{"id":306825,"date":"2023-12-09T16:24:29","date_gmt":"2023-12-09T16:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306825"},"modified":"2023-12-12T15:59:46","modified_gmt":"2023-12-12T15:59:46","slug":"trafico-humano-ajudar-os-outros-e-uma-forma-de-protesto-para-nao-calar-o-mal-que-acontece-aos-outros-helena-pina-vaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trafico-humano-ajudar-os-outros-e-uma-forma-de-protesto-para-nao-calar-o-mal-que-acontece-aos-outros-helena-pina-vaz\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico humano: Ajudar os outros \u00e9 \u00abuma forma de protesto\u00bb para \u00abn\u00e3o calar o mal que acontece\u00bb &#8211; Helena Pina-Vaz"},"content":{"rendered":"<p><em>Hist\u00f3ria de Nadege Ilick, jovem dos Camar\u00f5es, vai ajudar a refletir sobre realidade do tr\u00e1fico humano na XVII edi\u00e7\u00e3o do Pres\u00e9pio ao vivo de Priscos<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_306577\" aria-describedby=\"caption-attachment-306577\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-306577 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1001\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Nadege-Ilick-e-Helena-Pina-Vaz-Priscos2-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306577\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/LS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Braga, 09 dez 2023 (Ecclesia) \u2013 Helena Pina-Vaz acolheu, em Portugal, Nadege Ilick, jovem dos Camar\u00f5es que foi v\u00edtima de tr\u00e1fico humano, e explica que a ajuda que presta \u00e9 uma forma de \u201cprotesto pelo que acontece de mal aos outros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 que eu posso fazer melhor do meu tempo? \u00c9 muito indigno que n\u00f3s estejamos a ver isto acontecendo. E isto acontece \u00e0 m\u00e3o dos seres humanos. E n\u00f3s n\u00e3o podemos permitir isto. Eu n\u00e3o fa\u00e7o s\u00f3 para ajudar. Fa\u00e7o as coisas como protesto pelo mal que eu vejo acontecer, que n\u00e3o pode ser\u201d, conta \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Helena Pina-Vaz, que trabalha numa institui\u00e7\u00e3o de ensino em Braga, conta que foi contatada pela Plataforma de Apoio aos Refugiados em 2019, questionando se podia acolher uma fam\u00edlia com um beb\u00e9 de seis meses: \u201cTinham acabado de ser resgatados de um barco, na imin\u00eancia de um afogamento, porque estavam a ser perseguidos pelos barcos l\u00edbios, que os tentavam abalroar\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Quatro anos depois Nadege Ilick est\u00e1 a residir em Braga, tem emprego e conseguiu que os seus tr\u00eas filhos, que tinham ficado nos Camar\u00f5es, viessem para Portugal \u2013 \u201cA filha mais velha j\u00e1 n\u00e3o ia \u00e0 escola e estava escondida porque, \u00e0 semelhan\u00e7a da m\u00e3e, seria dada em casamento\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas criticam e dizem que a Nadege deve estar com uma casa de Seguran\u00e7a Social, deve estar com subs\u00eddios. N\u00e3o. Ela trabalha desde que chegou c\u00e1, ela tem a sua pr\u00f3pria casa que ela paga, est\u00e1 agora a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria casa &#8211; trabalha s\u00e1bados, feriados, na pr\u00f3pria obra da casa, para que a m\u00e3o-de-obra seja um custo menor. \u00c9, portanto, uma pessoa que vive com toda a dignidade, que paga os seus impostos, que contribui para a sociedade, e que est\u00e1 aqui a educar os seus filhos, e que trouxe mais quatro crian\u00e7as, que \u00e9 outra riqueza que ela trouxe ao nosso pa\u00eds\u201d, indica.<\/p>\n<p>Helena lamenta que situa\u00e7\u00f5es como a de Nadege Ilick aconte\u00e7am diariamente e nada se fa\u00e7a e d\u00e1 conta que, j\u00e1 estando em Portugal, muitas v\u00edtimas ficam ainda presas a hist\u00f3rias no seu pa\u00eds de origem, com d\u00edvidas para pagar as viagens clandestinas sob amea\u00e7as a familiares que ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cIsto acontece todos os dias. E n\u00e3o podemos permitir. Esta realidade do tr\u00e1fico de pessoas humanas tem de ser trazida de cima, n\u00e3o \u00e9? Esta realidade do tr\u00e1fico. Se n\u00e3o deixarmos estes testemunhos serem partilhados, isto passa, amanh\u00e3 \u00e9 outro assunto e n\u00f3s j\u00e1 esquecemos\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Em Portugal h\u00e1 pouco mais de quatro anos, Nadege Ilick, natural dos Camar\u00f5es, que este ano \u00e9 o rosto do tema desta edi\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio vivo de Priscos, dedicado \u00e0s v\u00edtimas de tr\u00e1fego humano, recorda que teve a sua primeira filha aos 12 anos.<\/p>\n<p>Dada em casamento, o seu primeiro marido morreu, tendo sido passada para o seu irm\u00e3o; quando este faleceu, a fam\u00edlia queria que Nadege fosse dada a outro familiar, mas a jovem recusou e fugiu para poder ser livre.<\/p>\n<p>No trajeto de fuga, que passou pela Arg\u00e9lia, L\u00edbia e Lampedusa, em It\u00e1lia, antes de chegar a Portugal, a jovem esteve cativa, enganada e mantida numa casa de prostitui\u00e7\u00e3o; teve um filho no ch\u00e3o de uma pris\u00e3o, e atravessou o Mediterr\u00e2neo num barco de borracha lotado com o filho, na altura com seis meses, nos bra\u00e7os, prestes a ser abalroado e com \u00e1gua acima das suas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cDisseram-me que Portugal \u00e9 um pa\u00eds pequeno, que \u00e9 muito acolhedor, mas que o problema era o sal\u00e1rio, porque n\u00e3o \u00e9 muito alto. Eu n\u00e3o olhei para o sal\u00e1rio, o dinheiro, disse: se estiver em paz, l\u00e1, prefiro ir para l\u00e1. Se forem acolhedores, prefiro ir para onde as pessoas me vejam como sou, em vez de ganhar mais dinheiro\u201d, conta.<\/p>\n<p>Na sua vida de 29 anos, Nadege foi recuperando a sua autoestima \u2013 \u201cNo meu pr\u00f3prio pa\u00eds, onde fui violada pelo meu marido e pelos irm\u00e3os do meu marido, j\u00e1 n\u00e3o tinha confian\u00e7a em mim pr\u00f3pria. Achava-me um farrapo\u201d \u2013 mas na Europa, encontrou \u201cmulheres com direitos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNa Europa, senti que, finalmente, podia sentir-me igual aos outros e dizer que n\u00e3o, se quisesse. \u00c9 isso que estou a fazer agora. Agora posso ficar durante muito tempo sem ter nada a ver com um homem. N\u00e3o me sinto obrigada a faz\u00ea-lo. Isso significa que estou a recuperar a minha dignidade de mulher\u201d, explica.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VNrTMrs3mM\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trafico-humano-nadege-ilick-fugiu-de-casamentos-arranjados-e-hoje-agradece-estar-num-pais-onde-uma-mulher-tem-palavra-e-opiniao\/\">Tr\u00e1fico humano: Nadege Ilick fugiu de casamentos arranjados e hoje agradece estar num pa\u00eds onde uma \u00abmulher tem palavra e opini\u00e3o\u00bb<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Tr\u00e1fico humano: Nadege Ilick fugiu de casamentos arranjados e hoje agradece estar num pa\u00eds onde uma \u00abmulher tem palavra e opini\u00e3o\u00bb&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" 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