{"id":306715,"date":"2023-12-10T09:33:19","date_gmt":"2023-12-10T09:33:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306715"},"modified":"2023-12-08T22:35:10","modified_gmt":"2023-12-08T22:35:10","slug":"ups-raptaram-me-o-menino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ups-raptaram-me-o-menino\/","title":{"rendered":"Ups!! Raptaram-me o Menino \u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Luisa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270501 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/luisa-goncalves-funchal.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Foi h\u00e1 800 anos que S\u00e3o Francisco de Assis criou o primeiro pres\u00e9pio. H\u00e1 bem menos tempo nascia em mim um gosto especial por estas representa\u00e7\u00f5es do nascimento do Menino e pelo pr\u00f3prio Menino.<\/p>\n<p>Tenho pres\u00e9pios feitos de materiais mais \u201cnobres\u201d e outros feitos de calhaus das praias aqui da Madeira. Meninos, tenho-os sentados, deitados, de p\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem quantos. N\u00e3o fa\u00e7o a m\u00ednima ideia. Estou para os arrumar devidamente e contar. Uma tarefa que todos os anos vai sendo adiada, porque me oferecem pres\u00e9pios e Meninos \u201cpor atacado\u201d. Curiosamente, s\u00f3 tenho um ou outro repetido.<\/p>\n<p>Penso que este gosto come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia, quando o meu pai arrumava a loja \u2013 local onde guard\u00e1vamos toda a tralha e mais alguma \u2013 de modo a que lhe fosse mais f\u00e1cil colocar as socas de canavieira, que serviam de suporte a tudo o que vinha a seguir.<\/p>\n<p>Depois das socas era colocado o papel pardo, pintado com viochene. Male\u00e1vel, o papel permitia imitar uma serra, com todas as suas caracter\u00edsticas. No centro era criada uma furna onde a Sagrada Fam\u00edlia teria lugar de destaque.<\/p>\n<p>A seguir era colocada a gambiarra que iria dar toda a luz necess\u00e1ria \u00e0 obra prima e o musgo apanhado na serra. Depois, com muito cuidado, \u2018nasciam\u2019 as figuras das lavadeiras, dos pastores, dos m\u00fasicos da banda, dos padeiros, dos homens e mulheres da aldeia, dos pescadores e outras mais.<\/p>\n<p>E s\u00f3 depois \u00e9 que entravam as figuras que faziam todas as outras ficar em harmonia: Maria, Jos\u00e9, os Reis Magos, a estrela, a vaca, o burro e algumas ovelhas que o pai achava bem andarem tamb\u00e9m por ali.<\/p>\n<p>Como o papel era escuro e havia que lhe dar cor, usavam-se uns p\u00f3s que se sopravam aqui e ali. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se colocava o que aqui se chamam cabrinhas, as searas de trigo, lentilha e milho e na base vasos com sapatinhos.<\/p>\n<p>As muitas ribeiras e quedas de \u00e1gua da ilha eram representadas com algod\u00e3o, mas lembro-me de um ano que o pai resolveu que seria bonito colocar por ali um lago. Tinha patinhos de pl\u00e1stico, que faziam companhia a pequenos peixes de verdade.<\/p>\n<p>No teste de luz faziam-se as altera\u00e7\u00f5es eventualmente necess\u00e1rias. Um pastor podia mudar de s\u00edtio, uma vendedora de ovos passar para outro lado, uma igreja na montanha.<\/p>\n<p>Quando me mudei para a minha casa continuei a fazer o pres\u00e9pio &#8211; hoje s\u00f3 fa\u00e7o a lapinha, como aqui se chama ao pres\u00e9pio em escadinha &#8211; mas j\u00e1 sem socas e mais pequena. Fui fazendo at\u00e9 os meus filhos terem uma certa idade.<\/p>\n<p>\u00c0 vinda da Missa do Galo, eram eles que se encarregavam de colocar o menino na manjedoura. Mas houve um ano que o menino desapareceu. Colocava-o sempre no m\u00f3vel da sala e Ele n\u00e3o estava l\u00e1.<\/p>\n<p>O rebuli\u00e7o instalou-se. Depois de muito procurar e de nada encontrar, dos mi\u00fados terem garantido mil vezes que n\u00e3o lhe tinham tocado, l\u00e1 fui buscar outro.<\/p>\n<p>Nesse ano, com muita pena minha, nossa Senhora ia ter um Menino que n\u00e3o era o Dela, um Menino que n\u00e3o fazia parte daquele conjunto.<\/p>\n<p>J\u00e1 ia a tarde do Dia de Natal bem avan\u00e7ada, quando recebo um telefonema. Um dos amigos que l\u00e1 tinha estado na v\u00e9spera, diz que tem o meu Menino e pede-me um resgate para o ter de volta.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira, confesso que achei piada \u00e0 brincadeira. Mas, desse dia em diante, passei a guardar o Menino noutro canto n\u00e3o fosse o peste do amigo querer repetir a proeza de me raptar o Menino.<\/p>\n<p>O facto \u00e9 que, uns dias e uma poncha depois, como pagamento, a pequenina imagem voltou para casa, ainda a tempo de fazer nova troca. Tenho para mim, que Nossa Senhora n\u00e3o deve ter achado muita gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Agora, quando tenho visitas para ver os pres\u00e9pios, j\u00e1 toda a gente sabe que vai ser \u201crevistada\u201d \u00e0 sa\u00edda. Instalei um detetor de Meninos para o caso de haver mais um engra\u00e7adinho que se lembre de me levar a vaca ou o jumento, pe\u00e7as centrais do pres\u00e9pio de Greccio, de Francisco de Assis e minhas tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luisa Gon\u00e7alves, Diocese do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-306715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}