{"id":30971,"date":"2008-03-27T11:38:59","date_gmt":"2008-03-27T11:38:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/27\/conclusoes-da-jornada-interdiocesana-de-reflexao-sobre-a-prostituicao\/"},"modified":"2008-03-27T11:38:59","modified_gmt":"2008-03-27T11:38:59","slug":"conclusoes-da-jornada-interdiocesana-de-reflexao-sobre-a-prostituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-da-jornada-interdiocesana-de-reflexao-sobre-a-prostituicao\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es da Jornada Interdiocesana de Reflex\u00e3o sobre a Prostitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Jornada Interdiocesana de Reflex\u00e3o sobre a Prostitui\u00e7\u00e3o Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura Aveiro, 25 de Mar\u00e7o de 2008  <b>Promo\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o<\/b> C\u00e1ritas Diocesanas de Aveiro, Coimbra, Guarda, Lamego, Leiria\/F\u00e1tima, Viseu e C\u00e1ritas Portuguesa Cerca de 80 participantes.  <b>Interven\u00e7\u00f5es<\/b> Manh\u00e3: R. Padre Adriano (C\u00e1ritas de Lamego); Eng. Celestino Almeida (director do Centro Regional da Seguran\u00e7a Social de Aveiro); R. Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves (Vig\u00e1rio para a Pastoral Geral da Diocese de Aveiro); Professor Eug\u00e9nio Fonseca (presidente de C\u00e1ritas Portuguesa); Rdm\u00ba Bispo D. Ant\u00f3nio Francisco (Bispo de Aveiro); Dr\u00aa In\u00eas Fontinha (presidente da Associa\u00e7\u00e3o O Ninho); e Dr. Fernando Bessa Ribeiro (docente da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro). Tarde: Irm\u00e3 Nazar\u00e9 (Lar do Divino Salvador &#8211; \u00cdlhavo); Dr\u00aa Lect\u00edcia (Projecto RIA \u2013 Rede de Interven\u00e7\u00e3o de Aveiro); Ir. Martinha e Dr\u00aa M\u00f3nica (Irm\u00e3s Adoradoras); Dr\u00aa Cl\u00e1udia Dias (C\u00e1ritas Diocesana de Coimbra); Dr\u00aa Lisete (pelas C\u00e1ritas de Aveiro, Guarda, Lamego, Leira\/F\u00e1tima e Viseu). Conclus\u00e3o: R. Padre Adriano, Dr. Cap\u00e3o Filipe (vereador da Ac\u00e7\u00e3o Social da CM Aveiro), R. Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves e Professor Eug\u00e9nio Fonseca.  <b>Comunicado final<\/b> Durante a manh\u00e3 e a tarde de hoje foi-nos descrito um mundo onde a dignidade humana \u00e9 desvalorizada. \u201cH\u00e1 mulheres que vendem o seu corpo e a sua vontade\u201d; h\u00e1 homens que compram prazer e corpo, pagando com dinheiro, viol\u00eancia e aus\u00eancia de sentimentos; h\u00e1 pessoas que ganham com este triste neg\u00f3cio. Foram-nos descritos alguns aspectos deste mundo, foram-nos revelados alguns n\u00fameros, foram-nos deixados muitos apelos e convic\u00e7\u00f5es, foram partilhadas alguns esfor\u00e7os e solu\u00e7\u00f5es.  <b>O mundo da prostitui\u00e7\u00e3o e os n\u00fameros:<\/b> Das comunica\u00e7\u00f5es apresentadas, a mis\u00e9ria surge como principal causa da chegada \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Mesmo a prostitui\u00e7\u00e3o que parece de luxo serve-se de mulheres economicamente d\u00e9beis que, para se adaptarem ao mercado, parecem de classe alta. Mas a esta causa temos de acrescentar um factor determinante, a baixa auto-estima, que \u00e9 comum a todas as mulheres que vivem na prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma mulher que me tenha dito que gosta de ser prostituta\u201d (disse In\u00eas Fontinha). A viola\u00e7\u00e3o numa fase precoce da vida parece igualmente estar associada \u00e0 debilidade que leva \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, embora a viola\u00e7\u00e3o seja tamb\u00e9m uma arma para tornar d\u00e9bil a mulher \u00e0s m\u00e3os do proxeneta.  <b>Alguns n\u00fameros que devem prender a nossa aten\u00e7\u00e3o:<\/b> &#8211; 60% das mulheres estrangeiras em Portugal e Espanha que trabalham na prostitui\u00e7\u00e3o na zona fronteiri\u00e7a do norte do Pa\u00eds (sobre a qual incidiu o estudo apresentado por Fernando Bessa Ribeiro) fazem-no com conhecimento pr\u00e9vio. Entraram em Portugal com essa inten\u00e7\u00e3o. \u201cNingu\u00e9m me enganou\u201d. A maior parte viaja a cr\u00e9dito. Algu\u00e9m as financia: redes formais ou informais (fam\u00edlia, amigos, vizinhos). Viajam como turistas, mas ao fim de tr\u00eas meses caem na situa\u00e7\u00e3o de imigrantes ilegais \u2013 situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria que as coloca na depend\u00eancia. Podem ganhar 2000 a 3000 euros por m\u00eas.  <b>A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio<\/b> Para l\u00e1 da grande causa econ\u00f3mica (mis\u00e9ria, associada \u00e0 baixa auto-estima), h\u00e1 um neg\u00f3cio interessado na prostitui\u00e7\u00e3o. Neg\u00f3cio, aqui, quer dizer: dinheiro. Interessa a este neg\u00f3cio que as mulheres que se prostituem pare\u00e7am provenientes de todas as classes, ainda que n\u00e3o seja. As prostitutas s\u00e3o maioritariamente de classe baixa, mesmo que vistam adere\u00e7os e frequentem locais da classe alta. A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um mercado. Como tal, a oferta adapta-se \u00e0 procura. O fen\u00f3meno das \u201cjovens universit\u00e1rias\u201d dos an\u00fancios dos jornais e das reportagens da TV deve ser lido neste contexto. N\u00e3o ser\u00e3o tantas como se diz, mas conv\u00e9m que se diga que s\u00e3o muitas para atrair clientes e fazer passar uma ideia de banaliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 actrizes pagas (filmadas sem revelar a identidade) para dizerem que s\u00e3o estudantes. E os n\u00fameros que aparecem nos jornais conduzem a ag\u00eancias que reencaminham para mulheres que desempenham o papel de universit\u00e1rias.  <b>As ajudas concretas \u00e0 mulher que se prostitui devem passar por uma actua\u00e7\u00e3o:<\/b> &#8211; que despenalize a prostitui\u00e7\u00e3o (j\u00e1 vivemos numa sociedade abolicionista), mas incida na procura (cliente) e no aproveitamento de terceiros (lenoc\u00ednio); &#8211; de ajuda simultaneamente sanit\u00e1ria (DST), de apoio psico-social, de apoio jur\u00eddico (por exemplo, nos casos ilegalidade), de levar \u00e0 consci\u00eancia dos seus direitos e deveres; &#8211; a longo prazo. Esta ajuda pode ser demorada: s\u00f3 ao fim de cerca um ano a mulher poder\u00e1 sentir-se com a confian\u00e7a  suficiente para finalmente partilhar os seus problemas e ansiedades \u2013 como v\u00e1rios testemunhos \u201cno terreno\u201d revelaram; &#8211; de promo\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o. Esta ajuda passa pela forma\u00e7\u00e3o profissional: a mulher pode deixar de ganhar 3000 euros e passar a ganhar o ordenado m\u00ednimo se gostar de si pr\u00f3pria. \u201cQuem gosta de si pr\u00f3pria n\u00e3o se prostitui\u201d, como transmitiu In\u00eas Fontinha; &#8211; de trabalho em rede: Igreja, IPSS, autarquias, Seguran\u00e7a Social (o que j\u00e1 vai sendo feito; identifica\u00e7\u00e3o dos organismos que trabalham na \u00e1rea e estabelecimento de parcerias; &#8211; de divulga\u00e7\u00e3o das boas pr\u00e1ticas; &#8211; de den\u00fancia dos \u201cclientes\u201d e dos proxenetas; &#8211; de press\u00e3o na Seguran\u00e7a Social para que surja um adequado enquadramento para os projectos que incidem nesta \u00e1rea. A Seguran\u00e7a Social enquadra-os sempre nas \u201ccomunidades de inser\u00e7\u00e3o\u201d, quando n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 disso que se trata. N\u00e3o h\u00e1 figura ou nomenclatura pr\u00f3pria para os projectos sociais que incidam sobre o campo espec\u00edfico da prostitui\u00e7\u00e3o.  <b>Ac\u00e7\u00f5es desenvolvidas<\/b> No encontro, foram partilhadas experi\u00eancias concretas de trabalho com \u201cmulheres da rua\u201d. Em Albergaria-a-Velha, uma equipa Diocesana, liderada pelo R. Di\u00e1cono Reinaldo Barnab\u00e9 e da qual entre outros faz parte a Ir. Nazar\u00e9, visita cerca de uma d\u00fazia de prostitutas (Projecto M\u00e3os Solid\u00e1rias), na zona de Albergaria-a-Velha. Esta ac\u00e7\u00e3o consiste basicamente no acompanhamento, no travar amizade para que a m\u00e9dio ou longo prazo a mulher saia da rua. Os resultados raramente s\u00e3o imediatos. Em Aveiro, o Projecto RIA (parceria de 64 entidades) tem uma unidade m\u00f3vel de apoio nas freguesias de Cacia, Esgueira e Vera Cruz. Apoia 22 pessoas (cinco s\u00e3o homens). Em Coimbra, as Irm\u00e3s Adoradoras (congrega\u00e7\u00e3o fundada em Espanha com a finalidade de acolher mulheres da prostitui\u00e7\u00e3o) t\u00eam um centro de atendimento e a Casa N.\u00aa Sr.\u00aa da Paz. Em 17 anos apoiaram 300 mulheres. D\u00e3o especial relevo \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um \u201cnovo projecto de vida\u201d. Ainda em Coimbra, a C\u00e1ritas Diocesana oferece um Centro Comunit\u00e1rio de Reinser\u00e7\u00e3o, que acompanha v\u00e1rias mulheres em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o. De entre os v\u00e1rios servi\u00e7os destaca-se a empresa de reinser\u00e7\u00e3o e o acompanhamento ap\u00f3s a sa\u00edda da empresa.  <b>Convic\u00e7\u00f5es finais<\/b> Do encontro de Aveiro ficaram estas convic\u00e7\u00f5es: &#8211; \u201cn\u00e3o podemos olhar para o lado perante esta quest\u00e3o\u201d; &#8211; \u201ceste problema exige solidariedade\u201d \u2013 a rela\u00e7\u00e3o de compromisso que cada um tem com o grupo e a sociedade em que vive; &#8211; \u201ctemos de estar presentes neste mundo que precisa de salva\u00e7\u00e3o\u201d; &#8211; \u201ceste campo \u00e9 de claro desrespeito pelos direitos humanos e pela dignidade da mulher\u201d &#8211; \u201cas repostas devem surgir nas sendas da pedagogia do evangelho, num paradigma de respeito, lucidez, efic\u00e1cia e esperan\u00e7a\u201d; &#8211; \u201ca Doutrina Social da Igreja deve inspirar um tempo novo\u201d &#8211; \u201c\u00e0s redes de explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e neg\u00f3cio temos de contrapor uma rede de esperan\u00e7a\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornada Interdiocesana de Reflex\u00e3o sobre a Prostitui\u00e7\u00e3o Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura Aveiro, 25 de Mar\u00e7o de 2008 Promo\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o C\u00e1ritas Diocesanas de Aveiro, Coimbra, Guarda, Lamego, Leiria\/F\u00e1tima, Viseu e C\u00e1ritas Portuguesa Cerca de 80 participantes. 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