{"id":30859,"date":"2008-03-21T09:18:21","date_gmt":"2008-03-21T09:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/21\/homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal\/"},"modified":"2008-03-21T09:18:21","modified_gmt":"2008-03-21T09:18:21","slug":"homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-evora-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de \u00c9vora na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><i>Enviou-me a anunciar a Boa Nova<\/i> (Lc.4,18) <!--more--> Um m\u00eas depois da minha entrada solene, como Arcebispo, nesta hist\u00f3rica catedral, volto a ter a alegria de presidir a esta celebra\u00e7\u00e3o, no decorrer da qual ser\u00e1 consagrado o santo crisma e ser\u00e3o benzidos os \u00f3leos dos catec\u00famenos e dos enfermos. \u00c9 uma das mais belas concelebra\u00e7\u00f5es. Nela se manifesta de forma vis\u00edvel a unidade do presbit\u00e9rio. Os presb\u00edteros apresentam-se como testemunhas e cooperadores do Bispo Diocesano, que benze os \u00f3leos, levados para todas as par\u00f3quias da Diocese, para serem utilizados na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos e, dessa forma, evocarem a presen\u00e7a espiritual do Bispo, como \u201cfundamento da unidade\u201d (LG23).  A b\u00ean\u00e7\u00e3o dos \u00f3leos congrega-nos a todos em volta do mesmo altar, evoca as diferentes un\u00e7\u00f5es recebidas por todos n\u00f3s, com \u00f3leos id\u00eanticos, como sinal da un\u00e7\u00e3o espiritual que o esp\u00edrito do Senhor operou em cada um. E, na sequ\u00eancia dessa un\u00e7\u00e3o espiritual, fomos enviados a anunciar a Boa Nova, a exemplo e em nome de Jesus Cristo. Nem a un\u00e7\u00e3o nem o envio se ficaram a dever a quaisquer m\u00e9ritos, capacidades ou actividades pessoais. Tanto a un\u00e7\u00e3o como o envio s\u00e3o dons gratuitos de Deus, concedidos a cada um de n\u00f3s, em ordem ao bem espiritual do povo santo de Deus. N\u00f3s fomos enviados por Jesus Cristo, tal como Ele tinha sido enviado pelo Pai (Jo13,10).  Na verdade, nenhum de n\u00f3s tem algo de seu que possa levar os homens do nosso tempo. Pois, n\u00e3o somos nada sem o Senhor que actua em n\u00f3s e por meio de n\u00f3s. Donde se conclui ser absolutamente necess\u00e1rio que vivamos com Ele (Mc 3,14), bem unidos a Ele, como os Ap\u00f3stolos, actuando sempre em nome d\u2019Ele, que nos enviou. Somos servos seus e por n\u00f3s quase nada podemos fazer. Tal como Jesus nada fez por si mesmo \u201ca n\u00e3o ser o viu fazer do Pai\u201d(Jo 5,19), tamb\u00e9m n\u00f3s nada podemos fazer, com valor para a salva\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser aquilo que aprendemos do pr\u00f3prio Jesus.  O an\u00fancio da mensagem deve preceder o compromisso. Por isso, n\u00f3s fomos enviados como \u201cministros da Palavra\u201d (Lc1,2) para anunciar a Boa Nova. Ora, o an\u00fancio da Palavra tem exig\u00eancias fundamentais a que nenhum de n\u00f3s se pode furtar. Antes de sermos anunciadores e para podermos cumprir correctamente a miss\u00e3o do an\u00fancio, temos que ser ouvintes ass\u00edduos da Palavra, sentindo-nos inclinados para a Palavra e habitados por ela. S\u00f3 assim podemos considerar-nos disc\u00edpulos do \u00fanico Mestre, Jesus Cristo, que nos ungiu para permanecermos sempre ao servi\u00e7o da Palavra.  Antes de a transmitir aos outros, primeiro temos n\u00f3s que a acolher no cora\u00e7\u00e3o e rez\u00e1-la para que a nossa prega\u00e7\u00e3o leve os ouvintes \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e seja para n\u00f3s fonte de vida. Quando a Palavra n\u00e3o \u00e9 rezada nem leva os ouvintes \u00e0 ora\u00e7\u00e3o corre o risco de endurecer os cora\u00e7\u00f5es. Os escribas e os fariseus tantas vezes referidos por Cristo, no Evangelho, conheciam as Escrituras Sagradas mas n\u00e3o as rezavam, n\u00e3o as aplicavam \u00e0 pr\u00f3pria vida. E, por isso, s\u00e3o acusados por Jesus de terem o cora\u00e7\u00e3o duro. Ningu\u00e9m est\u00e1 isento de incorrer nesse pecado. Como \u201cministros da Palavra\u201d, esforcemo-nos, car\u00edssimos presb\u00edteros e di\u00e1conos, por rezar a Palavra revelada, com assiduidade, para que a nossa prega\u00e7\u00e3o leve os ouvintes \u00e0 ora\u00e7\u00e3o.  O valor e a for\u00e7a da prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o residem em n\u00f3s nem nos m\u00e9todos ou nas t\u00e9cnicas por n\u00f3s usadas. Residem antes na pr\u00f3pria Palavra. S\u00f3 ela \u00e9 poderosa e eficaz. Partindo desta verdade fundamental da nossa f\u00e9, compreendemos a atitude de S. Paulo, ao despedir-se dos anci\u00e3os de \u00c9feso. N\u00e3o lhe confiou a Palavra, confiou-os a eles \u00e0 Palavra. Todos n\u00f3s fomos confiados, entregues ao vigor e ao poder transformador da Palavra. Ser\u00e1 a Palavra, pela sua for\u00e7a espiritual que nos transformar\u00e1 interiormente, na medida do nosso ass\u00edduo contacto com ela, em ordem \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o do nosso pensamento com o pensamento de Cristo (I Cor 2,16).  Hoje em dia h\u00e1 quem se interrogue sobre a autoridade do seu pr\u00f3prio minist\u00e9rio. Alguns tentam fundamentar a sua autoridade em realiza\u00e7\u00f5es humanas. Nelas se empenham e se esgotam sem conseguir encontrar respostas para as suas interroga\u00e7\u00f5es e d\u00favidas. Quem percorre esses caminhos n\u00e3o compreendeu que a autoridade vem da Palavra e n\u00e3o do pr\u00f3prio. N\u00e3o compreendeu que a for\u00e7a do nosso testemunho est\u00e1 no grau de identifica\u00e7\u00e3o com Cristo. Ele falava com autoridade. As suas palavras n\u00e3o eram ocas e destitu\u00eddas de sentido como as dos escribas. As nossas ter\u00e3o tanto mais for\u00e7a e poder quanto mais se identificarem com as de Cristo. A mensagem \u00e9 d\u2019Ele, n\u00e3o \u00e9 nossa. N\u00f3s somos \u201cministros da Palavra\u201d, para transmitir, com quanta verdade e profundidade formos capazes, a mensagem da Boa Nova de Jesus Cristo.  Neste percurso de transmiss\u00e3o da Palavra, o estudo e a especializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito importantes. Por\u00e9m, mais importante ainda \u00e9 a f\u00e9. Os fi\u00e9is esperam mais de n\u00f3s que sejamos mestres da f\u00e9 do que especialistas em qualquer ramo do saber. E ser mestre da f\u00e9 implica, antes de mais, que acreditemos no que anunciamos. Antes de sermos mestres temos que ser disc\u00edpulos. Antes de pregar temos que escutar. Antes de falar temos que rezar e ouvir a voz de Deus que fala no sil\u00eancio dos cora\u00e7\u00f5es.  Apesar das m\u00faltiplas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, se quisermos que o nosso minist\u00e9rio tenha fecundidade espiritual, ou\u00e7amos a admoesta\u00e7\u00e3o de S. Paulo aos Ef\u00e9sios: sede sensatos no vosso modo de proceder, \u201credimindo o tempo\u201d (5,16) isto \u00e9, aproveitando-o bem, para serdes capazes de ultrapassar as dificuldades de cada dia e compreenderdes qual \u00e9 a vontade do Senhor a vosso respeito.  <i>+ Jos\u00e9 Francisco Sanches Alves, Arcebispo de \u00c9vora <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enviou-me a anunciar a Boa Nova (Lc.4,18)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[175,294],"class_list":["post-30859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-evora","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30859\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}