{"id":30878,"date":"2008-03-23T14:52:43","date_gmt":"2008-03-23T14:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/23\/ressurreicao-de-cristo-e-a-plenitude-da-historia-da-salvacao\/"},"modified":"2008-03-23T14:52:43","modified_gmt":"2008-03-23T14:52:43","slug":"ressurreicao-de-cristo-e-a-plenitude-da-historia-da-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ressurreicao-de-cristo-e-a-plenitude-da-historia-da-salvacao\/","title":{"rendered":"Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 a plenitude da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo no Dia de P\u00e1scoa fala do sentido do pecado, da vida e da morte <!--more--> 1. Com esta Liturgia da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor atingimos o ponto m\u00e1ximo da celebra\u00e7\u00e3o pascal, que nos fez percorrer o caminho de Jesus, desde a Sua entrada messi\u00e2nica em Jerusal\u00e9m, at\u00e9 \u00e0 Sua morte no Calv\u00e1rio. Seguimo-l\u2019O, neste itiner\u00e1rio, como disc\u00edpulos: celebr\u00e1mos com Ele a Ceia Pascal, deixando-nos surpreender pelo dom do Seu corpo e sangue, que nos deu, sob a forma do p\u00e3o e do vinho, como o alimento da nova Alian\u00e7a; vivemos, com Ele, a densidade da agonia, abra\u00e7ando com amor todo o sofrimento do mundo; pedimos-Lhe que com a for\u00e7a do Seu amor nos ensinasse a oferecer com amor toda a nossa vida; partilh\u00e1mos do sofrimento de Maria, Sua M\u00e3e, a cujo amor maternal Ele confiou o nosso caminho de salva\u00e7\u00e3o. A celebra\u00e7\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 indeslig\u00e1vel deste itiner\u00e1rio de reden\u00e7\u00e3o. A Ressurrei\u00e7\u00e3o come\u00e7ou por ser o ponto de chegada do itiner\u00e1rio pessoal de Jesus Cristo, na fidelidade \u00e0 Sua miss\u00e3o. O autor dos Actos dos Ap\u00f3stolos situa-a no termo do itiner\u00e1rio prof\u00e9tico de Jesus: \u201cde tudo o que aconteceu em toda a Judeia, a come\u00e7ar pela Galileia, depois do baptismo de Jo\u00e3o\u201d. Toda a vida p\u00fablica de Jesus foi um caminhar para Jerusal\u00e9m, para a Sua hora, sempre envolvido pelo amor do Pai, assumindo no dom da Sua vida o infinito amor de Deus pelos homens, numa fidelidade sem limites. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a resposta da fidelidade do amor do Pai para com o Seu Filho: \u201cPor isso Deus O exaltou e Lhe deu o Nome que est\u00e1 acima de todo o nome\u201d (Fil. 2,9).  2. Ponto culminante da miss\u00e3o redentora de Cristo, a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a plenitude do nosso caminho de reden\u00e7\u00e3o. Se na Sua paix\u00e3o, Ele venceu o nosso pecado, na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o Ele resolveu o drama da nossa morte. A vida do homem s\u00f3 se resolve cabalmente se se decifrar o enigma da morte. A vit\u00f3ria sobre o pecado tinha de ser pr\u00e9via \u00e0 vit\u00f3ria sobre a morte, porque toda a revela\u00e7\u00e3o, desde o G\u00e9nesis, nos falava de uma rela\u00e7\u00e3o causal entre o pecado e a morte, talvez mais exactamente, entre o pecado e a maneira de viver a morte. S\u00e3o Paulo, na Carta aos Romanos, resume assim toda a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica da inter-rela\u00e7\u00e3o entre o pecado e a morte: \u201cAssim como por um s\u00f3 homem o pecado entrou no mundo e pelo pecado a morte, o que fez com que a morte atingisse todos os homens, porque todos pecaram\u201d. Este drama do pecado e da morte encontrou solu\u00e7\u00e3o na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo: \u201cAssim, pois, como a falta de um s\u00f3 arrastou todos os homens para uma condena\u00e7\u00e3o, assim a obra de justi\u00e7a de um s\u00f3 proporciona a todos uma justifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 a vida\u201d (Rom. 5,12.19). O que \u00e9 que significa esta rela\u00e7\u00e3o entre o pecado e a morte? Nada, na Sagrada Escritura, nos sugere que, mesmo que n\u00e3o pecasse, o homem n\u00e3o morreria. A morte \u00e9 um processo biol\u00f3gico normal e inevit\u00e1vel, que atinge toda a cria\u00e7\u00e3o. As consequ\u00eancias do pecado fizeram-se sentir na dimens\u00e3o psicol\u00f3gica e espiritual da morte, ou seja, na maneira de viver a morte. Identifiquemos, pelo que conhecemos da realidade humana, alguns sintomas destas consequ\u00eancias do pecado: antes de mais, o medo de morrer. Num quadro de justi\u00e7a n\u00e3o manchada, a morte seria desejada como passagem para a plenitude definitiva da vida. O pecado alterou a pr\u00f3pria compreens\u00e3o da vida, a morte aparece como a nega\u00e7\u00e3o da vida e por isso \u00e9 temida. S\u00f3 recuperando o verdadeiro sentido da vida, se resgata a morte e se lhe restitui o sentido de passagem para a vida definitiva.  3. O aspecto mais grave desta altera\u00e7\u00e3o do sentido da vida e da morte \u00e9 o deixar de se acreditar na vida depois da morte. Esta, no seu drama, levou \u00e0 perda do sentido da perenidade da vida, \u00e0 esperan\u00e7a na vida em plenitude e para sempre. Embora n\u00e3o seja f\u00e1cil arrancar completamente do cora\u00e7\u00e3o humano a esperan\u00e7a na vida depois da morte, h\u00e1 em todos os tempos, e hoje s\u00e3o muitos, homens e mulheres que vivem como se a vida acabasse na morte, o que altera profundamente o sentido da vida, a maneira como se vive. A morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, porque liberta o homem do pecado, redime a morte do seu sentido dram\u00e1tico de fim de vida, e volta a dar-lhe o sentido da passagem para uma vida plena e definitiva. E esta \u00e9, para n\u00f3s, a express\u00e3o m\u00e1xima da nossa reden\u00e7\u00e3o. Como diz Paulo aos Cor\u00edntios: \u201cSe Cristo n\u00e3o ressuscitou dos mortos, a vossa f\u00e9 \u00e9 v\u00e3 e permaneceis ainda nos vossos pecados\u201d (1Cor. 15,17).  4. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo abre-nos o horizonte da plenitude da vida, que n\u2019Ele e em n\u00f3s por Ele, se manifestar\u00e1 na vit\u00f3ria sobre a morte. A morte \u00e9 vencida, n\u00e3o anulando-a, mas morrendo bem, \u201cmorrendo em Cristo\u201d, sempre na express\u00e3o de Paulo. Na segunda leitura desta celebra\u00e7\u00e3o, ele escreve aos Colossenses: \u201cAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra. Porque v\u00f3s morrestes e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que \u00e9 a vossa vida, se manifestar, ent\u00e3o tamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria\u201d (Col. 3,4). A vida de Cristo ressuscitado \u00e9 participada por n\u00f3s, na nossa caminhada de f\u00e9 e de uni\u00e3o ao Senhor, portanto antes da nossa morte f\u00edsica, mas que significa morte para o pecado. Na morte de Cristo, todos n\u00f3s, os crentes, purificados pela P\u00e1scoa, j\u00e1 morremos; morremos antes de morrer, o que nos permitir\u00e1 abra\u00e7ar a morte como a manifesta\u00e7\u00e3o de uma vida \u201cescondida em Deus\u201d. Isto significa que temos acesso \u00e0 vida definitiva, \u00e0 vida plena, como prim\u00edcias do Reino, antes de morreremos fisicamente. Na nossa exist\u00eancia de crentes, a nossa morte \u00e9 t\u00e3o permanente como a vida. Quando chegar a hora da nossa morte f\u00edsica, j\u00e1 estamos habituados a morrer, porque nos foi comunicado o dom da vida definitiva, pela participa\u00e7\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Este processo de vit\u00f3ria sobre a morte, come\u00e7a na participa\u00e7\u00e3o na vida do Ressuscitado e ter\u00e1 a sua plenitude na nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ela um dogma da nossa f\u00e9. Para Paulo, a rela\u00e7\u00e3o entre a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e a nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 natural e inevit\u00e1vel: \u201cSe n\u00f3s pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como \u00e9 que alguns entre v\u00f3s podem dizer que n\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos! Se n\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, Cristo tamb\u00e9m n\u00e3o ressuscitou\u201d (1Co. 15,12-13).  5. \u00c9 por isso que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o grande an\u00fancio querigm\u00e1tico dos Ap\u00f3stolos e da Igreja primitiva: \u201cDeus ressuscitou-O ao terceiro dia, e permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o Povo, mas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus\u201d (Act. 10,40-41). E este \u00e9 tamb\u00e9m o an\u00fancio da nossa liberta\u00e7\u00e3o, da reden\u00e7\u00e3o da nossa morte. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o \u00e9, apenas, a solu\u00e7\u00e3o justa do seu drama pessoal; tudo o que Ele viveu, foi por causa de n\u00f3s, porque na Sua vida se resolvia a nossa vida. A Sua ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o triunfo da vida, tamb\u00e9m para n\u00f3s. \u00c9 o an\u00fancio da nossa pr\u00f3pria vit\u00f3ria sobre a morte. O an\u00fancio pascal \u00e9 feito por testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas uma verifica\u00e7\u00e3o positiva, \u00e9 a esperan\u00e7a testemunhada, baseada na experi\u00eancia de conviv\u00eancia com Cristo ressuscitado pelas primeiras testemunhas. Hoje s\u00e3o testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o todos os que experimentaram j\u00e1, na sua vida, esta vit\u00f3ria sobre a morte, todos os que s\u00e3o testemunhos da esperan\u00e7a. Celebrar a P\u00e1scoa \u00e9 ser enviado, sempre de novo, a testemunhar essa esperan\u00e7a.  <I>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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