{"id":30721,"date":"2008-03-15T14:08:38","date_gmt":"2008-03-15T14:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/15\/chiara-lubich-1920-2008\/"},"modified":"2008-03-15T14:08:38","modified_gmt":"2008-03-15T14:08:38","slug":"chiara-lubich-1920-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/chiara-lubich-1920-2008\/","title":{"rendered":"Chiara Lubich: 1920-2008"},"content":{"rendered":"<p>Fundadora do Movimento dos Focolares <!--more--> &#8220;Deus \u00e9 Amor; aquele que est\u00e1 no amor habita em Deus e Deus nele\u201d.   Estas palavras da primeira carta de S\u00e3o Jo\u00e3o exprimem com clareza o  centro da f\u00e9 crist\u00e3: \u201cCremos no amor de Deus\u201d. Desse modo o crist\u00e3o pode expressar a escolha fundamental da sua vida. O in\u00edcio da vida crist\u00e3 n\u00e3o se constitui numa decis\u00e3o \u00e9tica ou numa grande ideia, mas num acontecimento, um encontro com uma Pessoa,  que abre \u00e0 vida um novo horizonte, um rumo decisivo\u201d. (Bento XVI)  <b>A centelha inspiradora: Deus Amor<\/b> \u00c9 exactamente a descoberta de Deus Amor que abre um novo horizonte e um rumo decisivo n\u00e3o s\u00f3 na vida de Chiara Lubich, mas de milh\u00f5es de pessoas.  Durante a Segunda Guerra Mundial, em Trento, sob os bombardeamentos que destru\u00edam tudo, Chiara, que na \u00e9poca tinha pouco mais de 20 anos, vivendo naquele clima de \u00f3dio e viol\u00eancia, experimenta o encontro com Deus Amor, o \u00fanico que n\u00e3o passa. Uma descoberta que ela define \u201cfulgurante\u201d, \u201cmais forte do que as bombas que atingiam Trento\u201d, e que foi imediatamente comunicada e compartilhada por suas primeiras companheiras. A vida delas muda radicalmente. Se morressem, gostariam que em seus t\u00famulos fosse colocada uma \u00fanica inscri\u00e7\u00e3o: \u201cE n\u00f3s acreditamos no amor\u201d.  Esta descoberta descortina o horizonte que se tornar\u00e1 o objectivo da vida delas: contribuir para realizar o testamento de Jesus \u2013 \u201cQue todos sejam um&#8221; \u2013, o seu projecto de unidade para a fam\u00edlia humana.  <b>O Evangelho vivido em todas as dimens\u00f5es da vida<\/b>  Desde ent\u00e3o Chiara intuiu que estava para nascer algo que chegaria aos confins do mundo, iluminando e renovando a sociedade.  Chiara n\u00e3o v\u00ea na descoberta do Evangelho um facto apenas espiritual, mas tem a certeza de que o Evangelho vivido provoca a mais potente revolu\u00e7\u00e3o social. A primeira experi\u00eancia acontece nos anos 40, quando Chiara e suas primeiras companheiras partilham seus poucos bens com os pobres dos bairros mais necessitados de Trento. Elas v\u00eaem as promessas evang\u00e9licas se realizarem: \u201cDai e vos ser\u00e1 dado\u201d; \u201cPedi e recebereis\u201d. Em plena guerra chegam, com uma abund\u00e2ncia inesperada, alimentos, roupas e medicamentos para que fossem atendidas muitas necessidades.  <b>A chave da unidade<\/b>  Nas incont\u00e1veis express\u00f5es do sofrimento, das divis\u00f5es e traumas humanos, Chiara reconhece o semblante de Cristo, do Homem-Deus que na cruz grita o abandono do Pai. Nele encontra a chave para recompor a unidade entre Deus e os homens. \u00c9 principalmente nessas express\u00f5es do sofrimento que Chiara descobre os sinais da vontade de Deus que a conduz a iniciar uma obra, o Movimento dos Focolares, que, pela diversidade de sua composi\u00e7\u00e3o, assumir\u00e1 a forma de um \u201cpovo\u201d, de um &#8220;laborat\u00f3rio&#8221; para um mundo unido na fraternidade.  Chiara repete que esta Obra &#8220;n\u00e3o foi pensada apenas por uma mente humana, mas vem do Alto. S\u00e3o as circunst\u00e2ncias que manifestam o que Deus deseja. N\u00f3s procuramos seguir a Sua vontade dia ap\u00f3s dia.&#8221;  A unidade entre pessoas, categorias sociais, e povos, constantemente indicada como o principal objectivo do Movimento, \u00e9 alimentada por Chiara com escritos, palestras, encontros, viagens, mencionando sempre a inspira\u00e7\u00e3o e o radicalismo origin\u00e1rio do carisma.  <b>Novos caminhos abertos por um novo carisma<\/b>  Percorrendo as principais etapas do desenvolvimento do Movimento,  emergem, muito al\u00e9m das previs\u00f5es, os novos caminhos abertos por  este carisma, como uma resposta aos constantes questionamentos da  humanidade.  Uma nova espiritualidade na Igreja \u2013 Da resposta radical a Deus Amor e \u00e0 escola do Evangelho, tem in\u00edcio uma nova corrente de espiritualidade, a Espiritualidade da Unidade, que \u2013 centralizada no Amor e na Unidade, inscritos no DNA de cada homem &#8211; se revela cada vez mais universal.  Um n\u00famero cada vez maior de homens e mulheres, das mais diversas  categorias sociais, idades, ra\u00e7as e culturas encontra a linfa vital da sua  exist\u00eancia nesta nova espiritualidade que nasce na Igreja. Depois de alguns anos, unem-se aos cat\u00f3licos crist\u00e3os de outras Igrejas, judeus e seguidores de outras religi\u00f5es, al\u00e9m de pessoas sem uma convic\u00e7\u00e3o religiosa, de 182 pa\u00edses, em todas as latitudes.  Como instrumentos a servi\u00e7o da unidade, Chiara d\u00e1 origem a movimentos espec\u00edficos para as novas gera\u00e7\u00f5es, para as fam\u00edlias, para actuar no social e na Igreja. Como principal caminho de unidade abrem-se di\u00e1logos muito fecundos; com o incentivo de Chiara, pouco a pouco nascem modelos de uma nova \u201csocialidade\u201d: as Cidadelas, presentes nos cinco continentes. Para difundir a cultura da unidade multiplicam-se os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, como as editoras, as revistas, os centros de audiovisuais, os sites na Internet, etc.  Novas perspectivas nos mais diversos \u00e2mbitos da sociedade, como na economia e na pol\u00edtica s\u00e3o abertas por Chiara a partir dos anos 90. Em 1991, diante do enorme desequil\u00edbrio social do Brasil, prop\u00f5e o Projecto da Economia de Comunh\u00e3o; em 1996 funda o Movimento Pol\u00edtico para a Unidade, que prop\u00f5e aos pol\u00edticos de diferentes partidos a fraternidade comocategoria pol\u00edtica, em vista do bem comum.  <b>Um sim marca um novo in\u00edcio<\/b>  Os prim\u00f3rdios do Movimento s\u00e3o marcados por uma data: 7 de Dezembro  de 1943, dia no qual Chiara pronunciou o seu sim para sempre a Deus, na  capela dos Frades Capuchinhos, em Trento. Estava s\u00f3. Tinha 23 anos. N\u00e3o existia nenhuma previs\u00e3o de tudo o que nasceria a partir de ent\u00e3o.  Busca da Verdade, busca de Deus \u2013 Esta escolha radical marca a primeira etapa de um caminho na busca apaixonada da Verdade, de um conhecimento mais profundo de Deus. Para encontrar essa resposta, depois de se ter  formado como professora, inscreveu-se na Faculdade de Filosofia da Universidade de Veneza. Mas n\u00e3o p\u00f4de continuar os estudos, primeiramente por causa da guerra e depois porque deveria acompanhar o desenvolvimento do Movimento que estava a nascer. Intuiu que encontraria a resposta em Jesus, que tinha dito: \u201cEu sou o Caminho, a Verdade e a Vida\u201d. Ele seria o seu Mestre.  Loreto, um an\u00fancio de sua aventura espiritual. Em 1939, participando num curso para jovens da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica , em Loreto, no Santu\u00e1rio onde, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 conservada a casinha de Nazar\u00e9, que hospedou a Sagrada Fam\u00edlia, Chiara intuiu a sua voca\u00e7\u00e3o: uma reprodu\u00e7\u00e3o da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, uma nova voca\u00e7\u00e3o na Igreja, que muitos haveriam de seguir.  <b>Na Igreja Cat\u00f3lica<\/b>  A primeira audi\u00eancia com o Papa &#8211; Em 1964 Chiara foi recebida pela primeira vez numa audi\u00eancia com um Papa, Paulo VI, que reconhece no Movimento uma \u201cObra de Deus\u201d. Daquele momento em diante multiplicam-se as audi\u00eancias privadas e p\u00fablicas, primeiramente com Paulo VI e depois com Jo\u00e3o Paulo II, que em diversas ocasi\u00f5es, em manifesta\u00e7\u00f5es internacionais, dirigiram-se aos membros do Movimento.  Em 1984 Jo\u00e3o Paulo II visita o Centro Internacional do Movimento, em Rocca di Papa. Reconhece no Movimento a fisionomia da Igreja do Conc\u00edlio, e no seu carisma uma express\u00e3o do \u201cradicalismo de amor\u201d que caracteriza os dons do Esp\u00edrito Santo na hist\u00f3ria da Igreja.  Desde a festa de Pentecostes de 1998 teve in\u00edcio um caminho de comunh\u00e3o entre Movimentos e Novas Comunidades \u2013 No primeiro grande encontro dos Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, na Vig\u00edlia de Pentecostes, em 1998, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, Jo\u00e3o Paulo II reconhece nestas novas realidades eclesiais a resposta imediata do Esp\u00edrito Santo ao processo de descristianiza\u00e7\u00e3o da sociedade e pede para que eles sejam &#8220;frutos maduros de comunh\u00e3o e de empenho&#8221;. Discursando, juntamente com outros tr\u00eas fundadores, Chiara Lubich garante ao Papa o compromisso de contribuir para a realiza\u00e7\u00e3o desta comunh\u00e3o \u201ccom todas as nossas for\u00e7as\u201d. Inicia um caminho de fraternidade e comunh\u00e3o entre muitos movimentos e novas comunidades no mundo todo.  S\u00ednodos e Assembleias das Confer\u00eancias Episcopais \u2013 Chiara participa, no Vaticano, de v\u00e1rios S\u00ednodos dos Bispos: pelo 20\u00ba anivers\u00e1rio do Concilio Vaticano II (1985), sobre voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o dos leigos (1987) e sobre a Europa (1990 e 1999). \u00c9 nomeada Consultora do Pontif\u00edcio Conselho para os Leigos (1985).  Em 1997 \u00e9 convidada a apresentar o Movimento na Assembleia Geral da Confer\u00eancia Episcopal filipina, em Manila. Nos anos seguintes, \u00e9 convidada pelas Confer\u00eancias Episcopais de Taiwan, Su\u00ed\u00e7a, Argentina, Brasil, Cro\u00e1cia, Pol\u00f3nia, \u00cdndia, Rep\u00fablica Checa, Eslov\u00e1quia e \u00c1ustria.  <b>Ecumenismo<\/b>  A p\u00e1gina ecum\u00e9nica do Movimento se abre em 1961, quando o Papa Jo\u00e3o XXIII coloca a unidade dos crist\u00e3os entre os primeiros objectivos do Conc\u00edlio por ele anunciado em 1959: Chiara comunica a experi\u00eancia do Evangelho vivido no Movimento num encontro com um grupo de evang\u00e9licos luteranos, em Darmstadt (Alemanha). \u00c9 o in\u00edcio da difus\u00e3o da Espiritualidade da Unidade nas diversas Igrejas.   Alguns anos depois se instauram relacionamentos pessoais: no mundo ortodoxo, com o Patriarca ecum\u00e9nico de Constantinopla, Aten\u00e1goras I, e posteriormente com os seus sucessores; na Comunh\u00e3o Anglicana, primeiramente com o arcebispo anglicano de Canterbury, M. Ramsey, at\u00e9 ao actual, Rowan Williams; no mundo evang\u00e9lico-luterano, com o ent\u00e3o Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial, o bispo Christian Krause, e com os Secret\u00e1rios-gerais que se sucederam no Concilio Mundial de Igrejas, em Genebra. Todos incentivam a difus\u00e3o da Espiritualidade da Unidade nas diversas Igrejas.  <b>Di\u00e1logo inter-religioso<\/b>  Diante dos desafios da sociedade cada vez mais multi-cultural e multi-religiosa, se evidenciam os frutos de paz gerados pelo di\u00e1logo com seguidores das diversas religi\u00f5es, iniciado nos anos 70. Chiara e o Movimento mant\u00eam contactos n\u00e3o s\u00f3 com personalidades ou seguidores de diversas religi\u00f5es, mas tamb\u00e9m com movimentos.  Budistas \u2013 Em T\u00f3quio, em 1981, diante de 10 mil budistas, Chiara Lubich \u00e9 a primeira mulher crist\u00e3 a expor a sua experi\u00eancia espiritual num templo budista; e em 1997, na Tail\u00e2ndia, a monjas e monges budistas.  Mu\u00e7ulmanos \u2013 alguns meses depois, ela fala na hist\u00f3rica Mesquita \u2018Malcolm X\u2019, do Harlem, em Nova Iorque, diante de 3 mil mu\u00e7ulmanos afro-americanos;  Judeus \u2013 No mesmo ano, em Buenos Aires \u00e9 recebida por organiza\u00e7\u00f5es judaicas.  Hindus &#8211; Em 2001, na \u00cdndia, abre-se uma nova p\u00e1gina no di\u00e1logo do Movimento com o mundo hindu.  Em 1994 \u00e9 nomeada presidente honor\u00e1ria da Confer\u00eancia Mundial das Religi\u00f5es pela Paz (WCRP).  <b>No campo civil<\/b>  Desde o in\u00edcio, a pac\u00edfica revolu\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica que se desencadeou em Trento suscita o interesse tamb\u00e9m de pessoas sem um referencial religioso.   Com o mundo laico se desenvolve um di\u00e1logo com base nos grandes  valores humanos como solidariedade, fraternidade, justi\u00e7a, paz e  unidade entre pessoas, grupos e povos.  Chiara \u00e9 convidada para falar da unidade dos povos em um simp\u00f3sio no  Pal\u00e1cio de Vidro da ONU, em Maio de 1997.  Faz um pronunciamento em Berna (Su\u00ed\u00e7a), na celebra\u00e7\u00e3o do 150\u00b0  anivers\u00e1rio da Constitui\u00e7\u00e3o Su\u00ed\u00e7a (Mar\u00e7o de 1998).  Em Estrasburgo (Fran\u00e7a), apresenta o compromisso social e pol\u00edtico  do Movimento a um grupo de deputados do Parlamento Europeu.  (Setembro de 1998).  Ainda em Estrasburgo interv\u00e9m na Confer\u00eancia pelo 50\u00b0 anivers\u00e1rio  do Conselho da Europa sobre &#8220;Sociedade de mercado, democracia,  cidadania e solidariedade&#8221;, apresentando a experi\u00eancia da Economia  de Comunh\u00e3o (Junho de 1999).  Em Innsbruck (\u00c1ustria), no Congresso &#8220;1000 cidades para a Europa&#8221;, fala do \u201cEsp\u00edrito de fraternidade na pol\u00edtica, como chave da unidade da Europa e do Mundo\u201d, na presen\u00e7a de numerosos Presidentes de C\u00e2mara, de altas personalidades da pol\u00edtica europeia e das autoridades austr\u00edacas (Novembro de 2001).  A obra de unidade, de paz e de di\u00e1logo entre povos, religi\u00f5es e culturas promovida por Chiara Lubich foi reconhecida publicamente por organismos internacionais, culturais e religiosos. Ela recebeu, entre outros reconhecimentos, o Pr\u00e9mio Templeton para o Progresso da Religi\u00e3o (1977); o Pr\u00e9mio Unesco 1996 para a Educa\u00e7\u00e3o para a Paz; o Pr\u00e9mio dos Direitos Humanos do Conselho da Europa (1998), doutoramentos honoris causa conferidos por Universidades de diversos pa\u00edses, cidadanias honor\u00e1rias, al\u00e9m de reconhecimentos por parte de grandes religi\u00f5es e de l\u00edderes de diversas Igrejas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fundadora do Movimento dos 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