{"id":30733,"date":"2008-03-16T19:04:27","date_gmt":"2008-03-16T19:04:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/16\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos\/"},"modified":"2008-03-16T19:04:27","modified_gmt":"2008-03-16T19:04:27","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><i>Quem dizem os homens que Eu sou?<\/i> <!--more--> 1. Com a Sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m, de que a Liturgia faz hoje mem\u00f3ria, Jesus quer afirmar claramente a Sua identidade messi\u00e2nica, perante os disc\u00edpulos, perante a multid\u00e3o que tantas vezes O tinha seguido, perante as autoridades religiosas, que O v\u00e3o julgar e condenar. No Seu momento decisivo, a Sua hora, era importante que todos tomassem uma posi\u00e7\u00e3o acerca da Sua identidade messi\u00e2nica; era importante que ficasse claro que Ele ia ser julgado e condenado porque se considerava o Messias. Essa vai ser a quest\u00e3o central do Seu julgamento: \u201cDisse-Lhe o Sumo Sacerdote: intimo-Te pelo Deus vivo que nos declares, sob juramento, se Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus\u201d (Mt. 26,63).  Foi tamb\u00e9m esta a quest\u00e3o que Jesus tinha posto aos doze, em Cesareia de Filipe: \u201cQuem dizem os homens que \u00e9 o Filho do Homem?\u201d \u201cE v\u00f3s quem dizeis que Eu sou?\u201d A resposta de Pedro, \u201cTu \u00e9s o Messias, o Filho do Deus vivo\u201d (cf. Mt. 16,13-16) tinha-se tornado interroga\u00e7\u00e3o para a multid\u00e3o, era rejeitada pelas autoridades, porventura n\u00e3o tinha anulado todas as d\u00favidas e hesita\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios disc\u00edpulos. \u201cQuando Jesus entrou em Jerusal\u00e9m, toda a cidade ficou em alvoro\u00e7o. Quem \u00e9 Ele? perguntavam\u201d (Mt. 21,11).  Para a Igreja, em cada ano que celebra a P\u00e1scoa, \u00e9 importante confrontar-se com esta quest\u00e3o: quem \u00e9 Jesus Cristo? \u00c9 que a P\u00e1scoa encerra a nossa verdade mais profunda, de quem somos, o que \u00e9 a nossa vida, de que \u00e9 que precisamos para ser libertos, qual \u00e9 o sentido radical da nossa exist\u00eancia. Jesus Cristo \u00e9 ou n\u00e3o decisivo para a resolu\u00e7\u00e3o definitiva da nossa vida, da vida dos homens de todos os tempos? Tal como Jesus, com a Sua entrada em Jerusal\u00e9m, quis provocar a cidade a tomar uma posi\u00e7\u00e3o a Seu respeito, e este \u00e9 o enquadramento do drama da Paix\u00e3o, para tudo recome\u00e7ar na surpresa da ressurrei\u00e7\u00e3o, assim a Igreja, com esta Liturgia do Domingo da Paix\u00e3o, nos interpela a tomar uma posi\u00e7\u00e3o clara e actual, neste momento da nossa vida, sobre a quest\u00e3o: quem \u00e9 para mim Jesus Cristo? Essa resposta acompanhar\u00e1 e influenciar\u00e1 o modo como vamos percorrer com o Senhor, em Igreja, a mem\u00f3ria da Paix\u00e3o e da Ressurrei\u00e7\u00e3o.     2. Jesus provoca os habitantes de Jerusal\u00e9m a tomarem posi\u00e7\u00e3o sobre a Sua qualidade messi\u00e2nica e a compreenderem que as profecias e a promessa se tinham cumprido n\u2019Ele. Mas que Messias? Sabemos que no tempo de Jesus havia no povo israelita tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es, tr\u00eas modos de conceber o Messias esperado, cada uma delas sugerindo os sinais que levariam a identific\u00e1-l\u2019O, quando ele viesse: o messianismo real, segundo o qual o Messias, descendente de David, seria o Rei de Israel, Rei poderoso e justo, que libertaria o Povo dos seus opressores e o conduziria \u00e0 verdadeira terra prometida; o messianismo escatol\u00f3gico, acentuado durante o cativeiro em Babil\u00f3nia, em que o Messias seria uma figura misteriosa, vinda directamente do C\u00e9u, aparecendo sobre as nuvens como um \u201cFilho do Homem\u201d, reuniria o \u201cresto fiel de Israel\u201d, e inauguraria o tempo definitivo. Esta vis\u00e3o do Messias como um \u201cFilho do Homem\u201d celeste, misturava-se com a vis\u00e3o daqueles que identificavam a vinda do Messias com o regresso de um grande profeta, sobretudo Elias, ou simplesmente o Profeta, prometido por Deus a Mois\u00e9s. E, finalmente, havia uma terceira tradi\u00e7\u00e3o, um messianismo de media\u00e7\u00e3o, segundo a qual o Messias assumiria a miss\u00e3o de servo, carregando sobre os ombros os pecados de todo o Povo e oferecendo-se em sacrif\u00edcio por todos eles. \u00c9 sobretudo o Profeta Isa\u00edas, com uma vis\u00e3o teol\u00f3gica mais profunda do que devia ser a restaura\u00e7\u00e3o de Israel, quem tra\u00e7a e anuncia a fisionomia do Messias Servo, sofredor e redentor.  Na realidade das correntes teol\u00f3gicas e espirituais existentes em Israel, estas tr\u00eas vis\u00f5es do Messias exclu\u00edam-se mutuamente. Mas Jesus em todo o Seu ensinamento e, de uma maneira muito clara, nesta semana decisiva, quis mostrar que n\u2019Ele se cruzavam e realizavam as tr\u00eas dimens\u00f5es messi\u00e2nicas: Ele \u00e9 o Rei de Israel, prometido a David e \u00e0 sua descend\u00eancia; Ele \u00e9 o \u201cFilho do Homem Celeste\u201d, vindo de junto de Deus, enviado pelo Pai; Ele \u00e9 o Servo sofredor, que n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate da multid\u00e3o (cf. Mc. 10,45). A jun\u00e7\u00e3o, na Sua miss\u00e3o messi\u00e2nica, destas tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es, abre-nos para o verdadeiro sentido da promessa de um Messias salvador. Define a Sua realeza: \u201co Meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d; a afirma\u00e7\u00e3o paradoxal do Seu triunfo \u00e9 a Cruz, express\u00e3o dram\u00e1tica do amor de Deus pelos homens; a Sua gl\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 aquela que se exprime nas honras do mundo, mas a que tem como Filho de Deus, que O enviou do C\u00e9u, fazendo-Se homem por nosso amor. Sempre que o messianismo dav\u00eddico se pode reduzir a uma miss\u00e3o temporal e confundir-se com as honras deste mundo, Jesus rejeita-o. Prefere chamar-se a Si o \u201cFilho do Homem\u201d, que Lhe lembra a Sua origem no cora\u00e7\u00e3o de Deus, e a plenitude da vida em Deus, que Ele quer comunicar aos que acreditaram n\u2019Ele. Esta maneira de Jesus conceber a Sua miss\u00e3o messi\u00e2nica fica clara na resposta que d\u00e1 ao Sumo Sacerdote sobre a quest\u00e3o central: diz-me se Tu \u00e9s o Messias. \u201c\u00c9 como disseste. Ali\u00e1s, Eu vo-lo digo, vereis doravante o Filho do Homem sentado \u00e0 direita do Todo-Poderoso e vir sobre as nuvens do C\u00e9u\u201d (Mt. 26,64). Ou seja, Eu sou o Messias esperado, em todas as compreens\u00f5es acerca d\u2019Ele, que as tradi\u00e7\u00f5es do nosso Povo nos legaram.     3. Mas a quest\u00e3o que a Liturgia apresenta \u00e0 Igreja, ao iniciar a celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa, \u00e9 mais vasta e exigente, e n\u00e3o podia ser posta assim \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. A quest\u00e3o crucial \u00e9 esta: acreditas que Cristo ressuscitou dos mortos, e que na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o tudo come\u00e7ou de novo? Acreditar em Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 escolher uma das tr\u00eas interpreta\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas; \u00e9 acreditar na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o e na transforma\u00e7\u00e3o radical da nossa vida em Cristo ressuscitado. H\u00e1 uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao tempo dos acontecimentos b\u00edblicos de que fazemos mem\u00f3ria: porque se declarou o Messias, foi o pr\u00f3prio Jesus que foi julgado e condenado; ao declar\u00e1-l\u2019O vivo, porque ressuscitou dos mortos, somos n\u00f3s que seremos julgados e muitos foram condenados. A coer\u00eancia do testemunho \u00e0 verdade, manifestada por Jesus, prolonga-se na coer\u00eancia da f\u00e9 da Igreja e na coragem da sua fidelidade.  \u00c9 esta a quest\u00e3o central que nos vai acompanhar durante toda a celebra\u00e7\u00e3o pascal: acreditas que Cristo est\u00e1 vivo, porque ressuscitou dos mortos? A pergunta vai ser-nos explicitamente colocada na Vig\u00edlia Pascal; ser\u00e1 vida nova experimentada, na coer\u00eancia da f\u00e9 e na beleza do amor, em Quinta-Feira Santa; ser\u00e1 quest\u00e3o silenciosa a rasgar o nosso cora\u00e7\u00e3o, na medita\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor.  N\u00e3o significa relativizar na resposta a esta pergunta crucial que nos \u00e9 posta em cada P\u00e1scoa, as tradi\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas do Antigo Testamento. Trata-se, sim, de tomar consci\u00eancia de que o Salvador prometido \u00e9 Jesus Cristo, morto e ressuscitado; que a Sua realeza \u00e9 o triunfo do amor de Deus e da Sua vontade; que a Sua gl\u00f3ria \u00e9 a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria que quer partilhar connosco; que o Seu nome \u00e9 \u201cSenhor\u201d. Trata-se de exultar, porque Ele nos reconduziu \u00e0 vida e que ser Povo de Deus, \u00e9 identificar-se com Ele, ser o seu Corpo; que implantar o reino messi\u00e2nico \u00e9 segui-l\u2019O como disc\u00edpulos, e partilhar da Sua pr\u00f3pria vida. Que o \u00fanico triunfo que com Ele queremos partilhar \u00e9 o triunfo sobre o pecado, em todas as suas express\u00f5es; \u00e9 o triunfo da vida e do amor.  S\u00e9 Patriarcal, 16 de Mar\u00e7o de 2008   <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem dizem os homens que Eu sou?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[246,275],"class_list":["post-30733","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30733\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}