{"id":310214,"date":"2024-01-10T11:37:22","date_gmt":"2024-01-10T11:37:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=310214"},"modified":"2024-01-10T11:37:46","modified_gmt":"2024-01-10T11:37:46","slug":"cibercultura-ondas-de-calor-e-frio-interiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-ondas-de-calor-e-frio-interiores\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; Ondas de calor e frio interiores"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Numa noite fria de outono, enquanto jovens, aproxim\u00e1mo-nos das velas junto \u00e0 capelinhas das apari\u00e7\u00f5es no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, como fizemos tantas vezes. Acendiamos a velas apagadas para manter a chama acesa e o calor que daquele lugar emana e aquece o corpo e o esp\u00edrito. Naquele lugar onde tantas pessoas deixavam a sua inten\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o, gerava-se uma onda de calor espiritual. Com o alvor de 2024 ser\u00e1 poss\u00edvel que se gere, literalmente, uma onda de calor que pode durar uma era da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_310215\" aria-describedby=\"caption-attachment-310215\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-310215 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/globaljja_gis_2023.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/globaljja_gis_2023.jpg 720w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/globaljja_gis_2023-400x217.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-310215\" class=\"wp-caption-text\">Imagem do NASA Earth Observatory por Lauren Dauphin, baseda em dados do NASA\u2019s Goddard Institute for Space Studies.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Carlo Buontempo, director do Servi\u00e7o Cop\u00e9rnico para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas da Uni\u00e3o Europeia <a href=\"https:\/\/nationalpost.com\/news\/earth-shattered-global-heat-record-in-2023\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">afirmou<\/a> numa recente confer\u00eancia de imprensa que \u2014 <em>\u00abSimplesmente n\u00e3o havia cidades, livros, agricultura ou animais domesticados neste planeta da \u00faltima vez que a temperatura estava t\u00e3o alta.\u00bb<\/em> \u2014 O ano de 2023 parece ter sido o mais quente dos \u00faltimos 100 000 anos. No oceanos, a acumula\u00e7\u00e3o de calor acelera e cresce exponencialmente como reportado num <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-023-42468-z.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a> de Outubro de 2023 na <em>Nature Communications<\/em>. E quanto mais energia acumulamos, mais ser\u00e1 a que se liberta em fen\u00f3menos clim\u00e1ticos intensos como furac\u00f5es. Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-023-49353-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a> de dezembro de 2023 na <em>Scientific Reports<\/em> atribui o in\u00edcio da acelera\u00e7\u00e3o nesta acumula\u00e7\u00e3o de energia aos anos 1960, mas n\u00e3o conseguiu ainda encontrar uma explica\u00e7\u00e3o. A incerteza paira no ar ao mesmo tempo que os efeitos. Como nos podemos preparar interiormente para o calor que se avizinha em 2024?<\/p>\n<p>As ondas de calor extremas podem levar a um aumento do <em>stress<\/em> e da ansiedade, influenciando a forma como as pessoas trabalham, descansam e at\u00e9 rezam. As Igrejas s\u00e3o locais habitualmente frescos pelo tipo de constru\u00e7\u00e3o, e lidar com o calor ir\u00e1 exigir da nossa parte uma maior resili\u00eancia interior para lidar com a incapacidade do corpo arrefecer como precisaria. Veremos um crescente n\u00famero de pessoas a entrar nas Igrejas para refrescar e (quem sabe) rezar?<\/p>\n<p>Os fen\u00f3menos naturais foram muitas vezes interpretados como sinais ligados \u00e0 pr\u00e1tica espiritual, mas diante de uma onda de calor, o pensamento voltar-se-\u00e1 para o inferno. Ser\u00e1 necess\u00e1rio estarmos cientes de que tudo o que viermos a viver e sofrer n\u00e3o tem qualquer \u201cdedo de Deus\u201d, sen\u00e3o na intelig\u00eancia espiritual com que seremos chamados a lidar com cada situa\u00e7\u00e3o. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o seu impacto na vida concreta das pessoas podem inspirar-nos a uma reflex\u00e3o mais profunda sobre a rela\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s e a natureza, crescendo a consci\u00eancia ecol\u00f3gica e espiritual de como tudo est\u00e1 realmente ligado.<\/p>\n<p>Se ar aquece e nos custa respirar; se o calor se faz sentir e torna-se inevit\u00e1vel o desconforto de transpirar; a um dado momento ser\u00e1 natural que o corpo na \u00e2nsia de sobreviver fa\u00e7a tudo menos deixar que a experi\u00eancia espiritual oriente o nosso agir. E o mesmo podemos sentir com as ondas de frio.<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S2542-5196(23)00104-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">meta-an\u00e1lise<\/a> de Julho de 2023 confirmava a rela\u00e7\u00e3o existente entre a temperatura do ambiente exterior e a sa\u00fade mental. E se n\u00e3o h\u00e1 corpo que n\u00e3o seja esp\u00edrito, nem esp\u00edrito que n\u00e3o seja corpo, a sa\u00fade mental faz parte do corpo-esp\u00edrito que ser\u00e1 afectado. A dimens\u00e3o espiritual da natureza humana coloca o modo como enfrentamos a realidade num plano existencial que pode levar-nos a encontrar a paz necess\u00e1ria para nos adaptarmos ao que se avizinha. Por isso, qualquer superficializa\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia da nossa dimens\u00e3o espiritual pode levar ao sofrimento at\u00e9 do corpo. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o corpo que precisa de ser preparado, mas tamb\u00e9m o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Durante o COP28 tivemos uma demonstra\u00e7\u00e3o de como aqueles que t\u00eam recursos n\u00e3o estar\u00e3o muito preocupados a preparar a sua dimens\u00e3o espiritual para lidar melhor com a exig\u00eancia corporal que o calor far\u00e1 sentir. Basta-lhes ligar o ar condicionado. N\u00e3o importa quanta energia ter\u00e3o de consumir para climatizar os espa\u00e7os onde habitam, trabalham e convivem, nem importa o quanto tiverem de poluir para isso. Por outro lado, nos dias de frio que se aproximam com a <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2024\/01\/07\/a-massa-de-ar-gelado-da-escandinavia-chega-a-portugal-a-meio-da-semana-noites-de-7oc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">frente fria proveniente da escandin\u00e1via<\/a>, far\u00e1 sentido reflectir sobre as ondas de calor nesta fase? N\u00e3o vale por dois aquele que se previne?<\/p>\n<p>A vida espiritual trabalha interiormente a capacidade de sairmos de n\u00f3s mesmos para estarmos mais atentos aos outros e ao mundo que nos rodeia. O arco de ac\u00e7\u00e3o dessa vida n\u00e3o se sujeita \u00e0s necessidades ou experi\u00eancias do momento, mas procura o fio de ouro que une todas as coisas. E n\u00e3o \u00e9 tanto pelo prevenir como o melhor rem\u00e9dio que vale a pensar em ficar alerta para as dificuldades que iremos sentir na pele. A vida espiritual extrai-nos da vida superficial de quem vive ao sabor das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>A frente fria poder\u00e1 dificultar a experi\u00eancia de outros ao quererem, como eu quando jovem, manter viva a experi\u00eancia de reacender as velas do santu\u00e1rio, mas o <em>desinteresse<\/em> por estes e outros assuntos que levaram o papa Francisco a escrever a <em>Laudate Deum<\/em>, apesar da clareza da <em>Laudato Si\u2019<\/em>, poder\u00e1 torna-se numa frente fria do cora\u00e7\u00e3o e da vida espiritual, mais dif\u00edcil de resolver porque n\u00e3o se v\u00ea, nem se sente. Um dos prop\u00f3sitos para 2024 poderia ser este: manter o cora\u00e7\u00e3o quente na noite fria do desinteresse, e a cabe\u00e7a fria na onda de calor do <em>stress<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-310214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310214\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}