{"id":31075,"date":"2008-04-02T10:47:37","date_gmt":"2008-04-02T10:47:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/04\/02\/imprensa-tem-empobrecido\/"},"modified":"2008-04-02T10:47:37","modified_gmt":"2008-04-02T10:47:37","slug":"imprensa-tem-empobrecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imprensa-tem-empobrecido\/","title":{"rendered":"Imprensa tem empobrecido"},"content":{"rendered":"<p>Alerta lan\u00e7ado nas XI Jornadas de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho <!--more--> O director-adjunto do \u201cP\u00fablico\u201d, Manuel Carvalho, denunciou ontem o \u00abempobrecimento da imprensa\u00bb, fruto do emagrecimento das redac\u00e7\u00f5es provocado pelos constrangimentos econ\u00f3micos e das l\u00f3gicas de concorr\u00eancia.  Este respons\u00e1vel, que falava no painel \u201cO jornalismo \u00e9 manipula\u00e7\u00e3o?\u201d, integrado nas XI Jornadas de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho, que chegam hoje ao fim, afirmou que \u00aba imprensa di\u00e1ria tem cada vez menos recursos \u00bb, uma vez que \u00aba percentagem do mercado publicit\u00e1rio que \u00e9 canalizada para a televis\u00e3o s\u00f3 tem paralelo no terceiro mundo\u00bb.  O profissional disse que h\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de jornalistas nas redac\u00e7\u00f5es, que trabalham com cada vez menos condi\u00e7\u00f5es, pelo que se pratica um \u00abjornalismo que exige menos investimento\u00bb. Neste cen\u00e1rio, as \u00e2ncoras de que os jornalistas se socorrem s\u00e3o os pap\u00e9is que chegam \u00e0s redac\u00e7\u00f5es.  O jornalista sublinhou que o \u00abempobrecimento da imprensa \u00bb tamb\u00e9m se verifica porque os jornais procuram cada vez mais o \u201cvox populi\u201d e o que vende. Na sua perspectiva, existe uma \u00abatitude de carneirada perante os acontecimentos\u00bb: os alinhamentos s\u00e3o cada vez mais iguais e condicionados pela televis\u00e3o.  Na mesma linha, Carlos Rodrigues Lima, do \u201cExpresso\u201d, defendeu que \u00abo campeonato dos jornais di\u00e1rios \u00e9 muito complicado\u00bb, existindo em alguns \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social uma \u00abvis\u00e3o mais concorrencial \u00bb do que a preocupa\u00e7\u00e3o em \u00abfazer jornalismo\u00bb. Em seu entender, os jornais preocupam-se em ter \u00abum t\u00edtulo mais engra\u00e7ado do que o do lado\u00bb, mesmo que depois a not\u00edcia n\u00e3o corresponda \u00e0s expectativas criadas.  Referindo-se \u00e0 \u00e1rea judicial, \u00e0 qual est\u00e1 mais directamente ligado, alertou para o perigo de haver uma \u00abmanipula\u00e7\u00e3o com meias verdades\u00bb. Na sua opini\u00e3o, o caminho passa por \u00abter um bocadinho de paci\u00eancia \u00bb e s\u00f3 publicar a not\u00edcia depois se ter conseguido uma vers\u00e3o s\u00f3lida.  <b>Risco de manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 maior na Justi\u00e7a<\/b> O director da TSF sublinhou que \u00aba maior parte do jornalismo n\u00e3o \u00e9 manipula\u00e7\u00e3o \u00bb, embora admita que \u00abela acontece\u00bb. Paulo Baldaia mostrou-se particularmente preocupado com a manipula\u00e7\u00e3o na \u00e1rea judicial, considerando que este \u00e9 o sector onde o risco \u00e9 maior. Segundo este respons\u00e1vel, h\u00e1 fontes que decidem avan\u00e7ar para a condena\u00e7\u00e3o das pessoas na pra\u00e7a p\u00fablica quando est\u00e3o convencidas de que n\u00e3o v\u00e3o conseguir conden\u00e1-las nos tribunais.  Em seu entender, a manipula\u00e7\u00e3o \u00e9, por vezes, involunt\u00e1ria, fruto da \u00abpura ignor\u00e2ncia \u00bb, decorrendo do facto de haver cada vez menos jornalistas \u2013 e sobretudo jornalistas especialistas \u2013 nas redac\u00e7\u00f5es. Este respons\u00e1vel acrescentou que \u00aba primeira manipula\u00e7\u00e3o \u00bb come\u00e7a na cabe\u00e7a dos pr\u00f3prios jornalistas, uma vez que, para a maioria, \u00aba isen\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de ser contra-poder\u00bb.  Por seu turno, Jos\u00e9 Pedro Marques, da RTP, defendeu que \u00abquanto mais pobres e vazias de ideias\u00bb forem as agendas dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, mais facilmente ser\u00e3o manipuladas por ag\u00eancias que \u00abconhecem t\u00e3o bem ou melhor do que os jornalistas as fragilidades do sistema\u00bb. \u00abN\u00e3o h\u00e1 fontes desinteressadas \u00bb, advertiu.  Contudo, este profissional n\u00e3o isentou de culpas os jornalistas, questionando o seu papel na \u00abformata\u00e7\u00e3o das not\u00edcias \u00bb. Jos\u00e9 Pedro Marques explicou que, num evento, os jornalistas acabam por destacar os mesmos aspectos, da\u00ed resultando \u00abreportagens que se n\u00e3o s\u00e3o iguais s\u00e3o muito semelhantes\u00bb. Na sua opini\u00e3o, para al\u00e9m da \u00f3bvia relev\u00e2ncia das quest\u00f5es, h\u00e1 \u00abum acordo subliminar entre os jornalistas \u00bb, que resulta de viv\u00eancias muito semelhantes, de ningu\u00e9m querer \u00abdar o tiro ao lado\u00bb nas mat\u00e9rias que selecciona e da press\u00e3o das chefias para que o \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o tenha o que tem a concorr\u00eancia.  Manuel Carvalho defendeu que, neste contexto, \u00e9 a exist\u00eancia de um c\u00f3digo de \u00e9tica e de deontologia que permite fugir aos riscos, advertindo que as leituras que se fazem desses documentos tamb\u00e9m podem ser condicionadas.  O director-adjunto manifestou- se contra a \u00abmanipula\u00e7\u00e3o intencional com a clara cumplicidade dos jornalistas\u00bb, que acontece quando eles cedem \u00aba uma esp\u00e9cie de chantagem \u00bb, que \u00e9 n\u00e3o publicar uma not\u00edcia \u00e0 espera de terem outra mais importante.  As XI Jornadas de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, subordinadas ao tema \u201cVerdade ou Consequ\u00eancia?\u201d, chegam hoje ao fim, com os pain\u00e9is \u201cP\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o ou efeitos visuais\u201d (9h30), \u201cA marca Portugal\u201d (11h15), \u201cO novo perfil do profissional de comunica\u00e7\u00e3o\u201d (14h30) e \u201cConsequ\u00eancias do curso: ex-alunos\u201d (16h30). A partir das 22h00, na Velha-a- -Branca, ex-alunos contam os bastidores do est\u00e1gio e perip\u00e9cias da profiss\u00e3o.   <b>\u00abProfiss\u00e3o de jornalista n\u00e3o est\u00e1 em vias de extin\u00e7\u00e3o\u00bb<\/b> O professor da Universidade do Minho Joaquim Fidalgo considera que a profiss\u00e3o de jornalista n\u00e3o est\u00e1 em vias de extin\u00e7\u00e3o\u00bb, embora tenha de refazer a sua voca\u00e7\u00e3o num cen\u00e1rio em que h\u00e1 cada vez mais circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.  O especialista falava ontem, na Universidade do Minho, \u00e0 margem da apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u201cO Jornalista em Constru\u00e7\u00e3o\u201d, inserida nas XI Jornadas de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, subordinadas ao tema \u201cVerdade ou Consequ\u00eancia?\u201d.  Joaquim Fidalgo afirmou que mais do que apostar na revela\u00e7\u00e3o de dados, o jornalismo ter\u00e1 que enveredar pela \u00abinterpreta\u00e7\u00e3o, sinaliza\u00e7\u00e3o para a navega\u00e7\u00e3o no mar de informa\u00e7\u00e3o, credibiliza\u00e7\u00e3o, atribui\u00e7\u00e3o de um certificado de qualidade\u00bb que permita separar o trigo do joio.  \u00abEm rigor j\u00e1 n\u00e3o seria preciso haver jornalistas. As fontes prim\u00e1rias falam directamente para as pessoas\u00bb, disse, sublinhando que, neste cen\u00e1rio, o papel dos jornalistas n\u00e3o ser\u00e1 tanto o de divulgar a informa\u00e7\u00e3o, mas o de ajudar as pessoas a saber ler o que lhes \u00e9 apresentado.  Em seu entender, acabar\u00e1 por haver uma distin\u00e7\u00e3o entre o jornalismo de massas, sobretudo de televis\u00e3o, e um \u00abn\u00facleo quase de resist\u00eancia\u00bb que necessita de um jornalismo de cariz mais explicativo. \u00abNesse caminho de longo prazo\u00bb, haver\u00e1 um grupo que sentir\u00e1 que \u00abaprofundar a informa\u00e7\u00e3o pode ser importante para a sua vida\u00bb, na medida em que lhe d\u00e1 \u00abuma capacidade acrescida de ler o mundo\u00bb.  O jornalista sublinhou \u00abo pr\u00f3prio modelo de neg\u00f3cio est\u00e1 muito afectado\u00bb, indo de encontro ao que foi afirmado por outros profissionais no painel \u201cO jornalismo \u00e9 manipula\u00e7\u00e3o?\u201d.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alerta lan\u00e7ado nas XI Jornadas de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Minho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-31075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}