{"id":30870,"date":"2008-03-22T20:48:32","date_gmt":"2008-03-22T20:48:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/22\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/"},"modified":"2008-03-22T20:48:32","modified_gmt":"2008-03-22T20:48:32","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><i>A morte de Cristo suscita compromisso de f\u00e9 firme<\/i> <!--more--> 1 \u2013 A morte n\u00e3o \u00e9 fim  A celebra\u00e7\u00e3o da Sexta-Feira Santa \u00e9, sem d\u00favida, a express\u00e3o m\u00e1xima do paradoxo crist\u00e3o, aquele que \u00e9 considerado esc\u00e2ndalo para todos. De facto, nesta celebra\u00e7\u00e3o parece ser celebrada a pr\u00f3pria morte, isto \u00e9, a destrui\u00e7\u00e3o do humano e mesmo do pr\u00f3prio projecto da cria\u00e7\u00e3o. Mais do que isso, o pr\u00f3prio Deus parece sucumbir ao mal que penetrou na cria\u00e7\u00e3o. A maldade, na sua for\u00e7a m\u00e1xima, apodera-se do pr\u00f3prio Deus que, na cruz, foi feito sua v\u00edtima.  Mas n\u00e3o \u00e9 isto a celebra\u00e7\u00e3o do fim? Da vit\u00f3ria do mal sobre o bem? Como podemos n\u00f3s, ent\u00e3o, fazer mem\u00f3ria da paix\u00e3o? Como podemos n\u00f3s, no extremo, adorar a pr\u00f3pria cruz? Que fazemos n\u00f3s, quando celebramos a Sexta-Feira Santa?  Celebramos, precisamente, o n\u00facleo do mist\u00e9rio crist\u00e3o: a vit\u00f3ria sobre o mal, mesmo sobre a morte. Mas como \u00e9 isso poss\u00edvel, se o que se nos apresenta \u00e9 o inverso?  Na paix\u00e3o de Jesus \u2013 simbolicamente representada na sua cruz \u2013 Deus faz-se v\u00edtima com as v\u00edtimas, por op\u00e7\u00e3o livre de amor. O dom da Sua vida, porque \u00e9 um dom livre, simplesmente justificado pelo amor, \u00e9 o dom escandaloso que d\u00e1 a vida. O \u00fanico dom que d\u00e1 a vida eterna. Por isso, a celebra\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria crist\u00e3 \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da cruz \u2013 n\u00e3o da cruz, em si mesma, que \u00e9 sempre negativa; mas da cruz de Cristo, que \u00e9 a \u00fanica que realmente salva.  Mas n\u00e3o salva de modo autom\u00e1tico. A salva\u00e7\u00e3o oferecida na paix\u00e3o de Jesus torna-se real, em cada crist\u00e3o e em cada comunidade crist\u00e3, na medida em que \u00e9 acolhida por cada um. Acolhida n\u00e3o propriamente em atitude sentimentalista de lamenta\u00e7\u00e3o pelo que aconteceu, ou de compaix\u00e3o superficial. A verdadeira compaix\u00e3o com a paix\u00e3o de Jesus \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o do dom da vida como doa\u00e7\u00e3o da vida de cada um. Paradoxalmente, a aceita\u00e7\u00e3o da vida eterna, implica a aceita\u00e7\u00e3o da morte e, de certo modo, a aceita\u00e7\u00e3o do caminho do sofrimento. Porque s\u00f3 essa solidariedade com Cristo \u2013 que \u00e9 a solidariedade com todos os que sofrem \u2013 \u00e9 que abre o caminho da vida. Todos os outros caminhos s\u00e3o simplesmente ilus\u00f3rios e ideologicamente pervertidos.  Sempre que assumimos o caminho da cruz, por doa\u00e7\u00e3o livre da nossa vida aos outros, estamos a fazer mem\u00f3ria salv\u00edfica da \u00fanica ac\u00e7\u00e3o que nos salva. S\u00f3 desse modo, isto \u00e9, s\u00f3 no nosso compromisso at\u00e9 \u00e0 morte, em solidariedade com o sofrimento dos outros, \u00e9 que seremos salvos \u2013 n\u00f3s e todos os outros. Neste paradoxo revela-se-nos a paradoxal bondade de Deus, aquele que \u00e9 capaz de se compadecer com as nossas fraquezas e que, nessa compaix\u00e3o, porque \u00e9 uma paix\u00e3o em todos os sentidos, nos liberta para a verdadeira vida.  2 \u2013 A f\u00e9 consciente \u00e9 reposta ao dom de Deus  Para al\u00e9m deste assumir as dores como manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus, perante este dom sublime emerge um compromisso: ser fiel ao mesmo amor \u00e9 acordar para uma f\u00e9 mais s\u00f3lida em Cristo que nos amou desta maneira.  O relato da Paix\u00e3o termina com o testemunho\/ compromisso de dois homens: Jos\u00e9 de Arimateia e Nicodemos. Um era disc\u00edpulo de Jesus, \u201cembora oculto por medo dos judeus\u201d; o outro tinha ido de noite ao encontro do mesmo Jesus.  Vejo nestes dois homens uma certa semelhan\u00e7a com alguns cat\u00f3licos de hoje. Identificam-se como cat\u00f3licos mas vivem escondidos \u201cna noite\u201d por medo do que os outros poder\u00e3o dizer ou fazer. A atitude de Nicodemos e de Jos\u00e9 de Arimateia de estarem presentes no alto do Calv\u00e1rio, num momento de fracasso e desilus\u00e3o, tem de questionar a vida de muitos crentes. A f\u00e9 n\u00e3o se pode ocultar, ela deve permear as realidades humanas ainda que manifestem destrui\u00e7\u00e3o e fim duma aventura. O gesto deles tornou-se condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que a pedra rolasse na manh\u00e3 de Ressurrei\u00e7\u00e3o e Cristo surgisse de novo a congregar os Seus filhos dispersos. Nem sempre s\u00e3o necess\u00e1rios muitos para mudar o ritmo dos acontecimentos. A fidelidade dum pequeno grupo pode recuperar tempo perdido e acordar os sonolentos ou os que fugiram \u00e0 crueldade dos acontecimentos.  O profeta Isa\u00edas dizia: \u201cFoi eliminado por senten\u00e7a in\u00edqua, mas quem se preocupa com a Sua sorte?\u201d (Is 52, 15-53). Lamentar-se ou derramar l\u00e1grimas \u00e9 alguma coisa. A causa de Jesus, no presente e no futuro, est\u00e1 nas nossas m\u00e3os e os crist\u00e3os devem preocupar-se com o futuro do cristianismo. Com tanto agnosticismo e laicismo que quotidianamente v\u00e3o provocando a morte de Cristo, de maneira aberta ou camuflada, imp\u00f5e-se que o compromisso da fidelidade e autenticidade de vida volte \u00e1s nossas comunidades, \u00e0s fam\u00edlias e aos lugares de trabalho. O mundo necessita de ver um Cristo que se deu por amor e que continua vivo e operante na hist\u00f3ria.  3 \u2013 Permanecer firmes na f\u00e9  Quero recordar quanto nos \u00e9 comunicado na Carta aos Hebreus: \u201cTendo n\u00f3s um sumo sacerdote que penetrou os c\u00e9us, Jesus, Filho de Deus, permane\u00e7amos firmes na profiss\u00e3o da nossa f\u00e9\u201d (Heb 4, 14-16). Alguns poder\u00e3o abandonar, outros contentar-se-\u00e3o com momentos ocasionais, outros orgulhar-se-\u00e3o de serem o contradit\u00f3rio de cat\u00f3licos n\u00e3o praticantes. Perante este cen\u00e1rio duma \u201cfuga\u201d, a morte de Cristo espera que outros permane\u00e7am firmes na profiss\u00e3o de f\u00e9, indo contra-corrente ou sujeitando-se a ser ridicularizados.  Acredito, seriamente, que as for\u00e7as contr\u00e1rias continuam a planear e a executar um plano de morte de Cristo e do cristianismo. Basta estar minimamente atento aos sinais que o quotidiano nos oferece para reconhecer este trabalho persistente. Vale a pena condenar ou preocupar-se em conhecer os pormenores que obstacularizam a viv\u00eancia da f\u00e9? Mais do que deter-nos em considera\u00e7\u00f5es, \u00e9 fundamental e urgente permitir que entre no cora\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos o que Cristo respondeu a Herodes: \u201cSou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d (Jo 18 1-19). S\u00f3 a escuta da voz de Deus, ou seja da Palavra confiada \u00e0 Igreja, far\u00e1 que vejamos a ac\u00e7\u00e3o de Deus na noite escura cultural e moral que nos tocou viver. Depois, toca-nos seguir o exemplo de S. Jo\u00e3o: \u201cAquele que viu \u00e9 que d\u00e1 testemunho e o seu testemunho \u00e9 verdadeiro . Ele sabe que diz a verdade para que tamb\u00e9m v\u00f3s acrediteis\u201d (Jo 18, 1-19, 42). \u201cSe sois ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois v\u00f3s, porque o esp\u00edrito de gl\u00f3ria, o Esp\u00edrito de Deus repousa sobre v\u00f3s. Que nenhum de v\u00f3s sofra por ser homicida, ladr\u00e3o, difamador, ou por cobi\u00e7ar os bens alheios. Mas, se sofre por ser crist\u00e3o, n\u00e3o se envergonhe, antes glorifique a Deus por ter este nome\u201d. (1Pedro 4, 15-16).  Aproximar-se da Verdade para dizer a verdade, eis o convite desta sexta-feira Santa. O amor de Deus precisa de ser conhecido e experimentado. Depois ser\u00e1 natural que surja o compromisso de o proclamar colocando de lado os medos e as vergonhas. Encontramo-nos perante uma situa\u00e7\u00e3o nova eivada de laicismo. Aceitamos a justa autonomia da ordem temporal com todos os seus processos e metodologias e sabemos que ela \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 compat\u00edvel com a f\u00e9 mas exigida pela mesma, desde que n\u00e3o imponha uma vida sem Deus.  Neste ambiente duma progressiva descristianiza\u00e7\u00e3o e deterioriza\u00e7\u00e3o moral da vida pessoal, familiar e pol\u00edtica, reconhecendo que a causa est\u00e1 fora da Igreja mas tamb\u00e9m est\u00e1 na pouca forma\u00e7\u00e3o que a mesma Igreja ofereceu e continua a oferecer, perante a realidade da Morte do Senhor teremos de acolher a ousadia de mudar. O amor patente nesta morte n\u00e3o nos pode deixar indiferentes.  Neste ambiente de sil\u00eancio gostaria de pedir ao nosso Deus que passou pela morte como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para um ressurgir repleto de vida, que torne as nossas fam\u00edlias \u00e1vidas de conhecer o Seu amor atrav\u00e9s de tr\u00eas itiner\u00e1rios que considero fundamentais para a hora que vivemos. O amor doado exige compromissos.  1 \u2013 Na Igreja Diocesana teremos de promover uma verdadeira identidade da fam\u00edlia, conscientes dum caminhar diferente de algumas formas alternativas que a sociedade medi\u00e1tica pretende impor-nos. Depois, orgulhosos dum modo de ser fam\u00edlia crist\u00e3 que n\u00e3o se contenta em viver juntos mas pretende assumir o projecto de Cristo como abertura ao mist\u00e9rio, imp\u00f5em-se a alegria de crescer na comunh\u00e3o e responsabilidade na miss\u00e3o de mostrar que continua a ser poss\u00edvel acolher o matrim\u00f3nio como dom de Deus.  2 \u2013 Na hora que passa, necessitamos de favorecer uma maior comunh\u00e3o entre as fam\u00edlias para testemunhar unidade e encontrar for\u00e7as para discernir caminhos novos de viv\u00eancia familiar na fidelidade \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito.  3 \u2013 \u00c9 preciso animar e entusiasmar todas as fam\u00edlias para que participem activamente na vida eclesial mas, sobretudo, na vida social e p\u00fablica, em coer\u00eancia de vida e de integridade de f\u00e9. O mundo necessita do fermento dos crist\u00e3os e se lamentamos a aus\u00eancia do sentido crist\u00e3o nas realidades terrestres deve-se ao facto de nos termos refugiado num culto intimista e sem repercuss\u00e3o no tecido social.  A morte, sabemo-lo muito bem, n\u00e3o venceu Cristo. A sexta-feira Santa \u00e9 dia de esperan\u00e7a desde que, com maior ou menor n\u00famero, proclamemos firmemente a f\u00e9 em que acreditamos. Na Paix\u00e3o de Cristo muitos fugiram. Ficaram alguns curiosos contemplando o \u201cespect\u00e1culo\u201d da morte. Poucos permaneceram at\u00e9 ao fim. \u00c9 a nossa vez.  Maria nos conceda o dom dum amor incondicional a Cristo de modo que geremos uma sociedade onde a f\u00e9 se evidencia como refer\u00eancia geradora de sentido para uma hist\u00f3ria de mais justi\u00e7a e fraternidade.  S\u00e9 Catedral \u2013 Sexta-feira Santa <i> \u2020 D. Jorge Ortiga, A.P.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de Cristo suscita compromisso de f\u00e9 firme<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,314],"class_list":["post-30870","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30870\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}