{"id":307988,"date":"2023-12-20T08:15:14","date_gmt":"2023-12-20T08:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=307988"},"modified":"2023-12-21T18:17:37","modified_gmt":"2023-12-21T18:17:37","slug":"voluntariado-jose-batalha-e-voluntario-ja-55-anos-apenas-faco-a-minha-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-jose-batalha-e-voluntario-ja-55-anos-apenas-faco-a-minha-parte\/","title":{"rendered":"Voluntariado: Jos\u00e9 Batalha \u00e9 volunt\u00e1rio h\u00e1 55 anos &#8211; \u00abApenas fa\u00e7o a minha parte\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>Confedera\u00e7\u00e3o Portuguesa de Voluntariado distinguiu-o na categoria \u00abcarreira\u00bb pela longevidade da sua a\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s das associa\u00e7\u00f5es de pais, ajuda a construir comunidade<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_307833\" aria-describedby=\"caption-attachment-307833\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-307833 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/jose-batalha2-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-307833\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 20 dez 2023 (Ecclesia) \u2013 Jos\u00e9 Batalha, distinguido pela Confedera\u00e7\u00e3o portuguesa de voluntariado na categoria \u00abCarreira\u00bb, por estar h\u00e1 55 anos ligado a a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, pede que os la\u00e7os comunit\u00e1rios sejam cuidados, convidando cada um a \u201cfazer a sua parte\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFaz-me muita confus\u00e3o, falarmos em comunidade, em comunidade escolar, por exemplo no contexto da escola, e n\u00f3s n\u00e3o sermos capazes de olhar para os membros da nossa comunidade que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, e prendermos a m\u00e3o. Que raio de comunidade \u00e9 esta?\u201d, questiona, numa conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Com o crescimento dos filhos, Jos\u00e9 Batalha foi-se envolvendo nas associa\u00e7\u00f5es de pais das escolas, tendo recentemente deixado a presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Pais do Conselho de Cascais, e recorda o in\u00edcio de um projeto que desenvolveu atrav\u00e9s da Associa\u00e7\u00e3o de Pais da Escola B\u00e1sica e Secund\u00e1ria Ibn Mucana, em Alcabideche.<\/p>\n<p>\u201cUma segunda-feira o porteiro da escola disse-me que uma crian\u00e7a tinha desmaiado e quando o professor tentou perceber o que tinha acontecido, a menina, com 13 anos, disse que a comida, em casa era pouca, e tinha deixado o que havia para a irm\u00e3 pequenina. N\u00f3s ouvirmos uma crian\u00e7a com 13 anos a dizer que deixou de comer para que a irm\u00e3 pudesse comer alguma coisa\u2026 Eu telefonei para a presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Pais, na altura, e disse que deveriam ser servidos pequenos-almo\u00e7os a estas crian\u00e7as. Mas a A\u00e7\u00e3o Social da escola s\u00f3 paga almo\u00e7os. E aquilo saiu-me: \u00abA Associa\u00e7\u00e3o de Pais paga nem que eu tenha que andar ao papel\u00bb. Assim tenho feito h\u00e1 mais de 10 anos\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Com o dinheiro recolhido, a partir da venda de papel, que inicialmente Jos\u00e9 Batalha recolhia no seu carro pr\u00f3prio e atualmente numa carrinha da associa\u00e7\u00e3o, conseguem pagar pequenos-almo\u00e7os mas tamb\u00e9m \u00f3culos, consultas de terapia da fala, uma cadeira de rodas, entre outras ajudas prestadas a alunos que afirma desconhecer a identidade: \u201cOs meus filhos ajudavam-me na recolha do papel e sabiam qual o seu destino mas n\u00e3o precisavam de saber qual a crian\u00e7a que se senta ao seu lado na sala, que vai ser ajudada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFui criticado por ajudar crian\u00e7as cujos pais passam a vida no caf\u00e9 mas eu estou a dar comida \u00e0s crian\u00e7as. A vida j\u00e1 castigou aquela crian\u00e7a por ter um pai ou uma m\u00e3e que n\u00e3o sem interessam \u2013 n\u00e3o tenho de ser eu a castig\u00e1-la tamb\u00e9m. Eu fa\u00e7o a minha parte, e acho que todos devemos fazer a nossa parte. Aprendi isso com o meu pai. O meu pai dizia-me, n\u00f3s fazemos a nossa parte &#8211; mesmo que os outros n\u00e3o fa\u00e7am a parte deles, isso n\u00e3o pode ser desculpa para n\u00f3s n\u00e3o fazermos a nossa parte\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Batalha tinha 15 anos quando percebeu as desigualdades sociais que havia e que se manifestavam ao seu lado.<\/p>\n<blockquote><p>Tinha acabado de fazer 15 anos, quando no \u00faltimo dia de aulas, antes das f\u00e9rias do Carnaval, isto no ano de 1969, o ent\u00e3o padre Pinheiro entrou na sala de aula nos Salesianos do Estoril e disse: \u00abPreciso de alguns volunt\u00e1rios para durante as f\u00e9rias construirmos uma casinha de madeira para dois velhotes que vivem na carca\u00e7a de um carro. Quem estiver dispon\u00edvel para ajudar esteja amanh\u00e3, \u00e0s 08h00, no bairro do Fim do Mundo, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Estoril\u00bb. Tudo come\u00e7ou assim\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Depois da casa de madeira, \u201c3 por 3, com telhado de zinco\u201d, o grupo lembrou-se de pintar um n\u00famero em cada casa do bairro; no local onde n\u00e3o havia esgotos, saneamento ou eletricidade, os moradores passaram, assim, a poder receber correspond\u00eancia e mais tarde encontraram naqueles estudantes adolescentes, explicadores empenhados em combater o analfabetismo.<\/p>\n<p>\u201cEu sou de uma fam\u00edlia humilde. O meu pai era pedreiro, analfabeto. Eu era de uma fam\u00edlia humilde, mas nunca passei fome, sempre tive um teto. Mas lembro-me que, por exemplo, a fruta que entrava em minha casa era uma banana, ao domingo, e a minha m\u00e3e cortava a banana ao meio, metade para mim, metade para a minha irm\u00e3. Mas verdadeiramente despertei aos 15 anos, quando fui para o bairro do Fim do Mundo, \u00e0s 8 horas. N\u00e3o conseguia imaginar o que era viver na carca\u00e7a de um autom\u00f3vel, duas pessoas\u201d, recorda.<\/p>\n<p>55 anos depois desse epis\u00f3dio, e hoje quase com 70 anos, Jos\u00e9 Batalha n\u00e3o esquece os rostos \u201ccompletamente envelhecidos e o olhar morto, de uma vida miser\u00e1vel\u201d que encontrou naqueles dois senhores a viver dentro de um carro\u201d e continua, hoje, a fazer a sua parte para n\u00e3o calar as desigualdades que encontra num \u201cpa\u00eds europeu\u201d.<\/p>\n<p>A conversa com Jos\u00e9 Batalha pode ser acompanhada esta noite no <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">programa<\/a> ECCLESIA na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e escutada posteriormente no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confedera\u00e7\u00e3o Portuguesa de 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