{"id":310723,"date":"2024-01-15T10:49:50","date_gmt":"2024-01-15T10:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=310723"},"modified":"2024-01-15T10:49:50","modified_gmt":"2024-01-15T10:49:50","slug":"a-pratica-mais-pratica-e-uma-boa-teoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-pratica-mais-pratica-e-uma-boa-teoria\/","title":{"rendered":"A pr\u00e1tica mais pr\u00e1tica \u00e9 uma boa teoria"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, Diocese de\u00a0<\/em><em>Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184289\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sempre que ouvi esta frase em t\u00edtulo, a ouvi atribu\u00edda a D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, Bispo do Porto, que, antes, tamb\u00e9m fora Bispo de Portalegre-Castelo Branco.<\/p>\n<p>Presumo, por\u00e9m, que, com esporas de roseta girat\u00f3ria no estribo, j\u00e1 Eva a tivesse martelado, vezes sem conta, na bigorna dos ouvidos de Ad\u00e3o, sobretudo quando este se esquecia de separar o lixo, de fechar as torneiras da cozinha ou de apagar a televis\u00e3o, chateado por ver a l\u00e1stima de jogo do seu clube de elei\u00e7\u00e3o, ainda por cima ajudado pela arbitragem. N\u00e3o atesto nem consigo provar, \u00e9 verdade, mas tamb\u00e9m n\u00e3o contesto nem protesto. Pode acontecer que os dedicados estudiosos de pergaminhos e pap\u00e9is amarelecidos por essas bibliotecas adentro, por quem, ali\u00e1s, nutro elevado apre\u00e7o e respeito at\u00e9 por eu n\u00e3o ter unhas para tocar viola, pode acontecer que eles descubram a paternidade da frase, e, ao encontr\u00e1-la, gritem entusiasmados: \u2018Eureka! E corram c\u00e9leres a narrar a descoberta, tal como fez Arquimedes quando, ao tomar banho, descobriu um argumento capaz de dissipar as suspeitas do rei de Siracusa, e n\u00e3o s\u00f3. Este pensava que o artes\u00e3o contratado para lhe fazer uma coroa &#8211; uma coroa \u00e0 altura da sua vaidade e cabe\u00e7a -, pensava que o artes\u00e3o lhe tinha surripiado parte do ouro que lhe tinha dado para isso. Arquimedes, a partir da teoria arrancada \u00e0 sua banheira, mergulhou a referida coroa num balde de \u00e1gua, provando assim ao rei que o artes\u00e3o era mesmo s\u00e9rio&#8230;, talvez mais do que ele&#8230;! Nascida da realidade e da experi\u00eancia, a teoria levou Arquimedes \u00e0 boa pr\u00e1tica&#8230; E, acreditem, n\u00e3o estou a mangar, nem encharcado em alvarinho. Sentado na sua cadeira e olhando o movimento dos l\u00e1bios de Ana, Heli, sem ao menos se entreter a fazer o sudoku, \u00e9 que pensou, injustamente, que Ana estava b\u00eabada, quando ela, amargurada e lacrimosa, sabendo bem onde lhe apertava o sapato, confiante e sinceramente bichanava os seus sentimentos e prop\u00f3sitos ao Senhor (cf. 1Sam 1, 9-20).<\/p>\n<p>Mesmo na ora\u00e7\u00e3o, uma boa teoria, entendida, assumida e vivida, ajuda \u00e0 sua pr\u00e1tica, dando frutos, como aconteceu com Ana. Se assim n\u00e3o for, n\u00e3o quer dizer que aconte\u00e7a, pois os simples e humildes t\u00eam uma sabedoria de Deus que s\u00e3o li\u00e7\u00f5es de vida para todos, mas pode acontecer que, noutros, a ora\u00e7\u00e3o degenere em pieguice, em sentimentalismo est\u00e9ril, em tentativa de neg\u00f3cio com Deus, em busca de m\u00e9ritos e de direitos diante d\u2019Ele e dos outros. O que seria de n\u00f3s se Deus n\u00e3o se risse com tudo isso e n\u00e3o fosse indulgente e rico em miseric\u00f3rdia!&#8230;<\/p>\n<p>Noutras situa\u00e7\u00f5es da vida, sem teoria, sem forma\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica pode ser uma aventura a fazer marrar com a cabe\u00e7a na parede. \u00c9 certo que uns t\u00eam mais facilidade em aprender conte\u00fados, em produzir mais conhecimento, em partilhar e fazer cultura, mas t\u00eam mais dificuldade na sua aplica\u00e7\u00e3o. Com outros passa-se o contr\u00e1rio, cada um \u00e9 como \u00e9 e como se consegue construir. A pr\u00e1tica mais pr\u00e1tica, por\u00e9m, \u00e9, de facto, uma boa teoria, coisa que nos obriga a uma constante atualiza\u00e7\u00e3o e aprofundamento, quer da teoria quer da pr\u00e1tica. Valorizar a pr\u00e1tica e desvalorizar a teoria pode ter penas curtas, pode conduzir \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o. Ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de assumir que, na pr\u00e1tica, a teoria \u00e9 outra, tamb\u00e9m \u00e9 esquisito, n\u00e3o estar\u00e1 muito certo. A teoria sem a pr\u00e1tica tamb\u00e9m pode vir a degenerar em snobismo, em intelectualismo sem sabedoria, em teorias desencarnados, em gente te\u00f3rica, em ditadores que pensam e agem como se a ideia fosse superior \u00e0 realidade. Ou teoria ou pr\u00e1tica ser\u00e1, igualmente, mau princ\u00edpio, pois, teoria e pr\u00e1tica s\u00e3o complementares. As duas devem olhar-se olhos nos olhos, em di\u00e1logo permanente, como ensinam e fazem os bons mestres. A teoria desafia a pr\u00e1tica, a pr\u00e1tica estimula a teoria. \u00c9 desta combina\u00e7\u00e3o equilibrada que se produzem bons frutos. S\u00f3 ensina bem a teoria quem experimentou a sua pr\u00e1tica, assim como, quem n\u00e3o conhece a teoria, mesmo que tenha uma pan\u00f3plia de t\u00e9cnicas sofisticadas e habilidade sem fim, dificilmente ensinar\u00e1 bem o que se deve saber fazer. At\u00e9 pode acontecer que, com pena de a n\u00e3o conhecer, assuma uma atitude igual \u00e0 da raposa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s uvas: est\u00e3o verdes! a teoria n\u00e3o me interessa!<\/p>\n<p>Na pastoral, a pr\u00e1tica mais pr\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 uma boa teoria. Sem forma\u00e7\u00e3o, a pastoral poder\u00e1 ser qualquer coisa menos isso. E essa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 humana, intelectual e espiritual, com tudo aquilo que cada dimens\u00e3o dessas implica. \u00c9 mais do que saber e saber fazer, \u00e9 vida e paix\u00e3o que convencem e geram empatia e proveito nos destinat\u00e1rios, ao ponto de os envolver com alegria e os tornar protagonistas da evangeliza\u00e7\u00e3o, por amor aos outros, em fidelidade a Cristo. Quando, ao longo dos tempos, se esquece, deturpa ou se adapta e deixa de viver o Evangelho, agindo, na pr\u00e1tica, como d\u00e1 na real gana, at\u00e9 se invoca Deus para discriminar, racial e religiosamente, para incitar ao \u00f3dio e \u00e0 viol\u00eancia, para invadir, destruir, matar e fazer guerras, desprezando os outros.\u00a0 Jesus foi claro quando lhe perguntaram qual era o maior mandamento da Lei: \u201cAmar\u00e1s ao Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Este \u00e9 o maior e o primeiro mandamento. O segundo \u00e9 igual a este: Amar\u00e1s ao teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Mt 22, 34-40). A palavra de Jesus foi sempre a mesma, amar a Deus e ao pr\u00f3ximo como Ele nos amou. Ele n\u00e3o fez ace\u00e7\u00e3o de pessoas. A sua palavra foi e \u00e9 para todos. Ir at\u00e9 aos confins do mundo para anunciar a Boa Nova foi o mandato que Ele deixou \u00e0 sua Igreja. A Igreja est\u00e1, vai e acolhe a todos e a todos anuncia o amor de Jesus por cada um, dizendo-lhes tamb\u00e9m que amor com amor se paga, o que implica fazer caminhada em dire\u00e7\u00e3o a Ele, com Ele e a sua Igreja, pois nem tudo \u00e9 igual a tudo. Todos, todos, todos n\u00e3o \u00e9 igual a tudo, tudo, tudo, como \u00e9 evidente, foi por isso que o Filho de Deus encarnou e se entregou por n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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