{"id":30876,"date":"2008-03-23T14:46:37","date_gmt":"2008-03-23T14:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/23\/mensagem-pascal-lembra-dramas-da-humanidade\/"},"modified":"2008-03-23T14:46:37","modified_gmt":"2008-03-23T14:46:37","slug":"mensagem-pascal-lembra-dramas-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-pascal-lembra-dramas-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Mensagem pascal lembra dramas da humanidade"},"content":{"rendered":"<p>Papa recordou Darfur e Som\u00e1lia, Terra Santa, Iraque, L\u00edbano e Tibete antes da B\u00ean\u00e7\u00e3o \u00abUrbi et Orbi\u00bb <!--more--> Resurrexi, et adhuc tecum sum. Alleluia! \u2013 Ressuscitei, estou convosco para sempre. Aleluia! Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, Jesus crucificado e ressuscitado repete-nos hoje este jubiloso an\u00fancio: \u00e9 o an\u00fancio pascal. Acolhamo-lo com \u00edntimo enlevo e gratid\u00e3o!  \u00abResurrexi, et adhuc tecum sum \u2013 Ressuscitei e estou convosco para sempre\u00bb. Estas palavras, tiradas de uma antiga vers\u00e3o do Salmo 138 (v. 18b), ressoam ao in\u00edcio da Santa Missa de hoje. Nelas, ao nascer do sol de P\u00e1scoa, a Igreja reconhece a pr\u00f3pria voz de Jesus que, ao ressurgir da morte, Se dirige ao Pai cheio de felicidade e de amor, exclamando: Meu Pai, eis-Me aqui! Ressuscitei, estou ainda convosco e estarei para sempre; o vosso Esp\u00edrito nunca Me abandonou. E assim podemos compreender de modo novo ainda outras express\u00f5es do Salmo: \u00abSe subir aos c\u00e9us, l\u00e1 Vos encontro, \/ se descer aos infernos, igualmente. \/\u2026 \/ Nem sequer as trevas ser\u00e3o bastantes escuras para V\u00f3s, \/ e a noite ser\u00e1 clara como o dia; \/ tanto faz a luz como as trevas\u00bb (Sal 138, 8.12). \u00c9 verdade! Na solene vig\u00edlia de P\u00e1scoa, as trevas tornam-se luz, a noite cede o passo ao dia que n\u00e3o conhece ocaso. A morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus encarnado \u00e9 um acontecimento de amor insuper\u00e1vel, \u00e9 a vit\u00f3ria do Amor que nos libertou da escravid\u00e3o do pecado e da morte. Mudou o curso da hist\u00f3ria, infundindo um indel\u00e9vel e renovado sentido e valor \u00e0 vida do homem.  \u00abRessuscitei e estou convosco para sempre\u00bb. Estas palavras convidam-nos a contemplar Cristo ressuscitado, fazendo ressoar no nosso cora\u00e7\u00e3o a sua voz. Com o seu sacrif\u00edcio redentor, Jesus de Nazar\u00e9 tornou-nos filhos adoptivos de Deus, de tal modo que agora tamb\u00e9m n\u00f3s podemos inserir-nos no di\u00e1logo misterioso entre Ele e o Pai. Assoma \u00e0 mente aquilo que Ele disse um dia aos seus ouvintes: \u00abTudo Me foi entregue por meu Pai, e ningu\u00e9m conhece o Filho sen\u00e3o o Pai, como ningu\u00e9m conhece o Pai sen\u00e3o o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar\u00bb (Mt 11, 27). Nesta perspectiva, sentimos que a afirma\u00e7\u00e3o dirigida hoje por Jesus ressuscitado ao Pai \u2013 \u00abEstou convosco para sempre\u00bb \u2013 como que por reflexo diz respeito tamb\u00e9m a n\u00f3s, \u00abfilhos de Deus e co-herdeiros de Cristo, se sofremos com Ele para sermos tamb\u00e9m glorificados com Ele\u00bb (cf. Rom 8, 17). Gra\u00e7as \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje ressurgimos para uma vida nova e, unindo a nossa voz \u00e0 d\u2019Ele, proclamamos que queremos ficar para sempre com Deus, nosso Pai infinitamente bom e misericordioso.  Deste modo entramos na profundidade do mist\u00e9rio pascal. O facto surpreendente da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9, essencialmente, um acontecimento de amor: amor do Pai que entrega o Filho pela salva\u00e7\u00e3o do mundo; amor do Filho que, por todos n\u00f3s, Se abandona \u00e0 vontade do Pai; amor do Esp\u00edrito que ressuscita Jesus dentre os mortos com o seu corpo transfigurado. E ainda: amor do Pai que \u00ababra\u00e7a de novo\u00bb o Filho, envolvendo-O na sua gl\u00f3ria; amor do Filho que, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, volta ao Pai revestido da nossa humanidade transfigurada. E assim, da solenidade de hoje que nos faz reviver a experi\u00eancia absoluta e singular da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, vem um apelo para nos convertermos ao Amor; vem um convite para vivermos recusando o \u00f3dio e o ego\u00edsmo e seguirmos docilmente as pegadas do Cordeiro imolado pela nossa salva\u00e7\u00e3o, imitando o Redentor \u00abmanso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u00bb, que \u00e9 \u00abal\u00edvio para as nossas almas\u00bb (cf. Mt 11, 29).  Irm\u00e3os e irm\u00e3s crist\u00e3os de todas as partes do mundo, homens e mulheres de \u00e2nimo sinceramente aberto \u00e0 verdade! Que ningu\u00e9m feche o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 omnipot\u00eancia deste amor que redime! Jesus Cristo morreu e ressuscitou por todos: Ele \u00e9 a nossa esperan\u00e7a! Esperan\u00e7a verdadeira para todo o ser humano. Hoje, como fez outrora com os seus disc\u00edpulos na Galileia antes de voltar para o Pai, Jesus ressuscitado envia-nos tamb\u00e9m por toda a terra como testemunhas da sua esperan\u00e7a e assegura-nos: Eu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). Fixando o olhar da alma nas chagas gloriosas do seu corpo transfigurado, podemos compreender o sentido e o valor do sofrimento, podemos suavizar as muitas feridas que continuam a ensanguentar a humanidade ainda em nossos dias. Nas suas chagas gloriosas, reconhecemos os sinais indel\u00e9veis da miseric\u00f3rdia infinita de Deus, de que fala o profeta: Jesus \u00e9 Aquele que cura as feridas dos cora\u00e7\u00f5es despeda\u00e7ados, que defende os fracos e proclama a liberdade dos escravos, que consola todos os aflitos e concede-lhes o \u00f3leo da alegria em vez do h\u00e1bito de luto, um c\u00e2ntico de louvor em vez de um cora\u00e7\u00e3o triste (cf. Is 61,1.2.3). Se nos abeiramos d\u2019Ele com humilde confian\u00e7a, encontramos no seu olhar a resposta ao anseio mais profundo do nosso cora\u00e7\u00e3o: conhecer Deus e contrair com Ele uma rela\u00e7\u00e3o vital numa aut\u00eantica comunh\u00e3o de amor, que encha do seu pr\u00f3prio amor a nossa exist\u00eancia e as nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e sociais. Para isso, a humanidade precisa de Cristo: N\u2019Ele, nossa esperan\u00e7a, \u00abfomos salvos\u00bb (cf. Rom 8, 24).  Quantas vezes as rela\u00e7\u00f5es entre pessoa e pessoa, entre grupo e grupo, entre povo e povo, em vez de amor, s\u00e3o marcadas pelo ego\u00edsmo, pela injusti\u00e7a, pelo \u00f3dio, pela viol\u00eancia! S\u00e3o as pragas de humanidade, abertas e dolorosas em todo canto do planeta, mesmo se, frequentemente, ignoradas e, \u00e0s vezes, ocultadas de prop\u00f3sito; chagas que dilaceram almas e corpos de numerosos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Elas esperam ser sanadas e curadas pelas chagas gloriosas do Senhor ressuscitado (cf. 1Pd 2,24-25) e pela solidariedade dos que, sobre o seu rasto e em seu nome, p\u00f5em gestos de amor, empenhando-se com factos em prol da justi\u00e7a e difundem em volta de si sinais luminosos de esperan\u00e7a nos lugares ensanguentados pelos conflitos e sempre onde a dignidade da pessoa humana continua a ser desprezada e espezinhada . O ausp\u00edcio \u00e9 que precisamente ali se multipliquem os testemunhos de mansid\u00e3o e de perd\u00e3o.  Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s! Deixemo-nos iluminar pela luz fulgurante deste Dia solene; com sincera confian\u00e7a abramo-nos a Cristo ressuscitado, para que a sua vit\u00f3ria sobre o mal e sobre a morte triunfe tamb\u00e9m em cada um de n\u00f3s, nas nossas fam\u00edlias, nas nossas cidades e nas nossas Na\u00e7\u00f5es. Se manifeste no mundo inteiro. Como n\u00e3o pensar neste momento, de modo particular, em algumas regi\u00f5es africanas, tais como o Darfur e a Som\u00e1lia; no atormentado Oriente M\u00e9dio, especialmente na Terra Santa, no Iraque, no L\u00edbano, em enfim no Tibete, regi\u00f5es para as quais fa\u00e7o votos por que se encontrem solu\u00e7\u00f5es que salvaguardem o bem e a paz! Imploremos a plenitude dos dons pascais, por intercess\u00e3o de Maria que, depois de ter compartilhado os sofrimentos da paix\u00e3o e crucifix\u00e3o do seu Filho inocente, tamb\u00e9m experimentou a alegria inef\u00e1vel da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Associada \u00e0 gl\u00f3ria de Cristo, seja Ela a proteger-nos e a guiar-nos pelo caminho da solidariedade fraterna e da paz. S\u00e3o estes os votos pascais que formulo para v\u00f3s aqui presentes e para os homens e mulheres de todas as na\u00e7\u00f5es e continentes que est\u00e3o unidos connosco atrav\u00e9s da r\u00e1dio e da televis\u00e3o. Uma P\u00e1scoa feliz! <i>FOTO: Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa recordou Darfur e Som\u00e1lia, Terra Santa, Iraque, L\u00edbano e Tibete antes da B\u00ean\u00e7\u00e3o \u00abUrbi et Orbi\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206,275,314,317],"class_list":["post-30876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia","tag-pascoa","tag-solidariedade","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}