{"id":30734,"date":"2008-03-16T19:08:09","date_gmt":"2008-03-16T19:08:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/16\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos\/"},"modified":"2008-03-16T19:08:09","modified_gmt":"2008-03-16T19:08:09","slug":"catequese-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Catequese do Cardeal-Patriarca no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><i>Escutar a Palavra \u00e9 escutar Jesus Cristo<\/i> <!--more--> 1. Como vimos nas catequeses anteriores, a Palavra revelada, Escritura ou Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, insere-se no conjunto do dinamismo de encarna\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do qual Deus se comunica na realidade humana, a palavra prof\u00e9tica e os acontecimentos que Deus realiza a favor do Seu Povo. Sabemos e acreditamos que este caminho de encarna\u00e7\u00e3o encontrou a sua plenitude em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, Ele que \u00e9 a Palavra eterna de Deus. Esse \u00e9 o grande an\u00fancio crist\u00e3o com que S\u00e3o Jo\u00e3o come\u00e7a o seu Evangelho: \u201cE o Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s e n\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria, gl\u00f3ria que Ele tem em Seu Pai como Filho \u00fanico, cheio de gra\u00e7a e de verdade\u201d (Jo. 1,14). S\u00e3o Jo\u00e3o anuncia tamb\u00e9m o poder transformador dessa Palavra eterna feita carne e o que realiza naqueles que a escutam: \u201cA todos os que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, \u00e0queles que acreditaram no Seu nome, gerados n\u00e3o pelo sangue, pelo poder da carne ou pelo querer do homem, mas por Deus\u201d (Jo. 1,12). Esta Palavra eterna encarnada exprime nos que a escutam o mesmo poder criador que exprimiu na Cria\u00e7\u00e3o, em que \u201ctudo foi feito por Ele e sem Ele nada existiu\u201d (Jo. 1,3). Ele \u00e9 a express\u00e3o definitiva da Palavra de Deus em linguagem humana. Basta escut\u00e1-l\u2019O, a Ele, que nos fala, n\u00e3o s\u00f3 pelas Suas palavras, mas por toda a Sua vida, sobretudo quando a entregou por nosso amor.  Para que n\u00e3o restassem d\u00favidas, o pr\u00f3prio Pai revela misteriosamente, no momento da transfigura\u00e7\u00e3o, que Jesus \u00e9 o Seu Filho muito amado e que basta escut\u00e1-l\u2019O. E para os disc\u00edpulos n\u00e3o houve d\u00favidas de que era a voz de Deus, pois, como no tempo do \u00caxodo, Ele falou-lhes de dentro da nuvem: \u201cEnquanto Pedro ainda falava, eis que uma nuvem luminosa os envolveu na sua sombra, e uma voz dizia de dentro da nuvem: Este \u00e9 o Meu Filho muito amado, que tem todo o Meu enlevo; escutai-O\u201d (Mt. 17,5). Esse \u00e9 o grande desejo de Deus, que escutemos a Sua Palavra e agora, no Filho feito homem, podemos escut\u00e1-la sempre e totalmente, sobretudo porque ao sermos unidos a Ele, fazermos um s\u00f3 com Ele, numa intimidade de vida e de amor. S\u00f3 a partir desta rela\u00e7\u00e3o viva com Jesus Cristo, podemos escutar a Palavra de Deus comunicada nas Escrituras. Cristo \u00e9 a chave e encerra o segredo da escuta da Escritura.     Plenitude do processo de encarna\u00e7\u00e3o da Palavra  2. A encarna\u00e7\u00e3o, que significa a revela\u00e7\u00e3o de Deus ao homem em linguagem humana, foi o caminho escolhido por Deus para nos comunicar a Sua Palavra eterna. \u00c9 um processo progressivo, cujo ritmo s\u00f3 Deus conhece, faz parte do seu des\u00edgnio, isto \u00e9, do segredo de Deus. Desde Abra\u00e3o, que ouviu a Palavra do Senhor, confiou e obedeceu, passando por todos os profetas, at\u00e9 Jesus Cristo, h\u00e1 um \u201ccrescendo\u201d na encarna\u00e7\u00e3o da Palavra. Em Cristo, a Palavra eterna que, em Deus \u00e9 uma Pessoa, o Filho torna-Se homem, ou seja, exprime a totalidade da Sua Pessoa na natureza humana. N\u00e3o s\u00e3o duas Pessoas, \u00e9 a mesma Pessoa divina completamente expressa na natureza humana. Esta plenitude da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo eterno constitui a plenitude do tempo salv\u00edfico, isto \u00e9, da comunica\u00e7\u00e3o de Deus com o homem. Tudo o que foi dito pelos profetas e comunicado na palavra humana inspirada, \u00e9 plenamente redito em Jesus Cristo. J\u00e1 referimos, noutra catequese, o in\u00edcio da Carta aos Hebreus: \u201cDepois de ter, muitas vezes e de muitos modos, falado outrora aos Pais pelos Profetas, Deus, nestes tempos que s\u00e3o os \u00faltimos, falou-nos por meio do Filho\u201d (Heb. 1,1-2).  O que Deus nos diz definitivamente em Jesus Cristo, Seu Filho, j\u00e1 tinha come\u00e7ado a diz\u00ea-lo atrav\u00e9s dos Profetas e de todos os autores inspirados. Por isso a plenitude da encarna\u00e7\u00e3o da Palavra em Jesus Cristo \u00e9, necessariamente, a chave da interpreta\u00e7\u00e3o da Palavra da Escritura, que encontra, toda ela, a plenitude de sentido em Jesus Cristo. S\u00e3o Cipriano exprime, assim, a unidade de sentido entre Cristo e toda a Escritura: \u201cOutrora quis Deus falar e fazer-Se ouvir de muitas maneiras, pelos Profetas, seus servos. Mas muito mais sublime \u00e9 o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que j\u00e1 estava presente nos Profetas e agora d\u00e1 testemunho pela Sua pr\u00f3pria voz\u201d[1].  O pr\u00f3prio Jesus ressuscitado, na apari\u00e7\u00e3o aos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, afirma que os profetas e todas as Escrituras se referiam a Ele: \u201cEnt\u00e3o disse-lhes: esp\u00edritos sem intelig\u00eancia, lentos em acreditar tudo o que anunciaram os profetas. N\u00e3o era preciso que Cristo suportasse estes sofrimentos para entrar na Sua gl\u00f3ria? E, come\u00e7ando por Mois\u00e9s e percorrendo todos os Profetas, interpretou-lhes o que em toda a Escritura Lhe dizia respeito\u201d (Lc. 24,26-27).  Cristo n\u00e3o anula a Escritura, mas Ele \u00e9 a sua plenitude de sentido, da Palavra dita e escrita e dos acontecimentos salv\u00edficos. \u00c9 que Deus revelou-Se de muitos modos, sobretudo atrav\u00e9s da Palavra inspirada e de acontecimentos que podiam ser interpretados como interven\u00e7\u00f5es de Deus na hist\u00f3ria do Seu Povo, manifesta\u00e7\u00f5es da Sua solicitude amorosa. Em Cristo, toda a Sua Pessoa, \u00e9 Palavra e acontecimento; n\u2019Ele podemos perceber a Palavra e captar o sentido salv\u00edfico dos acontecimentos, dos sinais, como lhe chama S\u00e3o Jo\u00e3o, entre os quais sobressai como acontecimento decisivo a Sua morte na Cruz e a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. A rela\u00e7\u00e3o viva com Jesus Cristo, o mergulhar com Ele no acontecimento pascal \u00e9 a forma de escutar definitivamente a Palavra do Senhor. Podemos ler um profeta, rezar um Salmo ou meditar a hist\u00f3ria das \u201cmirabilia Dei\u201d, os acontecimentos de salva\u00e7\u00e3o. Em todos eles escutamos a Palavra do Filho.     Cristo \u00e9 a plenitude das palavras de Deus  3. Cristo, Palavra encarnada, exprime a unidade de toda a revela\u00e7\u00e3o de Deus. N\u2019Ele descobrimos a coer\u00eancia da mensagem de Deus aos homens. N\u2019Ele, plenitude da revela\u00e7\u00e3o descobrimos que esta foi progressiva: Deus disse em cada momento o que o homem podia escutar; vai dizendo sempre mais, at\u00e9 dizer tudo no Seu Filho Jesus Cristo. O progresso da revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o surpreende, pois em cada momento novo o homem escuta o que j\u00e1 tinha escutado, na alegria da profundidade. A surpresa \u00e9 o encantamento do mist\u00e9rio que nos \u00e9 revelado. Escutar plenamente Deus em Jesus Cristo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na comunh\u00e3o de vida e de amor com Ele. Temos ent\u00e3o a alegria de tocar a plenitude de sentido das palavras de Deus, daquelas que foram dirigidas ao homem desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo e que eram, desde sempre, express\u00f5es do Verbo eterno de Deus.   Vejamos alguns exemplos:     Eu sou o teu Criador  4. \u00c9 a primeira palavra que Deus dirige ao homem, na qual Se revela a Si Mesmo e revela o mais profundo mist\u00e9rio do pr\u00f3prio homem. Eu criei-te do nada, sem Mim n\u00e3o existirias, s\u00f3 em Mim podes subsistir. Criei-te semelhante a Mim, \u00e0 minha Imagem e semelhan\u00e7a; criei-te porque amo, porque o Meu amor \u00e9 infinito e deseja ser partilhado; criei-te para a intimidade do amor e para a plenitude da vida. Criei-te livre, porque n\u00e3o h\u00e1 amor sem liberdade.  Criei todo o Universo para ti, enriqueci-o com a imensid\u00e3o das criaturas, todas participa\u00e7\u00e3o da vida que est\u00e1 em Mim. Podes conhecer-Me e louvar-Me, descobrindo a maravilhosa beleza que imprimi nelas. Partilhei contigo o Meu poder e fiz-te rei do Universo.  Esta primeira e fundamental Palavra de Deus ao homem \u00e9 plenamente redita em Jesus Cristo. Ele junta em Si o poder do criador, porque por Ele todas as coisas foram criadas, assim como a beleza da criatura, porque Ele \u00e9 a plenitude da cria\u00e7\u00e3o. N\u2019Ele, como em Sua M\u00e3e Maria Sant\u00edssima, a imaculada e cheia de gra\u00e7a, brilha toda a beleza da cria\u00e7\u00e3o enquanto participa\u00e7\u00e3o da beleza divina. Jesus ensina os disc\u00edpulos a contemplar a beleza de Deus na beleza da cria\u00e7\u00e3o: nos l\u00edrios do campo, nas aves do C\u00e9u, mas sobretudo, no cora\u00e7\u00e3o do homem que Deus cuida com particular solicitude e provid\u00eancia. Filho eterno do Pai, Jesus \u00e9, na encarna\u00e7\u00e3o, o primog\u00e9nito de toda a criatura.     Eu sou o teu Redentor  5. \u00c9 a segunda palavra depois do Verbo criador. O homem pecou porque sucumbiu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e escolheu um caminho diferente do insond\u00e1vel des\u00edgnio de Deus. Ele que podia escolher espontaneamente o bem, quis poder escolher o mal. O que \u00e9 bem e o que \u00e9 mal definem-se a partir da vontade de Deus e do que \u00e9 bom para a plena realiza\u00e7\u00e3o do homem. O homem perdeu a feliz harmonia do Jardim onde tinha sido criado, a sua vida ser\u00e1 uma \u00e1rdua luta, o sofrimento e a morte ser\u00e3o a sua sorte. Mas Deus n\u00e3o o abandonou: o descendente da mulher, Jesus Cristo, esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a da serpente tentadora e libert\u00e1-lo-\u00e1 do pecado. A partir da\u00ed o amor de Deus criador torna-se em amor redentor.  Deus n\u00e3o quer a morte do pecador mas que se converta e viva. Um dia o Seu Servo, a tal descend\u00eancia da mulher, assumir\u00e1 sobre os Seus ombros todos os pecados da humanidade e, como manso cordeiro, an\u00fancio do verdadeiro Cordeiro Pascal, deixar-Se-\u00e1 imolar em sacrif\u00edcio. Toda a hist\u00f3ria de Deus com o Seu Povo, no Antigo Testamento, \u00e9 uma hist\u00f3ria de reden\u00e7\u00e3o.  Este amor redentor realiza-se e exprime-se em plenitude em Jesus Cristo, o Cordeiro Pascal imolado. Redentor, Ele recria a humanidade e faz dos homens transviados filhos de Deus, de novo acolhidos na intimidade do Pai. As par\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia e a obla\u00e7\u00e3o da Cruz s\u00e3o a linguagem expressiva do amor redentor de Deus. Em Cristo, n\u00e3o apenas o homem, mas a cria\u00e7\u00e3o inteira, escravizada ao poder da morte pelo pecado do homem, \u00e9 liberta para a gl\u00f3ria de Deus.     V\u00f3s sereis o Meu Povo e Eu serei o vosso Deus  6. Esta \u00e9 a palavra constitutiva do Povo que o Senhor escolheu. A reden\u00e7\u00e3o \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o de Deus para restituir ao homem a capacidade de comunh\u00e3o com Ele. Mas Deus \u00e9 comunidade de Pessoas, unidas no amor. S\u00f3 a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria restitui ao homem a possibilidade de participar na comunh\u00e3o divina. Por isso escolhe e forma um Povo, g\u00e9rmen e an\u00fancio do futuro definitivo de toda a humanidade, reunida em Deus como grande experi\u00eancia de comunh\u00e3o. Por isso, na Palavra que Deus lhe dirige e nas interven\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, o Povo tem sempre a primazia, porque Deus s\u00f3 pode salvar os homens, inserindo-os na experi\u00eancia de comunh\u00e3o de um Povo. Com ele faz Alian\u00e7a, pacto de fidelidade m\u00fatua, revela-lhe o Seu amor de esposo, com toda a for\u00e7a da ternura criadora. Os c\u00e2nticos de amor de Deus pelo Seu Povo, constituem as mais belas express\u00f5es po\u00e9ticas da Sagrada Escritura.  Cristo toma a s\u00e9rio o ser membro deste Povo. Alarga-lhe as fronteiras, pois a ra\u00e7a e o sangue deixam de ser os crit\u00e9rios de perten\u00e7a, mas apenas a f\u00e9 em Cristo. N\u2019Ele, o Povo de Deus est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do Povo que Deus quer. \u00c9 um novo Povo que surge, o novo Povo de Deus, numa continuidade de des\u00edgnio que s\u00f3 o amor salv\u00edfico de Deus, plenamente manifestado em Jesus Cristo, garante. Cristo identifica-se totalmente com esse novo Povo: a Igreja \u00e9 o Seu corpo. Condu-la \u00e0 plenitude da comunh\u00e3o, comunicando-lhe o Seu Esp\u00edrito de amor. Ama-a como um esposo ama uma esposa. O amor esponsal de Cristo pela Igreja, anuncia a eternidade como uma festa nupcial. \u00c9 a terra prometida ao primeiro Povo, a terra onde correm o leite e o mel.     Concluirei com a Casa de Israel uma nova Alian\u00e7a (Jer. 31,31)  7. A Alian\u00e7a \u00e9 um pacto de fidelidade m\u00fatua entre Deus e o Seu Povo. Este n\u00e3o \u00e9 sempre fiel, quebra a Alian\u00e7a; Deus \u00e9 sempre fiel e a manifesta\u00e7\u00e3o dessa fidelidade \u00e9 o n\u00e3o desistir da Alian\u00e7a, apesar da n\u00e3o fidelidade do Povo. Apesar do pecado de Israel, Deus renova essa Alian\u00e7a. A Alian\u00e7a nova exprime-se, n\u00e3o nas leis e nas estruturas exteriores, mas na renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Deus dar\u00e1 ao Povo um cora\u00e7\u00e3o novo, capaz de O conhecer e de O amar.  A renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande desafio de Jesus Cristo. O Seu cora\u00e7\u00e3o humano, o cora\u00e7\u00e3o do Filho de Deus \u00e9 verdadeiramente esse cora\u00e7\u00e3o novo anunciado pelo Profeta Jeremias, capaz de conhecer e de amar a Deus, Seu Pai. N\u2019Ele Deus sela a Alian\u00e7a, n\u00e3o apenas nova, mas definitiva, na Sua Paix\u00e3o: Este \u00e9 o c\u00e1lice do Meu sangue, da nova e definitiva Alian\u00e7a. Participar na P\u00e1scoa de Jesus \u00e9, para cada comunidade de disc\u00edpulos, a maneira de ratificar, sempre de novo, essa Alian\u00e7a de Deus com o Seu Povo, v\u00e1lida \u201cat\u00e9 que Ele venha\u201d.     Eu quero a miseric\u00f3rdia e n\u00e3o o sacrif\u00edcio  8. O amor fiel de Deus \u00e0 Alian\u00e7a com o Seu Povo \u00e9 um amor misericordioso, que perdoa e recupera, porque Ele n\u00e3o quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Numa ora\u00e7\u00e3o do Missal dizemos a Deus que \u00e9 quando perdoa que Ele manifesta o Seu poder. Mais do que a solenidade exterior dos sacrif\u00edcios rituais, Ele quer a verdade dos cora\u00e7\u00f5es convertidos ao amor. H\u00e1 um sacrif\u00edcio que Deus pode aceitar, o do Seu Filho Jesus Cristo, que \u00e9 o sacrif\u00edcio que o novo Povo de Deus, a Igreja, pode oferecer at\u00e9 ao fim, e que sup\u00f5e a convers\u00e3o para o amor. O mandamento novo de Jesus, amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, \u00e9 a express\u00e3o definitiva da miseric\u00f3rdia, agora vivida pela Igreja, Povo de redimidos. S\u00e3o Paulo chamar\u00e1 \u00e0 Igreja \u201co mist\u00e9rio de miseric\u00f3rdia\u201d. O amor crist\u00e3o realiza todas as palavras de Deus acerca da justi\u00e7a e faz parte do aut\u00eantico culto crist\u00e3o como sacrif\u00edcio de louvor. Deus dissera que o culto que Lhe d\u00e1 gl\u00f3ria \u00e9 o quebrar das injusti\u00e7as, resgatar os cativos, aliviar os oprimidos. O sacrif\u00edcio novo deste Povo novo \u00e9 uma for\u00e7a transformadora da sociedade.     Eu sou Aquele que \u00e9  9. Deus n\u00e3o depende do homem, n\u00e3o existe ou deixa de existir segundo a vontade do homem. Ele \u00e9 o que existe por Si Mesmo, \u00e9 subsistente e transcendente. \u00c9 o Ser e a fonte de todo o ser. Inventar Deus e reduzi-lo \u00e0 dimens\u00e3o humana foi sempre a tenta\u00e7\u00e3o do homem, desde a desobedi\u00eancia de Ad\u00e3o.  Esta plenitude de Ser manifestou-se, na proximidade acess\u00edvel de um rosto humano, em Jesus Cristo. \u201cEu e o Pai somos um s\u00f3\u201d. Esta \u00e9 a dimens\u00e3o mais estimulante do mist\u00e9rio de Cristo para n\u00f3s: igual a n\u00f3s em tudo, mesmo na humilha\u00e7\u00e3o e no sofrimento, igual a n\u00f3s excepto no pecado, Ele \u00e9 encarna\u00e7\u00e3o do Ser absoluto de Deus. N\u2019Ele e por Ele temos acesso a Deus, reconhecemo-nos em Deus; n\u2019Ele encontramos a nossa verdade profunda. Tamb\u00e9m Jesus Cristo n\u00e3o depende dos homens; Ele \u00e9 tudo e apenas o que Deus quis que Ele fosse: a presen\u00e7a do Deus vivo.     Cristo, modelo de escuta da Palavra de Deus  10. Plenitude de sentido de todas as palavras que Deus dirigiu ao Seu Povo, Cristo \u00e9, para n\u00f3s, modelo de escuta da Palavra de Deus. Eu s\u00f3 vos digo o que ouvi de Meu Pai; as palavras que vos digo n\u00e3o s\u00e3o minhas, ouvi-as ao Pai que Me enviou. Cristo escuta perfeitamente a Palavra de Deus; ela d\u00e1-lhe for\u00e7a para vencer as tenta\u00e7\u00f5es no deserto, e abra\u00e7ar a Paix\u00e3o, no Jardim das Oliveiras; alimenta a Sua esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o e \u00e9 fonte de ora\u00e7\u00e3o e de louvor: Pai nosso, seja santificado o Teu nome, venha o Teu Reino, que a Tua vontade seja feita na terra como o \u00e9 no C\u00e9u. Ao dizer nosso, reza j\u00e1 em nome daqueles que, com Ele, h\u00e3o-de aprender a escutar a Palavra, a Sua Palavra, que Ele escutou de Seu Pai.  Esta Semana Santa, celebra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, \u00e9 para a Igreja um momento solene de escuta da Palavra eterna de Deus. Cristo, na Sua fidelidade, \u00e9 a Palavra definitiva de Deus. Escut\u00e1-l\u2019O \u00e9 mergulhar, com Ele, no desafio da fidelidade e no segredo do des\u00edgnio de Deus.    S\u00e9 Patriarcal, 16 de Mar\u00e7o de 2008    <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i>    &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211;   [1] Of\u00edcio de Leitura de 3\u00aa feira da 1\u00aa Semana da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escutar a Palavra \u00e9 escutar Jesus Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,275,91,308],"class_list":["post-30734","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30734"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30734\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}