{"id":307370,"date":"2023-12-14T10:06:21","date_gmt":"2023-12-14T10:06:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=307370"},"modified":"2023-12-14T10:06:21","modified_gmt":"2023-12-14T10:06:21","slug":"cibercultura-cop28-da-opiniao-a-accao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-cop28-da-opiniao-a-accao\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; COP28: Da Opini\u00e3o \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os combust\u00edveis f\u00f3sseis t\u00eam um fim \u00e0 vista, mas at\u00e9 chegarmos ao objectivo ser\u00e1 preciso continuarmos a investir na evolu\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias. Existe uma grande mudan\u00e7a cultural a fazer. Os acordos s\u00e3o o princ\u00edpio, mas a passagem \u00e0 ac\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser o ponto de fuga para onde deve convergir tudo aquilo que se faz, se quisermos realmente travar ou adaptar \u00e0 irreversibilidade do Antropoceno. Com a sua mensagem para o COP28, o Papa Francisco procurou se eco da voz daqueles que est\u00e3o nas periferias e ofereceu um olhar que podia ser melhor acolhido na vida concreta de todos os cat\u00f3licos do mundo. A diversidade de opini\u00f5es ser\u00e1 sempre uma riqueza, mas neste momento, j\u00e1 passou o tempo da opini\u00e3o. \u00c9 tempo da ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure>\n<figure id=\"attachment_307371\" aria-describedby=\"caption-attachment-307371\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-307371 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/COP28.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/COP28.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/COP28-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/COP28-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/COP28-391x260.jpeg 391w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-307371\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Flickr<\/figcaption><\/figure>\n<p>A COP28 realizada no Dubai resultou num acordo que aponta para o &#8220;in\u00edcio do fim&#8221; da era dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, estabelecendo a base para uma <em>&#8220;transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, justa e equitativa, sustentada por cortes profundos nas emiss\u00f5es e um aumento do financiamento\u201d<\/em>. O encontro destacou a necessidade de uma mudan\u00e7a global na direc\u00e7\u00e3o do aumento da capacidade de fornecer energia de fonte renov\u00e1vel e a melhoria da efici\u00eancia energ\u00e9tica, embora a \u00faltima seja uma chav\u00e3o. Em muitos casos, a efici\u00eancia energ\u00e9tica entrou nos retornos diminutos, sendo mais importante a <em>sufici\u00eancia<\/em> do que a efici\u00eancia. Al\u00e9m disso, foi acordado o fortalecimento da resili\u00eancia aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, isto \u00e9, refor\u00e7o da capacidade dos indiv\u00edduos, comunidades, pa\u00edses e sistemas naturais de se adaptarem, sobreviverem e prosperarem diante dos impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e avan\u00e7ou-se ainda na quest\u00e3o do financiamento clim\u00e1tico.<\/figure>\n<p>Embora o acordo tenha sido considerado um avan\u00e7o hist\u00f3rico em alguns aspectos, como a cria\u00e7\u00e3o do fundo de perdas e danos e o compromisso de mais de 700 milh\u00f5es de d\u00f3lares (Elon Musk injectou 1000 milh\u00f5es de d\u00f3lares na sua empresa de IA&#8230;), as reac\u00e7\u00f5es foram mistas quanto ao seu impacte e ambi\u00e7\u00e3o. Alguns representantes de pa\u00edses e activistas ambientais expressaram decep\u00e7\u00e3o com o progresso incremental em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cneg\u00f3cio do costume&#8221;, argumentando serem necess\u00e1rias mudan\u00e7as mais radicais para enfrentar a crise clim\u00e1tica. O facto de se ter inclu\u00eddo o tema dos combust\u00edveis f\u00f3sseis foi um marco relevante, mas ainda h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es com as lacunas e meias medidas inclu\u00eddas no acordo final. Os pr\u00f3ximos passos delineados pela confer\u00eancia incluem o estabelecimento de um novo objetivo colectivo de financiamento para suportar os custos de mudar aquilo que na sociedade e cultura afecta o clima, bem como preparar novas contribui\u00e7\u00f5es determinadas nacionalmente (NDCs) at\u00e9 2025 com o objetivo de alinhar todas as ac\u00e7\u00f5es tendo em vista o limite de aquecimento de 1.5\u00b0C. \u00c9 suficiente? \u00c0 mente ressoa a impress\u00e3o que fiquei depois de ter lido da <em>Laudate Deum<\/em>: mais ac\u00e7\u00e3o, menos opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Afirmar que se vai fazer e assinar um documento no \u00e2mbito da COP j\u00e1 se demonstrou n\u00e3o ser um sinal de compromisso. Tomemos o caso dos Acordos de Paris. Foram assinados e depois revogou-se o compromisso como aconteceu com os Estados Unidos no per\u00edodo da presid\u00eancia de Donald Trump. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 a de que nas culturas ocidentais, a sensibilidade para a seriedade da quest\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o apurada como deveria. No document\u00e1rio <em>A Carta<\/em> dedicado \u00e0 <em>Laudato Si&#8217;<\/em> protagonizado por pessoas que fazem o que podem no terreno, a um dado momento, um deles recebe a not\u00edcia de que uma chuva de grande intensidade teria destru\u00eddo uma parte importante das infra-estruturas da sua terra. Chora. Choram. Abra\u00e7am-se na dor. N\u00e3o falam. Sentem-se impotentes diante da situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 para superar este efeito destrutivo que serve o financiamento, mas que efeito tem ajudar a reconstruir sobre o comportamento daqueles que financiam?<\/p>\n<p>Na estrada continuamos a acelerar e a emitir part\u00edculas para a atmosfera porque aquele \u00e9 o carro que temos. Em casa continuamos a aquecer a \u00e1gua com o g\u00e1s que produz o di\u00f3xido de carbono que contribui para o aquecimento tamb\u00e9m do planeta porque \u00e9 o sistema que temos. O financiamento dos pa\u00edses n\u00e3o contempla o financiamento de cada fam\u00edlia, de modo a ajud\u00e1-la a fazer uma transi\u00e7\u00e3o para um carro el\u00e9trico ou um termoacumulador. S\u00f3 mesmo se a fam\u00edlia planear e poupar para concretizar, poder\u00e1 fazer a sua parte, havendo ainda muito a fazer nesse campo.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis come\u00e7a na <em>mente<\/em> da cada pessoa ao trabalhar a <em>sufici\u00eancia<\/em> no seu consumo, em vez de contar que os engenheiros trabalhem a efici\u00eancia que lhe justifica consumir o que quiser, sem ter de mudar o seu comportamento.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis come\u00e7a no <em>cora\u00e7\u00e3o<\/em> de cada pessoa ao trabalhar a <em>consci\u00eancia<\/em> de que os actos mais pequenos possuem um impacto global na vida dos outros.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e1 nas <em>m\u00e3os<\/em> de cada pessoa (e p\u00e9s por causa do acelerador) porque todos somos artes\u00e3os do futuro quando das opini\u00e3o passamos \u00e0 ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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