{"id":30872,"date":"2008-03-22T21:26:27","date_gmt":"2008-03-22T21:26:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/22\/pascoa-a-terra-prometida\/"},"modified":"2008-03-22T21:26:27","modified_gmt":"2008-03-22T21:26:27","slug":"pascoa-a-terra-prometida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pascoa-a-terra-prometida\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa, a Terra Prometida"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com Pe. Vasco Pinto de Magalh\u00e3es conduz os nossos sentidos pelos caminhos que partem da celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o <!--more--> O que significa celebrar a P\u00e1scoa? Que sentido tem esta celebra\u00e7\u00e3o para a vida dos homens e mulheres do nosso tempo? Ao longo desta entrevista com a Ag\u00eancia ECCLESIA, o jesu\u00edta Vasco Pinto de Magalh\u00e3es fala dos horizontes que se abrem com a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus  <i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Depois de 40 dias no deserto, a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o o\u00e1sis que surge nesse terreno \u00e1rido? Vasco Pinto Magalh\u00e3es (VPM) \u2013<\/i> A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 mais que um o\u00e1sis. \u00c9 a Terra Prometida. O o\u00e1sis \u00e9 um s\u00edtio de passagem. Para n\u00f3s, que estamos neste mundo de espa\u00e7o e de tempo, a P\u00e1scoa que ensaiamos \u00e9 a imagem da Terra Prometida, do fim do deserto. <i>AE \u2013 Esta Terra Prometida surge-nos com frequ\u00eancia no nosso caminho ou apenas uma vez por ano? VPM \u2013<\/i> Est\u00e1 sempre no nosso horizonte. Quem conduz a vida \u00e9 a nossa finalidade. Ela conduz-nos todo o caminho e o percurso. N\u00f3s estamos virados para a busca da alegria e da plenitude. Este caminho est\u00e1 sempre presente, mas deve ser em crescendo porque a vida \u00e9 uma tens\u00e3o entre o que j\u00e1 \u00e9 e aquilo que encontraremos um dia. <i>AE \u2013 \u00c9 uma busca de alegria com tens\u00f5es? VPM \u2013<\/i> A alegria tem v\u00e1rias conota\u00e7\u00f5es. Nem sempre entendemos a palavra alegria do mesmo modo. A alegria pascal \u00e9 um estado de \u00e2nimo que me vira para fora e me abre aos outros. E abre-me tamb\u00e9m ao futuro. No entanto, utilizamos a palavra alegria para dizer estados de esp\u00edrito e de mero contentamento que t\u00eam uma carga mais ego\u00edsta. H\u00e1 uma alegria ego\u00edsta e uma alegria altru\u00edsta. A P\u00e1scoa \u00e9 aquilo que Jesus Cristo nos trouxe com a Ressurrei\u00e7\u00e3o. Ele trouxe-nos tr\u00eas coisas: a certeza de ser amado, a certeza que a vida faz sentido (h\u00e1 futuro) e a certeza que n\u00e3o ando neste mundo por ver andar os outros. <i>AE \u2013 A alegria que nasce destas tr\u00eas verdades \u00e9 diferente da mera satisfa\u00e7\u00e3o? VPM \u2013<\/i> \u00c9 totalmente diferente. Para esses estados de esp\u00edrito nem dev\u00edamos utilizar o termo alegria, mas satisfa\u00e7\u00e3o. <i>AE \u2013 A verdadeira alegria tem ra\u00edzes na P\u00e1scoa. VPM \u2013<\/i> Sim. No entanto, a primeira raiz \u00e9 uma alegria egoc\u00eantrica (a busca de si pr\u00f3prio), a outra \u00e9 uma convers\u00e3o que vem por gra\u00e7a. <i>AE \u2013 Os crist\u00e3os t\u00eam fome desta alegria que \u00e9 P\u00e3o Vivo? VPM \u2013<\/i> Deveriam ter porque esta alegria \u00e9 o distintivo do crist\u00e3o. \u00c9 um estar virado para fora e uma vontade de viver e de comunicar. Esta alegria \u00e9 compat\u00edvel com a tristeza. \u00c9 misterioso, mas podemos estar tristes e alegres em simult\u00e2neo. <i>AE \u2013 N\u00e3o \u00e9 um sentimento contradit\u00f3rio? VPM \u2013<\/i> A P\u00e1scoa \u00e9 uma alegria dorida. \u00c9 uma alegria que ainda est\u00e1 a caminho, n\u00e3o \u00e9 plena. Tem as marcas do sofrimento da humanidade e do nosso pr\u00f3prio pecado. No entanto, \u00e9 alegria porque \u00e9 certeza de ser amado e que h\u00e1 futuro. O que contradiz a alegria n\u00e3o \u00e9 a tristeza, mas o pessimismo. <i>AE \u2013 Esta caminhada permanente tem apenas 40 dias ou \u00e9 o ano lit\u00fargico? VPM \u2013<\/i> Quarenta dias \u00e9 um paradigma para dizer que estamos sempre nesse percurso. No ano lit\u00fargico fazemos o acompanhamento da vida de Cristo. Estes Quarenta dias s\u00e3o, propriamente, a prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa de uma forma intensiva. Para n\u00f3s, enquanto n\u00e3o passarmos desta vida para a vida plena estamos sempre em Quaresma. Estamos a treinar a alegria e o optimismo. <i>AE \u2013 S\u00f3 depois aparece a fonte inesgot\u00e1vel. Conseguimos encontrar essa fonte? VPM \u2013<\/i> N\u00e3o podia existir alegria se houvesse essa d\u00favida de que a travessia n\u00e3o acabaria nunca. Nesses casos, em vez da alegria ter\u00edamos o divertimento e a euforia que s\u00e3o suced\u00e2neos e moment\u00e2neos para enganar a falta de sentido. O divertimento n\u00e3o \u00e9 a verdadeira alegria. <i>AE \u2013 No entanto, a P\u00e1scoa \u00e9 simbolizada com o som das trombetas e da festa? VPM \u2013<\/i> Esta alegria est\u00e1 relacionada com a festa que j\u00e1 \u00e9 porque, quando a preparo, j\u00e1 me sinto em festa. Quando algu\u00e9m prepara uma festa de anivers\u00e1rio ou de homenagem n\u00e3o \u00e9 apenas aquele dia que \u00e9 festivo. Toda a prepara\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 festa.  <b>S\u00edmbolos e significados<\/b> <i>AE \u2013 Para vivermos melhor a festa, acende-se o C\u00edrio Pascal. VPM \u2013<\/i> O C\u00edrio \u00e9 um s\u00edmbolo da passagem das trevas \u00e0 luz. Acende-se para mostrar que h\u00e1 uma luz que come\u00e7a a tomar conta do espa\u00e7o. Este s\u00edmbolo significa a luz no meio das trevas, mas significa, igualmente, que s\u00f3 se gastando haver\u00e1 luz. \u00c9 preciso que a vela e a cera se gaste para que haja luz. N\u00e3o chegamos \u00e0 alegria sem a nossa entrega e sacrif\u00edcio. Quem n\u00e3o se quer gastar no amor n\u00e3o chega \u00e0 luz. <i>AE \u2013 \u00c9 uma simbologia material visto que a cera desaparece. VPM \u2013<\/i> O s\u00edmbolo \u00e9 algo material que nos projecta para uma realidade espiritual. Como s\u00edmbolo tem os seus limites. N\u00f3s tamb\u00e9m nos gastamos, mas a luz fica. Um dia, a nossa dimens\u00e3o hist\u00f3rica passa.  <i>AE \u2013 Ent\u00e3o, a Ressurrei\u00e7\u00e3o para os crist\u00e3os \u00e9 como o girassol que roda com o sol? VPM \u2013<\/i> N\u00e3o \u00e9 apenas um contemplar Cristo, mas participar desse Cristo. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a passagem do prec\u00e1rio e temporal para a eternidade. O girassol acompanha a luz e n\u00f3s, mais do que acompanhar, vamos participando. <i>AE \u2013 Um poeta diz que \u00abA beleza \u00e9 t\u00e3o grande e n\u00f3s somos t\u00e3o fr\u00e1geis\u00bb. Uma defini\u00e7\u00e3o de P\u00e1scoa? VPM \u2013<\/i> N\u00f3s percebemos que somos feitos para mais do que, naturalmente, conseguimos. A alegria pascal \u00e9 um dom e uma gra\u00e7a que nos ultrapassa. No entanto, estamos destinados a caminhar. As narrativas evang\u00e9licas das apari\u00e7\u00f5es mostram que esta alegria transforma. Estes textos s\u00e3o fundamentais para percebermos a mudan\u00e7a que desejamos, mas que muitas vezes duvidamos que seja poss\u00edvel. Como temos uma tenta\u00e7\u00e3o racionalista de que o mundo est\u00e1 fechado sobre si pr\u00f3prio, esta proposta parece-nos uma coisa estranha. <i>AE \u2013 O Pe. Moreira das Neves escreveu \u00abCristo Ressuscitou! Floriu a Primavera\u00bb. Qual a esta\u00e7\u00e3o do ano que simboliza a Ressurrei\u00e7\u00e3o? VPM \u2013<\/i> (Risos) De alguma maneira \u00e9 a Primavera, mas a Ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o os frutos. Na Primavera aparecem as flores. No entanto, a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o fruto de tudo isso. Essa imagem aparece no Evangelho de S. Jo\u00e3o: \u201cSe a semente n\u00e3o der fruto&#8230;\u00bb. O fruto \u00e9 onde ressuscita a semente. Se a flor n\u00e3o der fruto pode ser uma coisa bonita, mas enganadora. Fica mais cosm\u00e9tica (ef\u00e9mera) do que c\u00f3smica (transformadora). <i>AE \u2013 \u00c9 fundamental um germinar constante? VPM \u2013<\/i> \u00c9 a capacidade de dar fruto, amor, paz, servi\u00e7o e sentido para a vida. A alegria vem da\u00ed. A pessoa sem P\u00e1scoa n\u00e3o tem estas coisas e fica fechada sobre si pr\u00f3prio. Vive de forma contradit\u00f3ria como um rio que n\u00e3o desagua. Ao imaginarmos um rio que n\u00e3o desagua temos uma sensa\u00e7\u00e3o de tristeza.   <b>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/b> <i>AE \u2013 A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a nascente ou \u00e9 a foz? VPM \u2013<\/i> Para n\u00f3s \u00e9 a foz. \u00c9 espantoso, mas o fim comanda a vida. Cristo \u00e9 o Alfa e o Omega. Jesus \u00e9 nascente e foz. Este \u00e9 o grande mist\u00e9rio, por isso nunca estamos abandonados. Sentimos que vamos para onde vimos. <i>AE \u2013 Ser\u00e1 que as margens dos rios n\u00e3o nos distraem na caminhada para a foz? VPM \u2013<\/i> Podem. No entanto \u00e9 um engano trocarmos o fim pelos meios imediatos. Esta \u00e9 a desgra\u00e7a de tanta gente que se contenta com as pequenas satisfa\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas. Se tal acontecer, empata a sua vida. Seria um grande engano deste mundo. As margens verdes n\u00e3o nos podem satisfazer na plenitude. Entr\u00e1vamos no caminho da escravid\u00e3o. \u00c0s vezes, os pol\u00edticos querem isso quando nos contentam com rebu\u00e7ados. <i>AE \u2013 Estilo am\u00eandoas fora da P\u00e1scoa. VPM \u2013<\/i> \u00c0s vezes \u00e9. S\u00e3o suced\u00e2neos pobres e enganadores. <i>AE \u2013 \u00c9 caso para dizer \u00abCora\u00e7\u00f5es olhai. Renascem as a\u00e7ucenas\u00bb VPM \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Necessitamos de educar o olhar para podermos perceber o fruto que est\u00e1 contido na semente e na flor. Esta \u00e9 o sinal imediato da Primavera e do Ver\u00e3o que \u00e9 o fruto. Se n\u00e3o educarmos o nosso olhar vivemos \u00e0 superf\u00edcie das coisas e nunca chegaremos a esta alegria. A esta, o Evangelho chama-lhe consola\u00e7\u00e3o e for\u00e7a interior. Ela experimenta a paz e comunica a paz. <i>AE \u2013 O Evangelho \u00e9 como o orvalho que alimenta a vida e a mant\u00e9m fresca? VPM \u2013<\/i> O Evangelho \u00e9 mais do que as gotas de orvalho. Ele \u00e9 p\u00e3o e \u00e1gua que fecunda. No entanto, a imagem do orvalho tamb\u00e9m ajuda a percebermos e a entrarmos no Evangelho. A Palavra rega a nossa vida. <i>AE \u2013 \u00c9 um \u00abN\u00e3o fales, n\u00e3o digas nada! Eu absorvo com o olhar\u00bb VPM \u2013<\/i> O sil\u00eancio \u00e9 fundamental na caminhada. Tal como saber ver para al\u00e9m do imediato. Vivemos num mundo muito hist\u00e9rico e euf\u00f3rico que n\u00e3o tem tempo nem d\u00e1 tempo \u00e0 profundidade. Tudo se passa em corrida e num modo muito alienante. \u00c9 uma forma de vida muito passageira e sem P\u00e1scoa. \u00c9 um contentar-se com as margens sem ir ao fundo da quest\u00e3o. <i>AE \u2013 Falta abrir o caminho at\u00e9 ao Mar. VPM \u2013<\/i> O Profeta Ezequiel fala neste rio que tempera e ado\u00e7a as \u00e1guas do mar. <i>AE \u2013 Nessas \u00e1guas do mar, a Ressurrei\u00e7\u00e3o espelha-se e espalha-se? VPM \u2013<\/i> A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 esse mar sem fim. \u00c9 um corpo m\u00edstico onde cada um de n\u00f3s tem um lugar pessoal. \u00c9 um encontro interpessoal. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um alerta e uma cr\u00edtica ao mundo de hoje que confunde globaliza\u00e7\u00e3o com massifica\u00e7\u00e3o. Hoje, massifica-se e n\u00e3o se personaliza. N\u00e3o se pode aniquilar a personalidade, mas fazer a comunh\u00e3o de todas as personalidades. <i>AE \u2013 Temos um mundo enganador&#8230; VPM \u2013<\/i> Massifica-nos. Tenta transmitir-nos que somos todos iguais, em vez de nos dizer que somos todos irm\u00e3os. Tira-nos a alegria do futuro para nos dar o contentamento do rebu\u00e7ado. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a desta mentalidade e desta cultura. <i>AE \u2013 Falta-nos o toque nas \u00e1guas desse mar VPM \u2013<\/i> N\u00f3s j\u00e1 tocamos e pertencemos a Cristo pleno. \u00c9 uma alegria dorida e marcada pelo sofrimento porque ainda n\u00e3o \u00e9 plena. N\u00e3o \u00e9 uma realidade adiada&#8230; Vivemos em processo, mas n\u00e3o adiados. <i>AE \u2013 Caminhamos no areal infinito ao lado do mar. As ondas desse oceano molham o nosso corpo? VPM \u2013<\/i> Molhamos os p\u00e9s. N\u00e3o \u00e9 um mar sem fundo, mas entramos cada vez mais nele. S. Paulo diz-nos isso. A cabe\u00e7a passou, mas o resto ainda sofre as dores de parto. \u00c9 como o aperto do b\u00e9b\u00e9 ao nascer.  <i>AE \u2013 \u00c9 um ninho maternal? VPM \u2013<\/i> A imagem do nascimento \u00e9 muito pr\u00f3pria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. A cabe\u00e7a do b\u00e9b\u00e9 saiu, mas o corpo sofre as tenta\u00e7\u00f5es de voltar ao calor do \u00fatero materno. <i>AE \u2013 A pequenez do homem n\u00e3o tem receio do horizonte long\u00ednquo deste mar? VPM \u2013<\/i> Temos medo de nos afogar. Temos medo de n\u00e3o saber gerir essa imensid\u00e3o. Temos medo de perder a nossa personalidade. As coisas fascinantes e belas como a Ressurrei\u00e7\u00e3o assustam-nos. Duvidamos&#8230; Trememos quando entramos nesse imenso mar. <i>AE \u2013 No entanto, esse mar frio transmite-nos calor. VPM \u2013<\/i> A condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 um processo de transforma\u00e7\u00e3o. Humaniza-se cada vez mais quando recebe e d\u00e1 esse calor. \u00c9 um risco&#8230; h\u00e1 um desejo quente por um lado e arrepios por outro. Como temos medo, somos redutores. Queremos preto ou branco, mas a vida n\u00e3o \u00e9 preta ou branca. \u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o da passagem das estrelas \u00e0 luz. A luz cresce, mas ainda h\u00e1 trevas. <i>AE \u2013 Que paisagem escolheria para observar o espelho da Ressurrei\u00e7\u00e3o? VPM \u2013<\/i> O alto da montanha. Se, dessa montanha, pudesse ver o mar teria uma perspectiva mais global. Observava a beleza do conjunto a brotar. Tamb\u00e9m vejo essa grandeza numa pequena flor que nasce num vaso. Aparece uma cria\u00e7\u00e3o nova&#8230; <i>AE \u2013 \u00c9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o sempre presente&#8230; VPM \u2013 <\/i>\u00c9 o amor criador e re-criador. Tamb\u00e9m \u00e9 uma boa imagem da Ressurrei\u00e7\u00e3o, duas pessoas que se perdoam. Duas pessoas que d\u00e3o um abra\u00e7o de reconcilia\u00e7\u00e3o. Estavam separados e mortos um para o outro, mas encontraram-se. <i>AE \u2013 Um tra\u00e7o de luz reconciliadora que emana da Ressurrei\u00e7\u00e3o VPM \u2013<\/i> Um risco luminoso de comunh\u00e3o. O nosso mundo tem medo de perdoar e de ser perdoado. Um mundo precisa de um abra\u00e7o de encontro. <i>AE \u2013 Esse abra\u00e7o pascal poderia ser pintado na tela do pintor. Que obra de arte escolheria para simbolizar a Ressurrei\u00e7\u00e3o? VPM &#8211; <\/i> O nascer do sol toca-me&#8230; Tenho sempre presente o quadro de Van Gogh com o \u00absemeador e o sol a nascer\u00bb. O sol nasce, a semente \u00e9 lan\u00e7ada, a vida brota e a noite acaba. <i>AE \u2013 \u00c9 um \u00ablivro aberto\u00bb exposto na tela? VPM \u2013 <\/i>A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00abpor dentro\u00bb da vida. \u00c9 o dinamismo da vida que vai brotando e vai vencendo as trevas. <i>AE \u2013 \u00c9 o dia que nasce da madrugada&#8230; VPM \u2013 <\/i>Celebramos isso na Vig\u00edlia Pascal. S\u00f3 assim o mundo novo ganha espa\u00e7o. O que estraga a P\u00e1scoa \u00e9 o orgulho, a mentira, a prepot\u00eancia e a opress\u00e3o dos mais fracos. \u00c9 dif\u00edcil a P\u00e1scoa quando as pessoas s\u00e3o contra a cria\u00e7\u00e3o. <i>AE \u2013 Na Vig\u00edlia Pascal, os crist\u00e3os deviam dizer: \u00abVimos nascer um Sol brilhante\u00bb VPM \u2013<\/i> N\u00f3s dizemos \u00abSol nascente que nos vem visitar\u00bb. <i>AE \u2013 No entanto h\u00e1 o perigo de ficarmos no ritualismo? VPM \u2013<\/i> (Risos). A P\u00e1scoa tem que ser um crescendo&#8230; Esperamos pelo dia pleno&#8230;  <i>AE \u2013 E pelo dia novo? VPM \u2013<\/i> \u00c9 o primeiro dia que se torna o \u00faltimo dia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Pe. Vasco Pinto de Magalh\u00e3es conduz os nossos sentidos pelos caminhos que partem da celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[275,91],"class_list":["post-30872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}