{"id":308820,"date":"2023-12-27T11:47:03","date_gmt":"2023-12-27T11:47:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=308820"},"modified":"2023-12-27T11:47:03","modified_gmt":"2023-12-27T11:47:03","slug":"cibercultura-para-que-servem-os-propositos-anuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-para-que-servem-os-propositos-anuais\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; Para que servem os prop\u00f3sitos anuais?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Estamos a caminho do fim do ano 2023. Chegou o momento de rever os prop\u00f3sitos que fizemos e pensar naqueles que gostar\u00edamos de definir para 2024. Alguns poder\u00e3o sentir frustra\u00e7\u00e3o nessa revis\u00e3o, outros n\u00e3o. Por isso, questiono se valer\u00e1 a pena ainda pensar em prop\u00f3sitos quando o mundo \u00e9 t\u00e3o incerto. Como alinhar os nossos prop\u00f3sitos com a Vontade de Deus? Qual a melhor via para esse discernimento dada a nossa nata incapacidade para qualquer tipo de futurologia? E se a realidade fosse que os nossos prop\u00f3sitos n\u00e3o se definem para ser cumpridos?<\/p>\n<figure id=\"attachment_308824\" aria-describedby=\"caption-attachment-308824\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-308824 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/VidaPlena.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/VidaPlena.jpg 600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/VidaPlena-400x229.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-308824\" class=\"wp-caption-text\">Imagem do DALL-E com prompt de Miguel Pan\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>A nossa vida n\u00e3o se reduz ao que fazemos, mas envolve todo um entrela\u00e7ar de decis\u00f5es, circunst\u00e2ncias, recursos, mas sobretudo, envolve uma <em>vis\u00e3o<\/em>. A dificuldade em cumprir com os nossos prop\u00f3sitos pode dever-se \u00e0 pouca ou nenhuma clareza da vis\u00e3o que temos sobre a nossa vida. Por outro lado, uma vez ouvi que se quisermos fazer Deus rir, contemos-lhe os nossos planos. Ele n\u00e3o ri por tro\u00e7ar das nossas aspira\u00e7\u00f5es, mas talvez por serem superficiais e demonstrarem a tal falta de vis\u00e3o sobre o arco narrativo da nossa vida. Que tipo de vida \u00e9 a tua?<\/p>\n<p>Existem essencialmente tr\u00eas tipos: 3 D&#8217;s. A vida <em>Determinada<\/em> independentemente das circunst\u00e2ncias, onde as pessoas centram-se de tal forma nos objectivos que pretendem atingir que n\u00e3o consideram relevante as interac\u00e7\u00f5es com os outros e o ambiente \u00e0 sua volta. \u00c9 um tipo de vida que leva \u00e0 exaust\u00e3o. Depois existe a vida \u00e0 <em>Deriva<\/em> pelas circunst\u00e2ncias, onde as pessoas n\u00e3o t\u00eam quaisquer objectivos e navegam ao sabor daquilo que lhes aparece no momento. \u00c9 um tipo de vida que leva \u00e0 desilus\u00e3o. Por fim, existe a vida <em>Desenhada<\/em> com as circunst\u00e2ncias, onde as pessoas s\u00e3o intencionais nas suas escolhas e procuram equilibr\u00e1-las com as escolhas dos outros. Parece o tipo de vida ideal, mas quando confrontada com a real, apesar do seu valor face \u00e0s anteriores duas, pode levar ainda a uma certa frustra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, existe um tipo de vida que desenvolvo no meu recente livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Tempo 3.0<\/a>&#8221; e que aproxima mais a <em>Desenhada<\/em> da realidade: a <em>Vida Plena<\/em>.<\/p>\n<p>Na vida plena considera que em cada um de n\u00f3s existe sempre um pouco dos anteriores tr\u00eas tipos de vida. Umas vezes, a vida est\u00e1 mais determinada, outras vezes, um pouco mais desorientada e das vezes em que \u00e9 clara a inten\u00e7\u00e3o, a vida \u00e9 realizada. A experi\u00eancia do tempo como algo intr\u00ednseco a uma vida plena leva-nos a reconhecer que essa est\u00e1 em permanente transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se existisse uma dan\u00e7a entre as raz\u00f5es de <em>fazer<\/em> seja o que for e as circunst\u00e2ncias como condi\u00e7\u00f5es que tornam esse <em>fazer<\/em> poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega organizarmo-nos melhor para sabermos gerir o nosso <em>tempo sequencial<\/em>, ou estarmos mais atentos para podermos aproveitar melhor as oportunidades que se revelam no <em>tempo certo<\/em>, ou ainda estarmos mais conscientes do <em>tempo epocal<\/em> que enquadra a nossa vida num arco narrativo da hist\u00f3ria que \u00e9 maior e mais profundo. Por analogia \u00e0 <em>pericorese<\/em> em Deus Trindade, onde n\u00e3o podemos contemplar o Pai, o Filho ou o Esp\u00edrito Santo, sem ver em cada um deles os outros dois, a experi\u00eancia do tempo numa vida plena \u00e9 uma s\u00f3 na diversidade de express\u00f5es (sequencial, oportuno, epocal). Na vida plena procuramos definir e clarificar uma vis\u00e3o para o sentido e significado da nossa passagem por esta Terra. Uma vis\u00e3o contemplada por Deus em &#8220;sonho&#8221; antes de nascermos, mas que Ele nos d\u00e1 a liberdade de encontrar, se quisermos.<\/p>\n<p>A maior parte de n\u00f3s define prop\u00f3sitos com a inten\u00e7\u00e3o de os cumprir e isso \u00e9 positivo. Um exemplo pessoal. No dia 1 de janeiro de 2023 comecei a escrever o meu novo livro e criei o h\u00e1bito de escrever todos os dias o n\u00famero de palavras que pretendia. Umas vezes custou-me pouco e a escrita fluia. Outras vezes era mais dif\u00edcil e a escalada pela parede daquela ideia parecia demasiado \u00edngreme, mas optei sempre por persistir, em vez de desistir. Terminei o primeiro rascunho a 15 de mar\u00e7o, celebrei contrato com uma Editora no final desse m\u00eas e o livro foi lan\u00e7ado a 15 de dezembro. Prop\u00f3sito cumprido. Por\u00e9m, n\u00e3o foi isso que tornou a minha vida mais plena.<\/p>\n<p>A metamorfose aconteceu no passo de consolida\u00e7\u00e3o da faceta da minha vida como escritor. Ou seja, eu j\u00e1 era escritor pelo facto de escrever, independentemente de ser publicado ou n\u00e3o o que escrevia. Ser escritor fazia parte da vis\u00e3o que tornava a minha vida plena, mas o prop\u00f3sito serviu para consolidar essa vis\u00e3o. E mesmo que possa haver quem fa\u00e7a duras cr\u00edticas ao que escrevi, ser\u00e3o o carv\u00e3o que alimenta a chama da humildade de reconhecer que posso sempre melhorar. Como diz a can\u00e7\u00e3o da fadista Mariza \u2014 <em>\u00abSei que o melhor de mim est\u00e1 pra chegar&#8230;\u00bb<\/em> \u2014 Por isso, mais do que serem cumpridos, os nossos prop\u00f3sitos servem para clarificar ao longo do tempo o sentido e significado do sonho que Deus teve quando pensou em ti. Nasceste por amor de Deus pela humanidade e para o amor que Ele quer ver realizado na \u00ednfima parte consciente do universo que \u00e9s tu. Fazer da nossa vida algo grande n\u00e3o implica tanto fazer coisas grandes e importantes, quanto ter uma vis\u00e3o clara da direc\u00e7\u00e3o que nos leva a experimentar uma Vida Plena. Pode levar algum tempo a encontrar essa clareza. Pode levar algum tempo a acertar o passo dos prop\u00f3sitos com a vis\u00e3o, mas vale a pena persistir e n\u00e3o desistir.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bit.ly\/NewsletterEscritos_MiguelPanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-308820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=308820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308820\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=308820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=308820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=308820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}