{"id":30839,"date":"2008-03-20T11:57:15","date_gmt":"2008-03-20T11:57:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/20\/porto-um-programa-libertador-corresponsabilidade-para-a-nova-evangelizacao\/"},"modified":"2008-03-20T11:57:15","modified_gmt":"2008-03-20T11:57:15","slug":"porto-um-programa-libertador-corresponsabilidade-para-a-nova-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-um-programa-libertador-corresponsabilidade-para-a-nova-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Porto: Um \u00abPrograma\u00bb Libertador: Corresponsabilidade para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><i>Um \u00abPrograma\u00bb Libertador: Corresponsabilidade para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/i> Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, aqui reunidos em Missa Crismal, preenchida pelo Esp\u00edrito que nos unge e define com o nome de Cristo, para a mesma miss\u00e3o:  Disse ele de si mesmo, na sinagoga de Nazar\u00e9, que o Esp\u00edrito o ungira \u201cpara anunciar a boa nova aos pobres\u201d. E especificou: \u201cEle \u2013 sempre o Esp\u00edrito \u2013 me enviou a proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d. E concluiu, com palavras que ressoam sempre: \u201cCumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d. Estamos n\u00f3s aqui, bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos; estamos n\u00f3s aqui, consagrados em tantas voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o; estamos n\u00f3s aqui, baptizados como \u201cmembros de Cristo, sacerdote, profeta e rei\u201d. Estamos como ele na sinagoga de Nazar\u00e9. E muito mais est\u00e1 ele connosco, nesta catedral do Porto, partilhando com todos e cada um, segundo a voca\u00e7\u00e3o e o estado pr\u00f3prios, o Esp\u00edrito que o ungiu e a miss\u00e3o que declarou.  \u2013 Grande mist\u00e9rio este, por isso mesmo preenchido de C\u00e9u e de terra, de C\u00e9u para a terra, esta nossa terra e diocese, no mais concreto das suas alegrias e dores, no mais substancial da sua esperan\u00e7a. E, no Esp\u00edrito de Cristo, n\u00f3s somos a resposta de Deus a tal esperan\u00e7a! <b>Um \u201cprograma\u201d libertador<\/b> Esta a realidade que sabemos e celebramos. Mas que havemos de precisar neste tempo e circunst\u00e2ncia. Havemos de \u201cprogramar\u201d, se quisermos usar a palavra. Com esta advert\u00eancia: assim como a iniciativa \u00e9 do Esp\u00edrito, assim tamb\u00e9m o programa est\u00e1 feito no que tem de permanente. Ouvimo-lo: a) anunciar a boa nova aos pobres; b) proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos; c) restituir a liberdade aos oprimidos; d) proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor.    A primeira reflex\u00e3o que havemos de fazer, agora e depois, nas v\u00e1rias inst\u00e2ncias de partilha e corresponsabilidade pastoral diocesanas, \u00e9 sobre cada uma das al\u00edneas de t\u00e3o garantido programa. Garantido, por ter origem divina; garantido por n\u00e3o faltarem decerto nem pobres a quem anunciar a boa nova, nem cativos a remir e cegueiras a curar, nem oprimidos a libertar, nem gra\u00e7a a proclamar. E temos necessariamente de apurar pobrezas e cativeiros, cegueiras e opress\u00f5es, caso a caso, par\u00f3quia a par\u00f3quia, sector a sector. Fa\u00e7amo-lo no Esp\u00edrito, cujos dons incluem sabedoria e intelig\u00eancia, conselho e ci\u00eancia. Pobres eram, no povo b\u00edblico, os que punham a esperan\u00e7a no seu Deus, s\u00f3 com Deus contando. Pobres s\u00e3o todos os que continuam a olhar para n\u00f3s, esperando dos crentes a luz da f\u00e9, o alento da esperan\u00e7a e a caridade concreta. Podem s\u00ea-lo expressa ou implicitamente, batendo-nos \u00e0 porta por necessidade f\u00edsica ou espiritual, hoje t\u00e3o redobradas uma e outra, ou batendo-nos numa face \u00e0 espera que lhes demos a outra, incluindo aqui certas manifesta\u00e7\u00f5es de aparente rejei\u00e7\u00e3o da Igreja que, no fundo, encobrem uma desilus\u00e3o ou extravasam um apelo, mesmo que negativamente formulado. Cristo sabia responder a uns e a outros, detendo-se diante de cada solicita\u00e7\u00e3o, magn\u00e2nimo diante de cada interpela\u00e7\u00e3o. Sabia de Quem provinha e a Quem os queria levar, transportando ovelhas perdidas e procurando as transviadas, todos os pobres afinal. Redimir cativos, dar tudo por eles, no Esp\u00edrito de Cristo\u2026 Especialmente numa sociedade que promete como liberdades outros tantos cativeiros. Desde cedo, cada vez mais cedo, os mais novos s\u00e3o induzidos a ligar a felicidade ao modo de vestir e cal\u00e7ar, ao modo de folgar ou vencer, ao modo de parecer ou seduzir, ao modo de consumir &#8211; e se consumirem a si mesmos e aos outros. Para cada um destes itens, promete-se a maneira mais f\u00e1cil, com dinheiro pr\u00f3prio ou alheio. Com o tempo, cada vez menos tempo, o enredo \u00e9 total e o cativeiro completo: sem terem aprendido a desenvolver o que t\u00eam realmente de mais livre, como interioridade, abertura religiosa, frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e realiza\u00e7\u00e3o \u00e9tica, muitos dos nossos contempor\u00e2neos mais novos &#8211; e outros que n\u00e3o chegaram a amadurecer &#8211; j\u00e1 nem ser\u00e3o capazes, por si s\u00f3s, de consumar a humanidade que transportam.  Cativos e cegos, quando a certa altura \u2013 melhor se diria afundamento e depress\u00e3o \u2013 j\u00e1 nem conseguem divisar alternativas. Temos de estar pr\u00f3ximos, muito pr\u00f3ximos de todos eles. Sem farise\u00edsmo nem sobranceria, de modo simples e fraterno, como quem partilha o que lhe foi dado; de modo comprometido e solid\u00e1rio, como quem cumpre uma miss\u00e3o e nela se cumpre a si mesmo. Esta liberdade sim, temos de a restituir aos oprimidos. Membros que somos duma sociedade que lha tira, s\u00f3 assim seremos membros dum \u201cpovo\u201d que lha devolve. O Esp\u00edrito que faz de Jesus o Cristo (= Messias), continua em n\u00f3s a sua obra messi\u00e2nica, libertadora. Disse-o o Conc\u00edlio de modo inultrapass\u00e1vel: \u201cO povo messi\u00e2nico, ainda que n\u00e3o abranja de facto todos os homens e apare\u00e7a frequentemente como um pequeno rebanho, constitui para toda a Humanidade um germe fecund\u00edssimo de unidade, de esperan\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o. Estabelecido por Cristo em ordem \u00e0 comunh\u00e3o de vida, amor e verdade, nas m\u00e3os d\u2019Ele serve tamb\u00e9m de instrumento da reden\u00e7\u00e3o universal, e \u00e9 enviado a todo o mundo, como luz desse mundo e sal da terra\u201d (Lumen Gentium, 9).  Comecemos ent\u00e3o pelo que nos est\u00e1 mais pr\u00f3ximo, verificando cada comunidade e grupo eclesial o que h\u00e1 a fazer de mais urgente no seu pr\u00f3prio meio social, em termos de ac\u00e7\u00e3o concreta e libertadora. N\u00e3o se perdendo no geral, que imobiliza, mas incidindo em algo de particular, concreto e poss\u00edvel, como se deve sempre come\u00e7ar. N\u00e3o nos sintamos poucos, se nos contarmos por dezenas: na sinagoga de Nazar\u00e9, Cristo era s\u00f3 ele; com o seu Esp\u00edrito, hoje somos muitos mais, sempre com Ele. Como ali\u00e1s prometeu, do modo mais solene e decisivo: \u201cEm verdade, em verdade vos digo: quem cr\u00ea em mim tamb\u00e9m far\u00e1 as obras que Eu realizo; e far\u00e1 obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a gl\u00f3ria do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei\u201d (Jo 14, 12-14). Cabe perguntar: &#8211; Porque demoramos, se h\u00e1 tanta gente \u00e0 espera? Do programa de Nazar\u00e9 \u2013 que queremos todos retomar no Porto \u2013 consta um \u00faltimo prop\u00f3sito: \u201cproclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d. \u00c9 tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica celebrar de tempos a tempos um ano jubilar, como ainda h\u00e1 oito anos aconteceu. Mas, al\u00e9m de o fazermos normalmente de 25 em 25 anos, podemos dizer que, em Cristo, a vida da Igreja h\u00e1-de ser jubileu permanente. Na verdade, depois de o anunciar, o mesmo Cristo acrescentou: \u201cCumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d. E o \u201choje\u201d de Jesus nunca acabar\u00e1.  Retomemos ent\u00e3o as prescri\u00e7\u00f5es jubilares, segundo a antiga tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, vazada agora nas actuais condi\u00e7\u00f5es e urg\u00eancias: terminar com toda a esp\u00e9cie de escravid\u00e3o; ajudar os necessitados, come\u00e7ando pelos mais pr\u00f3ximos; concretizar a fraternidade, nas nossas comunidades e al\u00e9m delas; respeitar o destino universal dos bens; recome\u00e7ar a vida colectiva segundo Deus, corrigindo as desigualdades acumuladas. E havendo na tradi\u00e7\u00e3o sab\u00e1tica e jubilar o aceno certo ao repouso festivo, viver e expandir o \u201cano da gra\u00e7a do Senhor\u201d, h\u00e1-de levar-nos tamb\u00e9m a valorizar nas comunidades e fam\u00edlias a viv\u00eancia dominical, de celebra\u00e7\u00e3o, louvor e partilha, na oferta de Cristo em quem todo o \u201cprograma\u201d divino e humano, religioso e solid\u00e1rio, perpetuamente se cumpre e relan\u00e7a. A marca\u00e7\u00e3o dominical da vida \u00e9 fundamental para todos os crist\u00e3os, como celebra\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia do Ressuscitado; tamb\u00e9m como momento de gratid\u00e3o e repouso, familiar e comunitariamente vividos.  <b>A reconfigura\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria<\/b> Mas todos sabemos que, em tempos de grande dispers\u00e3o e movimento, como s\u00e3o os nossos, a liga\u00e7\u00e3o das pessoas e fam\u00edlias a uma comunidade fixa, no territ\u00f3rio e na pr\u00e1tica, sobretudo em meio urbano, traz desafios novos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o pastoral.  A sociedade europeia mudou muito nos dois \u00faltimos mil\u00e9nios, passando da concentra\u00e7\u00e3o urbana dos primeiros cinco s\u00e9culos \u00e0 dispers\u00e3o rural que atravessou a Idade M\u00e9dia; verificou-se depois, paulatinamente, um novo surto urbano que, nos nossos dias, chegou \u00e0s grandes \u00e1reas metropolitanas e quase esvazia algumas zonas rurais.  A cada uma destas \u00e9pocas correspondeu um modo espec\u00edfico de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, passando-se da comunidade episcopal dos primeiros s\u00e9culos \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o paroquial. No entanto, as actuais comunidades n\u00e3o correspondem j\u00e1 \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o populacional de outros tempos, porque a circula\u00e7\u00e3o constante \u2013 geogr\u00e1fica e inform\u00e1tica -, a realidade escolar e profissional e a individualiza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural das exist\u00eancias ou distendem a vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade de origem ou favorecem a pr\u00e1tica fora da par\u00f3quia de resid\u00eancia, por conveni\u00eancia ou escolha. No entanto, a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria continua a ser essencial \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida crist\u00e3 e as nossas par\u00f3quias transmitem e sustentam uma tradi\u00e7\u00e3o valios\u00edssima. Estamos perante um \u201cproblema\u201d pastoral novo, que nos cabe enfrentar com determina\u00e7\u00e3o: a reconfigura\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria, para que a pr\u00e1tica dominical e a dimens\u00e3o colectiva da caminhada crist\u00e3 n\u00e3o se diluam, antes se reencontrem, numa sociologia nova, bem mais complexa e diferenciada.  A agrega\u00e7\u00e3o eclesial, que contava muito com o papel da fam\u00edlia e da localidade, conta agora \u2013 e cada vez mais \u2013 com a din\u00e2mica dos movimentos e grupos, assim como das circunst\u00e2ncias pessoais. Isto para dizer que, sem descuidar nada do que herd\u00e1mos da pr\u00e1tica anterior, a reconfigura\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria ter\u00e1 de se fazer de modo cada vez mais inter-paroquial, vicarial e diocesano e na colabora\u00e7\u00e3o com as novas comunidades e movimentos. Assim \u00e9 cada vez mais a vida das pessoas, assim ter\u00e1 de ir sendo a vida da Igreja. <b>O presbit\u00e9rio diocesano e outros  agentes pastorais<\/b> Refiro, bem a prop\u00f3sito, o nosso presbit\u00e9rio diocesano, cujo grande valor sublinho, com o conhecimento de causa que um ano de episcopado aqui me vai dando. Valor tem \u2013 e muito! \u2013 um presbit\u00e9rio que, consideravelmente reduzido em quantidade e adiantado em m\u00e9dia et\u00e1ria, demonstra capacidade not\u00e1vel de servir a Igreja do Porto.  Os n\u00fameros falam por si. Com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de dois milh\u00f5es de habitantes e uma pr\u00e1tica dominical que h\u00e1 sete anos rondaria os vinte por cento, temos 477 par\u00f3quias, servidas por 263 p\u00e1rocos. A m\u00e9dia et\u00e1ria dos p\u00e1rocos \u00e9 de 59.53 anos. O n\u00famero total de padres com alguma nomea\u00e7\u00e3o \u00e9 de 410, sendo 337 seculares e 73 religiosos e de outras dioceses: 9 padres at\u00e9 aos 29 anos, 59 dos 30 aos 39, 44 dos 40 aos 49, 26 dos 50 aos 59; a seguir, os grupos mais numerosos, com 89 dos 60 aos 69, 115 dos 70 aos 79 e 60 dos 80 aos 89; e tamb\u00e9m 8 com mais de 90. Um clero \u201cher\u00f3ico\u201d, j\u00e1 lhe chamei, pela dedica\u00e7\u00e3o ao Povo de Deus, tantas vezes verificada e muito al\u00e9m do que seria de esperar, dadas as condi\u00e7\u00f5es de idade e de sa\u00fade. Um clero a quem a Igreja do Porto sempre ficar\u00e1 grata, mas continuar\u00e1 a pedir que sirva enquanto lhe for poss\u00edvel, por manifesta dificuldade de substitui\u00e7\u00e3o directa. Mais normal ser\u00e1, nos pr\u00f3ximos anos, atribuir, a quem j\u00e1 tem uma ou mais par\u00f3quias a seu cargo, que alargue a responsabilidade \u00e0s que forem ficando vagas, com a necess\u00e1ria redu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o sacerdotal naquela ou naquelas que j\u00e1 serve.  Mas tamb\u00e9m com a valoriza\u00e7\u00e3o de outros servi\u00e7os, designadamente os laicais, que ali\u00e1s revelam na nossa diocese uma grande potencialidade e generosidade apost\u00f3licas. Ser\u00e1 ocasi\u00e3o para ir apurando mais o servi\u00e7o especificamente presbiteral, mormente quanto \u00e0 prega\u00e7\u00e3o, \u00e0 presid\u00eancia eucar\u00edstica, ao acompanhamento espiritual e \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o sacramental, de que hoje se sente mais falta do lado da oferta do que da procura, como certamente o trabalho refor\u00e7ado desta Quaresma nos voltou a mostrar. Como sabemos, este \u00e9 um grave problema da generalidade das Igrejas do centro e oeste da Europa. Entre outras raz\u00f5es, prende-se com o grande decr\u00e9scimo da natalidade, muito acentuado entre n\u00f3s. As fam\u00edlias cat\u00f3licas e numerosas, sobretudo do meio rural, eram o viveiro habitual de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas, masculinas e femininas. \u2013 Onde est\u00e3o elas hoje?  Entretanto, temos no Semin\u00e1rio Maior vinte e cinco seminaristas da diocese do Porto, quatro deles como candidatos. Demos gra\u00e7as a Deus por eles e acompanhemo-los sempre com toda a esperan\u00e7a e muita estima, como aos do Semin\u00e1rio do Bom Pastor e do Pr\u00e9-Semin\u00e1rio. A eles e aos seus formadores. Todos reconhecemos e agradecemos o trabalho do Secretariado Diocesano da Pastoral das Voca\u00e7\u00f5es, do Pr\u00e9-Semin\u00e1rio e dos Semin\u00e1rios, com as suas generosas equipas. Mas a tarefa \u00e9 tamb\u00e9m nossa, na medida em que efectivarmos em toda a parte um imprescind\u00edvel clima vocacional. Gra\u00e7as a Deus, emergem realidades novas e promissoras, vocacionalmente falando: voca\u00e7\u00f5es jovens e adultas, de proveni\u00eancia universit\u00e1ria ou profissional, para se juntarem \u00e0s que felizmente continuam a provir de fam\u00edlias e par\u00f3quias. Para umas e outras, insisto na ora\u00e7\u00e3o constante da Diocese, par\u00f3quia a par\u00f3quia. E estou certo de que um clima vocacional generalizado e insistente, interpelando e acompanhando poss\u00edveis candidatos ao sacerd\u00f3cio e \u00e0 vida religiosa, dar\u00e1 copiosos frutos.  Complementarmente, retomou-se a forma\u00e7\u00e3o para o diaconado permanente. Falando ao clero de Roma a 6 de Fevereiro \u00faltimo, o Papa Bento XVI deixou palavras de grande convic\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e pastoral quanto a este grau do sacramento da Ordem. Como as seguintes: \u201cGostaria tamb\u00e9m de expressar a minha alegria e a minha gratid\u00e3o ao Conc\u00edlio, porque restaurou este importante minist\u00e9rio na Igreja universal. Devo dizer que quando eu era Arcebispo de Munique [\u2026] favoreci muito este minist\u00e9rio, porque me parece que pertence \u00e0 riqueza do minist\u00e9rio sacramental na Igreja. Ao mesmo tempo, pode ser tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o entre o mundo laico, o mundo profissional e o mundo do minist\u00e9rio sacerdotal. Porque muitos di\u00e1conos continuam a desempenhar as suas profiss\u00f5es e mant\u00eam as suas posi\u00e7\u00f5es, importantes ou at\u00e9 de vida simples, e ao s\u00e1bado e domingo trabalham na Igreja. Testemunham assim ao mundo de hoje, tamb\u00e9m no mundo do trabalho, a presen\u00e7a da f\u00e9, o minist\u00e9rio sacramental e a dimens\u00e3o diaconal do sacramento da Ordem\u201d (L\u2019Osservatore Romano, ed. port., 16 de Fevereiro de 2008, p. 5).  Por minha parte, fiquei muito feliz com a ades\u00e3o geral do clero do Porto ao relan\u00e7amento da forma\u00e7\u00e3o para o diaconado permanente: temos neste momento quase seis dezenas de pr\u00e9-candidatos em tempo proped\u00eautico. Daqui a alguns anos ir-se-\u00e3o generalizando pelas par\u00f3quias e vigararias estes preciosos colaboradores do presbit\u00e9rio, com tanta aplica\u00e7\u00e3o no plano da prega\u00e7\u00e3o, dos sacramentos e da ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pastoral! E aproveito para agradecer reconhecidamente o trabalho entretanto j\u00e1 feito e em execu\u00e7\u00e3o pelos di\u00e1conos com que a diocese conta desde h\u00e1 dezasseis anos. <b>Corresponsabilidade para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> Uma \u00faltima palavra vos quero dizer nesta circunst\u00e2ncia, que tamb\u00e9m poderia ter sido a primeira, pois \u00e9 o que nos h\u00e1-de mover como Diocese: \u00e9 urgente evangelizar! Urgente evangelizar o meio envolvente, que tanto ganhar\u00e1 no reencontro com o Evangelho de Cristo! Urgente evangelizar a cultura e evangelizar na cultura, para que os diversos sectores e ambientes se refresquem na \u00e1gua viva do Esp\u00edrito! Urgente incentivar o testemunho laical, da fam\u00edlia \u00e0 escola, da escola \u00e0 profiss\u00e3o, da pris\u00e3o ao hospital, ao tempo livre at\u00e9, para que realmente liberte. O nosso horizonte pr\u00f3ximo ser\u00e1 necessariamente a miss\u00e3o. E a miss\u00e3o de vizinhan\u00e7a, que especialmente urge. Aplica-se tamb\u00e9m \u00e0 nossa diocese a constata\u00e7\u00e3o feita por Jo\u00e3o Paulo II, h\u00e1 escassos cinco anos, na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Europa, n\u00ba 46: \u201cCom efeito, a Europa faz parte j\u00e1 daqueles espa\u00e7os tradicionalmente crist\u00e3os, onde, para al\u00e9m duma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, se requer em determinados casos a primeira evangeliza\u00e7\u00e3o. A Igreja n\u00e3o pode subtrair-se ao dever dum corajoso diagn\u00f3stico, que lhe permita predispor as terapias mais oportunas. Mesmo no \u2018velho\u2019 continente existem extensas \u00e1reas sociais e culturais onde se torna necess\u00e1ria uma verdadeira e pr\u00f3pria missio ad gentes\u201d. Mas falemos, para j\u00e1, de \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Nova evangeliza\u00e7\u00e3o capaz de reavivar o brasido religioso que ainda subjaz a tantas manifesta\u00e7\u00f5es do nosso povo cat\u00f3lico. Sofre desvios por falta de catequese, sofre concorr\u00eancia por via doutras propostas, n\u00e3o cat\u00f3licas ou neo-pag\u00e3s\u2026 No essencial n\u00famero 34 da exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Christifideles Laici, de h\u00e1 vinte anos, Jo\u00e3o Paulo II j\u00e1 foi perempt\u00f3rio: \u201cNoutras regi\u00f5es ou na\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, conservam-se bem vivas ainda tradi\u00e7\u00f5es de piedade e de religiosidade popular crist\u00e3: mas esse patrim\u00f3nio moral e espiritual corre o risco de esbater-se sob o impacto de m\u00faltiplos processos, entre os quais sobressaem a seculariza\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o das seitas. S\u00f3 uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o poder\u00e1 garantir o crescimento de uma f\u00e9 l\u00edmpida e profunda, capaz de converter tais tradi\u00e7\u00f5es numa for\u00e7a de liberdade aut\u00eantica\u201d. \u00c9 o que temos por diante, a nova evangeliza\u00e7\u00e3o. E nesta nos empenharemos todos, cl\u00e9rigos, consagrados e leigos, em corresponsabilidade activa e criativa. Vamos divisando o ano de 2010 como ocasi\u00e3o prop\u00edcia para uma \u201cmiss\u00e3o diocesana\u201d que n\u00e3o podemos pospor. Cumpre-se a primeira d\u00e9cada do novo mil\u00e9nio: &#8211; Porque n\u00e3o tentar?! E n\u00e3o pensemos em grandes ac\u00e7\u00f5es, extraordin\u00e1rias e vultosas, embora alguns momentos envolventes e festivos possam acontecer. Ser\u00e1 sobretudo a altura para todas as comunidades crist\u00e3s da diocese \u2013 par\u00f3quias e capelanias, congrega\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es e movimentos \u2013 oferecerem aos circunstantes o Cristo vivo que transportam e as transporta a elas, com aqueles \u201cnovo ardor, novos m\u00e9todos e novas express\u00f5es\u201d que Jo\u00e3o Paulo II requeria para a \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d, h\u00e1 um quarto de s\u00e9culo.  Os primeiros agentes desta miss\u00e3o ser\u00e3o precisamente as comunidades, embora se requeira o precioso concurso daquelas congrega\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es que nasceram para a miss\u00e3o popular, h\u00e1 mais ou menos tempo. Pois, como diz tamb\u00e9m o citado n\u00famero da Christifideles Laici, \u201c\u00e9 urgente, sem d\u00favida, refazer em toda a parte o tecido crist\u00e3o da sociedade humana. Mas a condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de se refazer o tecido crist\u00e3o das pr\u00f3prias comunidades eclesiais\u201d.  E, se as comunidades crist\u00e3s h\u00e3o-de ser o sujeito principal da miss\u00e3o, elas ser\u00e3o tamb\u00e9m o seu melhor fruto e maior lucro. Como diz ainda o mesmo trecho: \u201cEsta nova evangeliza\u00e7\u00e3o, dirigida n\u00e3o apenas aos indiv\u00edduos mas a inteiras faixas de popula\u00e7\u00e3o, nas suas diversas situa\u00e7\u00f5es, ambientes e culturas, tem por fim formar comunidades eclesiais maduras, onde a f\u00e9 desabroche e realize todo o seu significado origin\u00e1rio de ades\u00e3o \u00e0 pessoa de Cristo e ao seu Evangelho, de encontro e de comunh\u00e3o sacramental com Ele, de exist\u00eancia vivida na caridade e no servi\u00e7o. Os fi\u00e9is leigos t\u00eam a sua parte a desempenhar na forma\u00e7\u00e3o de tais comunidades eclesiais, n\u00e3o s\u00f3 com uma participa\u00e7\u00e3o activa e respons\u00e1vel na vida comunit\u00e1ria e, portanto, com o seu insubstitu\u00edvel testemunho, mas tamb\u00e9m com o entusiasmo e com a ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1rias dirigida a quantos n\u00e3o cr\u00eaem ainda ou j\u00e1 n\u00e3o vivem a f\u00e9 recebida no Baptismo\u201d.                N\u00e3o tenhamos d\u00favidas neste ponto, porque ser\u00e1 decerto como sempre foi: a vida duma diocese \u2013 como da Igreja toda \u2013 nunca se resolve dentro de si mesma, no sentido intimista do termo, ou em reorganiza\u00e7\u00f5es tentadas para melhorar o funcionamento interno. A vida da Igreja apenas progride na retomada franca e generosa da miss\u00e3o, no an\u00fancio de Cristo e no servi\u00e7o ao mundo. As comunidades amadurecem quando a generalidade dos seus membros, na variedade dos minist\u00e9rios e carismas, se unificam nas duas projec\u00e7\u00f5es que unicamente h\u00e3o-de ter: o louvor divino e o apostolado multiforme. Em absoluta circularidade, ali\u00e1s: o louvor divino impulsiona-nos necessariamente \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 caridade universais, de um s\u00f3 Pai para uma s\u00f3 humanidade, atrav\u00e9s da Igreja de Cristo unida na miss\u00e3o que o Esp\u00edrito impulsiona; retornando tudo em ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao mesmo Pai, que tudo origina. Ensine-nos isto mesmo e sempre mais Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, padroeira da Diocese, que j\u00e1 nos eleva consigo, na obedi\u00eancia cooperante com a vontade salv\u00edfica de Deus. Ensine-nos S\u00e3o Paulo, que a Igreja retoma como mestre e est\u00edmulo de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o, no ano que em breve lhe dedicar\u00e1. E que no pr\u00f3ximo ano, de novo em Missa Crismal, o \u201cprograma\u201d messi\u00e2nico de Jesus em Nazar\u00e9 esteja ainda mais presente e activado na nossa Igreja diocesana do Porto: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres\u2026\u201d. <i>S\u00e9 do Porto, 20 de Mar\u00e7o de 2008 D. Manuel Clemente, Bispo do Porto <\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um \u00abPrograma\u00bb Libertador: Corresponsabilidade para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, aqui reunidos em Missa Crismal, preenchida pelo Esp\u00edrito que nos unge e define com o nome de Cristo, para a mesma miss\u00e3o: Disse ele de si mesmo, na sinagoga de Nazar\u00e9, que o Esp\u00edrito o ungira \u201cpara anunciar a boa nova aos pobres\u201d. 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