{"id":309046,"date":"2023-12-31T09:30:35","date_gmt":"2023-12-31T09:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=309046"},"modified":"2023-12-29T13:03:50","modified_gmt":"2023-12-29T13:03:50","slug":"protecao-de-menores-igreja-esta-disponivel-para-ajudar-a-refazer-ou-a-reparar-d-virgilio-antunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/protecao-de-menores-igreja-esta-disponivel-para-ajudar-a-refazer-ou-a-reparar-d-virgilio-antunes\/","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o de Menores: \u00abIgreja est\u00e1 dispon\u00edvel para ajudar a refazer ou a reparar\u00bb &#8211; D. Virg\u00edlio Antunes"},"content":{"rendered":"<p><em>No \u00faltimo dia do ano, passamos em revista 2023 e perspetivamos 2024 com a ajuda do bispo de Coimbra e vice-presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, o convidado deste domingo da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_302459\" aria-describedby=\"caption-attachment-302459\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-302459 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Virgilio-Antunes_Sinodo-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-302459\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ricardo Perna<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo<\/em><\/p>\n<p><em>Em v\u00e9speras do Dia Mundial da Paz, vemos que 2023 termina sem qualquer perspetiva de paz, infelizmente, tanto na Ucr\u00e2nia como na faixa de Gaza. O Papa Francisco tem sido incans\u00e1vel nos apelos a uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. Que mais \u00e9 que podemos esperar da Igreja na busca destas solu\u00e7\u00f5es de paz?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De facto, \u00e9 uma desumanidade grande aquilo que est\u00e1 a acontecer. N\u00f3s, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o t\u00ednhamos mem\u00f3ria de uma viol\u00eancia t\u00e3o grande como aquela a que estamos a assistir neste momento. E a Igreja pode fazer alguma coisa, evidentemente, sobretudo pela sua voz, que felizmente tem levantado para chamar \u00e0 raz\u00e3o, digo \u00e0 raz\u00e3o, os homens e mulheres do nosso tempo e para que vejamos todos aquilo que s\u00e3o os horrores da guerra. Tamb\u00e9m, a Santa S\u00e9 procura fazer a sua diplomacia, que nem sempre \u00e9 vis\u00edvel aos olhos do p\u00fablico em geral, mas que existe e que procura trabalhar dentro daquilo que s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es e as possibilidades ao seu dispor.<\/p>\n<p>A voz do Papa Francisco \u00e9 efetivamente uma voz forte, que semana ap\u00f3s semana, quase dia ap\u00f3s dia, n\u00e3o deixa de referir os horrores da guerra, sejam eles onde forem, mas concretamente agora nestes dois focos, que t\u00eam uma mediatiza\u00e7\u00e3o maior, como \u00e9 o caso da Ucr\u00e2nia e como \u00e9 o caso da Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>E a voz do Papa \u00e9 importante e ele tem-na feito ouvir, porque procura chamar as pessoas \u00e0 raz\u00e3o e tem por detr\u00e1s, evidentemente, algumas perspetivas \u00e9ticas que s\u00e3o essenciais para que a humanidade possa viver em paz. E sem \u00e9tica e sem algumas perspetivas fortes e bem enraizadas na vida das pessoas e dos Estados e dos povos, de facto, continuaremos a ter este grande problema das guerras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O ano que passou ficou marcado pela primeira sess\u00e3o da Assembleia do S\u00ednodo, que vai prosseguir em outubro de 2024.\u00a0Que expectativas tem para este caminho?\u00a0 Iremos sentir muito a press\u00e3o causada pela, n\u00e3o sei se posso diz\u00ea-lo desta forma, e n\u00e3o sei se \u00e9 artificial, divis\u00e3o entre conservadores e progressistas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O S\u00ednodo tem muito para dar, tem muito para dar \u00e0 Igreja, at\u00e9 porque \u00e9 pela primeira vez, como n\u00f3s sabemos, que a Igreja abre absolutamente as suas portas para ouvir a voz de todos aqueles que dentro da Igreja, nas periferias da Igreja ou mesmo fora da Igreja acham que, em consci\u00eancia e num desejo construtivo, t\u00eam alguma coisa a dizer acerca do modo como a Igreja pode estar, deve estar presente no mundo em que n\u00f3s vivemos. \u00a0como a Igreja pode tamb\u00e9m organizar-se, por assim dizer, interiormente para realizar bem a sua miss\u00e3o, que \u00e9 evidente, \u00e9 sempre uma miss\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o e, portanto, do an\u00fancio da Boa Nova do Evangelho, a todos os povos da Terra.<\/p>\n<p>Podemos esperar, penso, muito do S\u00ednodo, embora algumas pessoas podem ficar desiludidas porque algumas quest\u00f5es mais medi\u00e1ticas e que est\u00e3o na agenda, por assim dizer, de grupos de pessoas &#8211; tanto dentro como fora da Igreja &#8211; podem n\u00e3o ter aquelas sa\u00eddas que eram desejadas ou esperadas por muitas pessoas. Mas penso que, \u00e0 parte disso, e de facto uma certa divis\u00e3o que se nota, n\u00e3o como fruto\u00a0do S\u00ednodo, mas uma certa divis\u00e3o dentro da Igreja e das comunidades crist\u00e3s, com essas caracteriza\u00e7\u00f5es que n\u00f3s podemos dar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E pode acentuar-se essa divis\u00e3,o com o decorrer dos trabalhos? <\/em><\/p>\n<p>Eu penso que o S\u00ednodo s\u00f3 dever\u00e1 ser objeto de um consenso alargado, de uma comunh\u00e3o maior, de um encontro de pessoas, de um debate tamb\u00e9m de algumas perspetivas, mas de uma aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas. \u00c9 para isso que serve um S\u00ednodo. Um S\u00ednodo nunca pode servir para dividir mais as pessoas, embora, de facto, o esp\u00edrito do mal \u00e0s vezes vai reaparecendo e vai sendo foco de divis\u00e3o aqui e ali.<\/p>\n<p>Mas o objetivo do S\u00ednodo, e \u00e9 isso que eu espero verdadeiramente, \u00e9 que seja de unir pessoas e de unir a Igreja, a Igreja de Cristo, na fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua miss\u00e3o, embora seja que saiba que isso \u00e9 muito dif\u00edcil e ao longo da hist\u00f3ria tem havido, de facto, sempre momentos de tens\u00f5es muito fortes, que em alguns casos deram inclusivamente cismas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pergunto-lhe se, entre os temas de que estava a falar, h\u00e1 um que claramente marcou a atualidade dos \u00faltimos dias, porque dois meses, mais ou menos, depois desta sess\u00e3o do S\u00ednodo, o Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9 publicou uma declara\u00e7\u00e3o, aprovada por Francisco, que permite aben\u00e7oar casais em situa\u00e7\u00e3o irregular e casais do mesmo sexo. Dente que \u00e9 uma consequ\u00eancia do processo de ausculta\u00e7\u00e3o e discernimento que foi lan\u00e7ado em 2021?<\/em><\/p>\n<p>Penso que n\u00f3s fomos, de algum modo, apanhados de surpresa, porque n\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 espera que, durante este percurso da sinodalidade, aparecesse uma declara\u00e7\u00e3o, inclusivamente em rela\u00e7\u00e3o a um assunto que, de algum modo, tamb\u00e9m estava inclu\u00eddo e est\u00e1 inclu\u00eddo naqueles que fazem parte do S\u00ednodo.<\/p>\n<p>Mas, de facto, penso que n\u00e3o decorre totalmente do S\u00ednodo, embora tenha havido, como n\u00f3s sabemos, naquela ausculta\u00e7\u00e3o que se fez, ou naquele tempo e momento da escuta, a todos, muitas refer\u00eancias a este tipo de situa\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias, com todas estas denomina\u00e7\u00f5es e com todas estas configura\u00e7\u00f5es que n\u00f3s conhecemos. A impress\u00e3o que me d\u00e1 \u00e9 que o Santo Padre quis, juntamente com o Dicast\u00e9rio da Doutrina da F\u00e9, dar um sinal a toda essa multid\u00e3o imensa de pessoas que se referiram a estes assuntos, a estes temas, de que est\u00e1vamos em caminho. Essa \u00e9 a minha interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m penso que ter\u00e3o olhado para aquilo que se tem passado, concretamente na Alemanha, onde, de facto, h\u00e1 alguns focos de divis\u00e3o muito fortes dentro da pr\u00f3pria Igreja e dentro da sociedade, e que poder\u00e1 ter sido, isto \u00e9 a minha interpreta\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ter sido um desejo de fazer perceber aquelas pessoas que est\u00e3o numa certa tens\u00e3o dentro da pr\u00f3pria Igreja, de que h\u00e1 caminho a fazer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Admite, portanto, a necessidade de uma melhor compreens\u00e3o ou alcance deste gesto?<\/em><\/p>\n<p>Evidentemente, porque uma coisa \u00e9 aquilo que diz um documento ou uma mensagem publicada, um texto publicado pelo Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, e outra coisa \u00e9 o modo como no mundo, dentro da Igreja e fora da Igreja, as pessoas entendem aquela mesma comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E j\u00e1 tem havido v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>As mais distintas, diferentes e \u00e0s vezes quase contr\u00e1rias. Desde os grupos de pessoas que ficaram extremamente felizes por perceberem ali um certo avan\u00e7o no modo de acolher todas as pessoas na Igreja, mesmo que se diga, evidentemente, que n\u00e3o \u00e9 para mudar a doutrina, e n\u00e3o \u00e9. E desde aquelas pessoas que tamb\u00e9m ficaram, de algum modo, desiludidas, porque esperariam muito mais.<\/p>\n<p>Portanto, estes gestos precisam de ser compreendidos e tamb\u00e9m precisam, de algum modo, ser explicados para que se perceba, embora esteja l\u00e1 o princ\u00edpio da explica\u00e7\u00e3o, evidentemente, enfim, o alcance que pretendem ter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O ano que termina tamb\u00e9m foi marcado por um tema que esteve na ordem do dia, sobretudo a apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente para o estudo dos abusos sexuais na Igreja, depois tamb\u00e9m a recente apresenta\u00e7\u00e3o do grupo Vita tamb\u00e9m no seu relat\u00f3rio. Pergunto como \u00e9 que olhou para a forma como a Igreja Cat\u00f3lica tem vindo a tratar do assunto, e se pensa que nalgumas situa\u00e7\u00f5es se teria justificado uma maior celeridade? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s fizemos um caminho enquanto Igreja em Portugal, em que eu agora olhando para tr\u00e1s percebo que foi muito firme e, por outro lado, muito r\u00e1pido. Era dif\u00edcil de perceber, aqui h\u00e1 quatro ou cinco anos atr\u00e1s, ou se recuarmos ainda mais; mais, maior \u00e9 a dificuldade de compreender como \u00e9 que a Igreja em Portugal ia entrar neste processo, enfim, a este ritmo: uma Comiss\u00e3o Independente que em um ano procura fazer um trabalho de conhecimento da realidade dos abusos sexuais de crian\u00e7as, de menores em Portugal, e apresentar as suas conclus\u00f5es, e depois a cria\u00e7\u00e3o de um grupo VITA, logo a seguir, para dar continuidade a um processo, a cria\u00e7\u00e3o das Comiss\u00f5es Diocesanas, e todas as dioceses criaram as suas comiss\u00f5es, que t\u00eam estado a trabalhar dentro das limita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Isto para todos n\u00f3s foi uma realidade absolutamente nova, nenhum de n\u00f3s estava preparado para este trabalho, para fazer de uma forma mais r\u00e1pida ou menos r\u00e1pida aquilo que felizmente se fez, e que era necess\u00e1rio fazer, porque n\u00f3s em Portugal e na Igreja e no mundo n\u00e3o pod\u00edamos continuar com os olhos fechados \u00e0quilo que agora sabemos de uma forma mais objetiva e evidente se passava.<\/p>\n<p>E, portanto, este trabalho era necess\u00e1rio, teve a celeridade provavelmente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Eu agora penso que foi um trabalho muito r\u00e1pido que se fez at\u00e9 agora, n\u00e3o resolvemos todas as situa\u00e7\u00f5es, temos problemas com certeza a enfrentar, h\u00e1 um futuro imediato&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E no imediato, por exemplo, est\u00e1 previsto algum encontro com a Associa\u00e7\u00e3o de V\u00edtimas? Da sua parte, por exemplo, h\u00e1 disponibilidade para receber pessoas envolvidas nestes casos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Tanto eu, bispo de Coimbra, como os outros bispos em Portugal, alguns j\u00e1 receberam v\u00e1rias pessoas, outros est\u00e3o a receber&#8230; temos a disponibilidade total, porque n\u00f3s estamos neste processo todos de alma lavada, de esp\u00edrito aberto, e o que n\u00f3s mais desejamos \u00e9 que a Igreja e a sociedade consigam ultrapassar um drama que a tem marcado tanto e que \u00e9 um dos dramas mais duros que a Igreja em Portugal e no mundo tem enfrentado nos \u00faltimos s\u00e9culos; eu at\u00e9 diria ao longo da sua hist\u00f3ria, porque \u00e9 uma coisa a todos os t\u00edtulos deplor\u00e1vel que nenhum de n\u00f3s pode aceitar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E est\u00e1 previsto um encontro da CEP com a Associa\u00e7\u00e3o de V\u00edtimas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas \u00e9 com a Associa\u00e7\u00e3o das V\u00edtimas, como pode ser com as v\u00edtimas individualmente, como pode ser com outros grupos de pessoas, n\u00f3s estamos absolutamente dispon\u00edveis, como tem dito o presidente da CEP, para receber todas as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu fa\u00e7o-lhe uma pergunta que est\u00e1 ainda relacionada com este tema, que tem a ver com uma quest\u00e3o que tem gerado algum problema de comunica\u00e7\u00e3o, digamos assim.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o das indeniza\u00e7\u00f5es, precisa de maior clareza na apresenta\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o dos bispos, das dioceses e da Confer\u00eancia de Bispo Paulo, em particular?<\/em><\/p>\n<p>Esse processo n\u00e3o est\u00e1 ainda completamente encerrado, como ali\u00e1s o presidente da CEP disse na \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do Grupo Vita.<\/p>\n<p>O que se tem sempre distinguido s\u00e3o duas coisas: as indeniza\u00e7\u00f5es como fruto de um processo nos tribunais que obrigam uma entidade a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar sabemos que em Portugal \u00e9 sempre o pr\u00f3prio criminoso, por assim dizer, que \u00e9 respons\u00e1vel pelos seus pr\u00f3prios atos. Num ou noutro caso, parece que pode haver alguma responsabilidade tamb\u00e9m institucional.<\/p>\n<p>E outra coisa \u00e9 a ajuda que a Igreja est\u00e1 dispon\u00edvel para dar a cada pessoa que tenha sido v\u00edtima para refazer a sua vida. J\u00e1 est\u00e1 a fazer a tal ajuda no que diz respeito aos tratamentos na \u00e1rea da psicologia e da psiquiatria, que j\u00e1 est\u00e3o em curso, para todas aquelas pessoas que pediram, que acharam que era importante para o seu processo de regenera\u00e7\u00e3o. E est\u00e1 aberta, de facto, \u00e0 possibilidade de ajudas a pessoas que est\u00e3o em dificuldade e que precisam.<\/p>\n<p>Portanto, se chama indeminiza\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o chama, n\u00f3s na Confer\u00eancia Episcopal temos chamado ajudas sociais, ajudas sejam elas quais for, a pessoas em necessidade, concretamente por este facto. Agora, uns chamam indeniza\u00e7\u00f5es, outros chamam ajudas sociais ou ajudas seja ela de que tipo for. S\u00e3o duas coisas diferentes. A Igreja est\u00e1 com certeza dispon\u00edvel para ajudar a refazer ou a reparar, como sempre tem dito, estas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O pr\u00f3ximo ano vai ser de visita \u2018ad Limina\u2019, para encontros com o Papa e tamb\u00e9m com organismos da C\u00faria Romana. O que conta levar na sua bagagem?<\/em><\/p>\n<p>Olhe, na minha bagagem eu gostaria de levar muito mais coisas e, sobretudo, gostaria de levar uma Igreja pujante, cheia de vida, cheia de entusiasmo, evangelizadora, que \u00e9 capaz de se organizar, que os sacerdotes, os di\u00e1conos, os consagrados, os leigos est\u00e3o a procurar viver a sua f\u00e9 com intensidade nas comunidades, grandes ou pequenas, isto era o meu desejo. Uma parte disto eu levo; outra parte \u00e9 aquilo que gostaria de levar, mas a nossa Igreja, tanto em Portugal como nas nossas dioceses, n\u00e3o est\u00e1 propriamente assim a passar os dias mais fabulosos e mais encantadores. Todos temos muitas alegrias e temos caminho feito, mas tamb\u00e9m todos temos muitas dificuldades e defici\u00eancias e, sobretudo, vimos um certo afastamento do povo de Deus da pr\u00e1tica do culto dominical, que \u00e9 um dos sintomas mais evidentes de um certo calor da f\u00e9, de uma certa ades\u00e3o e proximidade com a Igreja, ou porventura, enfim, de um certo arrefecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a pandemia acentuou essa situa\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>A pandemia acentuou, mas n\u00e3o foi s\u00f3 a pandemia, esta quest\u00e3o do estudo sobre os abusos sexuais de crian\u00e7as, evidentemente, tamb\u00e9m afetou. Depois h\u00e1 um ambiente global que tem a ver com ideologias, tem a ver com a seculariza\u00e7\u00e3o, tem a ver com o nosso modo de estar no mundo. Quer dizer, n\u00e3o podemos reduzir tudo \u00e0 pandemia, porque isso seria at\u00e9 uma desculpa muito f\u00e1cil para todos, deixava-nos todos muito tranquilos, e n\u00f3s n\u00e3o queremos ficar tranquilos diante daquilo que \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja nas nossas dioceses, nas nossas comunidades e no nosso mundo.<\/p>\n<p>Eu, por exemplo, fiz aqui na Diocese de Coimbra um recenseamento da pr\u00e1tica dominical no m\u00eas de novembro de 2022. Escolhemos precisamente ser em 2022 e novembro porque est\u00e1vamos num per\u00edodo em que toda a gente percebia que havia alguns efeitos da pandemia, mas n\u00f3s quer\u00edamos conhecer a realidade tal como ela \u00e9, nua e crua, e n\u00e3o mais ou menos floreada com esta desculpa, aquela e aquela outra, para melhor podermos realizar a miss\u00e3o da Igreja a partir daquilo que \u00e9 a realidade que agora vivemos.<\/p>\n<p>Tantas dificuldades existem. Agora n\u00f3s, Igreja em Portugal, vamos levar algumas not\u00edcias muito boas, tivemos sobretudo um acontecimento que nos marcou de tal maneira que domina, vai dominar, por assim dizer, a totalidade das nossas mentes. Temos, por um lado, aquilo que \u00e9 mais negativo, esta quest\u00e3o dos abusos foi de facto uma p\u00e1gina muito m\u00e1 da nossa hist\u00f3ria, e temos aquilo que nos marca, pelo lado mais positivo, e \u00e9 uma p\u00e1gina muit\u00edssimo bela tamb\u00e9m da nossa hist\u00f3ria\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar da Jornada Mundial da Juventude<\/em><em>, que decorreu em Lisboa em agosto, mas que tamb\u00e9m teve um longo processo de prepara\u00e7\u00e3o, nas v\u00e1rias dioceses, tanto com a promulga\u00e7\u00e3o (16:32) dos s\u00edmbolos, como depois aquilo que \u00e9 chamado de as pr\u00e9-jornadas, os dias nas dioceses. Nesse sentido, pergunto-lhe se esta visita \u2018ad Limina\u2019 \u00e9 uma oportunidade para avaliar o caminho a seguir ap\u00f3s o impacto positivo que teve esta din\u00e2mica? <\/em><\/p>\n<p>Sim, mas como sabe, a nossa visita <em>\u2018ad Limina\u2019 <\/em>tem um \u00e2mbito bastante mais alargado, uma vez que n\u00f3s fizemos a \u00faltima visita h\u00e1 cerca de oito anos, em 2015, e h\u00e1 um relat\u00f3rio que n\u00f3s temos de organizar em cada diocese e nas confer\u00eancias, e na Confer\u00eancia Episcopal, que tem este \u00e2mbito mais alargado. Mas \u00e9 evidente que n\u00f3s vamos todos focar-nos naquilo que nos marcou mais, portanto, a Jornada Mundial da Juventude foi uma coisa absolutamente \u00edmpar para a vida pessoal de cada um de n\u00f3s &#8211; para a minha, que j\u00e1 tinha participado em v\u00e1rias Jornadas Mundiais da Juventude, mas ser aqui teve um impacto completamente diferente. Depois, aquela peregrina\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos foi uma movimenta\u00e7\u00e3o absolutamente fant\u00e1stica, que envolveu pessoas da Igreja, de fora da Igreja, das associa\u00e7\u00f5es, das autarquias, todas as pessoas sentiram, porque havia ali dois s\u00edmbolos daquilo que \u00e9 mais importante para toda a humanidade.<\/p>\n<p>A Jornada em si mesma foi aquele ambiente que todos n\u00f3s pudemos vivenciar, que nos marcou profundamente e que marcou a Igreja, embora n\u00f3s estejamos todos agora muito preocupados e com algum receio de n\u00e3o dar uma continuidade adequada no processo evangelizador e de encontro com jovens, etc., que a Jornada Mundial da Juventude nos exige.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Prop\u00f4s \u00e0 Diocese de Coimbra a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro S\u00ednodo dos Jovens. Como \u00e9 que foi recebido esse desafio?<\/em><\/p>\n<p>Bem, muito bem, muito bem. Para j\u00e1 muito bem. \u00c9 evidente que foi o lan\u00e7ar da ideia, agora tem de amadurecer, mas vai amadurecer rapidamente, n\u00e3o vamos adiar isso para tempos distantes por a\u00ed fora. E depois procuramos reorganizar tudo aquilo que \u00e9 pastoral dos jovens. Criamos na diocese uma estrutura que n\u00e3o t\u00ednhamos, que tem a ver com a lideran\u00e7a em tudo aquilo que diz respeito \u00e0 pastoral dos jovens: sejam os jovens nas par\u00f3quias, no \u00e2mbito territorial, sejam os jovens universit\u00e1rios, dos polit\u00e9cnicos, do ensino superior, das escolas no ensino secund\u00e1rio, sejam os \u00faltimos anos da catequese, pr\u00f3ximo do Crisma, antes do Crisma, depois do Crisma. Estamos a desenvolver um trabalho e espero que venha a dar muitos frutos para que tenhamos uma atitude diferente diante dos jovens e para que n\u00e3o fiquemos exatamente nem com as mesmas institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 t\u00ednhamos antes, nem com os mesmos dinamismos, na certeza de que precisamos de renovar e dar um salto qualitativo e quantitativo em tudo aquilo que fazemos enquanto Igreja, na rela\u00e7\u00e3o com os jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em mar\u00e7o teremos as elei\u00e7\u00f5es legislativas, receia que da\u00ed possa resultar um quadro de ingovernabilidade em que as chamadas for\u00e7as extremistas refor\u00e7am o seu eleitorado?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, \u00e9 poss\u00edvel e n\u00f3s todos estamos preocupados, j\u00e1 estamos preocupados com a situa\u00e7\u00e3o presente que estamos a viver, que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o a todos os t\u00edtulos, nova, dentro do contexto do nosso pa\u00eds e da nossa pol\u00edtica. As coisas s\u00e3o como s\u00e3o. Agora, o que eu desejo \u00e9 que o futuro possa ser diferente pela responsabilidade, pela apresenta\u00e7\u00e3o de programas partid\u00e1rios objetivos, realiz\u00e1veis, portanto poss\u00edveis e n\u00e3o simplesmente ideias ou folhas que se preenchem para as elei\u00e7\u00f5es. Depois, que haja bom senso da parte das pessoas &#8211; que nem tudo aquilo que \u00e0s vezes se diz pode ser concretizado. Sabemos tamb\u00e9m que h\u00e1 partidos que t\u00eam capacidade de governar e outros t\u00eam simplesmente capacidade de provocar, mesmo que possam ser boas provoca\u00e7\u00f5es, que estimulam aqueles que s\u00e3o partidos dos diferentes governos.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s gostar\u00edamos, todos, \u00e9 que o pa\u00eds encontrasse as vias adequadas, as vias de sa\u00edda, vias de progresso econ\u00f3mico, social, pol\u00edtico, mas vejo isso muito dif\u00edcil no quadro em que nos encontramos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O pr\u00f3ximo governo vai tratar da regulamenta\u00e7\u00e3o da lei de eutan\u00e1sia que foi aprovada em 2023. Com o fim da maioria que aprovou esse diploma, pensa que o processo deveria ser reanalisado, at\u00e9 porque h\u00e1 pedidos de fiscaliza\u00e7\u00e3o sucessiva da lei? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente, \u00e9 evidente. A Igreja, n\u00f3s, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, com grupos dentro da sociedade, t\u00e3o diversificados, sempre temos apontado os problemas graves de humanidade que traz uma lei de eutan\u00e1sia como aquela que foi aprovada pelo nosso Parlamento. Portanto, estamos todos preocupados, at\u00e9 porque conhecemos experi\u00eancias de outros pa\u00edses, onde foram t\u00e3o longe ou mais longe do que n\u00f3s, e os resultados desastrosos que conseguiram naquilo que diz respeito \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o da sociedade. N\u00f3s queremos uma sociedade plenamente humanizada, quando se abrem brechas deste g\u00e9nero, como a eutan\u00e1sia, nas mais variadas condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias, com uma lei mais permissiva ou menos permissiva, n\u00f3s abrimos, de facto, um cap\u00edtulo que depois n\u00e3o conseguimos fechar e \u00e9 sempre um retrocesso da humanidade, porque abrir as portas da morte, em vez de abrir as portas da vida a uma sociedade, mesmo aquelas pessoas que vivem em dificuldades, sejam elas as maiores que forem, \u00e9 sempre um retrocesso. N\u00f3s queremos uma humanidade da vida e nunca da morte.<\/p>\n<p>O m\u00ednimo que podia fazer-se, o que eu desejava e que talvez muitos cidad\u00e3os portugueses desejem que aconte\u00e7a, \u00e9 que esta lei possa vir a ser, n\u00e3o regulamentada, mas revertida, e que se possam encontrar, de facto, de uma forma respons\u00e1vel, os caminhos de vida que nos h\u00e3o de fazer felizes a todos: aos que est\u00e3o doentes, aos que s\u00e3o idosos, aos que est\u00e3o quase \u00e0 beira do desespero, mas encontrarmos sa\u00eddas humanas para todas estas pessoas, esse \u00e9 o caminho.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A preocupa\u00e7\u00e3o com os pobres \u00e9 uma causa fundamental para a Igreja, receia que em 2024 se possam acentuar as desigualdades?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos estado a assistir, nos \u00faltimos tempos, a uma procura muito maior de aux\u00edlio por parte de muitas pessoas, indiv\u00edduos e fam\u00edlias pobres. H\u00e1 aquele fen\u00f3meno, que nos \u00faltimos tempos se tem acentuado, de fam\u00edlias que, estando a trabalhar, sendo pessoas que trabalham, n\u00e3o conseguem encontrar o necess\u00e1rio para organizar a sua vida, particularmente com os filhos, com a escola, com as outras atividades que hoje fazem parte indiscut\u00edvel da organiza\u00e7\u00e3o da vida de uma sociedade e da vida de uma fam\u00edlia. Portanto, o perigo j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed e o perigo pode continuar a avan\u00e7ar. Eu acho que o Estado, as institui\u00e7\u00f5es, t\u00eam de estar absolutamente atentas a estas realidades, n\u00e3o se pode, pura e simplesmente, descarregar responsabilidades em cima de IPSS ou em cima de institui\u00e7\u00f5es, seja l\u00e1 de quem for, porque o Estado, enquanto tal, tem uma responsabilidade muit\u00edssimo grande, que n\u00e3o resolve, evidentemente, todos os problemas e todas as situa\u00e7\u00f5es. Tem de haver a coopera\u00e7\u00e3o de toda a sociedade, mas o Estado tem uma responsabilidade primeira e muit\u00edssimo grande, no nosso caso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o quadro de crise pol\u00edtica que estamos a viver e vamos continuar a viver, porque as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o s\u00f3 a 10 de mar\u00e7o, pode agudizar esta situa\u00e7\u00e3o de grande precariedade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente. Quando h\u00e1 instabilidade pol\u00edtica, tamb\u00e9m h\u00e1 instabilidade social, tamb\u00e9m h\u00e1 instabilidade econ\u00f3mica e, portanto, pode haver, inclusive, desorganiza\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0s empresas. Tudo isso, com certeza afeta e pode vir a afetar, mas desejamos que n\u00e3o, porque desejamos a estabilidade pol\u00edtica, social e econ\u00f3mica para que o pa\u00eds possa estar tranquilo e as pessoas possam, de facto, trabalhar, ver o produto do seu trabalho, ver o rendimento pr\u00f3prio da atividade laboral e ser um pa\u00eds em crescimento, que d\u00e1 origem a fam\u00edlias em crescimento, com as condi\u00e7\u00f5es adequadas para viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a chegar ao final de 2023 e tamb\u00e9m estamos a chegar ao final desta entrevista, pergunto-lhe quais s\u00e3o os votos que quer deixar para o novo ano? <\/em><\/p>\n<p>O primeiro tem a ver com a paz. A paz \u00e9 um bem essencial e n\u00f3s estamos \u00e0 dist\u00e2ncia da guerra, tamb\u00e9m sofremos alguns efeitos colaterais, mas isso at\u00e9 \u00e9 o m\u00ednimo, \u00e9 o menos em que se pode pensar. De facto, a guerra tem de acabar, seja onde for, mas concretamente nestes dois polos onde tem sido t\u00e3o feroz como \u00e9 a Ucr\u00e2nia e a Faixa de Gaza. \u00c9 de facto um drama que n\u00f3s, \u00e0 dist\u00e2ncia, podemos de algum modo procurar perceber, mas n\u00e3o somos capazes de perceber na sua totalidade. \u00c9 o desejo de paz.<\/p>\n<p>Depois era o desejo da estabilidade social, entre n\u00f3s, social, econ\u00f3mica, pol\u00edtica, para que as pessoas tenham as condi\u00e7\u00f5es de vida adequadas. Gostaria tamb\u00e9m de desejar que este trabalho que a Igreja tem estado a fazer no que diz respeito \u00e0 preven\u00e7\u00e3o dos abusos, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das pessoas que fazem parte das estruturas eclesiais, de acompanhamento das v\u00edtimas, de acolhimento e de compreens\u00e3o, tudo isto possa continuar a um ritmo acelerado, poss\u00edvel, e a um ritmo que ajude as pessoas a reencontrar-se, a refazer-se e a sentir-se interiormente mais felizes. E que a pr\u00f3pria Igreja possa prosseguir neste caminho da sinodalidade, com os p\u00e9s bem assentes na terra, neste desejo da fidelidade \u00e0 doutrina, mas no desejo, ao mesmo tempo, de acolher as pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o diversificadas e t\u00e3o diferentes e que precisam de sentir o palpitar do cora\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia do ano, passamos em revista 2023 e perspetivamos 2024 com a ajuda do bispo de Coimbra e vice-presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, o convidado deste domingo da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":302459,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[147,174,94,311],"class_list":["post-309046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-diocese-de-coimbra","tag-protecao-de-menores","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309046\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/302459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}