{"id":310386,"date":"2024-01-14T09:30:24","date_gmt":"2024-01-14T09:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=310386"},"modified":"2024-01-11T15:00:46","modified_gmt":"2024-01-11T15:00:46","slug":"portugal-media-o-acesso-a-informacao-esta-condicionado-paulo-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-media-o-acesso-a-informacao-esta-condicionado-paulo-ribeiro\/","title":{"rendered":"Portugal\/Media: \u00abO acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionado\u00bb &#8211; Paulo Ribeiro"},"content":{"rendered":"<p><em>A culminar a celebra\u00e7\u00e3o dos 30 anos de exist\u00eancia e numa altura em que v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es anunciaram o fim da edi\u00e7\u00e3o em papel, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (AIIC)<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_310356\" aria-describedby=\"caption-attachment-310356\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-310356 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-310356\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Estamos perante uma tend\u00eancia que pode levar ao fim da edi\u00e7\u00e3o em papel. \u00c9 resultado das dificuldades econ\u00f3micas, ou um misto de fatores? <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que o problema \u00e9 complexo, mas as respostas s\u00e3o muito simples, e passo a explicar.<\/p>\n<p>H\u00e1 um colega meu, diretor de um jornal nosso associado, que diz que nos \u00faltimos anos estamos a viver a tempestade perfeita. A tempestade perfeita para tudo o que de mau que podia acontecer ao ecossistema da comunica\u00e7\u00e3o social, nomeadamente a imprensa, concretamente.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea? Os ouvintes certamente perceber\u00e3o aquilo que irei explicar.<\/p>\n<p>O que suporta um jornal s\u00e3o os leitores, s\u00e3o as assinaturas, as vendas em banca e, fundamentalmente, a publicidade.<\/p>\n<p>O que aconteceu? A publicidade caiu drasticamente. E caiu drasticamente porque houve, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mais com assertividade, nos \u00faltimos dez anos, um desvio do investimento publicit\u00e1rio para outros canais alternativos da comunica\u00e7\u00e3o social, nomeadamente ao n\u00edvel do digital e dos grandes aglomerados de produ\u00e7\u00e3o digital, como Google, Facebook, Instagram.<\/p>\n<p>Houve, portanto, como estava a dizer, um grande desvio da publicidade. Houve, da parte do Estado, um desinvestimento na imprensa. Todos n\u00f3s nos recordamos dos suplementos que os jornais tinham de publicidade obrigat\u00f3ria, que, com o advento da digitaliza\u00e7\u00e3o, deixou de existir. Ou seja, foi outro rombo financeiro. A par disso registou-se uma quebra nos h\u00e1bitos de consumo de informa\u00e7\u00e3o, que levou a que todos n\u00f3s recorramos a um telem\u00f3vel, a um computador, para ler informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E muitas vezes sem pagar, e essa tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o relevante?<\/em><\/p>\n<p>E era a\u00ed que eu queria chegar. Antes t\u00ednhamos de ir \u00e0 banca comprar o jornal para ter acesso, e agora temos uma forma diferente do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. E os editores foram muito respons\u00e1veis tamb\u00e9m por colocarem gratuitamente a informa\u00e7\u00e3o que tem custos, que s\u00e3o produzidas por pessoas. Portanto, \u00e9 como um fabricante de sapatos meter os sapatos livremente numa montra e as pessoas entram e levam os sapatos consigo e n\u00e3o pagam nada. Portanto, isto pode parecer uma caricatura um pouco atrevida do que estou a dizer, mas, de facto, \u00e9 o que acontece. As pessoas consomem a informa\u00e7\u00e3o. Consomem a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica gratuitamente. Portanto, todo este ecossistema foi profundamente alterado e isto est\u00e1 estudado. Est\u00e1 estudado. E deixo uma palavra de reconhecimento \u00e0 Academia Portuguesa que tem feito, fundamentalmente nos \u00faltimos anos, tem feito um trabalho consistente de estudo das causas que levaram a que este cen\u00e1rio que agora estamos a viver, e estamos a enfrentar, com o maior dramatismo natural com a crise na global m\u00e9dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 vamos falar disso, mas deixe-me perguntar-lhe, Paulo, se vai ser mesmo uma fatalidade o fim da edi\u00e7\u00e3o em papel da maioria das publica\u00e7\u00f5es, ou de quase todas as publica\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Poder\u00e1 ser, se n\u00e3o se inverter esta situa\u00e7\u00e3o. E esta situa\u00e7\u00e3o ainda estamos a tempo de a inverter parcialmente, se houver &#8211; e \u00e9 o que a AIIC (Associa\u00e7\u00e3o da Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3) tem vindo a defender h\u00e1 v\u00e1rios anos &#8211; se houver uma pol\u00edtica do ponto de vista do Estado do combate \u00e0 iliteracia. Ou seja, se houver medidas que noutras democracias avan\u00e7adas, nomeadamente na geografia europeia, que est\u00e3o a implementar j\u00e1 h\u00e1 algum tempo com sucesso, e que \u00e9 o incentivar ao consumo de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, produzida, tanto em papel, como tamb\u00e9m atrav\u00e9s da via digital. A\u00ed o Estado tem um papel importante. Porque, neste momento, penso que, como o senhor presidente da Rep\u00fablica disse, \u00e9 necess\u00e1rio um pacto de regime, e ele j\u00e1 o defendia antes da pandemia e j\u00e1 teve iniciativas nesse sentido. O Estado portugu\u00eas, os agentes pol\u00edticos, devem decidir de uma vez por todas: Querem ou n\u00e3o querem uma comunica\u00e7\u00e3o social plural e generalista em todo o territ\u00f3rio nacional?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E qual \u00e9 a sua sensa\u00e7\u00e3o sobre essa pergunta?<\/em><\/p>\n<p>A minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 um querer envergonhado. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 ousadia, n\u00e3o h\u00e1 assertividade. N\u00f3s somos recebidos pelos grupos parlamentares na Assembleia da Rep\u00fablica, que \u00e9 onde se legisla, \u00e9 onde os eleitos que representam todos os portugueses est\u00e3o, e ouvimos medidas, e ouvimos palavras com muita simpatia, com exce\u00e7\u00e3o de um partido que tamb\u00e9m \u00e9 simp\u00e1tico, mas que confere ao mercado a regula\u00e7\u00e3o. Esse partido defende que deve ser o mercado a decidir se de facto deve haver ou n\u00e3o deve haver, se as empresas devem morrer, se os jornais devem morrer. E essa \u00e9 uma vis\u00e3o, mas a grande maioria dos partidos concorda que deve haver uma democracia plural, com \u00f3rg\u00e3os jornal\u00edsticos saud\u00e1veis, e que tenham jornalistas a trabalhar com independ\u00eancia em prol da verdade informativa.\u00a0\u00c9 isso que n\u00f3s defendemos. Se \u00e9 esse o caminho, vamos ent\u00e3o para as medidas. Porque sen\u00e3o, continuamos aqui com um pescadinho no rabo da boca.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E quais s\u00e3o ent\u00e3o essas medidas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Para mim e a para n\u00f3s, a AIIC \u00e9 fundamental o combate \u00e0 iliteracia. \u00c9 fundamental que a popula\u00e7\u00e3o perceba, e j\u00e1 muitas pessoas percebem, a import\u00e2ncia que um \u00f3rg\u00e3o jornal\u00edstico tem no seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos neste momento com 25% do pa\u00eds, e isto s\u00e3o dados reais, 25% do pa\u00eds, e j\u00e1 estamos a alertar para esta situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 anos. Lan\u00e7\u00e1mos esta discuss\u00e3o, e ainda bem que a Universidade da Beira Interior pegou neste problema e fez um estudo sobre o deserto de not\u00edcias, a exemplo do que j\u00e1 foi feito, por exemplo, nos Estados Unidos e no Brasil, e verificou-se que 25% de Portugal n\u00e3o tem um \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstico. Isto \u00e9 grave.<\/p>\n<p>Os poderes p\u00fablicos locais n\u00e3o s\u00e3o escrutinados, as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso a um \u00f3rg\u00e3o jornal\u00edstico, a um meio de comunica\u00e7\u00e3o social jornal\u00edstica onde possam recorrer para que as suas vozes sejam ouvidas, conforme os nossos associados, a grande maioria dos nossos associados faz no terreno. E tem de ser com medidas que prevale\u00e7am, que defendam esta comunica\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m, exemplo da Nacional, para que haja uma coes\u00e3o. No fim de contas, e nesse aspeto o novo conceito regulador est\u00e1 mais recetivo a esta preocupa\u00e7\u00e3o, do que os anteriores, verdade seja dita, tivemos agora uma reuni\u00e3o com o novo conceito regulador. O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionado. H\u00e1 muitos portugueses que n\u00e3o t\u00eam o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 falou ainda h\u00e1 pouco da Global Media. Est\u00e1vamos a falar do setor da imprensa local e crist\u00e3, que vive momentos de dificuldade, mas no \u00e2mbito nacional neste momento temos um grande grupo, a Global Media, de que falou ainda h\u00e1 pouco, a atravessar uma profunda crise. A que \u00e9 que se deve esta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Esta crise acaba por ser aquilo que acabei de dizer, s\u00f3 que andou camuflada por, digamos, por novos acionistas a entrar e a sair, e a p\u00f4r dinheiro e a sair&#8230;. Toda esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito nebulosa relativamente ao fundo, \u00e0 origem dos fundos, obviamente, que \u00e9 importante saber a sua origem. Mas j\u00e1 se sabia h\u00e1 muito tempo, e as contas est\u00e3o no portal da transpar\u00eancia da ERC (Entidade Reguladora da Comunica\u00e7\u00e3o Social), que o grupo Global Media, o Di\u00e1rio Not\u00edcias, j\u00e1 estava com dificuldades financeira h\u00e1 muito tempo e a TSF tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o \u00e9 surpresa para os mais entendidos que acompanham este setor o que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos dois grupos econ\u00f3micos, fundamentalmente, que assumem preju\u00edzos no final do ano, mas como sendo algo pensado e algo em que os acionistas consideram que mesmo assim vale a pena. N\u00f3s temos o P\u00fablico da Sonae, que nunca deu lucro, mas que o acionista mete dinheiro, mas para um projeto digno de jornalismo, em que o editor considera que \u00e9 importante para o seu portf\u00f3lio da empresa que tenha um t\u00edtulo com credibilidade, mesmo que d\u00ea preju\u00edzo e mete dinheiro at\u00e9 aquele montante. \u00c9 uma forma de sustentar a comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c9 uma forma, mas nem todos os t\u00edtulos podem ter essa garantia, porque \u00e9 complicado.<\/p>\n<p>Da\u00ed que n\u00f3s defendamos que o legislador deva conceder &#8211; se considera que a comunica\u00e7\u00e3o social jornal\u00edstica \u00e9 importante para a salvaguarda da democracia portuguesa e para a integridade e coes\u00e3o territorial &#8211; ent\u00e3o que crie medidas que fomentem o surgimento de novos operadores no mercado, novos operadores, neste aspeto, que os editores tenham meios e incentivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o demasiada em determinados grupos ou em poucos grupos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o risco que corremos. Por exemplo, o ministro da Cultura, que n\u00e3o fez nada em prol da comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o fez nada, pura e simplesmente deixou que as coisas<\/p>\n<p>rolassem. Porqu\u00ea? E isto \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o minha, porque quando houve a quest\u00e3o da publicidade institucional, a compra da publicidade institucional antecipada na pandemia, aquilo foi mal gerido do ponto de vista pol\u00edtico por outros partidos, que consideraram que\u00a0a comunica\u00e7\u00e3o social foi comprada. Existe sempre este aproveitamento pol\u00edtico e levanta-se sempre este fantasma que \u00e9 profundamente falso. N\u00f3s particip\u00e1mos no processo e n\u00e3o houve nenhuma comunica\u00e7\u00e3o social que fosse comprada. Foi publicidade que foi alocada e as associa\u00e7\u00f5es distribu\u00edram pelos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social. Portanto, a publicidade da Covid, a publicidade dos fogos florestais&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas criou-se uma desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do Estado?<\/em><\/p>\n<p>Cria-se sempre uma desconfian\u00e7a em Portugal e isso \u00e9 um motivo para nada se fazer. Isso \u00e9 um motivo por que eu questiono, a RTP, a Lusa, a Antena 1, s\u00e3o suportadas pelo dinheiro dos Contribuintes. Algu\u00e9m, com seriedade, pode dizer que os jornalistas que trabalham nesses \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o condicionados pelo poder pol\u00edtico hoje?\u00a0N\u00e3o estou a falar, a seguir ao 25 de Abril, n\u00e3o estou a falar nos anos 80, onde havia telefonemas dos secret\u00e1rios de Estado, ou dos Ministros para os diretores de Informa\u00e7\u00e3o. Atualmente, algu\u00e9m faz isso?<\/p>\n<p>Eu conhe\u00e7o, n\u00f3s conhecemos, camaradas nossas que trabalham nesses \u00f3rg\u00e3os, que trabalham que fazem um trabalho e \u00e9 aud\u00edvel e \u00e9 vis\u00edvel o trabalho que fazem.<\/p>\n<p>Portanto, h\u00e1 formas de o Estado poder, como acontece noutras democracias mais avan\u00e7adas ou mais consolidadas que a nossa, na Europa, de o Estado poder inverter a situa\u00e7\u00e3o sem ser o Estado a intervir diretamente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_310358\" aria-describedby=\"caption-attachment-310358\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-310358\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/paulo_ribeiro_aic-6.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-310358\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Voltando \u00e0 Global Media: al\u00e9m dos postos de trabalho que est\u00e3o em risco, h\u00e1 importantes alertas a sublinhar sobre a necessidade de uma informa\u00e7\u00e3o plural, j\u00e1 fal\u00e1mos aqui desse aspeto. H\u00e1 riscos do ponto de vista da pr\u00f3pria democracia, da manuten\u00e7\u00e3o da democracia, do escrut\u00ednio democr\u00e1tico, com este tipo de situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>acho que o que nos mostra esta crise na Global Media \u00e9 a ponta do icebergue, ou seja, se n\u00f3s j\u00e1 estamos com 25% do territ\u00f3rio nacional sem escrut\u00ednio jornal\u00edstico. Passou-se de uma situa\u00e7\u00e3o nos anos 90, 2000, em que todo o territ\u00f3rio nacional tinha mais jornalistas do que profissionais de comunica\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios, por exemplo, para um paradigma totalmente oposto, neste momento. Temos munic\u00edpios com uma m\u00e1quina de propaganda nos seus territ\u00f3rios, com t\u00e9cnicos, com investimento pesado, a passar propaganda, leg\u00edtima, n\u00e3o meto isso em causa, que \u00e9 feita pelos respetivos poderes aut\u00e1rquicos, e em contraponto, n\u00e3o temos jornalistas naqueles territ\u00f3rios, para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do trabalho que \u00e9 feito de uma forma isenta, parcial, de uma forma de acordo com o que est\u00e1 consagrado no c\u00f3digo deontol\u00f3gico dos jornalistas e com o estatuto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E agora h\u00e1 o risco de desaparecer o \u00faltimo grande di\u00e1rio do Norte?<\/em><\/p>\n<p>Eu trabalhei para o Jornal de Not\u00edcias durante 17 anos e trabalhei nove anos para o Di\u00e1rio de Not\u00edcias, como colaborador, nos dois, na regi\u00e3o onde vivo, e sempre tive uma rela\u00e7\u00e3o de muita proximidade, de muito respeito e muita camaradagem com todos os que ali trabalharam. E sempre senti liberdade em reportar aquilo que se passava na minha regi\u00e3o, mas at\u00e9 em termos nacionais e internacionais, quando se proporcionava, portanto tenho o maior respeito e n\u00e3o tenho d\u00favidas: se estes dois meios desaparecerem, Portugal fica muito mais pobre do ponto de vista do escrut\u00ednio democr\u00e1tico, n\u00e3o tenho a m\u00ednima d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto est\u00e1 a acontecer num ano que vai ter v\u00e1rios atos eleitorais&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Nos 50 anos do 25 de Abril.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E nos 50 anos do 25 de Abril. \u00c9 preocupante este definhamento da imprensa e da comunica\u00e7\u00e3o social em geral?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 preocupante. Neste momento, tenho pena, porque h\u00e1 uma fatia da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o considera que seja importante, porque como tem acesso a informa\u00e7\u00e3o no seu telem\u00f3vel, julga que a informa\u00e7\u00e3o que circula \u00e9 informa\u00e7\u00e3o cred\u00edvel. Muitas vezes n\u00f3s sabemos que n\u00e3o \u00e9 e estamos a cultivar um povo de uma forma cada vez mais&#8230; digamos que, com tanta informa\u00e7\u00e3o as pessoas nunca souberam t\u00e3o pouco. Esta \u00e9 a minha an\u00e1lise. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os populismos est\u00e3o a surgir e s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas tamb\u00e9m porque se perdeu esta ideia de media\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O acesso \u00e9 imediato, torna logo tudo verdade\u2026 N\u00e3o h\u00e1 triagem, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>E esse \u00e9 o papel fundamental de um jornalista, e \u00e9 essa obriga\u00e7\u00e3o legal e \u00e9tica que um jornalista tem. Desaparecendo esta fun\u00e7\u00e3o de mediador, temos o resultado que temos noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando \u00e0 realidade da imprensa crist\u00e3 e da imprensa regional. Do ponto de vista do leitor, a internet democratizou o acesso. Para os respons\u00e1veis pelo setor, para al\u00e9m de um desafio, significa tamb\u00e9m novas dificuldades?<\/em><\/p>\n<p>Grosso modo, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a imprensa regional e os nossos associados t\u00eam procurado fazer a transi\u00e7\u00e3o para o digital e temos produtos muito competitivos, com muita qualidade, que n\u00e3o ficamos atr\u00e1s de nenhum outro pa\u00eds mais avan\u00e7ado, posso dizer, nessa \u00e1rea. A quest\u00e3o aqui \u00e9, de facto, a sustentabilidade. O digital ainda n\u00e3o representa uma fonte de receita como o produto em papel. Ou seja, n\u00f3s costumamos dizer que ainda \u00e9 o papel que, no fim do dia, paga as contas. Portanto, \u00e9 esta a realidade. N\u00f3s queremos investir, queremos que haja mais publicidade no digital, mas ainda \u00e9 a publicidade em papel que vai suportando, na medida das possibilidades, os projetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Numa reflex\u00e3o mais te\u00f3rica, o Papa este ano vai apresentar, para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, uma reflex\u00e3o sobre a intelig\u00eancia artificial. Quando falamos disso, falamos tamb\u00e9m em desafios, da possibilidade de se promover sistemas de desinforma\u00e7\u00e3o, de aumentar ainda mais o isolamento da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 um problema, tudo isto?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um problema fundamental, porque a intelig\u00eancia artificial vai ser uma ferramenta, e j\u00e1 est\u00e1 a ser uma ferramenta utilizada, aqui a quest\u00e3o s\u00e3o os crit\u00e9rios \u00e9ticos, deontol\u00f3gicos, que est\u00e3o subjacentes \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial no jornalismo. Nada substitui o contacto pessoal, nada substitui o jornalista no terreno, junto da sua comunidade, junto do seu territ\u00f3rio. N\u00e3o h\u00e1 intelig\u00eancia artificial que substitua este trabalho de proximidade, que n\u00f3s temos de ter, que a AIC tem defendido. Deve haver um conjunto de ferramentas que possam permitir que estes territ\u00f3rios, todo o territ\u00f3rio nacional, tenha jornalistas e jornalismo. N\u00e3o se pode s\u00f3 pensar no jornalismo em Lisboa e no Porto, ali\u00e1s, o jornalismo em Lisboa e no Porto j\u00e1 est\u00e1 amea\u00e7ado, estamos no fim da linha daquilo que estava j\u00e1 a passar desde h\u00e1 10 anos a esta parte. Os respons\u00e1veis pol\u00edticos, na verdade, olharam para o lado e assobiaram, sempre com o problema \u201cn\u00e3o se mexe na comunica\u00e7\u00e3o social, porque depois podemos ser acusados disto\u201d&#8230; N\u00e3o tem havido ousadia, n\u00e3o tem havido responsabilidade, porque tem de haver responsabilidade de quem nos governa nesta \u00e1rea tamb\u00e9m. Tem de ouvir, saber o que \u00e9 que se passa nos outros pa\u00edses &#8211; porque este n\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 de Portugal, e h\u00e1 outros pa\u00edses tamb\u00e9m com estes problemas, que \u00e9 um problema \u00e0 escala global &#8211; que procuraram solu\u00e7\u00f5es, solu\u00e7\u00f5es consensuais, o tal pacto de regime que o presidente da Rep\u00fablica tem vindo a defender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Paulo, para fecharmos, deixe-me perguntar-lhe: que ideia tem o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 da forma como a Igreja comunica?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja comunica a v\u00e1rias vozes. Por um lado, \u00e9 bom, mas por outro lado n\u00e3o h\u00e1, por vezes, aqui uma certa coer\u00eancia comunicativa, se posso usar esta express\u00e3o, at\u00e9 porque a Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 re\u00fane cerca de 180 meios de todo o pa\u00eds, e muitas vezes, tenho de o dizer, lamentavelmente, mas somos esquecidos quando se trata de analisar e dos contributos para o setor, de que forma \u00e9 que podemos colaborar mais. Estamos dispostos a isto, colaborar mais com a Igreja, construir a Igreja, e muitas vezes -certamente n\u00e3o \u00e9 por maldade, n\u00e3o \u00e9 nesse sentido &#8211; somos esquecidos, mas c\u00e1 estamos, temos esta resili\u00eancia e o caminho faz-se caminhando. Temos esperan\u00e7a de que as palavras do Papa Francisco se traduzam no terreno, com uma maior assertividade, que \u00e9 isso que tamb\u00e9m defendemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A culminar a celebra\u00e7\u00e3o dos 30 anos de exist\u00eancia e numa altura em que v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es anunciaram o fim da edi\u00e7\u00e3o em papel, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Imprensa de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (AIIC)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":310356,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[140],"class_list":["post-310386","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310386\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/310356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}