{"id":30867,"date":"2010-04-02T22:46:41","date_gmt":"2010-04-02T22:46:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/02\/vigilia-pascal-simbolos-e-significado\/"},"modified":"2010-04-02T22:46:41","modified_gmt":"2010-04-02T22:46:41","slug":"vigilia-pascal-simbolos-e-significado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vigilia-pascal-simbolos-e-significado\/","title":{"rendered":"Vig\u00edlia Pascal: s\u00edmbolos e significado"},"content":{"rendered":"<p>Celebra\u00e7\u00e3o central do calend\u00e1rio lit\u00fargico \u00e9 a mais importante na Igreja Cat\u00f3lica <!--more--> <\/p>\n<p>Na noite, em que Jesus Cristo passou da morte &agrave; vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vig&iacute;lia e ora&ccedil;&atilde;o. Na verdade, a Vig&iacute;lia pascal foi sempre considerada a m&atilde;e de todas a vig&iacute;lias e o cora&ccedil;&atilde;o do Ano lit&uacute;rgico. A sensibilidade popular poderia pensar que a grande noite fosse a noite de Natal, mas a teologia e a liturgia da Igreja adverte que &eacute; a noite da P&aacute;scoa, &laquo;na qual a Igreja espera em vig&iacute;lia a Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo e a celebra nos sacramentos&raquo; (Normas gerais sobre o Ano lit&uacute;rgico, 20). No texto do Prec&oacute;nio pascal, chamado o hino &ldquo;Exsultet&rdquo; e que se canta nesta celebra&ccedil;&atilde;o, diz-se que esta noite &eacute; &laquo;bendita&raquo;, porque &eacute; a &laquo;&uacute;nica a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro! Esta &eacute; a noite, da qual est&aacute; escrito: a noite brilha como o dia e a escurid&atilde;o &eacute; clara como a luz&raquo;. Por isso, desde o in&iacute;cio a Igreja celebrou a P&aacute;scoa anual, solenidade das solenidades, com um vig&iacute;lia nocturna. <br \/>A celebra&ccedil;&atilde;o da Vig&iacute;lia pascal articula-se em quatro partes: 1) a liturgia da luz ou &ldquo;lucern&aacute;rio&rdquo;; 2) a liturgia da Palavra; 3) a liturgia baptismal; 4) a liturgia eucar&iacute;stica.  <\/p>\n<p>1) A liturgia da luz consiste na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do fogo, na prepara&ccedil;&atilde;o do c&iacute;rio e na proclama&ccedil;&atilde;o do prec&oacute;nio pascal. O lume novo e o c&iacute;rio pascal simbolizam a luz da P&aacute;scoa, que &eacute; Cristo, luz do mundo. O texto do prec&oacute;nio evidencia-o quando afirma que &laquo;a luz de Cristo (&#8230;) dissipa as trevas de todo o mundo&raquo; e convida a &laquo;celebrar o esplendor admir&aacute;vel desta luz (&#8230;) na noite ditosa, em que o c&eacute;u se une &agrave; terra, em que o homem se encontra com Deus!&raquo;. <\/p>\n<p>2) A liturgia da Palavra prop&otilde;e sete leituras do Antigo Testamento, que recordam as maravilhas de Deus na hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o e duas do Novo Testamento, ou seja, o an&uacute;ncio da Ressurrei&ccedil;&atilde;o segundo os tr&ecirc;s Evangelhos sin&oacute;pticos, e a leitura apost&oacute;lica sobre o Baptismo crist&atilde;o como sacramento da P&aacute;scoa de Cristo. Assim, a Igreja, &laquo;come&ccedil;ando por Mois&eacute;s e seguindo pelos Profetas&raquo; (Lc 24,27), interpreta o mist&eacute;rio pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra &eacute; feita &agrave; luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no c&iacute;rio colocado no candelabro junto ao Amb&atilde;o ou perto do Altar. <\/p>\n<p>3) A liturgia baptismal &eacute; parte integrante da celebra&ccedil;&atilde;o. Quando n&atilde;o h&aacute; Baptismo, faz-se a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da fonte baptismal e a renova&ccedil;&atilde;o das promessas do Baptismo. Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, a aspers&atilde;o de toda a assembleia com a &aacute;gua benta e a ora&ccedil;&atilde;o universal. A Igreja antiga baptizava os catec&uacute;menos nesta noite e hoje permanece a liturgia baptismal, mesmo sem a celebra&ccedil;&atilde;o do Baptismo. <\/p>\n<p>4) A liturgia eucaristica &eacute; o momento culminante da Vig&iacute;lia, qual sacramento pleno da P&aacute;scoa, isto &eacute;, a mem&oacute;ria do sacrif&iacute;cio da Cruz, a presen&ccedil;a de Cristo Ressuscitado, o &aacute;pice da Inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e o antegozo da P&aacute;scoa eterna. <\/p>\n<p>Estes quatro momentos celebrativos t&ecirc;m como fio condutor a unidade do plano de salva&ccedil;&atilde;o de Deus em favor dos homens, que se realiza plenamente na P&aacute;scoa de Cristo por n&oacute;s. Por consequ&ecirc;ncia, a Ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute; o fundamento da f&eacute; e da esperan&ccedil;a da Igreja. <br \/>Gostaria de destacar dois elementos expressivos desta solene vig&iacute;lia: a luz e a &aacute;gua. <br \/>A Vig&iacute;lia na noite santa abre com a liturgia da luz, evocando a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo e a peregrina&ccedil;&atilde;o de Israel guiado pela coluna de fogo. A liturgia salienta a pot&ecirc;ncia da luz, como o s&iacute;mbolo de Cristo Ressuscitado, no c&iacute;rio pascal e nas velas que se acendem do mesmo, na ilumina&ccedil;&atilde;o progressiva das luzes da igreja, ao acender das velas do altar e com as velas acesas na m&atilde;o para a renova&ccedil;&atilde;o das promessas baptismais. O s&iacute;mbolo mais iluminador &eacute; o c&iacute;rio, que deve ser de cera, novo cada ano e relativamente grande, para poder evocar que Cristo &eacute; a luz dos povos. Ao acender o c&iacute;rio pascal do lume novo, o sacerdote diz: &laquo;A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do cora&ccedil;&atilde;o e do esp&iacute;rito&raquo; e depois apresenta o c&iacute;rio como &laquo;lumen Christi=a luz de Cristo&raquo;. Quando algu&eacute;m nasce, costuma-se dizer que &laquo;veio &agrave; luz&raquo; ou que &laquo;a m&atilde;e deu &agrave; luz&raquo;. Podemos, por isso dizer que a Igreja veio &agrave; luz na P&aacute;scoa de Cristo. De facto, toda a vida da Igreja encontra a sua fonte no mist&eacute;rio da P&aacute;scoa de Cristo. <br \/>A &aacute;gua na liturgia &eacute;, igualmente, um s&iacute;mbolo muito significativo. &laquo;A &aacute;gua &eacute; rica de mist&eacute;rio&raquo; (R. Guardini). Ela &eacute; simples, pura, limpa e desinteressada. S&iacute;mbolo perfeito da vida, que Deus preparou, ao longos dos tempos, para manifestar melhor o sentido do Baptismo. A ora&ccedil;&atilde;o da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua faz mem&oacute;ria da ac&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica de Deus na hist&oacute;ria atrav&eacute;s da &aacute;gua. Com efeito, a &aacute;gua &eacute; benzida, para que o homem, criado &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus, &laquo;no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela &aacute;gua e pelo Esp&iacute;rito Santo&raquo;. Na tradi&ccedil;&atilde;o eclesial, a fonte baptismal &eacute; comparada ao seio materno e a Igreja &agrave; m&atilde;e que d&aacute; &agrave; luz <br \/>O simbolismo fundamental da celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica da Vig&iacute;lia &eacute; o de ser uma &ldquo;noite clara&rdquo;, ou melhor &laquo;a noite que brilha como o dia e a escurid&atilde;o &eacute; clara como a luz&raquo;. Esta noite inaugura o &ldquo;Hodie=Hoje&rdquo; da liturgia, como se tratasse de um &uacute;nico dia de festa sem ocaso (o dia da celebra&ccedil;&atilde;o festiva da Igreja que se prolonga pela oitava pascal e pelos cinquenta dias do Tempo pascal), no qual se diz &laquo;eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos&raquo; (Sl 118). <br \/>P. Jos&eacute; Cordeiro <br \/>Reitor do Pontif&iacute;cio Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebra\u00e7\u00e3o central do calend\u00e1rio lit\u00fargico \u00e9 a mais importante na Igreja Cat\u00f3lica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[246,267,294],"class_list":["post-30867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-liturgia","tag-natal","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}