, como queria\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Mariana Abranches Pinto diz que com \u201cmaturidade e crescimento\u201d foi aceitando a doen\u00e7a da filha, percebendo que \u201cDeus n\u00e3o manda as doen\u00e7as, mas sustenta as pessoas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>As doen\u00e7as, uma doen\u00e7a mortal, fazem parte do risco maravilhoso que \u00e9 estar vivo. \u00c9 a vida e temos que aceitar furiosamente a realidade que n\u00e3o podemos mudar. E n\u00e3o se trata de nenhuma injusti\u00e7a\u00a0 &#8211; a doen\u00e7a que faz parte da vida. Quem me dera a mim, que n\u00e3o lhe tivesse calhado a ela, mas calhou. E eu s\u00f3 sinto gratid\u00e3o por ter sido m\u00e3e daquele ser maravilhoso durante 18 anos, admira\u00e7\u00e3o pela forma como ela viveu a doen\u00e7a, que foi extraordin\u00e1ria, muita paz por termos feito tudo e n\u00e3o termos adiado nada\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nini criou uma p\u00e1gina na rede social TikTok e um podcast chamado &#8216;A Morrer Comigo&#8217;.<\/p>\n<p>Mariana Abranches Pinto sublinha que importa dar sentido ao sofrimento e \u00e0 doen\u00e7a e pede uma mudan\u00e7a na pastoral da sa\u00fade e na linguagem que lhe est\u00e1 associada: \u201cLida-se mal com o sil\u00eancio, dizem-se coisas parvas como \u00abDeus deve gostar muito de v\u00f3s para a m\u00e3e e a filha estarem doentes ao mesmo tempo&#8230;\u00bb, \u00abvou rezar que isso vai passar\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO meu sonho, e \u00e9 para isso que trabalho, \u00e9 que as pessoas doentes sejam mais bem cuidadas, de uma forma mais compassiva. Tamb\u00e9m por cuidadores que cuidem de si pr\u00f3prios, porque s\u00f3 cuidando de n\u00f3s pr\u00f3prios \u00e9 que podemos cuidar melhor dos outros\u201d, indica.<\/p>\n<p>A conversa com Mariana Abranches Pinto pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e escutada posteriormente no <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal<\/a> de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dinamizadora da Associa\u00e7\u00e3o Compassio e fundadora do grupo \u00abAo 3\u00ba Dia\u00bb acredita que falar da morte \u00abn\u00e3o deve ser um tabu\u00bb e \u00abfaz bem\u00bb e recorda \u00aba vida completa\u00bb da filha Nini, falecida aos 18 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