{"id":31029,"date":"2008-03-31T10:20:33","date_gmt":"2008-03-31T10:20:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/31\/cep-em-balanco\/"},"modified":"2008-03-31T10:20:33","modified_gmt":"2008-03-31T10:20:33","slug":"cep-em-balanco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cep-em-balanco\/","title":{"rendered":"CEP em balan\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>D. Carlos Azevedo, Secret\u00e1rio da CEP, passa em revista o \u00faltimo tri\u00e9nio, do referendo ao aborto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata, passando pela visita Ad Limina <!--more--> De 31 de Mar\u00e7o a 3 de Abril decorre, em F\u00e1tima, a Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) que marca o fim do tri\u00e9nio iniciado em 2005, sob a presid\u00eancia de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e tendo como eixo dos trabalhos do episcopado o tema da transmiss\u00e3o da f\u00e9. Em entrevista ao Programa ECCLESIA, D. Carlos Azevedo, Secret\u00e1rio da CEP, passa em revista estes anos de trabalhos, desde o referendo ao aborto \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata, passando pela visita Ad Limina, em Novembro de 2007.  <i>ECCLESIA (PE) \u2013 O tema da transmiss\u00e3o da f\u00e9 esteve presente em todas as assembleias plen\u00e1rias. A que conclus\u00f5es chegaram os Bispos? D. Carlos Azevedo (CA) \u2013<\/i>  O tema foi uma novidade deste tri\u00e9nio, tent\u00e1mos que houvesse algo transversal em todas as sess\u00f5es, para que se aprofundasse um tema. Ach\u00e1mos que o tema essencial para a Igreja em Portugal era o da transmiss\u00e3o da f\u00e9, deline\u00e1mos um programa, que foi cumprido e agora vamos chegar a algumas conclus\u00f5es que, possivelmente, daremos a conhecer \u00e0s comunidades crist\u00e3s. Depois, cada Bispo na sua diocese foi fazendo uma reflex\u00e3o. Tent\u00e1mos que fosse uma equipa a preparar, sempre, o texto base para essa reflex\u00e3o.  <i>E \u2013 Que percurso foi feito? CA \u2013<\/i> Come\u00e7ou-se na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, pois ach\u00e1mos que isso era o tema essencial, antecedido pelos modelos culturais que presidem a uma transmiss\u00e3o, procurando ver os v\u00e1rios modelos que estiveram em presen\u00e7a na hist\u00f3ria da Igreja.  Depois come\u00e7\u00e1mos a debater o tema da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, da forma\u00e7\u00e3o dos leigos, foi feito um levantamento muito proveitoso das escolas que existem em cada diocese e cheg\u00e1mos a algumas constata\u00e7\u00f5es muito positivas da realidade. \u00c9 poss\u00edvel lan\u00e7ar uma forma\u00e7\u00e3o mais consistente dos leigos.  <i>E \u2013 Essas conclus\u00f5es n\u00e3o passaram para o p\u00fablico&#8230; CA \u2013<\/i> A CEP n\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de decis\u00e3o nem de ac\u00e7\u00e3o, mas de comunh\u00e3o, onde se debatem os temas.   <i>E \u2013 Seria vantajosa a exist\u00eancia de programas nacionais para a forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9? CA \u2013<\/i>  Neste tri\u00e9nio houve a sa\u00edda de novos catecismos, uma oferta com tradi\u00e7\u00e3o, mas quer\u00edamos chegar tamb\u00e9m \u00e0 quest\u00e3o da espiritualidade e da Doutrina Social da Igreja. Queremos que todo o Povo de Deus possa ser formado espiritualmente, com secretariados diocesanos de espiritualidade, eventualmente. Esperamos tamb\u00e9m que a nova enc\u00edclica de Bento XVI seja um est\u00edmulo para que se transmita a f\u00e9 no ponto de vista da incid\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f3mica, as realidades sociais, no fundo.  <i>E \u2013 O processo que levou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de novos catecismos n\u00e3o foi excessivamente demorado? As linguagens para a transmiss\u00e3o da f\u00e9 s\u00e3o as mais adequadas? CA \u2013<\/i>  Foi um processo com alguma lentid\u00e3o, porque houve v\u00e1rias equipas e talvez o m\u00e9todo escolhido n\u00e3o fosse o mais \u00e1gil, houve pouca centraliza\u00e7\u00e3o e \u00e0s vezes isso traz alguns benef\u00edcios. Mas a actual Comiss\u00e3o Episcopal pegou no assunto e os catecismos est\u00e3o a sair com bastante regularidade. As linguagens tentam ser adaptadas, mas o principal s\u00e3o sempre os transmissores e eles s\u00e3o os catequistas. Aqui batemos outra vez no mesmo ponto: a forma\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os, de disc\u00edpulos de Jesus. S\u00f3 teremos bons transmissores se os prepararmos e esse \u00e9 o papel das comunidades crist\u00e3s: ent\u00e3o vemos como \u00e9 que as fam\u00edlias, a escola \u2013 temas que tamb\u00e9m nos ocuparam neste quadro \u2013 est\u00e3o preparados para transmitir a f\u00e9.  <b>An\u00e1lises nacionais<\/b> <i>E \u2013 Na \u00faltima assembleia plen\u00e1ria (Novembro de 2007), em Roma, foi referido que os relat\u00f3rios quinquenais elaborados para a visita Ad limina seriam enviados para o Gabinete de Estudos Pastorais. Isso foi feito? CA \u2013<\/i>  Vamos ver agora, porque a\u00ed foi desejado que isso se fizesse, mas n\u00e3o houve uma decis\u00e3o formal, o assunto n\u00e3o foi votado.   <i>E \u2013 E haveria vantagens? CA\u2013<\/i> Penso que sim, dado que \u00e9 um trabalho que cada diocese faz, de an\u00e1lise de cinco anos da sua actividade. Seria \u00fatil que uma equipa o pudesse conhecer, para da\u00ed poder tirar algumas conclus\u00f5es, mas o importante \u00e9 que o discurso do Papa veio ao encontro da nossa pr\u00f3pria reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o da f\u00e9. <i>E \u2013 Que objectivos tem este Gabinete de Estudos Pastorais? CA \u2013<\/i> Este Gabinete tem estado sem funcionar e tent\u00e1mos que funcionasse neste tri\u00e9nio, mas ainda n\u00e3o se conseguiu. Veremos que seguimento se d\u00e1, para criar uma equipa que possa fazer avan\u00e7ar este projecto, que \u00e9 muito importante.  <i>E \u2013 A ideia seria fazer an\u00e1lises nacionais, programas de conjunto? CA \u2013<\/i>  Sim e reflectir sobre algumas tem\u00e1ticas que preocupam, \u00e9 preciso algu\u00e9m que aprofunde os problemas pastorais para que depois se possam ter decis\u00f5es mais fundamentadas.  <b>Concordata em espera<\/b> <I>E \u2013 O processo de regulamenta\u00e7\u00e3o da Concordata, em passo lento, tem dificultado a presen\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica em determinados contextos? CA &#8211; <\/i>  Tem sido dif\u00edcil, porque a Concordata foi aprovada em 2004 e depois veio a mudan\u00e7a de Governo e, por isso, o processo come\u00e7ou outra vez, escolhendo pessoas, fazendo contactos, at\u00e9 que cada minist\u00e9rio implicado na regulamenta\u00e7\u00e3o estivesse consciente das dificuldades. Depois veio a presid\u00eancia portuguesa da UE, no segundo semestre do ano passado e tem havido muitas raz\u00f5es, por parte do governo, para atrasar constantemente essas decis\u00f5es. Dado que existe uma Lei da Liberdade Religiosa, alguns minist\u00e9rios esquecem que h\u00e1 uma Concordata e aplicam apenas essa Lei, como se ela fosse aplic\u00e1vel, que n\u00e3o \u00e9: a Lei da Liberdade Religiosa aplica-se \u00e0s confiss\u00f5es religiosas, mas n\u00e3o \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Tem havido algumas dificuldades e incompreens\u00f5es, mas foi-nos prometido que neste primeiro semestre esses assuntos seriam tratados.  <I>E \u2013 E \u00e9 vis\u00edvel esse trabalho em curso? CA &#8211; <\/i>  Sim, nalguns sectores h\u00e1 sinais de que vamos avan\u00e7ar. Relativamente \u00e0s Capelanias Hospitalares, que \u00e9 o mais sens\u00edvel, mesmo na comunica\u00e7\u00e3o social, foi o sector onde se avan\u00e7ou mais, h\u00e1 um regulamento praticamente aprovado, negociado com a Confer\u00eancia Episcopal, mas agora mudou o ministro. Esperemos que n\u00e3o atrase o processo, at\u00e9 porque o tipo de regulamento da sa\u00fade poder servir para outros lugares onde h\u00e1 assist\u00eancia religiosa.  <I>E \u2013 Neste processo, houve unidade por parte da Igreja? CA &#8211; <\/i> Penso que h\u00e1 sensibilidades diferentes, isso \u00e9 saud\u00e1vel, n\u00e3o sobre o papel da Igreja na sociedade, mas sobre a estrat\u00e9gia a utilizar no di\u00e1logo com o governo. Essas sensibilidades s\u00e3o coadas numa atitude \u00fanica, que \u00e9 assumida como a da Confer\u00eancia Episcopal.   <b>Igreja n\u00e3o perdeu referendo<\/b> <i>E \u2013 O resultado do referendo sobre o aborto foi uma derrota para a Igreja Cat\u00f3lica? CA \u2013<\/i>  Eu penso que \u00e9 uma derrota para os valores humanos se as pessoas n\u00e3o virem nessa lei apenas uma ajuda para situa\u00e7\u00f5es extremas. Houve um engano dos apoiantes do aborto, ao fazer passar para a comunica\u00e7\u00e3o social a ideia de que eram contra esta pr\u00e1tica, que o recurso ia ser muito limitado, que iria haver mecanismos que ajudariam as pessoas a pensar, isso depois n\u00e3o foi feito, o aborto foi facilitado como prev\u00edamos que fosse. Este momento foi muito importante porque houve muitos grupos, de todo o pa\u00eds \u2013 e isso foi novo \u2013 que se movimentaram em favor de uma causa, que n\u00e3o \u00e9 uma causa que d\u00ea votos, mas humanit\u00e1ria, do bem das pessoas, do defender a vida sem outros interesses,   <i>E \u2013 Que consequ\u00eancias tiraram daqui os respons\u00e1veis da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal? CA \u2013<\/i>  Mais uma vez, vimos que o sistema de valores que consideramos como o nosso corpo doutrinal n\u00e3o \u00e9 aquele que a maioria da sociedade portuguesa assume. H\u00e1 uma atitude de vida das pessoas que n\u00e3o segue uma conduta de valores crist\u00e3os. Verificarmos isso \u00e9 responsabilizador.  <i>E \u2013 E basta verificar? CA \u2013<\/i> Tamb\u00e9m aqui a Confer\u00eancia Episcopal ajuda a pensar. Hoje o grande repto que \u00e9 feito \u00e0 Igreja, nesta fase do p\u00f3s-moderno, \u00e9 perceber quais s\u00e3o os desafios que se colocam \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o: se n\u00f3s continuarmos a pedir \u00e0s pessoas comportamentos que elas n\u00e3o vivem no concreto da sua exist\u00eancia, se a prega\u00e7\u00e3o passa por cima das cabe\u00e7as e sai pela porta do fundo da igreja ou se h\u00e1, de facto uma convers\u00e3o de crit\u00e9rios. Isto obriga a pensar e repensar o nosso estilo de evangeliza\u00e7\u00e3o, o que nos leva de novo ao que nos pediu Bento XVI e \u00e0 quest\u00e3o da transmiss\u00e3o f\u00e9. Os grandes temas \u2013 a fam\u00edlia, a sexualidade, a democracia \u2013 s\u00e3o vistos pela Igreja ainda com alguns crit\u00e9rios baseados numa filosofia neotomista, que n\u00e3o colam com uma mentalidade p\u00f3s-moderna. \u00c9 preciso entrar nesta linguagem, com aquilo que \u00e9 o nosso sistema de valores, para usarmos o m\u00e9todo que ponha as pessoas a pensar.  <i> (Esta entrevista ser\u00e1 transmitida no Programa Ecclesia desta Segunda-feira, 31 de Mar\u00e7o, pelas 18h30, na RTP2)<\/i>  <B>Dossier AE<\/B> <a href=\"dossier.asp?dossierid=81\">\u2022 Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/a>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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