{"id":306853,"date":"2023-12-10T09:00:00","date_gmt":"2023-12-10T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306853"},"modified":"2023-12-11T10:55:11","modified_gmt":"2023-12-11T10:55:11","slug":"entrevista-nos-tres-meses-de-verao-fiz-43-viagens-de-aviao-bispo-dos-acores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-nos-tres-meses-de-verao-fiz-43-viagens-de-aviao-bispo-dos-acores\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00abNos tr\u00eas meses de ver\u00e3o fiz 43 viagens de avi\u00e3o\u00bb &#8211; Bispo dos A\u00e7ores (c\/ v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em style=\"font-size: 16px;\">D. Armando Esteves Domingues fala dos projetos para uma diocese que vai assinalar 500 anos em 2034, onde quer \u00abconstruir a unidade\u00bb apesar da descontinuidade geogr\u00e1fica, alerta para a clericaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m dos leigos, afirma que a sinodade \u00e9 \u00abum estilo impar\u00e1vel\u00bb e acredita na participa\u00e7\u00e3o dos jovens<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_50474\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fHquKhmwcaw?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Paulo Rocha, da Ag\u00eancia Ecclesia, e Jo\u00e3o Gomes, da Ag\u00eancia Lusa<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que \u00e9 ser bispo de uma diocese com nove ilhas, todas elas diferentes, todas com caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias. Procura ser um bispo para \u201ctodos, todos, todos\u201d, como aponta no Itiner\u00e1rio Pastoral para o pr\u00f3ximo tri\u00e9nio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma boa pergunta, sobretudo quando pretendemos criar uma rela\u00e7\u00e3o com as pessoas. A minha preocupa\u00e7\u00e3o como pastor, como bispo da diocese, t\u00e3o espalhada, n\u00e3o deixa de parte os leigos. Eu gosto de conhecer pessoas, de tentar fixar nomes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nove ilhas \u00e9 sempre uma aventura<\/strong><u>:<\/u> domingo passado fiquei 10 horas num aeroporto e perdi os compromissos que tinha durante a tarde, nomeadamente a apresenta\u00e7\u00e3o do nosso Itiner\u00e1rio Pastoral. Mas isto \u00e9, efetivamente, os A\u00e7ores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, nove ilhas, fazer delas uma fam\u00edlia \u00e9 o meu objetivo, mas tamb\u00e9m um grande desafio e que, de vez em quando, nos sai caro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por causa da descontinuidade territorial que tem a diocese, de que forma \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel fazer essa fam\u00edlia, acompanhar as v\u00e1rias comunidades? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu tento faz\u00ea-lo&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro meio ano foi para mim fant\u00e1stico. Corri as ilhas todas com a desculpa de encontrar os jovens, em prepara\u00e7\u00e3o para a Jornada Mundial da Juventude, e crismar os que n\u00e3o estavam crismados nos \u00faltimos dois anos (com a sede vacante, ficaram muitos por crismar). Isto foi a desculpa para conhecer cada canto, os jovens, os crismas, as fam\u00edlias, ver onde \u00e9 que est\u00e3o os p\u00e1rocos, falar com eles, ouvir as expectativas&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 sempre poss\u00edvel! E hoje temos meios tamb\u00e9m para estarmos em contato, para construir estes la\u00e7os importantes para a pastoral, temos outros meios. Mas o conhecimento f\u00edsico, o conhecimento pessoal \u00e9 outra coisa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu tenho tentado, e vou continuar a faz\u00ea-lo, ter a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 com o clero, mas tamb\u00e9m com os leigos. \u00c9 desafio e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, por\u00e9m, quando se consegue \u00e9 fant\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A proposta de Itiner\u00e1rio Pastoral para 2023-2025 desafia \u00e0 unidade, ao caminhar juntos na esperan\u00e7a. Sabendo-se das rivalidades que existem entre as diversas ilhas, desde os Cagarros em Santa Maria &#8211; j\u00e1 estar\u00e1 identificado com essa terminologia &#8211; os Coriscos em S\u00e3o Miguel, etc. A solu\u00e7\u00e3o para a unidade ser\u00e1 um bispo ido do continente? <\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_306762\" aria-describedby=\"caption-attachment-306762\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306762\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0707.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306762\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma boa pergunta, que s\u00f3 o tempo dir\u00e1. Efetivamente, a Diocese dos A\u00e7ores n\u00e3o tem tido bispos. Teve o Senhor D. Ant\u00f3nio Braga, que antecedeu ao D. Jo\u00e3o Lavrador, de Santa Maria, mas viveu, como dehoniano, praticamente sempre fora. Era meio a\u00e7oriano, digamos assim. Se era melhor ou pior, ningu\u00e9m o poder\u00e1 efetivamente dizer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu sou da Diocese de Viseu. Na altura, tivemos um bispo da diocese, o D. \u00a0Il\u00eddio Leandro, um homem fant\u00e1stico, um padre muito pr\u00f3ximo das pessoas, extremamente amigo. No entanto, no final, mesmo o clero estava convencido que seria melhor vir um padre de outra diocese, pela experi\u00eancia feita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 convenientes e h\u00e1 inconvenientes. Claro que construir a unidade entre esta gente toda, ser uma pessoa dos A\u00e7ores ou n\u00e3o \u00e9 sempre muito secund\u00e1rio, porque eu tenho que construir la\u00e7os com toda a gente: com quem me \u00e9 simp\u00e1tico, com quem concorda, com quem alinha nas minhas ideias, com quem as tem contr\u00e1rias. Ali\u00e1s, o grande desafio da Igreja \u00e9 precisamente isto: <strong>ser capaz de conciliar Terceira e S\u00e3o Miguel, para dizer duas ilhas maravilhosas dos A\u00e7ores, mas que efetivamente e historicamente s\u00e3o um pouco concorrentes uma da outra, mas todas as ilhas t\u00eam uma identidade pr\u00f3pria, como depois o tem cada comunidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estas diversidades tornam-se riqueza. O segredo est\u00e1 em sabermos valorizar e potenciar tudo aquilo que cada um \u00e9. Isto \u00e9, desenvolver os carismas que cada um tem, sejam padres, sejam leigos, vivam numa ilha ou vivam noutra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para mim, do ponto de vista de uma liga\u00e7\u00e3o, dou muita import\u00e2ncia \u00e0quilo que s\u00e3o chamados os ouvidores, os arciprestes, os vig\u00e1rios, os que coordenam as zonas, que nas ilhas pequenas s\u00e3o a ilha inteira, na Terceira temos duas ouvidorias e em S\u00e3o Miguel temos sete. E, sabem-no desde o princ\u00edpio, dar-lhes-ei muita relev\u00e2ncia, teremos muito contato, teremos reuni\u00f5es frequentes, precisamente para que esta coordena\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, nos tragam o sentir das bases e tamb\u00e9m possamos descobrir caminhos em conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A diocese esteve um longo per\u00edodo sem bispo. Que repercuss\u00f5es \u00e9 que isso teve na anima\u00e7\u00e3o pastoral de diocesana?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Posso responder, talvez, com a experi\u00eancia que fiz no dia da entrada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu fui para os A\u00e7ores&#8230; Quando o N\u00fancio me disse, a certa altura, disse: \u00f3 senhor N\u00fancio, n\u00e3o esteja com problemas, se for para ir para os A\u00e7ores eu vou feliz da vida, n\u00e3o se preocupe. E, de facto, <strong>fui muito livre para os A\u00e7ores: n\u00e3o escolhi, n\u00e3o tenho expectativas, portanto, tamb\u00e9m n\u00e3o terei tantas desilus\u00f5es&#8230; Procurarei fazer o melhor que sei e posso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No dia da entrada, fiquei quase interiormente incomodado, porque n\u00e3o conseguimos distinguir facilmente daquilo que \u00e9 a nossa experi\u00eancia pessoal, daquilo que \u00e9 o bispo. Naquele dia, somos efetivamente, a mesma coisa. E, vir da Miseric\u00f3rdia at\u00e9 \u00e0 S\u00e9 com colchas nas janelas, gente nas janelas, aplausos, festa&#8230; N\u00e3o estava minimamente \u00e0 espera disto, desta manifesta\u00e7\u00e3o. E depois disse-o de imediato aos padres, no Col\u00e9gio dos Consultores, no dia seguinte: isto n\u00e3o \u00e9 por causa de um bispo que se chama Armando; isto \u00e9 a diocese que viveu um per\u00edodo de alguma expectativa e que hoje &#8211; tamb\u00e9m depois da pandemia, temos que associar aquele per\u00edodo dif\u00edcil da pandemia \u00e0 sede vacante &#8211; como que explode de esperan\u00e7a, porque tem um bispo. Isto, para mim, diz-me quanto os A\u00e7ores sentem o fen\u00f3meno religioso e tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do seu bispo, e depois quanto tamb\u00e9m sofreu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 natural que durante uma sede vacante, sobretudo como a que teve, praticamente um ano e meio, que haja algumas expectativas: quem \u00e9 que vai ser, algu\u00e9m de c\u00e1, algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9&#8230; E os A\u00e7ores s\u00e3o t\u00e3o grandes como Portugal inteiro, contando o espa\u00e7o da \u00e1gua, ou maior ainda, um pouco maior que o continente, no entanto, \u00e9 quase uma aldeia. \u00c9 impressionante! Nos A\u00e7ores todos sabem de tudo, tamb\u00e9m por esta liga\u00e7\u00e3o e amor que t\u00eam \u00e0 Igreja e \u00e0s coisas da Igreja. As pessoas sabem de tudo. Portanto, \u00e9 natural que se tenham levantado algumas clivagens: vai ser este, mas n\u00e3o pode ser por isto, por aquilo, sabe-se tudo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Entre as estruturas da Igreja&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 natural, acontece em todas as dioceses, mas se calhar ali mais&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um jornalista, um dia, disse-me: \u201csabe que nos A\u00e7ores o religioso vende\u201d. E isto diz um bocadinho o que \u00e9 o sentir de toda a gente, acaba por estar nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, conhecer isto, conhecer aquilo. \u00c9 um fen\u00f3meno, a realidade a\u00e7oriana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As sedes vacantes acontecem. O serem muito prolongadas n\u00e3o se justifica. Nos tempos que correm, os processos t\u00eam de ser muito mais \u00e1geis&#8230; At\u00e9 o documento do s\u00ednodo universal se debru\u00e7a sobre este aspeto, para evitar precisamente este \u201cdisse que se disse, vai este, vai aquele\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O vir um bispo de fora, para muitos, n\u00e3o \u00e9 provavelmente a melhor solu\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, eu se estivesse l\u00e1, tamb\u00e9m teria a minha opini\u00e3o &#8211; e quando n\u00f3s temos uma opini\u00e3o \u00e9 sempre a melhor do mundo, porque sen\u00e3o n\u00e3o a t\u00ednhamos &#8211; e depois, recome\u00e7amos juntos e vamos caminhando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Duas dioceses n\u00e3o tem cabimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Apesar de ser uma popula\u00e7\u00e3o pequena, relativamente pequena, de 250 mil pessoas, a dispers\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 muito grande, a \u00e1rea \u00e9 muito grande. N\u00e3o faria sentido, por aquilo que j\u00e1 conhece, haver duas dioceses nos A\u00e7ores? <\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_306761\" aria-describedby=\"caption-attachment-306761\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306761\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0709.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306761\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu sei que em tempos houve essa <strong>ideia expressa de que S\u00e3o Miguel pudesse ser uma outra diocese. Eu pessoalmente acho que n\u00e3o tem cabimento, n\u00e3o tem p\u00e9s para andar.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Somos nove ilhas, as ilhas est\u00e3o todas muito interdependentes. Hoje o bispo viver em Angra ou em Ponta Delgada ou no Corvo&#8230; A diocese est\u00e1 onde o bispo est\u00e1 e onde a Igreja est\u00e1. Se pensar que nos tr\u00eas meses de ver\u00e3o fiz 43 viagens de avi\u00e3o, isto diz um bocadinho de tudo. Eu n\u00e3o ando de carro, ando de avi\u00e3o, quando ele avan\u00e7a. Portanto, n\u00e3o tem qualquer jeito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas mesmo por isso, e sabendo-se que o estatuto do bispo no arquip\u00e9lago \u00e9 substancialmente diferente do bispo no continente, nas dioceses do continente, todos os compromissos que tem, mesmo sociais, a que \u00e9 obrigado a estar, a sobrecarga de trabalho \u00e9 imensa, n\u00e3o \u00e9? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem tem cargos p\u00fablicos, nos A\u00e7ores, percebe o que eu vou dizer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ir de viagem de avi\u00e3o ou esperar no aeroporto (n\u00e3o digo 10 horas, 10 horas \u00e9 demais,\u00a0 mas trabalhei muito no aeroporto)&#8230; N\u00f3s podemos trabalhar sempre: podemos ler, podemos escrever, podemos telefonar. Hoje, <strong>o nosso escrit\u00f3rio \u00e9 um escrit\u00f3rio ambulante<\/strong> e isso a mim n\u00e3o me mete afli\u00e7\u00e3o. Estando em Viseu ou no norte, onde estive como bispo auxiliar, se tivesse uma reuni\u00e3o em Lisboa \u00e0 noite, n\u00e3o dizia que n\u00e3o, nem que tivesse de sair \u00e0s 6 horas da tarde para vir a uma reuni\u00e3o \u00e0s 9h00 ou 9h30 da noite, e voltava. L\u00e1, \u00e9 menos cansativo, a viagem de avi\u00e3o. Mesmo que se tenha de estar no aeroporto uma hora ou duas, temos sempre o que fazer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dificulta alguma coisa, mas n\u00e3o \u00e9 isso que impede de estar a cumprir a minha obriga\u00e7\u00e3o, o meu dever. Com os meios digitais, estamos em todo o lado, e nem sequer se sabe onde \u00e9 que estamos. Quantas vezes n\u00f3s estamos num cabo do mundo e a falar&#8230; A mim n\u00e3o me mete afli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Os aeroportos nos A\u00e7ores tamb\u00e9m s\u00e3o um lugar onde os a\u00e7orianos est\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Exatamente. Quantas pessoas se encontram nos aeroportos e, quantas pessoas&#8230; Encontrei um jogador de futebol que est\u00e1 a jogar nas Flores, que \u00e9 de Viseu, que \u00e9 um mi\u00fado, que eu sou amic\u00edssimo dele. Ali\u00e1s, tir\u00e1mos uma selfie e telefonei ao pai, e o pai nem conseguia falar. A chorar&#8230; As surpresas que n\u00f3s apanhamos, pessoas que n\u00e3o vimos. Passamos horas, temos a oportunidade de conversar, de conhecer. Portanto, tamb\u00e9m isto ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mudar meio ano depois<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Passado mais ou menos meio ano, depois de ter tomado posse, fez uma revolu\u00e7\u00e3o na Diocese. Fez uma s\u00e9rie de nomea\u00e7\u00f5es para cargos essenciais, como o reitor de semin\u00e1rio, vig\u00e1rio-geral, o reitor do Santu\u00e1rio de Santo Cristo. Com que prop\u00f3sito \u00e9 que fez essas coloca\u00e7\u00f5es na diocese? Uma etapa nova que desejou iniciar? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu penso que a diocese tinha expectativas de uma fase nova, como toda a Igreja. O que se vive na Igreja Universal, vive-se nas igrejas locais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O reitor de semin\u00e1rio, uma das primeiras pessoas que falou comigo, disse, \u201ceu estou um bocado cansado, pense&#8230;\u201d E isto sucessivamente, muitas das pessoas puseram os lugares \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. O vig\u00e1rio-geral estava tamb\u00e9m h\u00e1 18 anos, uma pessoa competent\u00edssima. Eu podia andar descansado da vida, porque ele geria toda a parte administrativa, e n\u00e3o s\u00f3 da diocese, tamb\u00e9m por toda a experi\u00eancia, porque foi administrador diocesano, muito competentemente, durante a sede vacante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu podia dizer: podemos continuar, porque assim fico tranquilo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sempre fui de desafios. N\u00e3o me aflige o ter ido para os A\u00e7ores nem sequer com a idade que tenho. N\u00e3o me aflige! Se puder ser \u00fatil&#8230; Tamb\u00e9m, quando der conta que n\u00e3o estou a fazer nada, seria o primeiro a pedir para sair, para ir descansar ou para ir para outro lado. Mas havia certos desafios que se percebiam, at\u00e9 porque, indo \u00e0s nove ilhas e procurando conhecer, falar, ouvir, fui fazendo uma radiografia dos A\u00e7ores (tamb\u00e9m coisas que j\u00e1 sabemos, mesmo estando no continente, hoje percebemos todos o que se passa nas Dioceses uns dos outros).<\/p>\n<figure id=\"attachment_306763\" aria-describedby=\"caption-attachment-306763\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306763\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0699.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306763\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O meu dilema era este: aguardo um ano, at\u00e9 porque tive um ou outro conselho, nomeadamente um car\u00edssimo padre que me dizia, \u201cainda est\u00e1 h\u00e1 pouco tempo, se calhar mais um ano\u201d. Foi a \u00fanica voz&#8230; No entanto, achei que ou fazia agora ou daqui a um ano, se calhar, j\u00e1 n\u00e3o tinha sequer tanta coragem de fazer, de mudar. N\u00e3o \u00e9 que as pessoas estivessem a fazer mal. E isto \u00e9 uma ideia que procuro transmitir nos A\u00e7ores:<strong> as mudan\u00e7as n\u00e3o podem ser entendidas como promo\u00e7\u00f5es ou despromo\u00e7\u00f5es.<\/strong> <strong>Estamos a arruinar a beleza da Igreja e do que \u00e9 o nosso servi\u00e7o. <\/strong>\u00c9 tamb\u00e9m ajudar a que as pessoas iniciem projetos novos. O vig\u00e1rio-geral, por exemplo, \u00e9 uma pessoa nova, n\u00e3o tem sequer 60 anos, foi para a Praia da Vit\u00f3ria, na Ilha Terceira. Ele mesmo disse: se o p\u00e1roco muda, poderia ser uma par\u00f3quia para mim. E ele mesmo entendeu que era bom para ele iniciar um processo novo, um desafio novo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porque n\u00f3s, depois acabamos por fazer todos a mesma coisa: carrega-se no bot\u00e3o e j\u00e1 est\u00e1 feito, carrega-se naquele, isto \u00e9 assim, funciona&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora, correm-se riscos, o vir uma pessoa de novo&#8230; O vig\u00e1rio-geral j\u00e1 tinha sido vig\u00e1rio-geral, sabe os ambientes da C\u00faria&#8230; Ele estava como diretor espiritual do semin\u00e1rio, pedia imenso que mudasse a equipa&#8230; Foi tudo muito espont\u00e2neo, muito natural. <strong>Se calhar, dois ou tr\u00eas casos, foi um bocadinho mais dif\u00edcil para a pessoa a mudan\u00e7a, mas n\u00e3o tenho conflito com ningu\u00e9m. <\/strong>Num caso ou outro mais dif\u00edcil, n\u00f3s tamb\u00e9m estamos ao servi\u00e7o e \u00e9 isso que acaba por prevalecer e cada um faz o seu melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Santu\u00e1rio do Senhor Santo Cristo \u00e9 um desses casos por ser um lugar muito relevante tamb\u00e9m para a diocese? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Santu\u00e1rio do Senhor Santo Cristo, o reitor tinha completado os seis anos do mandato que tinha, estava h\u00e1 seis anos e ou continuava ou mudava&#8230; Como sa\u00eda o p\u00e1roco da Matriz, e a Matriz \u00e9 tamb\u00e9m uma par\u00f3quia muito importante, tem outra import\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio, \u00e9 a Matriz de Ponta Delgada, S\u00e3o Sebasti\u00e3o de Ponta Delgada, e o reitor do Senhor Santo Cristo mudou para a Matriz, onde h\u00e1 uma imensa obra social, h\u00e1 todo o trabalho de catequese e evangeliza\u00e7\u00e3o. O p\u00e1roco da Matriz saiu porque completou os 75 anos e pediu para ser dispensado dos compromissos pastorais, como est\u00e1 previsto e como se costuma fazer nos A\u00e7ores. Mas tudo mudan\u00e7as pac\u00edficas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00abPadres trabalharem juntos \u00e9 mais complicado\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Este ambiente facilita muito o cumprimento daquele apelo que fez no segundo documento de coloca\u00e7\u00f5es em que apelou \u00e0 \u00a0colabora\u00e7\u00e3o entre par\u00f3quias, lembrando que a diocese esteve os dois anos sem ordena\u00e7\u00f5es presbiterais, e \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de novos estilos de evangeliza\u00e7\u00e3o, de corresponsabilidades. Tudo est\u00e1 a correr nesse sentido e facilitando o seu objetivo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim. N\u00f3s temos objetivos e vamos procurando que todos os consigamos perceber e aqueles que s\u00e3o \u00fateis e servem efetivamente ir\u00e3o para a frente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A colabora\u00e7\u00e3o entre par\u00f3quias \u00e9 aquilo que a Igreja est\u00e1 a fazer em todo o lado. A ideia de uma par\u00f3quia, um p\u00e1roco, uma quinta mais ou menos fechada, hoje n\u00e3o existe. <\/strong>Com a mobilidade que as pessoas t\u00eam, com a procura daquilo que necessitam para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, onde colocar os filhos na catequese, a Eucaristia que frequentam, vivem muito espontaneamente esta Igreja diferente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A colabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o par\u00f3quias juntas, procurando que os leigos percebam a mudan\u00e7a que est\u00e1 em causa. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque h\u00e1 comunidades que sempre se habituaram a ter o seu p\u00e1roco, \u00e9 seu, n\u00e3o \u00e9 de mais ningu\u00e9m. E eu fa\u00e7o as reuni\u00f5es aqui e cres\u00e7o aqui, vou \u00e0 missa aqui, mas as novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o assim. Por outro lado, estas din\u00e2micas evangelizadoras tamb\u00e9m desafiam a algumas experi\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o novas, que sempre existiram, que \u00e9 o trabalho em conjunto. Isto \u00e9 mais dif\u00edcil: <strong>padres trabalharem juntos \u00e9 mais complicado, porque cada um acaba por ter um pouco as suas caracter\u00edsticas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu tenho essa sorte: vivi praticamente toda a vida em equipas sacerdotais. O p\u00e1roco n\u00e3o era eu, era Jesus Cristo. E cada um d\u00e1 o seu melhor, o seu contributo, os seus carismas, para o bem de todos, envolvendo os leigos. Se nos relativizamos a n\u00f3s pr\u00f3prios, a pastoral \u00e9 sobretudo o envolvimento de todas as pessoas, leigos, cl\u00e9rigos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Temos de nos perguntar se a par\u00f3quia, ou o p\u00e1roco, \u00e9 que tem aquela par\u00f3quia, ou \u00e9 a comunidade organizada que tem tamb\u00e9m ao seu servi\u00e7o os ministros ordenados, um padre, um di\u00e1cono, quem for, e, quem sabe, algumas par\u00f3quias no futuro ser\u00e3o coordenadas por leigos e os padres far\u00e3o aquilo que \u00e9 o espec\u00edfico do seu minist\u00e9rio, que \u00e9 o servi\u00e7o do sagrado, os sacramentos, nomeadamente, e a assist\u00eancia ao povo de Deus, a forma\u00e7\u00e3o espiritual, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas isso acontecer\u00e1 s\u00f3 quando n\u00e3o existir n\u00famero suficiente de sacerdotes?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esperemos que n\u00e3o. A Igreja peca por isso: vai muitas vezes a reboque e espera que haja crise. H\u00e1 falta de padres, ent\u00e3o venham c\u00e1 os leigos ajudar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_306764\" aria-describedby=\"caption-attachment-306764\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306764\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0715.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306764\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu tinha uma express\u00e3o na par\u00f3quia, quando algu\u00e9m dizia: \u201cprecisa de ajuda? N\u00e3o, n\u00e3o preciso de ajuda. Preciso de quem fa\u00e7a! Se tu est\u00e1s disposto a fazer, ent\u00e3o anda, vamos.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O ir a reboque nisto vai fazer com que caiamos naquilo que noutros lugares da Europa e tamb\u00e9m em Portugal j\u00e1 acontece: n\u00e3o h\u00e1 padre, fecha essa porta! E isto \u00e9 o maior dos falhan\u00e7os da nossa Igreja \u2018cl\u00e9rico-centrada\u201d. <\/strong>O Papa fala muito do clericalismo, que se pode aplicar a leigos e a padres, mas claro que \u00e9 muito mais ao padre porque toda a vida foi idealizada \u00e0 volta do pastor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje at\u00e9 esta quest\u00e3o da pastoral \u00e9 uma palavra muito referente ao p\u00e1roco. E vamos encontrar tamb\u00e9m termos novos para poder exprimir a verdadeira realidade. Porque n\u00e3o \u00e9 o pastor que est\u00e1 em casa, mas \u00e9 o pastoreio, a comunidade que vive e que se evangeliza com o Evangelho e com os sacramentos, e forma evangelizadores tamb\u00e9m para depois se perguntar: mas afinal o que \u00e9 que falta aqui? Porque \u00e9 que h\u00e1 pobres? O que \u00e9 que n\u00f3s vamos fazer? H\u00e1 sem-abrigo? Onde \u00e9 que n\u00f3s estamos com as outras institui\u00e7\u00f5es? Como \u00e9 que n\u00f3s podemos gerar Evangelho e parcerias para combater a viol\u00eancia dom\u00e9stica, se \u00e9 um s\u00edtio de viol\u00eancia dom\u00e9stica, de sem-abrigo, de pobreza, de solid\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s estamos muito espiritualistas. Estamos muito nas nuvens, por vezes, nas comunidades, porque n\u00e3o somos suficientemente atentos. Eu ia dizer, porque a Igreja n\u00e3o \u00e9 povo de Deus verdadeiramente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando n\u00f3s nos entendermos, na linha do Vaticano como povo de Deus, n\u00f3s n\u00e3o seremos capazes de celebrar Eucaristia enquanto n\u00f3s estivermos a resolver os problemas dos povos. Uma comunidade sem diaconia n\u00e3o pode celebrar Eucaristia. A diaconia e a Eucaristia formam a comunidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>N\u00f3s estamos estruturados para manter. <\/strong>Foi tudo concebido para manter, tamb\u00e9m na minha forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m como padre: vou, h\u00e1 l\u00e1 uma estrutura fant\u00e1stica, j\u00e1 toda bem formadinha, \u00e9 s\u00f3 mant\u00ea-la e depois tudo funciona, como se o estado cristandade ainda existisse. E j\u00e1 n\u00e3o existe!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto n\u00e3o metermos isto bem na cabe\u00e7a: muita da gente que circula mesmo nas comunidades paroquiais n\u00e3o quer saber nada do padre, s\u00f3 quando tem o batismo e a missa. N\u00e3o vamos queixar-nos. Vamos envolver estas din\u00e2micas, perceb\u00ea-las e dinamiz\u00e1-las, potenci\u00e1-las. Ent\u00e3o nos A\u00e7ores, por tr\u00e1s do que \u00e9 isto e da religiosidade popular, toda a gente se pode mobilizar para o servi\u00e7o do bem. E \u00e9 isto que as comunidades t\u00eam que querer em primeiro lugar: n\u00e3o o padre, mas este bem que se partilha, que se vive. O Evangelho \u00e9 sempre o mesmo, Jesus Cristo \u00e9 sempre o mesmo. Os estilos \u00e9 que t\u00eam de mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Este segundo documento de coloca\u00e7\u00f5es, falava j\u00e1 da insufici\u00eancia de sacerdotes nos A\u00e7ores para as necessidades. E ser\u00e1 essa insufici\u00eancia que vai levar a algumas transforma\u00e7\u00f5es, nomeadamente de equipas pastorais, a dar lugar \u00e0 responsabilidade dos leigos? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o queria dizer que \u00e9 por isso. Infelizmente, se calhar, ainda \u00e9 por isso. Mas o que \u00e9 que eu quero dizer? Que n\u00f3s temos de desenvolver as din\u00e2micas de base das comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 h\u00e1 dois focos, ou tr\u00eas, ou quatro, onde vivem padres que fazem uma pastoral em conjunto. Estas vou querer que se desenvolvam muito. A Ilha das Flores, por exemplo, tem tr\u00eas sacerdotes: s\u00e3o todos p\u00e1rocos de tudo. Foi para l\u00e1 at\u00e9 o monsenhor Const\u00e2ncia, que era um vice-reitor do Senhor Santo Cristo, um homem da pastoral na diocese que, atingindo j\u00e1 os 75 anos, estava ao servi\u00e7o e vai continuar, mas j\u00e1 era dispensado dos servi\u00e7os diretos. Ofereceu-se para ir para as Flores. Est\u00e1 com outros dois padres, fazem equipa, vivem na mesma casa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas tamb\u00e9m noutros lugares coloquei padres que tamb\u00e9m ter\u00e3o outras responsabilidades na diocese, mas que vivem em conjunto, sendo p\u00e1rocos de zonas, a desenvolver ainda, porque ainda est\u00e3o muito fechadas nas suas comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu estou a fugir de dizer que \u00e9 por falta de padres&#8230; <strong>N\u00f3s n\u00e3o nos podemos afligir com a falta de padres. Temos \u00e9 que nos afligir com a falta de voca\u00e7\u00f5es.<\/strong> Todas elas!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Esp\u00edrito Santo sempre conduziu a Igreja e n\u00e3o est\u00e1 a fazer o interregno, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o foi de f\u00e9rias. Vivemos num mundo que aparentemente est\u00e1 todo globalizado, mas estamos \u00e9 a descobrir as grandes diferen\u00e7as do mundo todo. E o s\u00ednodo \u00e9 tamb\u00e9m rico por causa disso. Esta globaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o existe nas nossas comunidades, s\u00e3o diferentes. Portanto, h\u00e1 que perceb\u00ea-las bem, h\u00e1 que entend\u00ea-las bem e fazer que elas sejam cada vez mais tamb\u00e9m ministeriais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">T\u00ednhamos de convencer todos os batizados de que, de facto, t\u00eam carismas, t\u00eam dons do Esp\u00edrito Santo desde o batismo, e que se eles n\u00e3o os desenvolverem, a Igreja \u00e9 diferente. <strong>Pensarmos que os minist\u00e9rios h\u00e3o de surgir porque n\u00e3o h\u00e1 padres \u00e9 clericalizar os minist\u00e9rios. <\/strong>\u201cEu preciso de ti\u201d. N\u00e3o, a comunidade est\u00e1 l\u00e1, a comunidade \u00e9 que precisa de ti que \u00e9s padre. Anda c\u00e1, eu fa\u00e7o-te leitor, tu \u00e9s leitor, tu \u00e9s ministro da comunh\u00e3o, tu \u00e9s&#8230; Porque eu n\u00e3o posso fazer isso tudo&#8230; Isso j\u00e1 l\u00e1 vai, h\u00e1 d\u00e9cadas que desapareceu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o queria que fosse por falta de padres, mas que desenvolv\u00eassemos ao m\u00e1ximo o que s\u00e3o os minist\u00e9rios. Depois as voca\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m \u00e0 vida familiar, \u00e0 vida consagrada, \u00e0 vida religiosa, tamb\u00e9m ao minist\u00e9rio ordenado, que \u00e9 important\u00edssimo, sem o minist\u00e9rio ordenado n\u00e3o h\u00e1 Igreja, n\u00e3o h\u00e1 comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Bispo tamb\u00e9m da di\u00e1spora<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A influ\u00eancia dos Estados Unidos sente-se muito nos A\u00e7ores e os A\u00e7ores t\u00eam uma grande comunidade tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Norte. Nota-se muita influ\u00eancia desta cultura norte-americana na pr\u00f3pria viv\u00eancia da igreja, dos emigrantes, na igreja a\u00e7oriana?<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_306765\" aria-describedby=\"caption-attachment-306765\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306765\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0738.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306765\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu penso que \u00e9 mais o contr\u00e1rio. De facto, o a\u00e7oriano&#8230; Isto \u00e9 fant\u00e1stico!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu fui a Turlock, no Vale de S\u00e3o Joaquim, em S\u00e3o Francisco, a uma das festas que l\u00e1 h\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu fiquei espantado: eu estava nos A\u00e7ores. A forma como viviam as festas, as exposi\u00e7\u00f5es, os cortejos de animais, os carros feitos por eles todos a guincharem, como era antigamente nos A\u00e7ores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os A\u00e7ores transportam os seus costumes, as suas tradi\u00e7\u00f5es, sobretudo das suas festas e religiosidade popular para as comunidades onde est\u00e3o. De facto, S\u00e3o Francisco, Boston, no Canad\u00e1 &#8211; o Canad\u00e1 tem tamb\u00e9m perto de 500 mil a\u00e7orianos &#8211; h\u00e1 muito mais a\u00e7orianos na di\u00e1spora do que propriamente nas ilhas. Portanto, o levarem e repetirem, nota-se muito l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A emigra\u00e7\u00e3o dos A\u00e7ores &#8211; espero aqui n\u00e3o estar a cometer nenhum erro muito crasso &#8211; <strong>o a\u00e7oriano, quando sai, vai com a ideia que provavelmente pode voltar, mas n\u00e3o \u00e9 este o grande objetivo. Foram grandes surtos de imigra\u00e7\u00e3o nas grandes cat\u00e1strofes que aconteceram nos A\u00e7ores, com vulc\u00f5es, terramotos. <\/strong>Foram, mas perderam a casa, desligaram-se muito dos bens. H\u00e1 muitos que continuam a ter a casa, mas a maior parte n\u00e3o tem casa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando v\u00eam, v\u00eam \u00e0s festas, apoiam, por vez at\u00e9 s\u00e3o eles que as mant\u00eam economicamente, mas n\u00e3o \u00e9 que determinem muito da vida religiosa da sua terra de proveni\u00eancia. Participam. A influ\u00eancia dos Estados Unidos nota-se&#8230; no religioso, talvez n\u00e3o, \u00e9 mais o fen\u00f3meno contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O D. Armando \u00e9 tamb\u00e9m o bispo da di\u00e1spora?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 muito interessante esse aspeto&#8230; Eu j\u00e1 tenho mais de 4 ou 5 convites para ir a estas dioceses da di\u00e1spora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eles t\u00eam muito brio em levar os seus padres dos A\u00e7ores, levar a sua cultura aos lugares onde est\u00e3o. Os sacerdotes dos A\u00e7ores, muitos deles, todos os anos v\u00e3o a uma das festas, ou \u00e0s Bermudas ou ao Canad\u00e1 ou aos diversos lugares dos Estados Unidos, e v\u00e3o fazer as suas prega\u00e7\u00f5es, participar nas festas, eles ficam felic\u00edssimos e todos tentam levar algu\u00e9m dos A\u00e7ores. E o bispo tamb\u00e9m \u00e9 a mesma coisa: vamos como sinal desta unidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a n\u00edvel do bispo: por exemplo, a \u201cIgreja A\u00e7ores\u201d, a nossa ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 dirigida por uma colega vossa, a Carmo Rodeia, muito conhecida, e tamb\u00e9m por uma outra jornalista, Liliana, que trabalha com ela, muitos dos programas que produzem s\u00e3o repetidos nos Estados Unidos, muitas das not\u00edcias que eles veiculam v\u00e3o busc\u00e1-las ali. Portanto, h\u00e1 uma grande liga\u00e7\u00e3o. Aquilo que se escreve no \u201cIgreja A\u00e7ores\u201d tem mais leitores fora, mas de longe, ou o que se ouve ou o que se v\u00ea, do que tem nos A\u00e7ores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vale a pena viver com esta consci\u00eancia! E tamb\u00e9m o ir alimenta esta nossa liga\u00e7\u00e3o a uma igreja-m\u00e3e, que pode ser pequenina, mas \u00e9 a m\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Religiosidade popular: \u201ca primeira palavra \u00e9 de espanto\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Acredito que um dos t\u00f3picos que muito \u00e9 lido, ou que muito \u00e9 vivido, \u00e9 precisamente esta religiosidade popular a\u00e7oriana, seja em torno do Senhor Santo Cristo dos Milagres, das Romarias da Quaresma e dos Imp\u00e9rios do Esp\u00edrito Santo. Como \u00e9 que o bispo de Angra, tendo a sua experi\u00eancia religiosa no Portugal continental profundo, como \u00e9 que v\u00ea esta express\u00e3o da religiosidade popular entre os a\u00e7orianos? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conhecia um bocadinho e li antes de ir, mas a primeira palavra \u00e9 de espanto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os A\u00e7ores t\u00eam uma caracter\u00edstica \u00fanica, em Portugal. A forma como a religiosidade inculturou, talvez porque s\u00e3o ilhas isoladas, perdidas no meio do oceano, com pouca ou \u00a0quase mesmo nenhuma liga\u00e7\u00e3o ao continente, o que tinha era um tesouro e foi tendo, ao longo dos tempos, gente que concretizou o que foi a evangeliza\u00e7\u00e3o do in\u00edcio, quando os A\u00e7ores foram ocupados. Foi povoado, desenvolveu-se e, sobretudo, os religiosos franciscanos t\u00eam uma presen\u00e7a muito forte nos A\u00e7ores, t\u00eam uma presen\u00e7a muito forte na religiosidade popular. Este ser ilha, ser pequeno, estar isolado, mais facilmente levou a que as coisas inculturassem. Percebidas de uma forma ou de outra, tornaram-se quase iguais em todo o lado. A primeira de todas \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 transversal \u00e0s ilhas todas. As festas do Divino Esp\u00edrito Santo s\u00e3o uma coisa espantosa. Em todos os cantos! H\u00e1 freguesias, par\u00f3quias, que t\u00eam, se calhar, dez Imp\u00e9rios, que s\u00e3o irmandades que ali desenvolvem atividades \u00e0 volta do Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a coroa\u00e7\u00e3o, mas que s\u00e3o obras de caridade, distribui\u00e7\u00e3o de bens. Depois, as Romarias t\u00eam uma for\u00e7a.. Estive nos 500 anos das Romarias Quaresmais de S\u00e3o Miguel, onde estava tamb\u00e9m a C\u00e2mara Municipal de Alagoa, onde se fizeram as comemora\u00e7\u00f5es, o diretor regional da Ci\u00eancia e Tecnologia em representa\u00e7\u00e3o do Governo. O Governo Regional, as institui\u00e7\u00f5es locais, a Igreja, todos sentem que este \u00e9 um patrim\u00f3nio que identifica e que faz parte da identidade do povo a\u00e7oriano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, \u00e9 de espanto por estas express\u00f5es t\u00e3o inculturadas, t\u00e3o enraizadas. Depois, \u00e9 claro que isto tamb\u00e9m pode criar alguma dificuldade, porque quando a religiosidade \u00e9 meramente popular, leva a entender que ali se resume tudo e que se esgota tudo, que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio haver mais\u2026 Para qu\u00ea haver alguma forma\u00e7\u00e3o, alguma leitura, como conciliar isto tamb\u00e9m com as pr\u00e1ticas habituais, al\u00e9m do batismo ou do crisma? H\u00e1 aqui, pastoralmente, caminho que se pode avan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E isto pode levar a que os grandes objetivos da Igreja, que \u00e9 a evangeliza\u00e7\u00e3o, a diaconia, o servi\u00e7o aos pobres, o vencer e fazer com que se ultrapassem estas situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a social, possa congregar e fazer crescer todos em conjunto: as comunidades paroquiais t\u00eam de crescer, as Romarias podem muito mais ainda colaborar, dar o seu contributo porque \u00e9 gente fant\u00e1stica, homens de barba rija, fortes, que trazem as suas fam\u00edlias. O ano passado foram 2 mil Romeiros que caminharam durante toda a Quaresma, muita gente. J\u00e1 come\u00e7a a haver tamb\u00e9m noutras ilhas, j\u00e1 havia, mas agora a desenvolverem-se mais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E depois o fen\u00f3meno do Senhor Santo Cristo, que eu vivi pela primeira vez. \u00c9 para contemplar. Humanamente n\u00e3o vale a pena estar com reflex\u00f5es, \u00e9 viver, \u00e9 contemplar e caminhar quatro horas numa prociss\u00e3o, numa multid\u00e3o que enche a cidade. Tudo para em fun\u00e7\u00e3o daquilo. Todos querem participar no Senhor Santo Cristo e n\u00e3o \u00e9 preciso estar-lhes a pagar para irem atuar ou tocar ou isto ou aquilo. \u00c9 um orgulho poderem servir o Senhor naquele momento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E depois, o encontro com Jesus Cristo. A gente olha as pessoas e quando \u00e9, por exemplo, a prociss\u00e3o das promessas, arrasa-nos a f\u00e9 daquela gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tr\u00eas laborat\u00f3rios para preparar planos para o jubileu<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em><span style=\"font-size: 16px;\">F<\/span><\/em><em style=\"font-size: 16px;\">alemos mais do futuro e a prop\u00f3sito do itiner\u00e1rio que apresentou recentemente para os pr\u00f3ximos dois anos, 2023 e 2025, e depois os planos plurianuais para preparar o jubileu, preparar os 500 anos da Diocese.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Diz, na apresenta\u00e7\u00e3o deste itiner\u00e1rio, que a Diocese n\u00e3o parte do zero, mas tem consci\u00eancia de que \u201cainda n\u00e3o cheg\u00e1mos ao tempo de dizer que tudo est\u00e1 pronto para come\u00e7ar um plano\u201d. O que \u00e9 que falta para que se fa\u00e7a um plano? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Faltamos n\u00f3s! Todo este caminho que temos estado a falar, o \u201ctodos, todos, todos\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Temos 2025 com o Jubileu da Esperan\u00e7a. H\u00e1 aqui um desafio que nos deve mover a todos, recuperar a esperan\u00e7a, a confian\u00e7a uns nos outros, no \u201ctodos, todos, todos\u201d. Sentir que todos s\u00e3o importantes, mas por isso temos de ver como nos envolver uns com os outros, como caminhar juntos, como trabalhar com todos e para todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa mandou repetir isto muitas vezes a um milh\u00e3o de jovens, ou um milh\u00e3o e meio, por alguma raz\u00e3o era. Este \u00e9 o momento da Hist\u00f3ria da Igreja em que s\u00f3 o facto de olharmos nesta perspetiva e refletirmos o que \u00e9 que significa este todos, come\u00e7a a bulir, porque mexe com tantas coisas, com tantos conceitos, com tantas regras, com tantas estruturas que n\u00f3s temos, muitas delas um bocadinho herm\u00e9ticas e fechadas, mexe com o pr\u00f3prio Direito Can\u00f3nico, com as pr\u00e1ticas sacramentais. \u00c9 toda uma eclesiologia que vai precisar de muito tempo para ser refletida e para ser concretizada depois nas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s queremos nestes dois anos at\u00e9 ao jubileu, procurando que 2025 seja de facto um ponto de chegada deste itiner\u00e1rio, onde j\u00e1 nos tenhamos preparado para ent\u00e3o fazer ciclos de tr\u00eas anos at\u00e9 ao ano 2034, que s\u00e3o os 500 anos da funda\u00e7\u00e3o da diocese.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ter estas datas ajuda-nos. Agora, pretendemos que seja como um tempo zero, de mais ausculta\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 ouvir por ouvir, n\u00f3s j\u00e1 fizemos os diagn\u00f3sticos todos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_306766\" aria-describedby=\"caption-attachment-306766\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306766\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0735.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306766\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Houve um percurso tamb\u00e9m na diocese, muito profundo, come\u00e7ou at\u00e9 ainda antes do Papa ter pedido este percurso sinodal em fun\u00e7\u00e3o do s\u00ednodo universal que j\u00e1 estava a percorrer. Houve um esfor\u00e7o, tantos grupos sinodais em todas as ilhas, de diagn\u00f3stico, os diagn\u00f3sticos est\u00e3o feitos. Mas neste momento era escutarmos para podermos avan\u00e7ar, para podermos criar formas, na base, de ainda ouvir quem est\u00e1 fora, quem \u00e9 um pouco descrente, porque \u00e9 que as coisas n\u00e3o funcionam, e descobrir com toda a Igreja formas novas para evangelizar, caminhos novos para responder localmente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O objetivo \u00e9 2034! E inventarmos uma f\u00f3rmula: vamos viver estes dois anos at\u00e9 ao jubileu procurando viver em laborat\u00f3rios, tr\u00eas laborat\u00f3rios. \u00c9 uma palavra, \u00e9 uma express\u00e3o que j\u00e1 se vem usando muito, o Laborat\u00f3rio da F\u00e9, e h\u00e1 at\u00e9 Diocese j\u00e1 com uma experi\u00eancia muito longa do chamado Laborat\u00f3rio da F\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O laborat\u00f3rio \u00e9 o espa\u00e7o da experimenta\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o termos medo desta palavra &#8211; \u00a0mas tamb\u00e9m de preparar mudan\u00e7as, coisas novas. <\/strong>E da\u00ed este Laborat\u00f3rio da Sinodalidade: desenvolver o que s\u00e3o as estruturas de sinodalidade, onde as pessoas j\u00e1 est\u00e3o juntas, j\u00e1 trabalham juntas, n\u00e3o s\u00f3 nos conselhos pastorais e econ\u00f3micos, e mesmo onde n\u00e3o h\u00e1 cri\u00e1-los, mas em todos os pequenos grupos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois o Laborat\u00f3rio da Fraternidade, porque cada forma de estarmos juntos e trabalhar, n\u00e3o s\u00f3 na assembleia lit\u00fargica, mas em todas, tem que ser um crescer, um procurar salvar sempre a fraternidade, mesmo nas diferen\u00e7as. <strong>N\u00f3s temos muitos clubes dentro da Igreja, temos clubes fechados, trancados, secretos quase. N\u00e3o pode ser<\/strong>! Eu tenho de existir em fun\u00e7\u00e3o do outro, eu tenho de existir em fun\u00e7\u00e3o do mundo, n\u00e3o posso existir em fun\u00e7\u00e3o de mim pr\u00f3prio, seja eu o padre, leigo, o respons\u00e1vel disto ou daquilo. S\u00e3o coisas m\u00e1s? N\u00e3o, s\u00e3o coisas fant\u00e1sticas, mas estes laborat\u00f3rios s\u00e3o precisamente para nos obrigar a estar juntos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu costumava dizer muito, do ponto de vista da pastoral, que o grande segredo \u00e9 descobrir como colocar as pessoas a trabalhar juntas, a terem de dizer n\u00f3s e n\u00e3o eu. \u00c9 que quando eu digo n\u00f3s, estou a perder-me no meio de uma realidade nova. Enquanto eu acentuar eu, eu, eu, eu, eu, n\u00e3o estamos na Igreja dos nossos tempos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E j\u00e1 agora depois o Laborat\u00f3rio da Esperan\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, o terceiro era o Laborat\u00f3rio da Esperan\u00e7a. N\u00f3s queremos tamb\u00e9m preparar celebrativamente. Os A\u00e7ores s\u00e3o muito ricos, desde logo o Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Esperan\u00e7a, de Senhor Santo Cristo, temos o Pico da Esperan\u00e7a, temos o folclore, temos igrejas dedicadas \u00e0 Senhora da Esperan\u00e7a. Vamos tamb\u00e9m celebrar esta Esperan\u00e7a depois em 2025, mas organizarmo-nos, prepararmo-nos daqui at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Sinodalidade: um novo estilo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ainda no ambiente do S\u00ednodo: terminou a primeira Assembleia do S\u00ednodo, em Roma, outra est\u00e1 convocada para outubro do pr\u00f3ximo ano. Estes meses correm o risco de ser um tempo parado? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o ser\u00e1 certamente, porque a Igreja j\u00e1 n\u00e3o para! E n\u00e3o digo s\u00f3 a Igreja Universal, mas a Igreja nas suas express\u00f5es locais. E n\u00e3o porque<strong> o que se est\u00e1 a criar n\u00e3o s\u00e3o respostas, estamos a criar um estilo de ser Igreja<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostei muito de uma express\u00e3o, logo quando come\u00e7ou a Assembleia em Roma: \u201ca Igreja sentou-se\u201d. Ent\u00e3o finalmente a Igreja vai descansar e deixar as pessoas descansadas. N\u00e3o \u00e9 um descansar para parar, n\u00e3o \u00e9 um sentar-se para parar. Bastaria isto: cardeais da C\u00faria, e outros que tais, bispos do mundo inteiro, com meninas da \u00c1frica e da \u00c1sia e da Am\u00e9rica, religiosas ou leigas, religiosos ou leigos, se sentam \u00e0 mesma mesa, e onde cada um tem o mesmo tempo para falar, e o mesmo direito de se expressar, e o mesmo direito a votar, isto cria um estilo que nunca mais vai parar a Igreja. Pode haver gente \u00e0 procura de respostas, mas eu acho que as respostas, h\u00e3o de estar quando Deus as quiser dar. E oxal\u00e1 que n\u00f3s cheguemos ao momento de as podermos perceber e receber. Neste momento, \u00e9 um pouco habitar este estilo olhando o futuro. Eu quase ia dizer habitar o futuro, nesta experi\u00eancia sinodal que \u00e9 sentarmo-nos, ouvirmos falar&#8230; Precisamos tanto, tanto, tanto disto. Para n\u00e3o chegar \u00e0 conclus\u00e3o nenhuma? N\u00e3o. \u00c9 que \u00e9 aqui que depois se vai ver a import\u00e2ncia do Papa, a import\u00e2ncia do Bispo, quando as pessoas se sentam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na diversidade, sente depois quem tem depois de discernir, em \u00faltimo lugar, muito mais a for\u00e7a da colabora\u00e7\u00e3o de todos e a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo. Esta ora\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, esta reflex\u00e3o no Esp\u00edrito que tanto se fala, <strong>\u00e9 um estilo impar\u00e1vel que vai ficar depois para a Igreja.<\/strong> Assim n\u00f3s seremos capazes de ser fi\u00e9is.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00c9 nesse movimento que quer inscrever a diocese, neste plano at\u00e9 2025, nomeadamente quando quer, e formula tr\u00eas verbos para estas a\u00e7\u00f5es, \u201cagilizar, descomplicar, desburocratizar\u201d?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, porque n\u00f3s complicamos muita coisa!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O desburocratizar acontecer\u00e1 naturalmente, n\u00e3o vamos tirar regras nem comportamentos, mas \u00e9 preciso n\u00e3o termos tantas coisas t\u00e3o centralizadas, t\u00e3o \u00e0s costas de t\u00e3o poucos. N\u00f3s andamos muito \u00e0 espera de um Estado protetor, que resolve os problemas todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aquilo que as comunidades, os lugares e as fam\u00edlias n\u00e3o conseguirem resolver, ningu\u00e9m o vai resolver por cima. Sejam-lhes dado meios. \u00c9 um bocadinho esta ideia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_306759\" aria-describedby=\"caption-attachment-306759\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306759\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0748.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306759\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas este descomplicar tamb\u00e9m tem a ver com uma urg\u00eancia muito grande, que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o laical, o confiar. Eu costumava \u00e0s vezes dizer, na minha par\u00f3quia, que era uma par\u00f3quia de portas abertas, mas que era preciso tamb\u00e9m ter mesmo as portas abertas, n\u00e3o ter chaves, ou ent\u00e3o as pessoas terem chaves. \u201cSim, eu tenho chave. Porqu\u00ea que tu n\u00e3o h\u00e1s de ter?\u201d Na igreja: \u201ceu tenho dons, mas tu tamb\u00e9m os tens. Porqu\u00ea que tu n\u00e3o os h\u00e1s de desenvolver? Diz-me. For\u00e7a, coragem\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desdramatizar, dessacralizar at\u00e9 a figura do pr\u00f3prio presb\u00edtero. N\u00f3s existimos para servir. O bispo tamb\u00e9m para ser pai, para ser pr\u00f3ximo, n\u00e3o \u00e9 para ser distante, para ser pr\u00f3ximo, para amar concretamente, para ser pai e m\u00e3e nesta Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, \u00e9 um horizonte onde vamos procurando dar pequenos passos, convencendo-nos que este \u00e9 caminho. \u00c9 evidente que h\u00e1 resist\u00eancias, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o simpatizam muito com o m\u00e9todo sinodal. \u00c9 muito mais f\u00e1cil ter uma liturgia certinha, diretrizes muito verticais a que todos obede\u00e7am, mas que n\u00e3o forma para ser, para agir, para desenvolver. Onde todos parecem que est\u00e3o muito \u201cunidinhos\u201d, mas indiferentes e apenas a procurar esquecer o que o outro diz, porque ele continuar\u00e1 a ter sempre raz\u00e3o, n\u00e3o perde a sua opini\u00e3o, mas n\u00e3o encontra caminho nenhum conjunto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Haver\u00e1 resist\u00eancias? H\u00e1 na Igreja Universal, o Papa tem resist\u00eancias. Eu tenho resist\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a outras opini\u00f5es, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que as \u00a0vou condenar. Vou ouvir, vou amar essa opini\u00e3o, vou trabalhar com ela, vou crescer com ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Lugar aos jovens <\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Quando chegou \u00e0 diocese, assumiu como uma das suas prioridades a evangeliza\u00e7\u00e3o dos jovens. Estamos no rescaldo da Jornada Mundial da Juventude. No pr\u00f3prio itiner\u00e1rio 23-25, aponta para uma renova\u00e7\u00e3o da Pastoral Juvenil, a partir da experi\u00eancia da jornada, e convoca uma Assembleia de Jovens, para Abril do pr\u00f3ximo ano. Como \u00e9 que est\u00e1 a decorrer este processo de evangeliza\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que o sente j\u00e1 na diocese?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Gra\u00e7as a Deus, muito do que vai acontecer na Igreja ultrapassa-nos, supera as nossas expectativas. E isto \u00e9 importante que sejamos capazes de o ver: o que acontece n\u00e3o \u00e9 tudo controlado por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um jovem \u00e9 muito mais do que n\u00f3s o imaginamos, do que os pais o imaginam. H\u00e1 dias, numa a\u00e7\u00e3o, fui falar sobre o tema \u201cJMJ. E agora?\u201d E eu falei um bocado do que s\u00e3o as expectativas, do que n\u00f3s esperamos dos jovens. E, no final, uma jovem, de 16, 17 anos, disse-me: \u201c\u00f3 senhor bispo, eu n\u00e3o sabia que n\u00f3s \u00e9ramos t\u00e3o importantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>N\u00f3s temos passado um certificado de menoridade aos leigos, mas muito mais aos novos. <\/strong>E temos de educar a que sejam participativos e que tenham lugar e que tenham palavra, e que tenham voz e que sejam ouvidos. E faltam muito essas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A JMJ veio provar que, deixando, os jovens conseguem dar um testemunho muito mais espont\u00e2neo, f\u00e1cil, alegre, feliz, s\u00e3o capazes de caminhar juntos com toda a gente, n\u00e3o se importam se s\u00e3o adultos, s\u00e3o idosos, s\u00e3o velhos. O jovem gosta de ser considerado, mas tamb\u00e9m \u00e9 capaz de considerar a todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A JMJ ultrapassou e muito aquilo tudo que n\u00f3s pod\u00edamos pensar que seria a JMJ num tempo de guerra, num p\u00f3s-pandemia, num pa\u00eds pequeno como o nosso, num extremo quase do mundo, esquecido. Eu tenho j\u00e1 cinco jornadas mundiais da juventude, e organizei jovens da par\u00f3quia para ir em mais duas. Nunca uma jornada mundial, talvez pela for\u00e7a da comunica\u00e7\u00e3o social, mas hoje jogamos com tudo isso, tudo isto faz parte do circo, digamos assim, mundial&#8230; Ultrapassou em tudo! A mim, pessoalmente, ver esta multid\u00e3o a invadir Lisboa, pacificamente! H\u00e1 dois pol\u00edcias na noite \u00faltima da vig\u00edlia, que eu fiquei l\u00e1 na vig\u00edlia tamb\u00e9m no campo, e fui andando toda a noite \u00e0 procura de grupos, de pessoas conhecidas, tinha por l\u00e1 tamb\u00e9m com volunt\u00e1rios.Dois pol\u00edcias, j\u00e1 na madrugada, passei um grande bocado com eles e diziam, \u00f3 senhor bispo, \u201cn\u00e3o sei o que \u00e9 que estamos a fazer aqui. Quando vamos a um concerto, fazemos cara de maus, n\u00e3o falamos com ningu\u00e9m, se for preciso intervir para nos respeitarem. Aqui toda a gente nos diz bom dia, boa tarde, obrigado, como \u00e9 que est\u00e3o&#8230; N\u00f3s aqui n\u00e3o estamos a fazer nada. Toda a gente concorre para o bem&#8230;\u201d Experimentar aqueles valores daquela juventude, dizer: quanto a sociedade, o mundo est\u00e1 sedento, de vida aut\u00eantica, de vida espont\u00e2nea, livre. Eu costumo muito dizer aos jovens, nesta fase: o que \u00e9 que a Igreja espera de v\u00f3s? Que sejais jovens, que sejais livres, mas queirais caminhar com Cristo. E foi aquilo que a Jornada Mundial tamb\u00e9m disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas que a\u00e7\u00f5es concretas \u00e9 que est\u00e1 a haver j\u00e1 na sua diocese?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ultrapassa-nos&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nas Ilhas, reuniram-se, come\u00e7aram a programar o seu ano. Eu acompanhei um bocadinho a Ilha Terceira, que teve um in\u00edcio, todos juntos, l\u00e1 no \u00e1trio do Semin\u00e1rio. Tiveram a Jornada Diocesana da Juventude debaixo de uma tempestade, mas mesmo assim fizeram e com sucesso, na Ilha Terceira. Em S\u00e3o Miguel reuniram novamente em vig\u00edlia, todos. Nas outras ilhas todos fizeram, celebraram este dia mundial. E ao longo do ano v\u00e3o desenvolvendo as suas atividades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No primeiro encontro com os ouvidores que eu fiz, assim que cheguei, perguntei: quantos jovens fazem parte dos conselhos pastorais. Toda a gente se calhar diz:\u201cah, os jovens n\u00e3o \u00e9 muito para dar ideias, para refletir&#8230;\u201d. Enquanto n\u00f3s pensarmos assim, n\u00e3o renovamos os nossos conselhos de participa\u00e7\u00e3o. E gostar\u00edamos que os jovens percebessem que \u00e9 ali, naqueles lugares, como se sente tamb\u00e9m na pol\u00edtica, os jovens descomprometem-se, n\u00e3o querem. Mas n\u00e3o querem porque n\u00f3s temos os lugares ocupados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Se eu interpreto bem, ter\u00e1 de haver uma grande consciencializa\u00e7\u00e3o por parte daqueles que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o jovens&#8230; <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma grande convers\u00e3o! O Papa falava numa convers\u00e3o pastoral. Eu quando digo que a palavra \u2018pastoral\u2019 vai entrar em crise, dentro de algum tempo, \u00e9 porque prefiro a palavra sinodal ou comunit\u00e1ria. O sinodal \u00e9 muito mais abrangente do que \u00e9 o pastoral. O sinodal \u00e9 todos, todos, todos. E a\u00ed nasce esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Na Igreja n\u00f3s muitas vezes temos os lugares ocupados. J\u00e1 est\u00e1 ocupado!<\/strong> Na par\u00f3quia, dizia: ningu\u00e9m tem dois lugares na par\u00f3quia, quem \u00e9 cantor n\u00e3o tem que ser leitor nem ministro da comunh\u00e3o. E eu j\u00e1 disse isto, uma vez ou outra nos A\u00e7ores, e h\u00e1 pessoas que dizem: mas como \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel? Parece que acaba a igreja. N\u00e3o! A partir do momento em que eu me convencer que, melhor do que fazer eu bem, \u00e9 ajudar duas pessoas a fazerem menos bem, mas virem ajudar, a colaborar e a fazer, e a dizer que isto de facto \u00e9 de todos. O Papa, no princ\u00edpio do pontificado, disse \u2018os te\u00f3logos t\u00eam que sair das nuvens, venham c\u00e1 para baixo\u2019&#8230; N\u00f3s somos muito te\u00f3ricos&#8230; E isto tudo \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu podia dar aqui imensos exemplos de pessoas fant\u00e1sticas: n\u00e3o chamam para ajudar&#8230; Os leigos muitas vezes s\u00e3o muito mais clericais do que os padres. E tentar que algu\u00e9m se arrede um bocadinho ou at\u00e9 deixe o lugar livre para que algu\u00e9m se l\u00e1 sente, n\u00e3o! Pode-se levantar, mas fica l\u00e1 a mala ou o casaco a guardar o lugar. Isto \u00e9 uma imagem, para dizer que precisamos dessa tal convers\u00e3o sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Os jovens n\u00e3o est\u00e3o porque n\u00e3o t\u00eam um lugar? O palco est\u00e1 cheio e \u00e9 preciso que saia de cena quem n\u00e3o \u00e9 de cena?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 isso. Eu estou a acentuar essa caracter\u00edstica, porque acho que \u00e9 aquela onde n\u00f3s temos que nos converter e convencer de que o jovem \u00e9 capaz, mesmo se o chamarem para refletir na sua pr\u00f3pria par\u00f3quia. Ele \u00e9 capaz nas associa\u00e7\u00f5es de estudantes, ele \u00e9 capaz nas associa\u00e7\u00f5es desportivas, ele \u00e9 capaz em tantos espa\u00e7os. A Igreja n\u00e3o tem de ser uma elite de gente bem formada, nem uma casta de pessoas que defendem&#8230; Estou a acentuar e a exagerar as tintas para percebermos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_306760\" aria-describedby=\"caption-attachment-306760\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306760\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DArmando-Esteves-Domingues_0730.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-306760\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os jovens, por vezes, n\u00e3o est\u00e3o porque n\u00e3o acreditamos que eles tenham qualquer coisa para dar. E depois eles habituaram-se a olhar a Igreja um bocado longe, n\u00e3o pr\u00f3xima, n\u00e3o deles, n\u00e3o como m\u00e3e, n\u00e3o como este espa\u00e7o de que eu fa\u00e7o parte. Vou l\u00e1 buscar o que me interessa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Houve uma par\u00f3quia onde crismei duzentos jovens. Se formos ver quem \u00e9 participativo ou quem tem alguma vontade de dar contributo, a percentagem ser\u00e1 muito pequenina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Que sinal foi o que foi dado no cimo da montanha do Pico, ao assinar o \u201cPacto da Montanha\u201d? Que compromisso juvenil foi esse?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, foram duas coisas. Surgiu numa brincadeira, depois desses encontros com jovens que eu tinha em fun\u00e7\u00e3o do Crisma. Aproveitava para me encontrar com eles antes do Crisma, e, no Pico, no final, havia l\u00e1 at\u00e9 uns jogos de matrecos, estive l\u00e1 um bocadinho a jogar, disse: \u201cent\u00e3o, e se fiz\u00e9ssemos o envio para a Jornada Mundial da Juventude no alto da montanha. O qu\u00ea? E o senhor bispo ia? Claro!\u201d Depois, j\u00e1 eram as ilhas do grupo central&#8230; Depois pensou-se em alargar a representantes das ilhas todas: subirmos ao Pico e fazermos o envio. Mas fazermos o envio tamb\u00e9m com qualquer coisa que nos marcasse.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ir juntos &#8211; foram 120 jovens &#8211; era o que eu queria que percebessem: que a Igreja e a Diocese \u00e9 caminhar juntos, \u00e9 subir as montanhas da vida, as dificuldades dos homens e das mulheres concretas das suas situa\u00e7\u00f5es no mundo, procurar subirmos juntos a essas montanhas e plantar \u00a0l\u00e1 Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A outra parte \u00e9 este mundo que precisa de uma ecologia lavada, limpa, como s\u00e3o os A\u00e7ores, e poder export\u00e1-la. Fizemos o \u201cPacto da Montanha\u201d, que era, no fundo, comprometermo-nos e comprometer as novas gera\u00e7\u00f5es, dando-lhes os valores, para que, respeitando a natureza, respeitem tamb\u00e9m toda a cria\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pela pessoa humana. Houve uma carta de princ\u00edpios, que todos assin\u00e1mos, e que perdura, e que vamos retomar ao longo do ano. Na Terceira, plantou-se uma \u00e1rvore, simbolicamente, como sinal da unidade, uma s\u00f3, mas tamb\u00e9m como sinal da totalidade, desta humanidade que queremos que caminhe junta, e da responsabilidade que temos por toda a humanidade e toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Num tema que \u00e9 emergente, urgente, este cuidar da casa comum, mas que os A\u00e7ores podem ser um bom cart\u00e3o de visita para todo o mundo&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu creio que faria bem a muitos dos que v\u00e3o estar nas grandes confer\u00eancias mundiais, faz\u00ea-las num s\u00edtio paradis\u00edaco como s\u00e3o o A\u00e7ores. Por outro lado, tamb\u00e9m convencer os a\u00e7orianos e a juventude a\u00e7oriana que n\u00e3o podem olhar apenas para o bem que t\u00eam, mas para quanta influ\u00eancia t\u00eam naquele bem que ainda t\u00eam e que o pode destruir&#8230; Aquilo que se passa na Amaz\u00f3nia, aquilo que se passa com a ind\u00fastria dos pa\u00edses subdesenvolvidos, mas sobretudo nos grandes pa\u00edses desenvolvidos, que s\u00e3o os causadores da polui\u00e7\u00e3o, e que tudo isso est\u00e1 a influenciar tamb\u00e9m a vida nas nossas ilhas, a tornar os furac\u00f5es muito mais fortes, a destru\u00edrem muito mais os portos &#8211; ainda h\u00e1 dois ou tr\u00eas anos S\u00e3o Louren\u00e7o destruiu o Porto das Flores. Isto vai aumentar e muito mais. Diziam-me que n\u00e3o se lembram de tr\u00eas dias de tempestade, como foi agora na Ilha Terceira, em que os voos tiveram arredados, tr\u00eas dias seguidos. N\u00e3o \u00e9 normal!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As novas gera\u00e7\u00f5es precisam de dar conta que cuidar de uma \u00e1rvore \u00e9 cuidar do mundo, e o que se passa no mundo tem repercuss\u00e3o no privado. N\u00e3o queremos destruir o nosso para\u00edso, mas gostar\u00edamos era que todo o mundo fosse um para\u00edso, e isto est\u00e1 dentro de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Abusos sexuais<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Quando entrou na diocese, confessou que, \u201choje, ser bispo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 ser o primeiro a assumir as fraquezas pr\u00f3prias e as da Igreja\u201d. Estava a pensar, por exemplo, nos casos de abuso na Igreja Cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, tamb\u00e9m. Tudo aquilo que nos tem envergonhado, em primeiro lugar, toca e bate no bispo. Ou ent\u00e3o ele n\u00e3o \u00e9 bispo, n\u00e3o \u00e9? Sim, pensava tamb\u00e9m nessa quest\u00e3o dolorosa dos abusos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>J\u00e1 agora, como \u00e9 que est\u00e1 o processo relativo aos dois sacerdotes suspensos, em mar\u00e7o, e tamb\u00e9m o terceiro caso que envolvia um leigo? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 suspens\u00e3o, est\u00e3o impedidos de exercer publicamente o minist\u00e9rio. Continuam a ser padres, continuam a celebrar em privado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, os dois casos ainda n\u00e3o chegaram ao fim porque decidimos, conversando tamb\u00e9m com eles os dois, esperar pela decis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Tem sido, num di\u00e1logo com eles, que se tem esperado por isso, e esperemos que seja r\u00e1pido. Estamos \u00e0 espera ainda da conclus\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mission\u00e1rias da Caridade<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>No itiner\u00e1rio pastoral, 2023-2025, fala de lugares dif\u00edceis, como hospitais, os lares, pris\u00f5es, lugares de pobreza e exclus\u00e3o social, e apela a um trabalho em rede, integrando todos os movimentos relacionados com o exerc\u00edcio da pastoral social. Isso \u00e9 poss\u00edvel, numa regi\u00e3o que \u00e9 caracterizada pela descontinuidade geogr\u00e1fica, onde essas desigualdades tamb\u00e9m se podem acentuar mais? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqui, h\u00e1 dois sentidos. O primeiro, que \u00e9 o mais importante, que \u00e9 a tal descentraliza\u00e7\u00e3o, desburocratiza\u00e7\u00e3o ou come\u00e7ar a partir das bases, come\u00e7ar de baixo a partir das bases, \u00e9 dizer que cada comunidade deve cuidar dos seus pobres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A diaconia, este servi\u00e7o prim\u00e1rio, tem de estar na preocupa\u00e7\u00e3o da comunidade que existe na par\u00f3quia, que \u00e9 aquela c\u00e9lula que depois pode ser uma zona. Nem todas as par\u00f3quias t\u00eam de ter todos os aspetos organizados. Por isso \u00e9 que o trabalho em rede, o trabalho em colabora\u00e7\u00e3o entre par\u00f3quias, ajuda muito: eu posso ter catequese bem preparada para quatro ou cinco par\u00f3quias, a parte social pode estar numa das quatro ou cinco par\u00f3quias e por a\u00ed fora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em primeiro lugar, perceber que n\u00e3o \u00e9 por ter um servi\u00e7o diocesano da C\u00e1ritas ou um servi\u00e7o de coordena\u00e7\u00e3o social, que isto vai resolver os problemas das comunidades. Se n\u00e3o houver a capacidade de leitura no lugar&#8230; O que \u00e9 que eu posso fazer na cadeia que aqui est\u00e1? Eu tenho tido uma luta tamb\u00e9m com os jovens, porque soube de um grupo de jovens que foi convidado para ir, de vez em quando, como volunt\u00e1rio acompanhar as celebra\u00e7\u00f5es numa cadeia. Dizem-me, \u201cah n\u00e3o, para a\u00ed n\u00e3o, nunca nos chamem\u201d. Eu n\u00e3o consigo perceber, fico a ferver quando algu\u00e9m me diz \u201ca\u00ed n\u00e3o, a\u00ed n\u00e3o posso\u201d. Um crist\u00e3o n\u00e3o pode dizer isto, seja ele jovem ou seja ele adulto. Se \u00e9 necess\u00e1rio, eu tenho que ver o que \u00e9 que eu posso contribuir para tornar mais bela a vida destas pessoas fr\u00e1geis, mesmo quando s\u00e3o presos, quando s\u00e3o sem abrigo. Tem de haver esta aten\u00e7\u00e3o nas comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 evidente que s\u00e3o tamb\u00e9m precisos os servi\u00e7os diocesanos para ajudarem a que a resposta \u00e0s grandes necessidades comuns se possam satisfazer: se h\u00e1 uma necessidade de forma\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o sim, a diocese entra e responde a todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos a perguntar a todas as ouvidorias quais s\u00e3o as necessidades e os sinais de esperan\u00e7a. E se eles apontarem que \u00e9 preciso fazer forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea social ou na \u00e1rea da evangeliza\u00e7\u00e3o, a\u00ed n\u00f3s vamos organizar toda a forma\u00e7\u00e3o para que ela chegue ou comece nas pequenas comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quanto mais pequenas s\u00e3o as comunidades, mais dependentes est\u00e3o do p\u00e1roco. Quanto mais pequenas s\u00e3o, mais elas acham que tudo h\u00e1 de vir de cima. E isto \u00e9 tremendo, porque muitos dos problemas sociais nascem porque j\u00e1 estamos a deixar que se formem segundas e terceiras gera\u00e7\u00f5es de pessoas que se habituam a ter tudo sem trabalhar, a esperar que lhes cheguem os subs\u00eddios de gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu sempre tive uma grande \u00e2nsia de favorecer muito mais a capacita\u00e7\u00e3o para a integra\u00e7\u00e3o do que propriamente o arranjar grandes subs\u00eddios que mant\u00eam pessoas. E aqui, a Igreja tem muito a ensinar, porque o Evangelho \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma resposta espiritual, mas \u00e9 uma resposta \u00e0 pessoa toda, Jesus Cristo inteiro, \u00e0 pessoa toda nos seus contextos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>H\u00e1 locais dos A\u00e7ores que possam estar referenciados como mais problem\u00e1ticos, e at\u00e9 pela manuten\u00e7\u00e3o da subsidiodepend\u00eancia? Ouvimos falar de Rabo de Peixe, mas acredito que n\u00e3o seja o \u00fanico caso. E, por outro lado, a sustentabilidade econ\u00f3mica e financeira das IPSS na regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, dois aspetos. De facto, temos focos mais fortes. \u00c9 natural que os ambientes mais populacionais tenham mais problemas sociais. Estamos a falar de S\u00e3o Miguel, que tem metade da popula\u00e7\u00e3o, Ponta Delgada tem v\u00e1rios problemas vis\u00edveis, nomeadamente os sem-abrigo. Rabo de Peixe \u00e9 a maior freguesia dos A\u00e7ores em popula\u00e7\u00e3o, tem cerca de 9 mil habitantes, portanto \u00e9 natural que tenha visivelmente alguns problemas tamb\u00e9m de pobreza, a que toda a gente procura dar resposta e h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande das institui\u00e7\u00f5es. Agora, aquilo que eu dizia antes, repito: se localmente conseguimos ter for\u00e7as suficientes e nos envolvemos, na parte recreativa, cultural, religiosa, se n\u00f3s todos damos as m\u00e3os&#8230; \u00c0s vezes fico com pena: ouvi h\u00e1 dias dizer que num ou outro f\u00f3rum de parcerias se dizia \u2018chamar a igreja\u2019. \u2018A igreja n\u00e3o vale a pena\u2019. Quando a grande rede do terreno \u00e9, efetivamente, a Igreja Cat\u00f3lica, prescindir da Igreja \u00e9 um pecado mortal; mas, da parte da Igreja, n\u00e3o ser capaz de se colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, seja de que institui\u00e7\u00e3o for, \u00e9 um pecado mortal a dobrar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rabo de Peixe: neste momento, quem dera que pudesse consegui-lo! <strong>Estamos a oficializar o pedido para que as Mission\u00e1rias da Caridade se possam fixar em Rabo de Peixe.<\/strong> V\u00e3o l\u00e1 de vez em quando, com a pandemia pararam, agora j\u00e1 voltaram a ir, quem dera que pud\u00e9ssemos ter uma comunidade est\u00e1vel como sinal desta presen\u00e7a de um servi\u00e7o radical de pobreza, porque a Igreja toda deve ser pobre. \u00c9 uma imagem que ajudaria muito, nos A\u00e7ores, n\u00e3o para se ficar pobre, mas para valorizar o pobre, e para o colocar no seu devido lugar, que \u00e9 o da dignidade, o de n\u00e3o se considerar inferior, n\u00e3o ter que estender a m\u00e3o, mas poder tamb\u00e9m olhar, olhos nos olhos, mesmo quando se tem pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Seria a primeira comunidade das Mission\u00e1rias da Caridade , nos A\u00e7ores?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, sim. Elas v\u00e3o l\u00e1 de vez em quando, duas ou tr\u00eas, est\u00e3o l\u00e1 uma semana e voltam, mas n\u00e3o \u00e9 uma comunidade est\u00e1vel. Est\u00e3o l\u00e1 h\u00e1 uns anos, mas \u00e9 muito limitado o contributo que d\u00e3o nestas circunst\u00e2ncias, passar tr\u00eas ou quatro dias num m\u00eas, ou uma semana de tr\u00eas em tr\u00eas meses, estiveram dois ou tr\u00eas anos sem ir com a pandemia&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As IPSS?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As IPSS \u00e9 outro aspeto. Mesmo assim, nos A\u00e7ores temos uma situa\u00e7\u00e3o um bocadinho diferente do continente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 o patamar dos 50%, colabora\u00e7\u00e3o do Governo. O Governo tem uma consci\u00eancia de que sem as IPSS \u00e9 muito dif\u00edcil responder aos problemas reais, quando \u00e9 preciso efetivamente construir um edif\u00edcio, o Governo comparticipa devida e honradamente, digamos assim. Tememos pela sustentabilidade, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil para ningu\u00e9m, sobretudo por causa da quest\u00e3o dos juros, por causa do aumento do ordenado m\u00ednimo, justo, mas que vem criar dificuldades. Por\u00e9m, devo dizer, que conhecendo a realidade do continente, mesmo assim, n\u00f3s n\u00e3o nos podemos queixar tanto quanto no continente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tal como no continente, a crise pol\u00edtica tamb\u00e9m est\u00e1 a instalar-se nos A\u00e7ores. Como \u00e9 que o bispo da diocese est\u00e1 a acompanhar a situa\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acompanho, podemos dizer, com alguma preocupa\u00e7\u00e3o, porque as instabilidades t\u00eam alguma repercuss\u00e3o. Tamb\u00e9m acredito que este \u00e9 o caminho normal dos homens e das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A estabilidade \u00e9 sempre muito, muito importante. Mas a estabilidade tamb\u00e9m tem de ser n\u00e3o a curto prazo, n\u00e3o \u00e9 uma estabilidade que me interessa agora, que me interessa amanh\u00e3. Portanto, olho com alguma preocupa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sei que, nos A\u00e7ores h\u00e1 muito boa gente capaz de refletir e de falar e de levar as preocupa\u00e7\u00f5es comuns para a frente. Tenho descoberto, nos agentes p\u00fablicos e mesmo nos agentes partid\u00e1rios, nos respons\u00e1veis, gente de um valor enorme.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Devo confessar &#8211; eu vou dizer a palavra &#8211; a minha ignor\u00e2ncia sobre os A\u00e7ores. Os A\u00e7ores t\u00eam uma riqueza cultural, t\u00eam uma beleza de pessoas, t\u00eam gente com capacidades fant\u00e1sticas. Estou convencido que os A\u00e7ores, \u00e0 parte os diferentes pol\u00edticos e as hipot\u00e9ticas quedas de governo, mudan\u00e7as de governo, os A\u00e7ores v\u00e3o encontrar formas de continuar a progredir e a levar o melhor para as popula\u00e7\u00f5es para a frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E j\u00e1 em mar\u00e7o temos as elei\u00e7\u00f5es legislativas&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, vai ser um ano agitado e podemos pensar que vai haver alguma agita\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es, mas creio que n\u00e3o. N\u00f3s j\u00e1 estamos habituados \u00e0 democracia: se vai haver elei\u00e7\u00f5es, vai haver elei\u00e7\u00f5es; se h\u00e1 mudan\u00e7a, h\u00e1 mudan\u00e7a. N\u00e3o podemos dramatizar, \u00e9 o normal do nosso pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 muito de anormal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Equil\u00edbrio no turismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Gostava ainda de lhe perguntar sobre o turismo nos A\u00e7ores. Como acha que essa ind\u00fastria se deve desenvolver no arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores, tendo em conta que h\u00e1 maus exemplos, at\u00e9 vizinhos, e tendo em conta tamb\u00e9m o que \u00e9 a geografia a\u00e7oriana? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os A\u00e7ores t\u00eam um potencial tur\u00edstico fabuloso. Qualquer ilha merece uma visita. Quando me dizem qual \u00e9 a mais bonita, eu tenho duas preferidas, mas n\u00e3o as digo. Agora, \u00e9 como tudo, tem que ser equilibrado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s j\u00e1 damos conta que h\u00e1 falta de habita\u00e7\u00e3o tremenda, que \u00e9 um problema social grave. Claro que quem tem dinheiro compra, isto acontece por todo o lado. O desenvolvimento tur\u00edstico traz esse inconveniente, quem tem dinheiro compra o que \u00e9 bom. E as pessoas e os locais come\u00e7am a n\u00e3o ter casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E h\u00e1 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria nos A\u00e7ores por causa do turismo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sim, h\u00e1 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, mas \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 casas dispon\u00edveis, n\u00e3o h\u00e1 apartamentos dispon\u00edveis. As pessoas n\u00e3o conseguem um s\u00edtio para viver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 n\u00e3o digo s\u00f3 no Corvo! No Corvo, at\u00e9 o presidente do Governo Regional, a certa altura, sabia que o professor do Corvo, como eu tamb\u00e9m sabia que tinha l\u00e1 estado, n\u00e3o tinha l\u00e1 habita\u00e7\u00e3o. Tinha de deixar a ilha e deixar de dar aulas e um dos professores tinha de ir embora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora, os A\u00e7ores sem turismo tamb\u00e9m n\u00e3o vivem. Este equil\u00edbrio entre a necessidade do turismo, que se preparou, se calhar j\u00e1 como a principal ind\u00fastria, e o excesso de turistas pode matar a galinha dos ovos de ouro. E trazer sofrimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Competir\u00e1 \u00e0s pessoas respons\u00e1veis, discernir&#8230; Para j\u00e1, ainda precisamos muito que venha turismo para poder haver o desenvolvimento que queremos e at\u00e9 porque se investiu muito em estruturas tur\u00edsticas. Sem ele, os A\u00e7ores passariam muito mal. Oxal\u00e1 que consigamos o equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Visita Ad Limina<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>J\u00e1 tem ideia do que \u00e9 que ir\u00e1 dizer ao Papa Francisco quando, em maio do pr\u00f3ximo ano, lhe prestar as primeiras contas na visita Ad Limina?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 tenho uma s\u00e9rie de gente em crise a trabalhar para redigir textos, fazer inqu\u00e9ritos, ir \u00e0s estat\u00edsticas&#8230; Procur\u00e1mos dividir trabalhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Devo dizer aqui um segredo, j\u00e1 agora fica toda a diocese tamb\u00e9m a sab\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu, como bispo h\u00e1 menos de dois anos, n\u00e3o era obrigado a fazer relat\u00f3rio, mas decidimos faz\u00ea-lo. Faz-nos bem ir ver os \u00faltimos dez anos, ver como \u00e9 que a diocese esteve, e ser este um dos pontos que nos ajudem a projetar o ano 2034, os 500 anos. Portanto, decidimos fazer na mesma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m devo dizer aqui um pormenor, que \u00e9 um meio segredo, uma coisa muito interna. <strong>As perguntas, muitas delas, est\u00e3o muito desatualizadas<\/strong>. Quisemos mostrar algumas das perguntas a um ou outro leigo &#8211; acho que a Igreja hoje tem que caminhar nesta abertura &#8211; e houve uma leiga concretamente, mas era o casal que estava a pronunciar-se, que disse: \u201colhe que algumas perguntas s\u00e3o um bocadinho inquisitoriais, olhe que algumas perguntas est\u00e3o muito desatualizadas, olhe que n\u00f3s n\u00e3o somos capazes, nem queremos responder a estas perguntas\u201d. Eu disse: \u201cent\u00e3o escreva isso\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Perguntas que v\u00eam do Vaticano para preparar a visita Ad Limina&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o coisas que est\u00e3o escritas h\u00e1 muitos anos&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando n\u00f3s falamos de sinodalidade, n\u00f3s temos de ser capazes de tratar de assuntos com uma linguagem que seja tamb\u00e9m de todos. E que todos possam perceber, onde todos se sintam confort\u00e1veis a responder, sejam bispos, sejam padres, sejam leigos. Porque se \u00e9 uma coisa que tem a ver com leigos&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Volto aqui ainda a um aspeto: quando falamos da participa\u00e7\u00e3o na vida da Igreja e da corresponsabilidade (\u00e0s vezes algumas pessoas preferem s\u00f3 falar de participa\u00e7\u00e3o porque corresponsabilidade j\u00e1 mexe um bocadinho na quest\u00e3o da autoridade, e a nossa autoridade \u00e9 a autoridade Jesus Cristo e Cristo crucificado, portanto, \u00e9 servi\u00e7o, \u00e9 morrermos para darmos vida) estamos a falar de uma realidade em que o padre ou o bispo tem um conselho, pede opini\u00e3o, mas pode n\u00e3o a seguir. Ser consultivo \u00e9 quase um pouco humilhante. Naquilo que n\u00e3o tem a ver com o sagrado, naquilo que \u00e9 administrativo, que tem a ver com a vida da comunidade toda, com a organiza\u00e7\u00e3o da comunidade, devia ter efeito deliberativo. Claro que isto vai mexer com o Direito Can\u00f3nico, muitas coisas que vamos ter de mudar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas voltemos l\u00e1: as pr\u00f3prias perguntas, a pr\u00f3pria linguagem que n\u00f3s usamos tem que ser uma linguagem suficientemente aberta, atual, que colha a vontade de se responder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se calhar pod\u00edamos falar de outros setores da vida da Igreja. Temos que atualizar esta forma de comunicar e de pedir: temos de sentar \u00e0 mesa e o cardeal tem de falar uma linguagem que a jovem africana ou asi\u00e1tica possa perceber quando estamos \u00e0 volta da mesma mesa e com os mesmos direitos, nascidos de batismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos responder, mesmo com perguntas que \u00e0s vezes j\u00e1 n\u00e3o se entendem bem ou j\u00e1 est\u00e3o desatualizadas e fora de \u00e9poca, mas vamos faz\u00ea-lo tamb\u00e9m para percebermos e nos comprometermos mais neste tempo zero que \u00e9, at\u00e9 2025, o tempo de prepara\u00e7\u00e3o dos ciclos pastorais at\u00e9 aos 500 anos.<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_12586\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fHquKhmwcaw?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Armando Esteves Domingues fala dos projetos para uma diocese que vai assinalar 500 anos em 2034, onde quer \u00abconstruir a unidade\u00bb apesar da descontinuidade geogr\u00e1fica, alerta para a clericaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m dos leigos, afirma que a sinodade \u00e9 \u00abum estilo impar\u00e1vel\u00bb e acredita na participa\u00e7\u00e3o dos jovens<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":306761,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-306853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}