{"id":30791,"date":"2008-03-18T10:52:43","date_gmt":"2008-03-18T10:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/18\/chiara-lubich-uma-vida-de-testemunho\/"},"modified":"2008-03-18T10:52:43","modified_gmt":"2008-03-18T10:52:43","slug":"chiara-lubich-uma-vida-de-testemunho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/chiara-lubich-uma-vida-de-testemunho\/","title":{"rendered":"Chiara Lubich \u2013 Uma vida de testemunho"},"content":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga lembra \u00abPaix\u00e3o pela Igreja, como aut\u00eantica comunidade de Vida entre os homens e mulheres\u00bb <!--more--> Nem sempre se torna f\u00e1cil conciliar a objectividade duma vida humana com a experi\u00eancia subjectiva que provoca noutras pessoas. Podemos correr o risco de n\u00e3o ser imparciais. Quando, por\u00e9m, aquela vida envolve multid\u00f5es e corresponde \u00e0s exig\u00eancias do tempo, a experi\u00eancia subjectiva ajuda a compreender e a explicar.  Nesta perspectiva e com muita sinceridade, posso afirmar que Chiara Lubich antecipou, atrav\u00e9s do carisma que Deus lhe outorgou, o Conc\u00edlio Vaticano II e suscitou uma onda de corresponsabilidade na sua concretiza\u00e7\u00e3o.  Partindo duma prioridade, absoluta e condicionante, da espiritualidade como livre op\u00e7\u00e3o por Deus encontrou na Palavra o caminho de encontro com o mesmo Deus e com a humanidade. A Palavra tornava- se Vida e esta emanava dum Deus que se revela Amor para a todos congregar numa \u00edntima comunh\u00e3o de fraternidade universal.  Se Deus se reconhece como Uno na Trindade, o mundo encontra a sua experi\u00eancia de alegria na aventura divina de conciliar a diversidade de todos, individualmente ou em grupos (culturais ou religiosos), na unidade como \u00fanico e verdadeiro an\u00fancio dum Deus Vivo que quis permanecer como den\u00fancia de que tudo passa, s\u00f3 Deus e a express\u00e3o do Seu amor permanece.  A \u201chist\u00f3ria\u201d de Cristo, vivo e ressuscitado, acontece encarando o caminho do \u201cabandono\u201d como aceita\u00e7\u00e3o plena nas pegadas da \u201cdesola\u00e7\u00e3o\u201d de Maria, no Calv\u00e1rio, que se imita quando se pretende reviver o Seu estilo de vida atrav\u00e9s da simplicidade de \u201cestar\u201d activamente nas dores da humanidade para, perdendo a vida por amor, gerar uma humanidade nova.  Nesta espiritualidade evang\u00e9lica Chiara Lubich suscitou uma Paix\u00e3o pela Igreja, como aut\u00eantica comunidade de Vida entre os homens e mulheres, colocando-a ao servi\u00e7o da unidade, atrav\u00e9s dum conjunto de \u201cdi\u00e1logos\u201d que permanecem caminhos a percorrer.  O Movimento, a que deu vida, conseguiu unir uma multid\u00e3o de \u201cmovimentos\u201d como modos diferentes de concretizar a \u00fanica voca\u00e7\u00e3o \u00e0 Santidade. Ningu\u00e9m se poderia sentir exclu\u00eddo e a Casa do Pai acolhia a todos. O amor ao Movimento dos Focolares tornou-se verdadeiro na abertura a todos os outros movimentos eclesiais onde o que interessava era a presen\u00e7a de Cristo e nunca a preocupa\u00e7\u00e3o pelo peculiar carisma. A Igreja permanecer\u00e1 grata pelos encontros \u2013 verdadeiros Pentecostes \u2013 entre os principais movimentos que manifestam a vitalidade do Esp\u00edrito na actualidade. O di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso permanecer\u00e1 como a den\u00fancia dum \u201cesc\u00e2ndalo\u201d da divis\u00e3o que urge ultrapassar. A comunh\u00e3o com os n\u00e3o crentes ou indiferentes acontece com normalidade para um Mundo Novo que n\u00e3o s\u00f3 exige a toler\u00e2ncia mas sup\u00f5e o reconhecimento de quem conscientemente, ou inconscientemente, procura a Verdade.  Da\u00ed que a sua vida permanecer\u00e1 como s\u00edntese do que experimentou em 13 de Maio de 1944, quando sentia de deixar a m\u00e3e sobrecarregada com os poucos haveres e fugindo da guerra para um lugar mais tranquilo. A\u00ed, com o pequeno grupo que come\u00e7ou a conviver com ela, ouviu o grito lacerante das m\u00e3es que perderam os seus na guerra. Experimentou \u201cl\u00e1grimas\u201d mas acreditou nas \u201cestrelas\u201d. Para isso, foi mulher, no sentido genu\u00edno da palavra, afirmando que a santidade n\u00e3o tem alternativa, e o seu testemunho chegou a todas as na\u00e7\u00f5es do mundo inteiro. As Universidades reconheceram a originalidade do seu pensar e agir. Foi conhecida e amada por multid\u00f5es. Nunca quis que estas se encontrassem com ela mas n\u00e3o permitiu que a sua vida n\u00e3o deixasse de ser um permanente testemunho que arrastou e continuar\u00e1 a interpelar. As \u201cl\u00e1grimas\u201d de muitos foram eliminadas. A \u201cestrela\u201d duma vida feita testemunha nunca ser\u00e1 esquecida. N\u00e3o, a morte n\u00e3o existe quando uma vida marcou tantas vidas.  Nos horrores da guerra e perante a cont\u00ednua amea\u00e7a da morte, o grupo de jovens que se uniu a Chiara para, sem o entender, dar vida ao Movimento dos Focolares, expressavam o desejo de que, se a morte surgisse, quereriam que sobre a sua sepultura fosse colocada a frase evang\u00e9lica: \u00abN\u00f3s acreditamos no amor de Deus\u00bb. Chiara acreditou e o amor de Deus realizou maravilhas na sua vida, na vida de milh\u00f5es de cat\u00f3licos, de membros doutras confiss\u00f5es, crist\u00e3os e religi\u00f5es, assim como do mundo da indiferen\u00e7a ou agnosticismo. No seu testemunho \u2013 que para alguns \u00e9 testamento \u2013 continuar\u00e1 a proclamar Deus Caritas est e a vida vale por aquilo que deste amor mostramos e testemunhamos.   <i>D. Jorge Ortiga Arcebispo de Braga <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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