{"id":306626,"date":"2023-12-10T09:33:22","date_gmt":"2023-12-10T09:33:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=306626"},"modified":"2023-12-07T13:42:49","modified_gmt":"2023-12-07T13:42:49","slug":"sociedade-nao-e-preciso-reinventar-a-onu-e-preciso-que-as-pessoas-voltem-a-comprometer-se-como-ha-75-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-nao-e-preciso-reinventar-a-onu-e-preciso-que-as-pessoas-voltem-a-comprometer-se-como-ha-75-anos\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00abN\u00e3o \u00e9 preciso reinventar a ONU, \u00e9 preciso que as pessoas voltem a comprometer-se como h\u00e1 75 anos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>O Dia Mundial dos Direitos Humanos, e os 75 anos da sua Declara\u00e7\u00e3o Universal, levam-nos hoje \u00e0 conversa com In\u00eas Espada Vieira. \u00c9 docente da faculdade de Ci\u00eancias Humanas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, onde coordena a Iniciativa de Apoio a Estudantes Refugiados. Em novembro foi eleita presidente do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3, cuja dire\u00e7\u00e3o integrava<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_306630\" aria-describedby=\"caption-attachment-306630\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-306630 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-4-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306630\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Beatriz Pereira\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A atualidade est\u00e1 definitivamente marcada pela guerra, ou pelas guerras. Como \u00e9 que isto te interpela, estando neste momento \u00e0 frente do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3?<\/em><\/p>\n<p>Obviamente,\u00a0qualquer cidad\u00e3o atento, independentemente a quem reza, n\u00e3o deixa de se interpelar por aquilo que est\u00e1 a acontecer.\u00a0Tamb\u00e9m penso que esteve sempre a acontecer qualquer coisa, a hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 uma hist\u00f3ria de afli\u00e7\u00f5es, de d\u00favidas, de hesita\u00e7\u00f5es e de desastres provocados pelo ser humano. Eu diria que\u00a0no Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3 continuamos a ser aquilo para que o centro nasceu em 1975, e que \u00e9 para se questionar, mais do que para dar respostas \u00e9 para fazer perguntas sem medo e para falar sobre as coisas, sobre a vida, sobre aquilo que nos preocupa como sociedade, como indiv\u00edduos, como portugueses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entre as prioridades do CRC est\u00e3o v\u00e1rios temas que s\u00e3o centrais na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, como a paz, os jovens, a pobreza, as desigualdades, as migra\u00e7\u00f5es ou os direitos das mulheres. O que \u00e9 que j\u00e1 est\u00e1 pensado neste campo?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro que tudo, o CRC tem mem\u00f3ria, e mais do que uma mem\u00f3ria de combate \u00e9 uma mem\u00f3ria combativa, de continuarmos a lutar por um mundo melhor, a darmos raz\u00f5es de esperan\u00e7a uns aos outros, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dizer que as pessoas precisam de esperan\u00e7a, n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos de esperan\u00e7a. E essas prioridades enunciadas n\u00e3o s\u00e3o novidade no Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3.<\/p>\n<p>Queria aqui resguardar-me no facto de termos sido eleitos apenas em\u00a0novembro. A dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 neste momento a fazer, sobretudo, um trabalho de &#8216;formiguinha&#8217;, de voltar a pensar nas coisas, para depois podermos entrar num di\u00e1logo mais alargado entre os s\u00f3cios, entre os amigos, o nosso Conselho Consultivo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo se falaste tamb\u00e9m na quest\u00e3o clim\u00e1tica, mas todos esses temas se cruzam, porque n\u00e3o podemos falar hoje de mulheres, sem falarmos na situa\u00e7\u00e3o das mulheres migrantes, por exemplo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa tem sido uma das preocupa\u00e7\u00f5es do Papa, ligar a crise clim\u00e1tica \u00e0 quest\u00e3o da pobreza, das desigualdades sociais, das migra\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>O Papa fez uma coisa que eu acho extraordin\u00e1ria, que foi simplificar uma coisa que \u00e9 complexa em termos de discurso, disse que isto tudo est\u00e1 interligado. Sim, \u00e9 uma evid\u00eancia, mas quem \u00e9 que\u00a0tinha dito isto assim antes?\u00a0De que forma \u00e9 que ouvimos isto?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Dito assim, e repetidamente&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Que \u00e9 uma das estrat\u00e9gias da comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes no mau sentido, mas quanto mais repetimos, mais ouvimos. Mesmo quest\u00f5es como todo o ser humano tem a sua dignidade, falar da cultura, do encontro ou da import\u00e2ncia do di\u00e1logo da caridade no espa\u00e7o p\u00fablico. Juntar estas palavras: caridade, pol\u00edtica, a pol\u00edtica melhor, o amor eficaz \u00e9 vocabul\u00e1rio que todos conhecemos, mas que ressignifica uma realidade que est\u00e1vamos a viver e que n\u00e3o estava estruturada, ou t\u00e3o sistematizada, talvez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E sendo dito pelo Papa tem outra autoridade?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que, noutros contextos, houve sempre na Igreja quem chamasse a aten\u00e7\u00e3o para estas quest\u00f5es, muitas vezes vistos como politicamente influenciados. Mas esta tamb\u00e9m \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Os cat\u00f3licos &#8211; a ver se isto n\u00e3o \u00e9 mal interpretado &#8211; somos s\u00f3 pessoas iguais \u00e0s outras, com as mesmas ansiedades, com as mesmas expectativas, os mesmos sonhos de paz, de conforto, de partilha, de alegria, de felicidade num almo\u00e7o de fam\u00edlia ou de orgulho num filho que termina um curso com brio. Somos s\u00f3 iguais aos outros. Portanto,\u00a0o lugar dos cat\u00f3licos na sociedade \u00e9 o mesmo dos outros cidad\u00e3os. O que \u00e9 que temos de diferente?\u00a0Claro, estou a dizer que somos iguais, mas obviamente\u00a0temos um colo que \u00e9 um consolo grande, da nossa f\u00e9,\u00a0uma confian\u00e7a naquilo que que Jesus nos veio dizer que \u00e9 &#8216;amai-vos uns aos outros, perdoai-vos&#8217;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para o que \u00e9 o discurso dos direitos humanos, da promo\u00e7\u00e3o da dignidade e da igualdade social, quando se fala da voz da Igreja Cat\u00f3lica na defesa dos direitos humanos h\u00e1 sempre quem surja com algum desconforto a dizer que esse n\u00e3o \u00e9 o papel da Igreja, o papel da Igreja \u00e9 o da salva\u00e7\u00e3o das almas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Bem, eu a\u00ed diria simplesmente que discordo. N\u00e3o sou te\u00f3loga, mas aquilo que sabemos \u00e9 que Jesus veio viver no seu tempo, nas ruas, na casa dos pol\u00edticos, na casa dos trabalhadores, nas assembleias. Embora a dimens\u00e3o espiritual tamb\u00e9m seja importante &#8211; e est\u00e1 presente, por exemplo, na vida do Centro de reflex\u00e3o Crist\u00e3, tamb\u00e9m promovemos encontros de celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, de espiritualidade -, mas diria que se o nosso exemplo \u00e9 Jesus Cristo, \u00e9 um homem de sand\u00e1lias a levantar o p\u00f3 da terra, porque andava de um lado para o outro.<\/p>\n<p>Penso que\u00a0a Igreja tem de estar no mundo porque n\u00e3o h\u00e1 outro lugar, sen\u00e3o ser\u00edamos outra coisa.\u00a0Mas n\u00e3o vamos estar sempre a dizer &#8216;eu fa\u00e7o assim, porque sou assado&#8217;, ou &#8216;eu perten\u00e7o aqui&#8217;. \u00c9 acolher com naturalidade a nossa filia\u00e7\u00e3o &#8211; e filia\u00e7\u00e3o aqui no sentido &#8216;philia&#8217;, que \u00e9 amor fraternal -, filia\u00e7\u00e3o a uma comunidade crente, mas sabendo que h\u00e1 outros irm\u00e3os e irm\u00e3s, outros amigos, outras pessoas que podem, connosco, construir esse mundo. Ali\u00e1s, a declara\u00e7\u00e3o de Abu Dhabi mostra bem o papel das religi\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o da paz e da fraternidade humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma das \u00e1reas em que os direitos humanos s\u00e3o muitas vezes amea\u00e7ados \u00e9 a das migra\u00e7\u00f5es, \u00e1rea a que, de resto, tens estado sempre ligada. Est\u00e1s a coordenar esta Iniciativa de Apoio a Estudantes Refugiados na Universidade Cat\u00f3lica, j\u00e1 acolheste refugiados na par\u00f3quia de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino e organizaste h\u00e1 uns anos uma exposi\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que v\u00eas o aumento dos discursos populistas que alimentam a narrativa da invas\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Com muita preocupa\u00e7\u00e3o e como uma interpela\u00e7\u00e3o para fazer alguma coisa. E\u00a0fazer alguma coisa \u00e9 dar testemunho, n\u00e3o nos negarmos a partilhar as nossas ideias, ajudar a construir um pensamento cr\u00edtico. Porque o discurso populista \u00e9 relativamente f\u00e1cil de desmontar com uma ou duas chaves de leitura, e penso que mais do que centrarmo-nos no discurso populista, todos, nos nossos lugares de trabalho, de fam\u00edlia, de encontro, podemos agir de uma forma pedag\u00f3gica. Porque \u00e0s vezes\u00a0as pessoas que acham que os refugiados s\u00e3o todos uns malandros e que v\u00eam tirar o trabalho e outras coisas, \u00e9 porque nunca ningu\u00e9m ajudou a desmontar esses medos.\u00a0As pessoas t\u00eam medo, n\u00e3o porque s\u00e3o m\u00e1s pessoas, \u00e9 o medo do desconhecido.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 tive v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que para mim foram uma surpresa, mas que me abriram os olhos, como acompanhar um menino refugiado s\u00edrio a uma urg\u00eancia hospitalar e a pessoa que estava na rece\u00e7\u00e3o ficar parada e dizer &#8216;ah, mas \u00e9 t\u00e3o branquinho&#8221;. Claro, para mim, em certa medida, foi um choque, &#8216;que coment\u00e1rio \u00e9 este, que desprop\u00f3sito?&#8217;. Mas por outro lado, aquela pessoa disse, do fundo do seu cora\u00e7\u00e3o, sem filtro, que (o menino) n\u00e3o correspondia a uma imagem constru\u00edda.<\/p>\n<p>O ano passado, depois de uma sess\u00e3o com estudantes refugiados na Cat\u00f3lica, uma aluna disse-me que tinha gostado muito e que nunca tinha visto um refugiado pessoalmente, como se fosse uma exposi\u00e7\u00e3o&#8230; mas \u00e9 a verdade.<\/p>\n<p>Se n\u00f3s conhecermos podemos amar melhor, devemos acolher essas d\u00favidas e pensar nas oportunidades que temos para fazer um pouco de discurso pedag\u00f3gico.\u00a0\u00c9 o meu lado de professora&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os discursos (populistas) alimentam-se da diaboliza\u00e7\u00e3o do outro, que transformam em amea\u00e7a. Quando se olha para o para outro ser humano desta maneira, em vez de algu\u00e9m com a mesma dignidade, n\u00e3o estamos aqui perante uma derrota da humanidade?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, um crist\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 derrotado nunca!\u00a0N\u00e3o h\u00e1 derrota, h\u00e1 um desafio,\u00a0uma interpela\u00e7\u00e3o constante e \u00e0s vezes h\u00e1 cansa\u00e7o. \u00c0s vezes dizemos &#8216;onde \u00e9 que n\u00f3s vamos parar?&#8217;, suspiramos a ver a televis\u00e3o. E quando as pessoas est\u00e3o aflitas com as imagens terr\u00edveis que vemos &#8211; e se calhar at\u00e9 diria que vemos demasiadas imagens, \u00e9 outra reflex\u00e3o -, com esta exposi\u00e7\u00e3o do que tem sido agora o conflito em Gaza, especificamente, mas como aconteceu na guerra da Ucr\u00e2nia ou em Cabo Delgado, ficamos assoberbados com estas situa\u00e7\u00f5es e a achar que n\u00e3o podemos fazer nada, mas podemos. Podemos fazer muito, aqui e agora, com aquelas pessoas que realmente podemos ajudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_306628\" aria-describedby=\"caption-attachment-306628\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306628\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306628\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Beatriz Pereira\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A rea\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao desconhecido, ao que chega e que n\u00e3o conhecemos, tamb\u00e9m se prende muitas vezes com as condi\u00e7\u00f5es sociais em que as pessoas est\u00e3o a viver? Ou seja, tamb\u00e9m h\u00e1 a responsabilidade dos Estados que acolhem em perceber que t\u00eam de dar condi\u00e7\u00f5es para se acolher?<\/em><\/p>\n<p>Concordo que h\u00e1 muitas vezes esta sensa\u00e7\u00e3o de &#8221;eu n\u00e3o tenho e a mim ningu\u00e9m me d\u00e1 nada&#8217;. Tamb\u00e9m j\u00e1 ouvi isso. Estas express\u00f5es s\u00e3o desabafos. Primeiro, apesar de todas as suas imperfei\u00e7\u00f5es, n\u00f3s temos um Estado social de que nos devemos orgulhar, se &#8216;ningu\u00e9m me d\u00e1 nada&#8217; \u00e9 porque n\u00e3o pedi, ou na verdade n\u00e3o preciso. Depois, isto n\u00e3o \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 que merece mais &#8211; merecer n\u00e3o \u00e9 palavra -, a d\u00e1diva tem de ser gratuita, generosa e sem esperar nada em troca.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia que eu tenho &#8211; isto n\u00e3o \u00e9 um estudo, \u00e9 a minha experi\u00eancia &#8211; \u00e9 a de que as organiza\u00e7\u00f5es, as pessoas e par\u00f3quias que ajudam refugiados tamb\u00e9m ajudam as pessoas n\u00e3o refugiadas, os cidad\u00e3os que vivem em Portugal &#8211; portugueses ou n\u00e3o &#8211; que est\u00e3o em necessidade, nunca h\u00e1 tirar de um lado para dar do outro. At\u00e9 porque a maioria do financiamento que temos para apoiar as pessoas refugiadas vem de fora.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode haver uma competi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode haver uma concorr\u00eancia.\u00a0Isto n\u00e3o \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7as ou de quem precisa mais. Temos de tentar chegar a todos.<\/p>\n<p>Gosto muito da frase de Aristides de Sousa Mendes, que tenho marcada at\u00e9 para o dia a dia, que \u00e9 &#8216;era verdadeiramente a minha inten\u00e7\u00e3o salvar toda aquela gente&#8217;. Eu acrescento aqui um &#8216;tentar&#8217;, que implica logo que podemos n\u00e3o conseguir. Aristides de Sousa Mendes, que era um crist\u00e3o comprometido no seu tempo, como se p\u00f4de ver pelas vidas que salvou, d\u00e1-nos esta li\u00e7\u00e3o pelo exemplo, n\u00e3o \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o professoral, doutoral, mas \u00e9 salvar toda aquela gente. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia, temos de conseguir chegar a todos, e \u00e0s vezes o problema \u00e9 que demora muito tempo &#8211; vou usar esta palavra de prop\u00f3sito &#8211; a &#8216;salvar&#8217; as pessoas.<\/p>\n<p>Aquela primeira interpela\u00e7\u00e3o que temos perante uma crian\u00e7a que chora desamparada, um velho estropiado, uma mulher abandonada, \u00e9 de salvar, queremos quase um momento m\u00e1gico, mas a salva\u00e7\u00e3o demora muito tempo, porque tem a ver com a integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Neste mundo cada vez mais polarizado, qual \u00e9 o papel da universidade na forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica das novas gera\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Penso que \u00e9 um papel fundamental, talvez ainda mais crucial hoje, mas\u00a0\u00e9 papel da universidade, de h\u00e1 muitos s\u00e9culos, n\u00e3o s\u00f3 ensinar o conhecimento, como construir o pensamento. E esta palavra constru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra que implica dois lados, ou pelo menos mais m\u00e3os, e que \u00e9 muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o professor que ensina como no s\u00e9culo XIX, \u00e9 tamb\u00e9m \u00e0s vezes propormos coisas novas aos alunos e eles n\u00e3o percebem como \u00e9 isso de serem avaliados sem ser com testes, por exemplo. &#8216;Ent\u00e3o agora tenho de escrever? Mas, tem um esquema do texto?&#8217;. E isto \u00e9 uma luta di\u00e1ria, ou quase di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas discordo de ideias de que a juventude hoje \u00e9 \u2018assim ou assado\u2019. A juventude hoje \u00e9 como foi a do passado, ou seja, \u00e9 sempre diferente das pessoas que foram jovens h\u00e1 mais tempo, como n\u00f3s, e \u00e9 a que temos. \u00c9 com esta que temos de dialogar e \u00e9 tamb\u00e9m esta que temos de ouvir. E estou a falar aqui num ato de contri\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes n\u00e3o temos muita paci\u00eancia para ouvir os jovens, entramos logo numa esp\u00e9cie de avalia\u00e7\u00e3o de valor, &#8216;pois claro, n\u00e3o est\u00e1 a dizer nada de novo&#8217;. Se calhar n\u00e3o est\u00e1, mas est\u00e1 a dizer aquilo que pensa do mundo, e temos de encontrar espa\u00e7os em que eles se sintam mais confort\u00e1veis, mais seguros tamb\u00e9m para falar, sem medo depois dos coment\u00e1rios, ou de dizerem disparates, mas acho isto foi sempre assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa alerta muitas vezes para se lutar contra a indiferen\u00e7a. Referiste h\u00e1 pouco a quest\u00e3o das imagens. hoje a guerra faz-se em direto, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais ou nas redes sociais que depois ampliam as mensagens, muitas vezes de \u00f3dio. Ser\u00e1 que estamos a banalizar demasiado a viol\u00eancia, e isso tem como consequ\u00eancia a indiferen\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que\u00a0o contr\u00e1rio da indiferen\u00e7a \u00e9 a como\u00e7\u00e3o, e a como\u00e7\u00e3o \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a.\u00a0Eu posso ainda n\u00e3o saber o que fazer, mas comovi-me, ou seja, houve um gesto, pode ser emocional apenas, em dire\u00e7\u00e3o ao outro. Movi-me, aproximei-me do outro. As imagens s\u00e3o precisas. Goya, nos caprichos e nos desenhos violent\u00edssimos que pintou e desenhou, j\u00e1 nos mostrou isso h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Concordo, contudo, com esta quest\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o.\u00a0A repeti\u00e7\u00e3o assusta-me, estarmos sempre a ver as mesmas imagens. N\u00e3o acho que a guerra se fa\u00e7a em direto, acho que h\u00e1 uma apar\u00eancia do direto. O que \u00e9 isto do direto?<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo do livro de Jos\u00e9 Gil, \u2018Portugal Hoje, O Medo de Existir\u2019, tem um t\u00edtulo lind\u00edssimo, que \u00e9 \u2018Como Conv\u00e9m televiver\u2019. E o &#8216;tele&#8217; \u00e9 obviamente da televis\u00e3o, mas\u00a0 tamb\u00e9m \u00e9 o prefixo que temos para a dist\u00e2ncia. Ele fala, neste primeiro cap\u00edtulo, numa esp\u00e9cie de norma que nos \u00e9 imposta, a dizer \u2018tu vais ver isto, esta \u00e9 a sequ\u00eancia, o alinhamento do telejornal ou das not\u00edcias na r\u00e1dio, vais pensar sobre isto, e depois no final n\u00f3s mostramos-te um panda\u2019. Isto s\u00e3o as desgra\u00e7as, \u00e9 a apar\u00eancia do direto, \u00e9 o direto ali\u00e1s, com os rep\u00f3rteres em Gaza &#8211; ou no caso, um dos exemplos que ele d\u00e1, no Zimb\u00e1bue -, mas na verdade n\u00e3o \u00e9 um direto, porque n\u00e3o toca a tua vida, n\u00e3o est\u00e1 na tua vida, \u00e9 uma vida l\u00e1 longe.<\/p>\n<p>Este texto para mim \u00e9 muito importante para os dias de hoje, ajuda muito a pensar.\u00a0Pode haver o risco da banaliza\u00e7\u00e3o, claro, mas n\u00f3s tamb\u00e9m temos de ser responsabilizados, n\u00f3s cidad\u00e3os, jovens e menos jovens, h\u00e1 uma parte que tem de ser uma a\u00e7\u00e3o nossa de procura da informa\u00e7\u00e3o.\u00a0N\u00e3o \u00e9 dizer &#8216;eu n\u00e3o sei nada porque disto n\u00e3o falam&#8217;. Falam. A imprensa portuguesa, a r\u00e1dio, agora tamb\u00e9m os podcasts, a televis\u00e3o, tem boa informa\u00e7\u00e3o, tem bom espa\u00e7o de debate, de an\u00e1lise, de di\u00e1logo, na minha opini\u00e3o, s\u00f3 que \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 aquele que est\u00e1 na espuma das grelhas, para n\u00e3o dizer na espuma dos dias.<\/p>\n<p>Quando no Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio aos Peixes, o nosso padre Ant\u00f3nio Vieira pergunta se \u00e9 o sal que n\u00e3o salga ou \u00e9 a terra que n\u00e3o se deixa salgar, pois n\u00f3s tamb\u00e9m temos de ser uma terra que se deixe salgar e que n\u00e3o responsabilize s\u00f3 os outros, que n\u00e3o me dizem, n\u00e3o me contam&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_306629\" aria-describedby=\"caption-attachment-306629\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-306629\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/ines-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-306629\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Beatriz Pereira\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o evidente, at\u00e9 pelo cen\u00e1rio internacional de que falamos, com as institui\u00e7\u00f5es e em particular da ONU. \u00c9 preciso repensar o papel das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em particular nestes cen\u00e1rios de conflitos e de crises humanit\u00e1rias?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro, e\u00a0os Estados poderiam e deveriam apostar mais numa coisa muito mais dif\u00edcil do que fazer acordos bilaterais, que \u00e9 o multilateralismo de que a ONU \u00e9 respons\u00e1vel, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m acho que n\u00e3o devemos a avaliar a ONU pela mesma bitola das redes sociais, da exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabemos o trabalho que \u00e9 feito discretamente, muito discretamente.<\/p>\n<p>O primeiro mandato de Ant\u00f3nio Guterres foi muito criticado, porque ele s\u00f3 falava no clima, n\u00e3o estava a fazer nada. Aquela famosa capa da \u2018Time\u2019, que \u00e9 uma das fotografias mais extraordin\u00e1rias, que mais comunicou, de Ant\u00f3nio Guterres com a \u00e1gua pelos joelhos, de fato e gravata, que est\u00e1 a afundar-se. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 estar a afundar-se, mostra como \u00e9 uma pessoa que est\u00e1 com os p\u00e9s na terra, neste caso com os p\u00e9s na \u00e1gua, onde n\u00e3o h\u00e1, se calhar, muitas luzes e muito som, mas que \u00e9 onde as pessoas est\u00e3o a sofrer. Por isso eu\u00a0diria que n\u00e3o \u00e9 preciso reinventar a ONU, \u00e9 preciso que as pessoas voltem a comprometer-se como h\u00e1 75 anos, com a mesma energia do in\u00edcio,\u00a0porque os in\u00edcios s\u00e3o de maior esperan\u00e7a, os finais s\u00e3o de celebra\u00e7\u00e3o e no meio \u00e9 que custa, o caminho \u00e9 longo e duro.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>No atual contexto, volta a ser importante ter crist\u00e3os ativos? A Igreja est\u00e1 a saber mobilizar os crist\u00e3os? E o que \u00e9 que tens na manga como presidente do CRC para este bi\u00e9nio at\u00e9 2026?<\/em><\/p>\n<p>Bom, vai ficar na manga mais um bocadinho. N\u00f3s temos duas publica\u00e7\u00f5es que eu preferia n\u00e3o revelar j\u00e1, porque t\u00eam um lado tamb\u00e9m de surpresa. Mas vamos continuar, a mem\u00f3ria do CRC \u00e9 uma mem\u00f3ria viva, de alegria, de esperan\u00e7a. A\u00a0esperan\u00e7a crist\u00e3 \u00e9 combativa, diz o Papa Francisco, e h\u00e1 muito para fazer em Portugal nestes temas.<\/p>\n<p>O CRC quer continuar a ser um espa\u00e7o de encontro, um espa\u00e7o onde podemos discordar, onde evocamos como for\u00e7a inspiradora crist\u00e3os, como evoc\u00e1mos este ano, nas \u2018Confer\u00eancias de Maio\u2019, Aristides Sousa Mendes, de quem j\u00e1 falei, Manuela Silva, Alfredo Bruto da Costa, Maria de Lourdes Pintasilgo. Eu recordo que Alfredo Bruto da Costa e Manuela Silva foram, talvez, das primeiras pessoas do Portugal democr\u00e1tico a estudar a pobreza e as desigualdades em Portugal, e isso nasceu no CRC. Depois \u00e9 que foi para a Universidade, para a Academia, mas nasceu desta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3 \u00e9 mais um contributo para o nosso espa\u00e7o eclesial e para o nosso espa\u00e7o laical, diria.\u00a0A Igreja tem muitos, muitos lugares de esperan\u00e7a, muitas pessoas que discretamente, nas suas par\u00f3quias, nas suas comunidades, fazem um trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. E \u00e9 uma evangeliza\u00e7\u00e3o, mais uma vez, pelo testemunho, e sem ser uma corrida de ver quem ganha, se a minha igreja est\u00e1 mais cheia que a tua. Hoje fala-se muito nesta ideia de que as igrejas est\u00e3o vazias. Isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de quantidade, bastam \u201cdois ou tr\u00eas reunidos em meu nome\u201d, n\u00e3o \u00e9 20 ou 30, 200 ou 300.<\/p>\n<p>Temos de procurar ser crist\u00e3os empenhados, comprometidos, sabendo que s\u00f3 h\u00e1 uma forma de estar presente, que \u00e9 em comunidade. A liberdade n\u00e3o \u00e9 um valor individual, a liberdade \u00e9 um valor da sociedade, \u00e9 um valor do grupo. E lutaremos sempre por essa liberdade.<\/p>\n<p>Eu queria insistir de novo na palavra alegria e queria acrescentar uma, que \u00e9 muito cara ao CRC, que \u00e9 a quest\u00e3o da criatividade. E criatividade n\u00e3o s\u00f3 art\u00edstica, mas tamb\u00e9m art\u00edstica, o CRC orgulha-se de ter uma hist\u00f3ria de rela\u00e7\u00e3o com os artistas. Mas esta criatividade, como diz Frei Bento Domingues, \u2018nada de novo, tudo novo\u2019. N\u00e3o h\u00e1 nada de novo, porque est\u00e1 tudo dito h\u00e1 2000 anos, mais ou menos, mas \u00e9 tudo novo, porque esta capacidade de nos renovarmos, de renovarmos a nossa esperan\u00e7a, renovarmos a nossa confian\u00e7a, \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Mundial dos Direitos Humanos, e os 75 anos da sua Declara\u00e7\u00e3o Universal, levam-nos hoje \u00e0 conversa com In\u00eas Espada Vieira. \u00c9 docente da faculdade de Ci\u00eancias Humanas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, onde coordena a Iniciativa de Apoio a Estudantes Refugiados. Em novembro foi eleita presidente do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3, cuja dire\u00e7\u00e3o integrava<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":306630,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[189],"class_list":["post-306626","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306626\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}