{"id":30688,"date":"2008-03-14T12:03:32","date_gmt":"2008-03-14T12:03:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/14\/mensagem-de-pascoa-do-bispo-de-angra\/"},"modified":"2008-03-14T12:03:32","modified_gmt":"2008-03-14T12:03:32","slug":"mensagem-de-pascoa-do-bispo-de-angra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-pascoa-do-bispo-de-angra\/","title":{"rendered":"Mensagem de P\u00e1scoa do bispo de Angra"},"content":{"rendered":"<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a grande festa dos crist\u00e3os, o centro do ano lit\u00fargico. \u00c9 que a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 o fundamento da f\u00e9 crist\u00e3. Se Cristo n\u00e3o ressuscitou \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9 \u2013 adverte S. Paulo (1 Cor 15, 17). Ressuscitando, Jesus afian\u00e7a a Sua mensagem libertadora e a promessa de salva\u00e7\u00e3o. Que \u00e9 uma realidade, n\u00e3o apenas esperada, mas j\u00e1 presente. Por isso mesmo, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, celebrada na P\u00e1scoa, \u00e9 fonte e s\u00f3lido fundamento da esperan\u00e7a crist\u00e3.  Conforme a defini\u00e7\u00e3o da Cartas aos Hebreus, a f\u00e9 \u00e9 esperan\u00e7a, no sentido de constituir a garantia do que se espera e a certeza do que n\u00e3o se v\u00ea. Est autem fides sperandarum substantia rerum, argumentum non apparentium: a f\u00e9 \u00e9 a \u201csusbt\u00e2ncia\u201d das coisas que se esperam; a prova das coisas que n\u00e3o se v\u00eaem (Heb 11, 1). A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 simplesmente convic\u00e7\u00e3o subjectiva. \u00abD\u00e1-nos j\u00e1 agora algo da realidade esperada\u2026 Ela atrai o futuro para dentro do presente\u2026 Pela f\u00e9, de forma incoativa \u2013 poder\u00edamos dizer em \u201cg\u00e9rmen\u201d e, portanto, segundo a susbst\u00e2ncia &#8211; j\u00e1 est\u00e3o presentes em n\u00f3s as coisas que se esperam: a totalidade, a vida verdadeira. E precisamente porque a coisa em si j\u00e1 est\u00e1 presente, esta presen\u00e7a daquilo que h\u00e1-de vir cria tamb\u00e9m certeza: esta \u201ccoisa\u201d, que h\u00e1-de vir, ainda n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel no mundo externo (n\u00e3o \u201caparece\u201d), mas pelo facto de a trazermos, como realidade incoativa e din\u00e2mica dentro de n\u00f3s, surge j\u00e1 agora uma certa percep\u00e7\u00e3o dela\u00bb (Bento XVI, Spe Salvi, 2007, n\u00ba 7). Portanto, a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 optimismo ing\u00e9nuo, de quem n\u00e3o v\u00ea os problemas e as dificuldades. Nem \u00e9 mera probabilidade. \u00c9 firme certeza. \u00ab\u00c9 espera das coisas futuras, a partir de um dom j\u00e1 presente. \u00c9 espera na presen\u00e7a de Cristo, isto \u00e9, com Cristo presente \u2013 que se completa no Seu Corpo, na perspectiva da Sua vinda gloriosa\u00bb (Ibid. 9). O que aconteceu \u00e0 Cabe\u00e7a, que \u00e9 Cristo, acontecer\u00e1 tamb\u00e9m aos membros do Corpo, que somos n\u00f3s. A mensagem crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cinformativa\u201d. \u00c9 \u201cperformativa\u201d. Realiza o que anuncia.  Mas, como explica Bento XVI, a \u201creden\u00e7\u00e3o\u201d \u00abn\u00e3o \u00e9 um simples dado de facto\u00bb. \u00c9-nos oferecida em esperan\u00e7a (cf. Ibid. 1). De facto, n\u00f3s j\u00e1 fomos salvos, mas em esperan\u00e7a. Quando se v\u00ea aquilo que se espera, ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 esperan\u00e7a, pois como \u00e9 que algu\u00e9m espera aquilo que j\u00e1 est\u00e1 a ver? Mas, se esperamos aquilo que ainda n\u00e3o vemos, esperamo-lo com paci\u00eancia (Rm 8, 24). O que n\u00e3o significa resigna\u00e7\u00e3o passiva. A esperan\u00e7a crist\u00e3 \u00e9 activa. Implica compromisso, realizado com confian\u00e7a, perseveran\u00e7a e const\u00e2ncia, isto \u00e9, \u00abpaci\u00eancia\u00bb, em sentido b\u00edblico. Que \u00e9 tamb\u00e9m \u00abpaix\u00e3o\u00bb, no sentido de dedica\u00e7\u00e3o total e de luta sofrida. \u00c9 o que S. Paulo exprime, quando afirma:  Bem sabemos que at\u00e9 agora o mundo todo geme e sofre, como se fossem dores de parto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 universo, mas tamb\u00e9m n\u00f3s, que j\u00e1 come\u00e7\u00e1mos a receber os dons do Esp\u00edrito. N\u00f3s sofremos e esperamos\u2026 a nossa total liberta\u00e7\u00e3o. (Rm 8, 22-23). &#8211; Assim, nesta perspectiva da f\u00e9 pascal, n\u00f3s crist\u00e3os dever\u00edamos estar mentalizados e preparados para as mudan\u00e7as necess\u00e1rias, na sociedade em que vivemos e tamb\u00e9m na Igreja, a que pertencemos. Estamos realmente numa transi\u00e7\u00e3o de \u00e9poca: saindo de um modelo, inadequado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual e entrando noutro, ainda n\u00e3o bem definido. Isso \u00e9 desconfort\u00e1vel. Exige roturas, tamb\u00e9m dolorosas, dentro e fora da Igreja. &#8211; Podem e devem-se discutir os conte\u00fados e os m\u00e9todos das mudan\u00e7as. Mas elas s\u00e3o um imperativo inadi\u00e1vel. Devem encontrar eco no crist\u00e3o esclarecido e comprometido, que quer ser tamb\u00e9m um cidad\u00e3o respons\u00e1vel.  &#8211; Pouco adianta lamentar-se ou simplesmente protestar. Importa inserir-se no debate, dando o contributo positivo da vis\u00e3o crist\u00e3 da vida e da hist\u00f3ria. Comprometendo-se com a mudan\u00e7a. Qual fermento, que leveda a massa. A vida crist\u00e3 \u00e9 uma caminhada permanente de convers\u00e3o e, portanto, de mudan\u00e7a, tamb\u00e9m na forma hist\u00f3rica de presen\u00e7a no mundo.  &#8211; Todas as realiza\u00e7\u00f5es humanas, porque limitadas e condicionadas circunstancialmente, s\u00e3o relativas e ef\u00e9meras. A realidade \u00faltima e definitiva \u00e9 a P\u00e1scoa de Jesus, que j\u00e1 marcou o destino da humanidade, abrindo caminho ao Reino de Deus. Sempre em constru\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 presente no meio de n\u00f3s.  &#8211; Por isso mesmo, os crist\u00e3os deveriam ser homens e mulheres do futuro, abertos \u00e0s mudan\u00e7as, que se imp\u00f5em na sociedade e na Igreja. Porque acreditam na regenera\u00e7\u00e3o humana, comprometem-se. N\u00e3o desistem perante as inevit\u00e1veis dificuldades. Encaram o futuro com esperan\u00e7a. Porque acreditam em Jesus Ressuscitado, possibilidade divina das impossibilidades humanas. Oportunas, tamb\u00e9m para n\u00f3s hoje, as palavras que Jesus dirigiu outrora aos Ap\u00f3stolos:  No mundo tereis afli\u00e7\u00f5es, mas tende confian\u00e7a: Eu venci o mundo (Jo 16, 33)! Feliz P\u00e1scoa! <i>D. Ant\u00f3nio Sousa Braga, Bispo de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a grande festa dos crist\u00e3os, o centro do ano lit\u00fargico. \u00c9 que a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 o fundamento da f\u00e9 crist\u00e3. Se Cristo n\u00e3o ressuscitou \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9 \u2013 adverte S. Paulo (1 Cor 15, 17). Ressuscitando, Jesus afian\u00e7a a Sua mensagem libertadora e a promessa de salva\u00e7\u00e3o. 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