{"id":309515,"date":"2024-01-08T09:12:14","date_gmt":"2024-01-08T09:12:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=309515"},"modified":"2024-01-08T13:14:21","modified_gmt":"2024-01-08T13:14:21","slug":"lusofonias-festa-da-virada-em-tarauaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-festa-da-virada-em-tarauaca\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Festa da \u2018Virada\u2019 em Tarauac\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves em Tarauac\u00e1<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-309525 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lusofonias-Tarauaca24.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Com um calor de esturricar e chuvas torrenciais de levar tudo na frente, deixei o Cruzeiro do Sul e rumei a Tarauac\u00e1, para uns 220 kms, pela famosa BR-364, que come\u00e7a aqui no Acre, junto ao Peru, e cruza o pa\u00eds todo, at\u00e9 \u00e0s portas de S. Paulo.<\/p>\n<p>Pelo caminho, mais ou menos esburacado, o P. Stephen, ganense, foi-me apresentando as muitas comunidades cat\u00f3licas situadas ao longo desta estrada, transit\u00e1vel desde 2009. At\u00e9 ao grande Rio Liberdade (mais de 100 kms do Cruzeiro), \u00e9 a \u00e1rea mission\u00e1ria confiada ao P. In\u00e1cio Sangueve, que ma mostrou numa visita rel\u00e2mpago a algumas das 30 comunidades, muitas delas situadas dentro da floresta, ao longo dos rios e igarap\u00e9s. Atravessamos algumas aldeias ind\u00edgenas que, por lei, n\u00e3o podem ser invadidas. Passamos por v\u00e1rios grandes rios: Liberdade, Tauari, Greg\u00f3rio, at\u00e9 chegarmos \u00e0 cidade de Tarauac\u00e1, plantada na margem do rio com o mesmo nome, nascida da extra\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio da borracha. A estrada, que pode trazer imprevistos, desde assaltos a acidentes graves, brindou-nos com uma paragem for\u00e7ada pela pol\u00edcia militar que nos identificou, obrigou a sair do carro, controlou bagagens e viatura, fez muitas perguntas (s\u00e3o quem, v\u00e3o para onde, fazer o qu\u00ea, levam a\u00ed o qu\u00ea?)\u2026 A Pol\u00edcia deve controlar o muito tr\u00e1fico de droga nesta regi\u00e3o que faz fronteira florestal com o Peru e a Bol\u00edvia. Finalmente, deixaram-nos continuar a viagem!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as aldeias ind\u00edgenas, em floresta tropical densa, entramos numa ampla regi\u00e3o desmatada, cheia de cria\u00e7\u00e3o de gado, com bois que vemos em longas extens\u00f5es de floresta abatida. Embora proibidas por lei, a destrui\u00e7\u00e3o da floresta e as queimadas s\u00e3o frequentes, pois criam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o intensiva de gado bovino.<\/p>\n<p>Chegados meios mo\u00eddos a Tarauac\u00e1, fomos recebidos pelos Padres Sylvester e Afonso, Espiritanos respons\u00e1veis por dezenas de comunidades espalhadas por centenas de kms! Basta saber que o munic\u00edpio de Jord\u00e3o fica a v\u00e1rios dias de barco ou \u2013 como optaram os Padres \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio tomar um avi\u00e3o, cuja passagem tem pre\u00e7os proibitivos. Os padres v\u00e3o l\u00e1 diversas vezes por ano, ficando uma semana ou mesmo um m\u00eas a visitar uma popula\u00e7\u00e3o espalhada pelos rios e florestas.<\/p>\n<p>Pude fazer diversas visitas na regi\u00e3o, indo at\u00e9 Feij\u00f3, a \u2018capital do a\u00e7a\u00ed\u2019, a uns 45 kms, evangelizada pelos Espiritanos e agora confiada a Mission\u00e1rios Redentoristas.<\/p>\n<p>Celebrei em diversas Capelas e, claro, na Igreja Paroquial. O povo \u00e9 numeroso, as Igrejas s\u00e3o grandes e est\u00e3o muito bem conservadas, o que mostra bem a f\u00e9 do povo e o zelo pela miss\u00e3o. Pude, com o P. Sylvester, P\u00e1roco, visitar alguns dos bairros, tendo-me marcado o Bairro da Praia, junto ao rio, constru\u00eddo de madeira, onde se percebe que a pobreza \u00e9 grande. Ali se faz um trabalho social muito intenso. Mas o \u00e1lcool, a droga, o desemprego est\u00e3o a destruir muitas vidas e fam\u00edlias, aumentando o \u00edndice de criminalidade e inseguran\u00e7a para as popula\u00e7\u00f5es da cidade e seus bairros. Sem esta BR-364, todo o Acre estava isolado do resto do mundo, um pouco \u00e0 merc\u00ea de quem governa, pol\u00edtica ou economicamente.<\/p>\n<p>Marcaram-me muito algumas visitas que fiz. O sr. Francisco Tom\u00e1s, com 92 anos e 62 de matrim\u00f3nio, chegou \u00e0 cidade em 1947, no per\u00edodo \u00e1ureo da extra\u00e7\u00e3o da borracha. O trabalho de seringueiro e comerciante, permitiu-lhe singrar na vida, construir a sua fam\u00edlia e por c\u00e1 ainda continuar feliz, muito comprometido com a Igreja. Falou das disputas antigas entre o Brasil, a Bol\u00edvia e o Peru pela propriedade das terras. Partilhou a vida dura dos que trabalhavam na floresta nos seringais. Tamb\u00e9m fiquei feliz com o encontro com a Prof. Francisca Arag\u00e3o, nascida h\u00e1 81 anos num seringal. Apoiada pelos padres, estudaria e viria a exercer altos cargos no mundo da Educa\u00e7\u00e3o. Conhece muito bem a hist\u00f3ria deste povo e da Igreja, muito marcada pela presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o pastoral e social dos Espiritanos. Cat\u00f3lica muito convicta, continua empenhada na Igreja como coordenadora dos ministros da Eucaristia e Ministra da Palavra. Contou a hist\u00f3ria desta terra e desta Igreja, com luzes e sombras, mas muito compromisso mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tarauac\u00e1 \u00e9 a \u2018capital do abacaxi\u2019, uma cidade viva, sempre em festa, com muita gente a andar de bicicleta. Este esp\u00edrito alegre expressa-se nas celebra\u00e7\u00f5es na Igreja, mas percebe-se nas visitas \u00e0s fam\u00edlias e nos tempos de encontro. Pude aqui viver a \u2018Virada\u2019 de 2023 para 2024, ou seja, a Passagem de Ano. Houve Missa de casa cheia na Matriz \u00e0s 19h e, depois, em todas as pra\u00e7as, ruas e casas, foi festa e foguet\u00f3rio at\u00e9 de manh\u00e3. Houve excessos, como em todo o lado, mas gostei de passar por alguns destes espa\u00e7os e ver as pessoas em feliz confraterniza\u00e7\u00e3o, confiando que o ano agora iniciado trar\u00e1 sa\u00fade, paz, justi\u00e7a, trabalho, uni\u00e3o, f\u00e9 mais profunda. Foram estes os votos que mais ouvi desejar e que fa\u00e7o meus.<\/p>\n<p>Que 2024 seja um ano feliz, comprometido, inspirado.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Festa da \u2018Virada\u2019 em Tarauac\u00e1\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2MdrMJBUCm6tssuUbPB3JN?si=UFoIwl8MSguTLpyCBWwBpw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves em Tarauac\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-309515","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309515\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}