{"id":30871,"date":"2008-03-22T21:01:30","date_gmt":"2008-03-22T21:01:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/22\/milhares-de-pessoas-no-coliseu-para-uma-via-sacra-em-tons-orientais\/"},"modified":"2008-03-22T21:01:30","modified_gmt":"2008-03-22T21:01:30","slug":"milhares-de-pessoas-no-coliseu-para-uma-via-sacra-em-tons-orientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/milhares-de-pessoas-no-coliseu-para-uma-via-sacra-em-tons-orientais\/","title":{"rendered":"Milhares de pessoas no Coliseu para uma Via-Sacra em tons orientais"},"content":{"rendered":"<p>Milhares de pessoas juntaram-se no Coliseu de Roma, na noite desta Sexta Feira Santa, para uma Via-Sacra em tons orientais, com a China sempre como pano de fundo. Nem a chuva, o vento ou as recentes amea\u00e7as vindas de um outro Oriente afastaram os fi\u00e9is de um dos momentos mais simb\u00f3licos da Semana Santa no Vaticano.  As medita\u00e7\u00f5es escritas pelo Bispo de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze-Kiun, para a Via-Sacra colocaram em primeiro plano, embora sem nunca citar a China, os sofrimentos da \u201cIgreja do sil\u00eancio\u201d do seu pa\u00eds. O Cardeal lembrou a condi\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os perseguidos pela sua f\u00e9 \u2013 \u201cm\u00e1rtires do nosso s\u00e9culo \u2013 a aus\u00eancia de liberdade religiosa e as injusti\u00e7as cometidas pelo Estado, \u201ca trai\u00e7\u00e3o efectuada tamb\u00e9m por homens de Igreja, que, por\u00e9m, ser\u00e1 aquela que no final ganhar\u00e1 a sua vitoria. Os coliseus multiplicaram-se atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, &#8211; escreve o Cardeal Zen, referindo-se ao Coliseu como lugar hist\u00f3rico de mart\u00edrio &#8211; nos lugares onde os nossos irm\u00e3os em diferentes partes do mundo, continuando a vossa Paix\u00e3o, ainda hoje s\u00e3o duramente perseguidos.  E \u00e9 este tamb\u00e9m um destino que diz respeito tamb\u00e9m \u00e0 Igreja, a Esposa de Cristo que em muitas partes do mundo, est\u00e1 atravessando a hora tenebrosa da persegui\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, reafirma mais adiante nas suas medita\u00e7\u00f5es &#8211; falanges de inocentes foram condenados a sofrimentos atrozes. Algu\u00e9m grita que \u00e9 uma injusti\u00e7a, mas s\u00e3o eles, os inocentes, que em comunh\u00e3o com Cristo, o Inocente, expiam os pecados do mundo. No momento de falar de Pilatos \u201cimagem de todos aqueles que det\u00eam a autoridade como instrumento de poder e descuidam a justi\u00e7a, a ora\u00e7\u00e3o afirmou: \u201cIluminai a consci\u00eancia de tantas pessoas constitu\u00eddas em autoridade, para que reconhe\u00e7am a inoc\u00eancia dos vossos seguidores. Dai-lhes a coragem de respeitar a liberdade religiosa\u201d.  E os poderosos \u2013 explica o Cardeal Zen &#8211; s\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que controlam o com\u00e9rcio e os mass media; mas, h\u00e1 tamb\u00e9m a gente que se deixa facilmente manipular pelos poderosos para oprimir os fracos.  Sem fazer uma refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 divis\u00e3o da Igreja chinesa, entre a igreja patri\u00f3tica e a \u201csubterr\u00e2nea\u201d, as medita\u00e7\u00f5es falando de Judas fazem referencia \u00e0 trai\u00e7\u00e3o que surpreende sobretudo se se referem tamb\u00e9m aos pastores do rebanho de Deus. Um pensamento foi tamb\u00e9m para as m\u00e3es que, sob risco de pris\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o, continuaram a rezar em fam\u00edlia, cultivando no cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a de tempos melhores. A invoca\u00e7\u00e3o proposta pelo Bispo de Hong Kong a prop\u00f3sito da Igreja perseguida \u00e9 que o sangue dos m\u00e1rtires se torne semente de novos crist\u00e3os, que a certeza, de que os seus sofrimentos, embora no momento presente pare\u00e7am uma derrota completa levar\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria completa da Igreja. \u201cSenhor \u2013 foi a ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is durante a Via-sacra no Coliseu de Roma \u2013 dai const\u00e2ncia aos nossos irm\u00e3os perseguidos. Senhor, fazei-nos perseverantes na uni\u00e3o com a Igreja do sil\u00eancio e na aceita\u00e7\u00e3o da necessidade de desaparecer e morrer como o gr\u00e3o de trigo\u201d. <b>Cruz torna-nos irm\u00e3os<\/b> &#8220;A Cruz torna-nos irm\u00e3os\u201d uns dos outros, \u201csem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a ou de cultura\u201d, pois \u201cJesus Cristo morreu para libertar toda a humanidade da ignor\u00e2ncia de Deus, do c\u00edrculo do \u00f3dio e da viol\u00eancia, da escravid\u00e3o do pecado\u201d: recordou Bento XVI, no final da Via Sacra.  O Papa convidou todos a interrogarem-se sobre o que t\u00eam feito do dom que a Cruz de Cristo constitui: \u201cQue fizemos n\u00f3s da revela\u00e7\u00e3o do rosto de Deus em Cristo, da revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus que vence o \u00f3dio?\u201d   Muitos s\u00e3o os que, na nossa \u00e9poca, n\u00e3o conhecem Deus e n\u00e3o O conseguem encontrar em Cristo crucificado \u2013 observou Bento XVI. \u201cS\u00e3o tantos os que se encontram \u00e0 busca de um amor e de uma liberdade que exclua Deus. Tantos cr\u00eaem n\u00e3o precisar de Deus\u201d. Ora \u2013 sublinhou \u2013 \u201cJesus \u00e9 a Verdade que nos torna livres de amar. N\u00e3o temamos!. Morrendo, Jesus salvou os pecadores, isto \u00e9, todos n\u00f3s\u201d.   \u201c\u00c9 esta a verdade da Sexta-feira Santa: na cruz o Redentor restituiu-nos a dignidade que nos pertence, tornou-nos filhos adoptivos de Deus que nos criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Permane\u00e7amos portanto em adora\u00e7\u00e3o diante da Cruz\u201d.   Insistente o apelo do Papa a que dirijamos para Cristo \u201co nosso olhar, tantas vezes distra\u00eddo por interesses terrenos dispersivos e ef\u00e9meros\u201d, fixando-nos sobre a Cruz.  \u201cA Cruz \u00e9 nascente de vida imortal, \u00e9 escola de justi\u00e7a e de paz, \u00e9 patrim\u00f3nio universal de perd\u00e3o e de miseric\u00f3rdia; \u00e9 prova permanente de um amor oblativo e infinito que levou Deus a fazer-se homem vulner\u00e1vel como n\u00f3s at\u00e9 morrer crucificado. Os seus bra\u00e7os pregados (na cruz) abrem-se para cada um dos seres humanos e convidam-nos a aproximarmo-nos d\u2019Ele na certeza de que Ele nos acolhe e nos abra\u00e7a com uma ternura infinita\u201d.  \u201cReconciliados e redimidos pelo sangue de Cristo, os homens de cada \u00e9poca tornaram-se amigos de Deus, filhos do Pai celeste\u201d. Jesus \u00e9 \u201cverdadeiro amigo de todos\u201d e de cada um\u2026  \u201cInfelizmente, nem sempre os homens conseguem advertir a profundidade deste amor ilimitado que Deus nutre pelas suas criaturas. Para Ele n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a de ra\u00e7a e cultura. Jesus Cristo morreu para libertar toda a humanidade da ignor\u00e2ncia de Deus, do c\u00edrculo do \u00f3dio e da viol\u00eancia, da escravid\u00e3o do pecado. A Cruz torna-nos irm\u00e3os e irm\u00e3s\u201d.  <i>(Com R\u00e1dio Vaticano) FOTO: Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de pessoas juntaram-se no Coliseu de Roma, na noite desta Sexta Feira Santa, para uma Via-Sacra em tons orientais, com a China sempre como pano de fundo. 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