{"id":309902,"date":"2024-01-08T13:12:22","date_gmt":"2024-01-08T13:12:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=309902"},"modified":"2024-01-08T18:03:43","modified_gmt":"2024-01-08T18:03:43","slug":"a-forca-da-esperanca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-forca-da-esperanca-2\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a da esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-152027\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vivemos tempos de grande incerteza. Precisamos de cultivar a esperan\u00e7a, um sentimento positivo que nos faz acreditar no futuro e nos motiva para agir com persist\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o dos nossos projetos, enfrentando as inevit\u00e1veis adversidades.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a no futuro d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia e torna mais suport\u00e1vel o sofrimento. \u00c9 uma for\u00e7a interior com impacto na prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e mental, na conquista do sucesso, no aperfei\u00e7oamento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano.<\/p>\n<p>Como cultivar a esperan\u00e7a?<\/p>\n<h4><strong>Ser realista \u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Vitamina da alma, a esperan\u00e7a est\u00e1 ligada ao otimismo realista e consciente. Com esperan\u00e7a ativa, fazemos o que est\u00e1 ao nosso alcance. Esperamos o melhor, preparados para o pior. Se as coisas correm bem, celebramos o sucesso. Se correm mal, n\u00e3o inventamos justifica\u00e7\u00f5es nem atribu\u00edmos culpas aos outros. Assumimos a responsabilidade pela nossa vida pessoal e social, aprendemos com os erros e aceitamos com serenidade os acontecimentos que n\u00e3o podemos controlar (por exemplo, doen\u00e7as, acidentes e perdas).<\/p>\n<p>\u00c9 um erro confundir a esperan\u00e7a com o otimismo excessivo e ing\u00e9nuo de quem v\u00ea apenas os aspetos positivos da realidade e fica \u00e0 espera do futuro, passivamente, de bra\u00e7os cruzados: \u201cVai correr tudo bem.\u201d Quando algu\u00e9m confia demasiado na sorte e n\u00e3o faz esfor\u00e7o para que o melhor aconte\u00e7a, deixa de ser protagonista do seu destino. Vive numa ilus\u00e3o!<\/p>\n<p>Pior \u00e9 o pessimismo radical. Com esta atitude negativa sobre a vida, algumas pessoas acreditam que o futuro est\u00e1 fora do seu controlo e antecipam desgra\u00e7as: \u201cVai correr tudo mal.\u201d \u201cN\u00e3o vale a pena o esfor\u00e7o.\u201d Assim, alimentam o c\u00edrculo vicioso da desesperan\u00e7a: quanto menos esperam, menos esfor\u00e7o fazem; quanto menos esfor\u00e7o fazem, menos esperam. A tend\u00eancia \u00e9 desanimar e desistir.<\/p>\n<p>H\u00e1, de facto, situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, que geram tristeza, ansiedade, ang\u00fastia e medo do futuro. Em casos extremos, sobretudo entre os jovens que sofrem sem sentido, a desesperan\u00e7a pode conduzir \u00e0 depress\u00e3o e ao suic\u00eddio. Quando se perde a esperan\u00e7a, a vida torna-se um inferno!<\/p>\n<p>Com realismo, mesmo em circunst\u00e2ncias adversas, \u00e9 poss\u00edvel cultivar a esperan\u00e7a ativa, verdadeiro ant\u00eddoto contra o medo. O futuro constr\u00f3i-se no presente, sem esquecer as li\u00e7\u00f5es do passado.<\/p>\n<h4><strong>Aprender com o passado<\/strong><\/h4>\n<p>Todos temos uma hist\u00f3ria pessoal, fruto das ra\u00edzes familiares e das experi\u00eancias vividas nas intera\u00e7\u00f5es sociais. Conhecer o nosso passado ajuda a compreender o que somos no presente e o que projetamos para o futuro.<\/p>\n<p>Faz-nos bem revisitar o passado, o caminho percorrido, desde que n\u00e3o nos tornemos prisioneiros de lembran\u00e7as tristes, que nos roubam a paz interior e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Se trazemos na mem\u00f3ria uma bagagem emocional pesada, sentimentos de culpa e vergonha pelos erros que cometemos ou sentimentos de \u00f3dio e desejo de vingan\u00e7a pelas ofensas que sofremos, precisamos de libertar-nos das amarras do passado. Umas vezes, serve um sincero pedido de desculpas a quem prejudic\u00e1mos; outras vezes, exige-se a capacidade de perdoar a quem nos ofendeu.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mudar o que aconteceu, mas podemos mudar a nossa perspetiva sobre o que aconteceu. O passado interessa pelo que nos ensina. Quando refletimos criticamente sobre as experi\u00eancias negativas, devemos focar-nos nas li\u00e7\u00f5es que aprendemos, para n\u00e3o repetirmos os erros do passado.<\/p>\n<p>Mais saud\u00e1vel \u00e9 recordar as experi\u00eancias positivas. Valorizar as boas mem\u00f3rias, dando mais aten\u00e7\u00e3o aos ganhos do que \u00e0s perdas, aumenta a nossa alegria e fortalece a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<h4><strong>Viver o presente<\/strong><\/h4>\n<p>A vida de cada um de n\u00f3s \u00e9 uma d\u00e1diva, um milagre. Nesta vida breve, onde nada est\u00e1 garantido, o passado j\u00e1 n\u00e3o volta e o futuro \u00e9 imprevis\u00edvel. Apenas temos o presente para viver. \u00c9 no presente que a vida acontece e cultivamos a esperan\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p>Hor\u00e1cio (65 a. C \u2013 8 a. C.), poeta e fil\u00f3sofo da Roma Antiga, deixou-nos um conselho s\u00e1bio: \u201c<em>carpe diem.\u201d<\/em> Esta express\u00e3o latina, que significa \u201caproveita o dia\u201d, convida-nos a viver o presente com intensidade. De corpo e alma. Sem pressa.<\/p>\n<p>Aproveitar bem o dia n\u00e3o significa o mesmo para todos. Somos pessoas \u00fanicas e vivemos em contextos diferentes. Mas, no essencial, \u00e9 dar prioridade ao que realmente importa, n\u00e3o apenas ao mais apetec\u00edvel. E sentir gratid\u00e3o pelas b\u00ean\u00e7\u00e3os que recebemos gratuitamente, em especial os gestos de amor incondicional da fam\u00edlia e dos amigos.<\/p>\n<p>O nosso futuro depende muito do que fazemos no presente. Neste sentido, o futuro come\u00e7a agora. Como seres livres e respons\u00e1veis, devemos fazer escolhas conscientes, o que implica, algumas vezes, a necessidade de renunciar aos prazeres imediatos e adiar gratifica\u00e7\u00f5es. Temos de agir bem hoje para que amanh\u00e3 seja melhor. E saber esperar com paci\u00eancia os frutos dos nossos atos.<\/p>\n<p>\u00c9 sensato agir com vis\u00e3o de futuro. Mas \u00e9 um erro desperdi\u00e7ar o tempo presente, prometendo a n\u00f3s mesmos viver intensamente mais tarde: \u201cQuando eu acabar o curso\u2026\u201d \u201cQuando eu encontrar um bom trabalho\u2026\u201d \u201cQuando eu tiver f\u00e9rias\u2026\u201d \u201cQuando eu tiver a minha casa\u2026\u201d \u201cQuando eu me casar\u2026\u201d \u201cQuando eu tiver filhos\u2026\u201d \u201cQuando os filhos crescerem\u2026\u201d \u201cQuando eu me reformar\u2026\u201d<\/p>\n<p>O melhor momento para procurar o sentido da vida e ser feliz \u00e9 hoje. Se n\u00e3o for hoje, quando ser\u00e1?<\/p>\n<h4><strong>Cuidar do futuro<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o sabendo o dia de amanh\u00e3, temos a responsabilidade de cultivar a esperan\u00e7a. Muitas vezes alicer\u00e7ada na f\u00e9, a esperan\u00e7a \u00e9 uma for\u00e7a espiritual, uma virtude poderosa para o futuro de cada um de n\u00f3s e para o futuro da humanidade. Quanto mais aut\u00eantica a f\u00e9, mais profunda a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi com esperan\u00e7a que grandes l\u00edderes como Mahatma Gandhi (1869-1948), Martin Luther King (1929-1968), Madre Teresa de Calcut\u00e1\u00a0 (1910-1997) e Nelson Mandela (1918-2013) deram a vida em defesa dos direitos humanos. \u00c9 verdade que n\u00e3o conseguiram tudo o que sonhavam. Mas, se eles n\u00e3o tivessem lutado com coragem pelos valores \u00e9ticos e religiosos em que acreditavam, certamente a humanidade estaria pior.<\/p>\n<p>Na atualidade, vemos amea\u00e7as graves \u00e0 vida futura: as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as injusti\u00e7as, a pobreza, a corrup\u00e7\u00e3o, a discrimina\u00e7\u00e3o, o \u00f3dio, a viol\u00eancia e as guerras. Felizmente, n\u00e3o faltam pessoas, comunidades e organiza\u00e7\u00f5es que combatem a ignor\u00e2ncia e a maldade, respeitando a dignidade humana. S\u00e3o sinais de esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>Em tempos de incerteza e desorienta\u00e7\u00e3o moral, todos somos desafiados a semear a esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o das pessoas com quem interagimos, ajudando-as a encontrar raz\u00f5es de viver e oferecendo-lhes gestos de empatia, compaix\u00e3o e solidariedade. Devemos cuidar de n\u00f3s mesmos e do pr\u00f3ximo. Ningu\u00e9m sobrevive sozinho.<\/p>\n<p>Quem tem mais poder, tem mais responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o dos caminhos para o futuro. Aos l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos exige-se que usem o di\u00e1logo sem preconceitos e unam esfor\u00e7os na prote\u00e7\u00e3o do planeta e na promo\u00e7\u00e3o de uma cultura de justi\u00e7a, fraternidade e paz. Aos educadores, pais e professores, pede-se que sejam modelos de esperan\u00e7a ativa para as novas gera\u00e7\u00f5es. Cultivar a esperan\u00e7a \u00e9 cuidar do futuro.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0Professor e Formador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-309902","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309902\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}