{"id":30836,"date":"2008-03-20T10:49:19","date_gmt":"2008-03-20T10:49:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/20\/forcas-armadas-solicitam-padres\/"},"modified":"2008-03-20T10:49:19","modified_gmt":"2008-03-20T10:49:19","slug":"forcas-armadas-solicitam-padres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/forcas-armadas-solicitam-padres\/","title":{"rendered":"For\u00e7as Armadas solicitam padres"},"content":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal de D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira <!--more--> O que h\u00e1 de comum entre n\u00f3s nesta Missa Crismal, n\u00e3o \u00e9 o prest\u00edgio, nem os uniformes, os t\u00edtulos, as fun\u00e7\u00f5es\u2026. Acho lament\u00e1vel que, algumas vezes, em artigos de opini\u00e3o, um sacerdote se apresente mais adornado com encargos (sejam quais forem), do que pela \u00fanico bilhete de identidade de ser disc\u00edpulo de Cristo, na linhagem dos comensais da \u00daltima Ceia, a quem o Senhor entregou uma miss\u00e3o: \u201cTomai, comei e bebei. Isto \u00e9 o meu Corpo\u2026 o meu Sangue\u201d\u2026 N\u00e3o desvalorizo curr\u00edculos de cultura e gradua\u00e7\u00f5es, at\u00e9 militares. O que n\u00e3o aceito \u00e9 que o padre desapare\u00e7a para emergirem outras leg\u00edtimas fun\u00e7\u00f5es (como se fosse o caso de o sacerdote, ser um fen\u00f3meno de insufici\u00eancia). Lamentavelmente algumas gradua\u00e7\u00f5es, conquistadas com o correr dos anos, parecem n\u00e3o se dar conta de que o festejado com louvor\u2026 \u00e9 um padre! Porque ao padre ou ao capel\u00e3o\u2026 nem uma refer\u00eancia. A identidade do sacerdote \u00e9 uma Pessoa \u00fanica, reconciliadora e humana; \u00e9 uma Pessoa pr\u00f3xima, no Seu escondimento, a quem nada soou de estranho: nem as flores, nem os rebanhos, nem as aves do C\u00e9u, nem o vento que sopra\u2026; \u00e9 uma Pessoa que fala e, em outros instantes, se cala; \u00e9 uma Pessoa que defendeu a crian\u00e7a, fugiu \u00e0s homenagens, pegou no p\u00e3o e dele fez revela\u00e7\u00e3o misteriosa, lavou e beijou os p\u00e9s de alguns e converteu o seu Corpo na energia de cada viandante; \u00e9 uma Pessoa que a todos fez justi\u00e7a e a todos amou, dando prefer\u00eancia aos abandonados; \u00e9 uma Pessoa que n\u00e3o fugiu ao perigo, que n\u00e3o jogou com equ\u00edvocos, que nunca dobrou os joelhos diante de qualquer vaidade, poder, projecto pessoal ou carreira. Esta Identidade alberga no seu colo os que partiram, como o di\u00e1cono permanente Nelson Mendes h\u00e1 um m\u00eas, o cabo S\u00e9rgio Pedrosa, falecido no Afeganist\u00e3o, em Novembro e uma longa fila de sacerdotes capel\u00e3es que dormem na Sua Paz desde h\u00e1 muitos anos. \u00c9 esta Luz, que envia mission\u00e1rios para o fragor dos conflitos: para o Afeganist\u00e3o, como o Pe. Paulo; o Kosovo, os Padres Filipe e Const\u00e2ncio; para Timor-Leste, o Pe. Martins; para o Chade, o Congo\u2026 \u00c9 por Ele que alguns, de entre v\u00f3s capel\u00e3es, festejar\u00e3o este ano cinquenta ou vinte e cinco anos de sacerd\u00f3cio. Ao ler h\u00e1 poucos meses uma obra tamb\u00e9m recente sobre a evolu\u00e7\u00e3o de um Semin\u00e1rio portugu\u00eas, intitulada \u201cPor Caminhos n\u00e3o andados\u201d (Semin\u00e1rio dos Olivais 1945\/1968 \u2013 coordena\u00e7\u00e3o de Artur Lemos), compreendi, e com mais argumentos, o sentido da crise da Igreja em Portugal e da forma\u00e7\u00e3o de alguns seus padres, numa altura em que a liberdade social, a for\u00e7a cr\u00edtica da cultura, a dignidade do di\u00e1logo e a defesa dos oprimidos eram temas vetados e subvers\u00f5es da ordem p\u00fablica\u2026 para onde o Senhor enviou os padres a pregar a paz e a evangelizar todos os pobres. E, nesse tempo, as pessoas calaram-se! Pressinto da parte de alguns sectores, de hoje, o medo de que a Igreja seja varrida dos seus dinamismos sociais, esquecendo alguns puristas da lei que, enquanto infelizmente houver um doente, um andrajoso, uma crian\u00e7a desprezada, um desempregado ou um oprimido, o Cristo, que \u00e9 a nossa Identidade, est\u00e1 ai na pra\u00e7a p\u00fablica, \u00e0 espera que todos os baptizados sejam transformadores de Portugal, em vez de se refugiarem no medo, escreverem cal\u00fanias e serem de opini\u00e3o que nada disso lhes diz respeito. Numa altura em que ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel estabelecer a regulamenta\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da Concordata, no respeitante aos sacerdotes ao servi\u00e7o das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a, sinto a obriga\u00e7\u00e3o de sublinhar que \u00e9 necess\u00e1rio que as pessoas se conven\u00e7am que, num di\u00e1logo entre a Igreja e o Estado, h\u00e1 que n\u00e3o ter receio de p\u00f4r condi\u00e7\u00f5es, de cada lado, e sobre essas condi\u00e7\u00f5es dialogar. Mas n\u00e3o temos dialogado\u2026 E, no entanto, sou testemunha de um acontecimento indiscut\u00edvel: s\u00e3o as For\u00e7as Armadas, sobretudo estas, merc\u00ea das suas \u201cFor\u00e7as Nacionais Destacadas\u201d, que me solicitam padres. Temo-lo conseguido. Temos, no nosso caso, cumprido Portugal! N\u00e3o temos solicitado nada. A n\u00f3s \u00e9 que nos pedem presen\u00e7as.  Precisamos de estar unidos, assumindo como realidade pessoal a dimens\u00e3o comum do Ordinariato das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a, no que ele \u00e9 e nos problemas que dele derivam. <i>Lisboa, Igreja da Mem\u00f3ria, 19 de Mar\u00e7o de 2008 D. Janu\u00e1rio Torgal Mendes Ferreira, Bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal de D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[146,154],"class_list":["post-30836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concordata","tag-crianca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}