{"id":30686,"date":"2008-03-14T11:11:47","date_gmt":"2008-03-14T11:11:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/03\/14\/20-anos-de-episcopado-de-d-manuel-pelino\/"},"modified":"2008-03-14T11:11:47","modified_gmt":"2008-03-14T11:11:47","slug":"20-anos-de-episcopado-de-d-manuel-pelino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/20-anos-de-episcopado-de-d-manuel-pelino\/","title":{"rendered":"20 anos de episcopado de D. Manuel Pelino"},"content":{"rendered":"<p>A primeira reac\u00e7\u00e3o ao \u00abchamamento inesperado para o episcopado foi  um sentimento de sacrif\u00edcio e sofrimento\u00bb <!--more--> 20 Anos de Episcopado Dou, hoje, gra\u00e7as a Deus pelo dom da ordena\u00e7\u00e3o episcopal, a 13 de Mar\u00e7o de 1988. Escolhi esta data por ser o domingo da alegria, como, passados dez anos, optei pelo mesmo domingo para entrar em Santar\u00e9m, como bispo diocesano. A primeira reac\u00e7\u00e3o ao chamamento inesperado para o episcopado foi  um sentimento de sacrif\u00edcio e sofrimento. Senti que era necess\u00e1ria uma convers\u00e3o, uma mudan\u00e7a profunda, uma entrega total, um desprendimento sem reservas, uma responsabilidade dif\u00edcil\u2026No meio do receio e do sofrimento procurei ver esta miss\u00e3o \u00e0 luz da f\u00e9 e descobrir o fruto da entrega: afinal era um chamamento a anunciar e a ser fermento do Reino de Deus que, diz S\u00e3o Paulo na Carta aos Romanos, \u00e9 paz e alegria no Esp\u00edrito Santo.  Dispus-me, assim, a aceitar a convers\u00e3o pedida por este minist\u00e9rio como um caminho para a alegria. Encontrei, salvas as devidas propor\u00e7\u00f5es, alguma semelhan\u00e7a com o chamamento de Abra\u00e3o: \u201cSai da tua terra e parte\u2026estabelecerei a minha alian\u00e7a contigo\u2026ser\u00e1s pai de um grande n\u00famero\u2026\u201dAbra\u00e3o confiou, foi humilde e prostrou-se numa atitude de obedi\u00eancia e de disponibilidade. Viveu, desde logo, a paternidade espiritual: acolhimento aos peregrinos em Mambr\u00e9; intercess\u00e3o pelas cidades pecadoras; apoio ao sobrinho Lot. Exercer a paternidade espiritual pede, realmente, uma convers\u00e3o. Pessoalmente sentia-me mais irm\u00e3o, num \u00e2mbito de rela\u00e7\u00e3o mais restrito, mais independente dos fi\u00e9is.  A paternidade pede acolhimento aberto e universal, compreens\u00e3o sem fronteiras, \u201ccomo o Pai celeste que manda vir o sol sobre os justos e os pecadores\u201d, \u00e9 compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia: \u201cSede misericordiosos como o Vosso Pai \u00e9 misericordioso\u201d. Ser pai de muitos exige, de facto, uma dedica\u00e7\u00e3o vigilante, compreensiva e misericordiosa. Santo Agostinho experimentou ao vivo esta convers\u00e3o quando foi chamado ao minist\u00e9rio. Viveu uma segunda convers\u00e3o. A primeira aconteceu quando renunciou ao mundo para seguir Jesus Cristo e receber o Baptismo. Depois de baptizado, organizou a vida para se dedicar \u00e0 reflex\u00e3o sobre a palavra de Deus, para se tornar um pensador, um te\u00f3logo com uma escola de amigos que comungavam do mesmo ideal. Era uma forma de vida que apreciava. N\u00e3o estava nos seus planos a voca\u00e7\u00e3o ao minist\u00e9rio ordenado. Foi chamado inesperadamente quando participava na Missa em Hipona. Teve de abandonar a vida pacata e dedicar-se a todos, viver com Cristo e como Cristo para todos,  Se Cristo morreu para todos, viver para Ele significa deixar-se envolver no seu \u201cser para todos\u201d. \u201cAssim descreve, nas Confiss\u00f5es, o seu dia a dia: \u201cCorrigir os indisciplinados; confortar os pusil\u00e2nimes; amparar os fracos; refutar os opositores; precaver-se dos maliciosos; instruir os ignorantes; estimular os negligentes; travar os provocadores; moderar os ambiciosos; encorajar os desanimados; pacificar os litigiosos; ajudar os necessitados; libertar os oprimidos; demonstrar aprova\u00e7\u00e3o aos bons; tolerar os maus; e [ai de mim] amar a todos\u201d.  Pelo que vemos, as pessoas n\u00e3o eram melhores nesse tempo do que s\u00e3o hoje e a tarefa n\u00e3o era mais f\u00e1cil. Mas, nestas dificuldades, Agostinho transmite esperan\u00e7a, a esperan\u00e7a que lhe vinha da f\u00e9 e o tornou capaz de participar com todas as suas for\u00e7as na edifica\u00e7\u00e3o da cidade de Deus. (Cf SS 28 e 29). Outra mudan\u00e7a que Agostinho se esfor\u00e7ou por realizar foi a passagem de professor a pastor: Viver com e para o povo simples, traduzindo os seus pensamentos elevados na linguagem das pessoas comuns. Conhecer e ser conhecido de todos os fi\u00e9is, congregar  e estabelecer la\u00e7os com e entre as pessoas. Uma tarefa para vida inteira e que apenas com a gra\u00e7a de Deus e esfor\u00e7o laborioso e humilde se pode adquirir. Senti tamb\u00e9m ao vivo esta mudan\u00e7a. Mas simultaneamente a confian\u00e7a. Afinal apascentamos as ovelhas que s\u00e3o do Senhor \u201c Apascenta as minhas ovelhas\u201d. Apenas representamos, como sinal e instrumento, o \u201cGrande Pastor\u201d, Jesus Cristo, que cuida de todos n\u00f3s com o Seu cajado, a Sua luz, o Seu amor. Apoiamo-nos sempre no \u201cSeu bra\u00e7o forte\u201d. Cuidamos das ovelhas no amor e na luz de Deus: \u201cComo o Pai me conhece e eu conhe\u00e7o o Pai\u201d. Amar a todos no amor de Cristo, com liberdade perante todos, af\u00e1vel mas desprendido, misericordioso mas firme, \u00e9 a aprendizagem da paternidade espiritual que tenho procurado aprender ao longo de vinte anos e ainda estou longe de ter alcan\u00e7ado. Resta-me dar gra\u00e7as a Deus por me chamar \u00e0 convers\u00e3o. Tenho sentido que \u00e9 um caminho para uma maior liberdade interior; para uma alegria mais profunda; para uma miseric\u00f3rdia mais evang\u00e9lica. \u201cAntes de Abra\u00e3o existir Eu sou\u201d, ouvimos no evangelho. \u00c8 uma promessa de vida, apesar das nossas limita\u00e7\u00f5es. Quanto maiores s\u00e3o as responsabilidades que assumimos, mais se notam as nossas limita\u00e7\u00f5es. Tenho muitas, mais do que desejaria. Delas pe\u00e7o perd\u00e3o a Deus e a v\u00f3s irm\u00e3os que rogueis por mim a Deus Nosso Senhor. <i>Santar\u00e9m, 13 de Mar\u00e7o de 2008 D. Manuel Pelino Domingues, bispo de Santar\u00e9m<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira reac\u00e7\u00e3o ao \u00abchamamento inesperado para o episcopado foi um sentimento de sacrif\u00edcio e sofrimento\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[180],"class_list":["post-30686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-santarem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}